O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 513

O Ponto de Vista do Vilão

Passo a passo, ele se aproximava.

"Então? O que é desta vez? Alguma entidade tentando sequestrar meu corpo? Um parasita? Uma semente de demônio? Ou quem sabe, seu querido rei? Heh... Duvido disso."

Ignorando o sarcasmo carregado nas palavras de Frey, o Engenheiro simplesmente balançou a cabeça de leve.

"Nem uma coisa nem outra. É... mais complicado."

Ao ouvir isso, Frey explodiu em risos.

"Claro que é! Quando é que foi fácil alguma vez? É assim que funciona o nosso joguinho torto, não é?"

"…"

O Engenheiro não disse mais nada por alguns segundos, apenas encarando Frey. Seu rosto não revelava emoções, mas algo certamente fervilhava em sua mente.

"Por que você está aí parado, me encarando feito idiota? Solta logo o que veio dizer. Não quero olhar pra sua cara imunda mais tempo do que o necessário."

Estava claro que Frey não tinha nem tempo nem paciência para os jogos do Engenheiro. Ele já intuía que aquilo seria mais uma armadilha—outro passo de algum plano premeditado para o futuro.

É assim que o manipulador de olhos azuis funcionava.

"Entendo… Você mudou," disse de repente o Engenheiro, o que provocou uma sobrancelha levantada de Frey.

"Mudou? Não esperava ouvir isso de você."

O Engenheiro sorriu de leve, raro, enquanto se afastava do penhasco.

"Normalmente, já estaria gritando comigo… correndo para cima tentando me matar."

"Ah…"

Frey respirou fundo, uma sensação estranha lhe invadindo o peito.

Não conseguia colocar em palavras… como aquela sensação que dá quando seu pai lembra você de uma bobagem que fez na infância.

"Vamos deixar isso pra lá agora," disse.

Porém, o Engenheiro surpreendentemente insistiu.

"Por que não tenta atacar? Você cresceu tanto desde a última vez que nos vimos. Pode até acertar um golpe."

"O que é, um masoquista que gosta de apanhar? Se essa é sua brincadeira, provavelmente suas estátuas têm mais experiência nisso do que eu."

Frey soltou uma risada seca, lembrando por um momento dos tempos com tipos como Smiley e Sad… Com certeza, ex-torturadores, pelo jeito como tratavam ele.

Voltando sua atenção para o Engenheiro, os olhos violetas de Frey se acenderam com um brilho ainda mais feroz.

"Não adianta lutar comigo do jeito que estou agora. Ainda não consigo enxergar seu nível verdadeiro."

Frey não atacou simplesmente porque não tinha chance contra alguém como o Engenheiro. Além disso, agora ele tinha controle total sobre suas emoções… emoções que haviam ficado mais frias recentemente, tornando mais fácil manter a calma—mesmo na frente daquele homem.

O Engenheiro parecia prestes a dizer algo.

Porém, Frey tomou a iniciativa.

Sem aviso, abriu uma poderosa onda de aura…

"Dito isso, vamos ver qual cara você está escondendo debaixo dessa merda de capuz, Engenheiro!!"

O ataque de Frey não tinha como objetivo machucar… era simplesmente para tirar o capuz que ele usava para esconder o rosto.

"Cansei de ficar encarando esses olhos azuis o tempo todo."

Ele ainda não conseguia lutar contra ele… mas pelo menos podia alcançar isso.

E, pela primeira vez—ele conseguiu.

Pela primeira vez na vida… Frey revelou o rosto do Engenheiro.

Esperava ver algum tipo de velho, ou talvez uma entidade grotesca que faria qualquer um desviar o olhar.

Mas o que se mostrou diante dele… congelou Frey por vários segundos.

"Vejo que algumas coisas nunca mudam," disse o Engenheiro, após o capuz que cobria seu rosto ter sido completamente destruído.

Quanto a Frey, tudo que conseguiu foi amaldiçoar.

"Que diabos? Por que você parece melhor do que eu?!"

As feições do Engenheiro não eram de forma alguma o que Frey imaginava.

Seu rosto tinha uma tez pálida, doentia, como de um homem afligido por uma doença terminal. Sua pele estava marcada por rachaduras—embora, estranhamente, elas parecessem tatuagens que combinavam com a aura madura ao seu redor.

Ele parecia estar na casa dos quarenta anos, com cabelo comprido, azul celeste, e olhos radiantes que um dia indicaram perigo, agora combinando perfeitamente com ele.

Por mais que Frey olhasse por um tempo… o Engenheiro parecia um nobre de outro mundo… uma aura de realeza envolvia cada expressão sua, suas feições sérias tornavam quase impossível desviar o olhar.

"Ah… Então esse corpo é apenas um vaso, não é? Acho que foi feito para parecer bonito e esconder sua forma original horrenda."

Frey lançou um sorriso de escárnio, mas o Engenheiro balançou a cabeça.

"Desculpe desapontá-lo, mas meu Rei fez esse vaso para assemelhar-se o máximo possível ao meu corpo original. O que você vê agora é como eu era na maior parte da minha vida."

Frey ficou visivelmente atônito.

'Deveria ter deixado o capuz…'

Arrependido, lançou mais uma olhada curiosa para o estranho homem diante dele.

"Agora que vi seu rosto, estou realmente curioso… quem é você, Engenheiro? Já foi o segundo mais forte sob seu Rei, então imagino que era bem conhecido… Uma presença que certamente deixou sua marca lá em cima, no reino superior."

O Engenheiro agora parecia um vaso destruído, esgotado pelo tempo. Ele tinha perdido muita de sua força anterior—a ponto de comparar seu estado atual com o auge ser algo quase insultuoso.

E ainda assim, mesmo agora, permanecia uma força forte o suficiente para derrotar a maioria dos combatentes de nível inicial da classificação SSS.

Frey quis desvendar um pouco mais do mistério ao redor do homem à sua frente…

Mas o Engenheiro não demonstrou desejo de responder às perguntas de Frey.

"Não sou eu quem deve revelar seus segredos," disse ele. "Seu corpo—esse corpo que está começando a perder o controle—é que é o verdadeiro segredo."

Frey resmungou frustrado.

"Pelo menos me diga seu nome."

"Abandonei esse nome faz muito tempo. Acho que já te falei isso antes."

Essa era a coragem de ser um dos Sem Nome.

Frey não parecia convencido, mas não viu motivo para insistir mais.

Era uma conversa rara… Uma que, estranhamente…

Fez Frey sentir alguma conexão estranha com o homem que sempre odiou. Sua percepção tinha se expandido. Ele começava a ver coisas que antes não via.

Ele sentia claramente agora… seu destino estava completamente entrelaçado com esse homem… com o Engenheiro.

"Fale. O que está acontecendo comigo desta vez?"

Frey finalmente fez a pergunta mais importante, e o Engenheiro assentiu discretamente.

"O que está acontecendo com você… é um erro. Um erro causado por mim… e por Abraham."

A menção ao pai de Frey fez os olhos dele se arregalarem involuntariamente.

"Um erro causado por você e meu pai… só consigo pensar naquele dia."

"Fico feliz que você finalmente esteja ligando os pontos. Você está certo," admitiu o Engenheiro, caminhando ao lado de Frey pelas montanhas áridas.

"Uma das sombras daquele demônio está dormindo dentro de você."

"Wesker…" murmurou Frey, seu rosto escurecendo.

"Aquele maldito demônio está me rondando há eras, mesmo que ainda não o confrontei diretamente."

"Ele está mais perto do que você imagina. Mas nem eu consigo detectá-lo… o Olho do Rei dele me bloqueia completamente," disse o Engenheiro, claramente irritado ao mencionar esse demônio.

"Wesker é extremamente astuto. Ele não age sem motivo. No dia da nossa luta—a minha e a de Abraham—ele poderia ter te matado facilmente. Você estava bem ali, nos braços dele."

"Mas ele foi proibido de acabar com sua vida. O Rei dele não queria você morto. Então Wesker optou por jogar outro jogo."

Ao explicar a situação, o Engenheiro demonstrou uma rara sensação de temor. Wesker era um estrategista do nível dele… ou talvez até mais do que isso.

"Antes de chegar até você naquele dia, enquanto você ainda estava nos braços dele… ele colocou algo dentro de você. Algo que só se ativaria se certas condições fossem atendidas. E parece… que você agora cumpriu esses requisitos."

Nove anos atrás, Wesker surgiu no mundo, lutando uma batalha colossal contra os seres humanos mais fortes… e contra o próprio Engenheiro.

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