O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 512

O Ponto de Vista do Vilão

Uma prisão temporária, com um indivíduo específico.

O homem cujo nome se tornara assunto de conversa por toda parte.

Ele era o herói da guerra e, por causa disso, ninguém ousava ultrapassar seus limites com ele.

Desde que foi trancafiado naquela cela, só conversou com alguns oficiais de alta patente que passavam de vez em quando para interrogá-lo — na esperança de entender suas motivações.

O comportamento do Lorde Estelareto desconcertava a muitos.

Ninguém podia dizer com certeza se ele era um herói… ou um monstro.

A resposta permanecia obscura.

Mas, até agora, ele mantinha silêncio...

E isso, pelo menos, lhes dava alguma paz de espírito.

Por isso, apenas um guarda foi designado para vigiar o homem.

E mesmo esse guarda… acabou cochilando naquela noite.

Era uma noite calma, silenciosa.

Mas dentro daquela cela… as coisas estavam longe de serem pacíficas.

Lá, naquele espaço escuro e desolado— sua Aura violeta ardia violentamente, faiscando com rajadas de relâmpagos roxos.

Frey, com os olhos fechados, fazia de tudo para conter aquilo.

Mas quanto mais tentava, pior ficava.

Seu poder crescia… quebrando o chão sob seus pés e destruindo tudo ao redor.

Percebendo que ainda estava perdendo o controle, apesar de todos os esforços, Frey rangeu os dentes de raiva.

"O que diabos está acontecendo com esse corpo amaldiçoado?!"

Uma substância negra espessa começou a rastejar sob sua pele. Seus olhos brilhavam com uma intensidade violenta, e sua Aura parecia pronta para explodir a qualquer momento.

Perto de seus ouvidos, vozes estranhas começaram a sussurrar… exigindo que ele devolvesse o que havia tomado deles.

"Devolva. Pertence a mim."

"Devolva."

"Devolva de volta."

Forçado a suportar a violenta explosão de seu poder, a dor esmagadora decorrente de tentar contê-lo…

E agora, aquelas vozes estranhas sussurrando bem ao seu lado…

Frey finalmente perdeu a cabeça.

Veias inchavam como vermes retorcidos pelo corpo dele enquanto ele soltava um rugido furioso tão alto que o guarda lá fora se assustou e acordou apavorado.

"Devolva?! A única coisa que eu vou te dar é meu pênis!"

No momento em que seu grito furioso sacudiu a cela, o guarda entrou na hora… finalmente reagindo ao caos.

"O que está acontecendo—"

Ele não terminou a frase.

Frey o acertou com um golpe só e o deixou desacordado.

Seu poder agora estava completamente fora de controle.

Ele não tinha escolha a não ser agir.

"Se minha Aura explode aqui… todos vão morrer."

A Aura de Frey não era brincadeira...

Era a única de suas habilidades que tinha atingido o classificação SSS.

Era impossível prever o alcance destrutivo de uma força tão avassaladora.

Por isso, ele concentrou toda sua força nas pernas…

E saltou, atravessando o teto e voando para longe do acampamento, o mais longe que pudesse.

Seus passos eram tão rápidos que quase invisíveis a olho nu.

Mas sua Aura em plena ascensão traía sua localização…

Ele parecia um meteoro violeta rasgando o céu, destruindo tudo pelo caminho.

Relâmpagos faiscantes dançavam ao redor dele como cobras escapando de suas tocas…

Frey mal conseguia controlá-la…

Até finalmente desabar em uma região montanhosa distante.

Sem perceber, ele havia percorrido dezenas de quilômetros longe do acampamento.

Agora, deitado entre rochas irregulares e picos imponentes, sua Aura explodia com ainda maior fúria, destruindo tudo ao redor.

Os sussurros aumentavam de volume a cada segundo.

A substância negra rastejando sob sua pele queimava como lava derretida injetada diretamente em suas veias.

Ele já não tinha força mental suficiente para sequer abrir seu sistema…

Toda sua atenção estava voltada a segurar a loucura.

"Você deve estar brincando…"

Colapsando no chão, consumido pelo caos…

Frey transformou-se numa estrela violeta iluminando toda a cadeia de montanhas.

"Como se não bastasse lidarem com todos aqueles inimigos idiotas…

Agora tenho que lutar comigo mesmo também?!"

Ele se levantou novamente—seu corpo brilhando sem parar.

Frey respirou fundo, puxou a máscara de Nameless, e a colocou sobre o rosto.

"Não percorri todo esse caminho só pra ser manipulado assim."

Assim que colocou a máscara…

Parecia que um feitiço tinha sido lançado sobre ele.

Sua mente estancou.

Como um mar furioso cujas ondas haviam sido esmagadas pela força,

ele voltou à calma. Para a concentração.

Abrindo os braços bem-wide…

Ele abraçou seu poder mais uma vez, forçando-o a regressar.

"Quem vocês acham que sou?"

Resistindo à dor.

Enfrentando o que quer que tivesse invadido seu corpo…

A força de Frey incendiou-se com uma furiosa intensidade maior.

Era uma exibição de força bruta de tirar o fôlego.

A força que ele passou anos construindo…

Mesmo se tentasse escapar, nunca poderia desafiá-lo.

"Nem por um instante pense que vai me derrubar assim tão facilmente."

Gradualmente, a febre começou a diminuir… e Frey finalmente começou a recuperar o controle.

Ele demonstrou um crescimento e uma compostura incríveis… mantendo-se centrado mesmo diante do desconhecido, mesmo quando seu próprio corpo ameaçava traí-lo. Ele nem entrou em pânico, nem perdeu o domínio por um momento.

Levou uma hora inteira para se estabilizar, mas, no final… caiu no chão frio, ofegando por ar.

"Finalmente… aquela voz maldita se foi."

A maldita o atormentou até o último instante. Tão intenso que Frey chegou a pensar em arrancar suas orelhas só para parar com aquilo.

Mas o grito ecoava na sua mente… sem escapatória.

Sentado na terra congelada com os joelhos fechados, Frey soltou um suspiro irritado.

"Que tipo de desastre caiu na minha cabeça dessa vez…?"

Veio do nada… sem avisos, sem sinais.

Essa foi a primeira vez que seu próprio corpo se recusou a obedecer.

Ele lançou um olhar para o próprio corpo, que havia destruído e reconstruído várias vezes… até se tornar aquilo.

Um corpo forjado como aço, perfeito… o vaso que o tornara algo além do humano.

E agora, queria traí-lo?

Frey estava confuso, e na esperança de dissipar essa ignorância… procurando uma pista para esse novo dilema… só tinha um recurso: o sistema que o acompanhava desde o começo.

Ele estava prestes a abrir a interface quando congelou… a mão suspensa no ar—quando uma voz que não esperava ouvir de novo tão cedo interrompeu.

"Parece que minha intervenção não era realmente necessária. Você se saiu melhor do que esperava."

Aquela voz fria, enigmática… aquela que assombrava os pesadelos de Frey.

Apesar de seus sentidos aguçados, Frey não havia detectado sua presença nem por um instante.

Baixando lentamente a mão, Frey estreitou os olhos violetas e virou-se na direção da figura que surgira ali, entre a desolação da montanha.

Encostado casualmente contra uma das enormes rochas, com seu capote preto esfarrapado, o homem não tinha mudado nada.

Somente seus olhos… aqueles olhos azuis radiantes e penetrantes—como lanternas atravessando a escuridão—brilhavam por trás de seus traços encobertos.

Olhos azuis que agora refletiam seu brilho contra os violetas de Frey.

Frey se levantou, encarando-o diretamente.

"Como de costume, só aparece quando quer."

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