O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 518

O Ponto de Vista do Vilão

Atualmente, a força de Sansa rivalava a de uma guerreira de nível alto, da classe SS+. E após dominar sua habilidade, poderia-se argumentar que ela havia atingido o auge dessa classificação. Mas agora que absorveu tudo que a Semente tinha a oferecer…

Não havia mais nada que pudesse ser despertado.

Em outras palavras… seu caminho terminara aqui.

'Batalhas mais difíceis nos aguardam… contra monstros muito mais poderosos… como os daqueles Assentos Superiores, que começam a emergir.'

Quando esse momento chegar… eu não conseguirei oferecer muito a você, Frey.'

Sansa falava com total honestidade — pelo menos quando se tratava dele.

Ela não tinha mais ninguém em quem confiar esses medos.

Desde que percebeu a aproximação dos inimigos pela primeira vez…

Ela sabia o quão terrivelmente poderosos eles eram.

E, quando chegasse o momento, Frey seria o único forçado a enfrentá-los sozinho.

Se enfrentasse… morreria.

Sansa não suportava esse pensamento.

Mas os fracos não tinham direito de optar na world que viviam…

Frey entendia perfeitamente seus sentimentos.

Ela havia atingido seu limite.

'Só minha opinião, Sansa… mas acho que você está se subestimando — e ao que realmente é capaz.'

'Você tem um corpo muito além do humano. Uma força monstruosa ao seu alcance.

Essa base sozinha coloca seu ponto de partida anos-luz à frente de pessoas como eu.'

Enquanto outros precisaram escalar do mais baixo ao topo…

Ela foi catapultada direto para o nível SS, tudo por causa da Semente.

Até Frey, com todas as ferramentas absurdas às quais tinha acesso, precisou subir degrau por degrau, suportando sofrimentos sem fim.

A força dele atualmente era resultado de esforço externo.

A base ainda era de nível S.

Mas a fundação de Sansa tinha começado em SS.

'A verdade é que, na sua cabeça, você deve estar acostumada às coisas serem fáceis.

Para superar o nível SS+… é algo que a maioria acredita ser impossível.

Ultrapassar isso? Isso depende de você… do que suas mãos vão construir. Não da Semente.'

Se Sansa quisesse fortalecer…

Só havia um caminho:

'Você terá que viver como um demônio… e seguir o caminho demoníaco.'

Transformar-se em um monstro que se alimenta de vidas e mata para sobreviver.

Um percurso semelhante ao caminho de sangue de Frey.

'Sinceramente… nem sei se tenho moral para te dar esses conselhos.'

Também não sou um humano normal, e meu poder… é só o resultado do caos dentro deste corpo.'

Mas, no final, a verdade deles era a mesma:

Se quisessem poder avassalador, precisavam tornar-se monstros dignos disso.

Seja pelo Caminho do Sangue… que transforma alguém em um matador bêbado de carnificina…

Ou pelo Caminho Demoníaco… que obriga seu usuário a devorar vidas e espalhar a morte por onde passar…

Todos levam ao mesmo destino.

Preparando-se para as batalhas que estão por vir, Frey e Sansa ficaram em silêncio pelo restante da jornada,

cada um mergulhado em seu próprio mundo.

Longe de Frey e sua vanguarda, que até então suportara a maior parte da guerra…

Restava uma parte do exército que ainda não entrara em combate… aqueles estacionados na retaguarda, sob o comando da idosa Iris Luz Solar.

No combate anterior, mais da metade das tropas foi destinada às linhas de frente, deixando cerca de 20 mil homens para trás. Eles foram designados como força de apoio, prontos para intervir apenas em casos de emergência… bem longe do caos do front.

Suas espadas permaneciam impecáveis, sem uma gota de sangue. Talvez por isso eles relaxaram, descansando no acampamento como se não estivessem envolvidos numa guerra.

No limite do acampamento, quatro soldados de meia-idade jogavam cartas, passando as horas deitados à toa.

"Será que essa guerra vai durar muito… sinto saudades dos meus filhos e da minha esposa," suspirou um deles enquanto olhava suas cartas.

"Huh? Reclamando logo cedo? Haha! A gente nem lutou ainda, e você já quer voltar pra casa?" zombou outro, apontando o óbvio — que eles ainda não tinham manchado suas mãos de sangue.

"Sei disso, mas tenho certeza de que vamos vencer! O inimigo já sofreu perdas enormes e foi empurrado de volta ao território deles. É só questão de tempo até a vanguarda trazer boas notícias."

"Então, o que você quer dizer é que quer vencer essa guerra sem lutar de verdade? Você é um otimismo, rapaz! Hahaha."

Rodada após rodada, eles jogavam cartas no canto do acampamento, completamente alheios ao fato de serem soldados, profundamente no território inimigo.

"Porém, tenho que admitir... talvez seja uma ingenuidade, mas seria ótimo ganhar essa guerra sem precisar sujar as mãos."

"Deixa pra lá. Temos heróis que irão nos trazer glória… como Frey Estrela do Norte."

Um dos soldados coçou o nariz, lembrando-se das façanhas daquele jovem solitário.

"Aquele monstro não para até massacrar cada último Ultra. Ainda tenho arrepios ao lembrar das montanhas de cadáveres."

"Sinceramente… ele me assusta."

A menção de Frey trouxe à tona memórias sombrias… de morros de corpos, de lagos de sangue. Nenhum deles tinha visto tanta morte junto antes.

"Ok, ok. Chega de vibe ruim. Vamos só agradecer que ele está do nosso lado."

"Você tem razão. Graças aos deuses… ele é um aliado."

Por um instante… imaginaram a possibilidade de que esse monstro fosse seu inimigo.

O simples pensamento era tão aterrorizante que eles rapidamente mudaram de assunto, esforçando-se para esquecê-lo.

A guerra ia bem para o Império, e a esperança começava a fazer seu olhos brilhar nos corações dos soldados.

Esperança de que poderiam voltar vivos para casa.

Os quatro continuaram seu jogo até o sol se pôr no horizonte e a noite começar a cair.

Nesse momento, um deles se levantou.

"Vai aonde?" perguntou outro, levando-o a um resmungo.

"Pra onde você acha? Dar uma mijadinha."

Resmungou enquanto se afastava do grupo, indo em direção a uma floresta morta próxima.

Era um campo de árvores apodrecidas, seus troncos partidos e a casca desbotada de cinza sem vida.

O lugar parecia cenário de filme de terror — mas, para o soldado, era apenas um espaço conveniente para fazer suas necessidades.

E isso foi exatamente o que ele fez, desabotoando e abrindo o zíper. "

"Ah… finalmente, sinto-me vivo de novo."

Ele suspirou com uma satisfação estranha… até ouvir passos atrás dele.

Mesmo assim, não parou o que fazia. Em vez disso, virou um pouco o corpo, lançando um olhar sobre o ombro direito.

"O quê? Você também precisa mijar?" brincou, supondo que fosse um de seus camaradas.

Mas ele não conseguiu enxergar o rosto do homem, pois o estranho usava uma máscara.

Uma máscara que virou a última coisa que o soldado viu, pouco antes de sua cabeça ser cortada do corpo.

A figura mascarada não hesitou. Caminhou em direção ao acampamento, passo a passo, com olhos brilhando em vermelho.

Naquela época, os soldados imperiais nem imaginavam que tipo de tempestade se aproximava deles.

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