O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 514

O Ponto de Vista do Vilão

Ele segurou Frey em seus braços por apenas um instante…

Mas naquele breve momento, ele concebeu um plano—um criado em poucos segundos—e deixou uma sombra que cairia vinte anos depois.

Ele colocou sua sombra dentro de Frey, depois a ocultou perfeitamente… até o momento certo.

O Engenheiro virou-se para Frey, com uma expressão séria.

"O despertar dessa sombra dentro de você… Você sabe o que isso significa, não é?"

Frey não era idiota. Já compreendia para onde aquela conversa estava indo.

"Quaisquer que tenham sido os planos do Demônio de Rank 4 naquela época… Eles finalmente começaram, não é?"

O futuro—o destino que Wesker teceu através do Olho do Rei naquela manhã—começava a se desenrolar de fato.

"Há muitas forças prestes a colidir… e o retorno de demônios de alto escalão é prova suficiente."

"Prepare-se, Frey Estrela da Manhã. Logo você terá que enfrentá-los—de frente."

Ao ouvir isso, Frey soltou uma risada forçada.

"Sei. Tenho pensado nisso dia e noite, e, naturalmente… não espero nenhuma ajuda sua."

Olhando para a palma da mão aberta… a mesma que havia empunhado a espada o tempo todo… Frey fechou o punho com força.

"Então? O que exatamente é a Sombra de Weskhar, e como posso enfrentá-la?"

Combater inimigos era uma coisa. Mas encarar a si mesmo… isso era uma batalha completamente diferente.

Felizmente, o Engenheiro respondeu.

"A Sombra de Weskhar é mais como um fragmento de sua essência—um pedaço de sua existência. Uma réplica dele mesmo que ele planta dentro de seus alvos… para controlá-los completamente."

"Às vezes, a sombra se funde completamente com a alma do hospedeiro, tornando-se algo próximo a uma semente demoníaca. Felizmente para você, sua alma é fundamentalmente diferente de todas as outras criaturas. Ela não pode se fundir com você… mas tentará tomar o controle do seu corpo."

"Como resultado, seus poderes ficarão instáveis, e essa instabilidade pode afetar quem estiver ao seu redor…"

Naquele momento, Frey nem sequer tinha consciência do que havia acontecido entre ele e um certo grupo de indivíduos que já haviam sido impactados… pessoas que agora viam o futuro através dele.

"Essa é a sombra. Quanto a como se livrar dela… vamos ver."

O Engenheiro fez uma pausa de alguns segundos antes de dar sua resposta.

"Digamos… que sua amiga santificada, Uriel Platini, seja quem vai lhe mostrar o caminho."

Mais uma vez, Frey não conseguiu esconder sua confusão ao ouvir um nome que não esperava.

"Lá vem você de novo, falando em enigmas…"

"Uriel? Como ela exatamente pode me ajudar?"

'Será que ela vai derramar seu poder sagrado em mim até que a sombra sufoque ou algo assim?' pensou Frey, então suspirou em derrota.

"Vou descobrir quando chegar a hora… não é?"

O Engenheiro assentiu.

"Exatamente," disse ele, então acrescentou hesitante,

"Minha capacidade de intervir está desaparecendo a cada dia… Frey Estrela da Manhã, essa sua aparição agora… e essa informação que acabei de te passar são provavelmente as últimas ajudas que posso oferecer. Existe um pacto silencioso entre nós, que puxamos as cordas das sombras… um pacto que nos impede de jogar esse jogo também."

"Até que um de nós quebre essa regra, você está por sua conta… Frey Estrela da Manhã. Não tem escolha senão traçar seu caminho com sangue e superar qualquer obstáculo que surgir no seu caminho."

O Engenheiro falou mais do que o habitual dessa vez.

Isso acontecia até mesmo antes da morte de Danzou. Frey não sabia ao certo o que aquele vidente de olhos azuis tinha visto com seu poder de prever o futuro…

Mas os caminhos estavam entrelaçados demais com o Olho do Rei, tornando o futuro algo impossível de prever com certeza.

"O futuro que você deseja, e o destino que Wesker planejou…"

Frey deu uma risada leve.

"Nada mudou. Tudo o que tenho que fazer é continuar lutando até moldar meu próprio destino com minhas próprias mãos."

Palavras atrevidas para alguém que não tinha chance contra Wesker e o Engenheiro.

Mas, sem dúvida, ele tinha potencial.

Potencial grande o suficiente para alcançar o topo…

No entanto, o caminho à sua frente era pavimentado de sangue… duro, brutal e feito para os não sãos.

"Vou soportar até o fim… o Caminho do Sangue," murmurou Frey, colocando novamente a máscara sem nome sobre o rosto, escondendo sua expressão mais uma vez.

Ao seu lado…

O Engenheiro olhou fixamente por um tempo. Era a primeira vez que eles conversavam cara a cara.

Ele tinha testemunhado toda a jornada de Frey. Viu cada ascensão e queda, cada triunfo e tragédia. Em muitos aspectos, entendia Frey melhor que qualquer outra pessoa neste mundo.

Embora parecesse sem emoções, o Engenheiro não era verdadeiramente Sem Nome…

Algum lugar por trás desses olhos azuis brilhantes… residia algo muito maior.

Virando-se de costas para Frey, o Engenheiro começou a se afastar.

"Você pediu meu nome antes…" ele disse, captando a atenção de Frey uma última vez.

"O nome é… Gehrman."

Com isso, desapareceu totalmente… deixando Frey sozinho nas terras desoladas.

Frey gravou profundamente na mente a imagem do Engenheiro… e gravou esse nome em sua memória.

"Gehrman…"

Esse era o seu nome.

Um nome que ele nunca esqueceria pelo resto de sua vida.

Frey virou-se e voltou para o acampamento, mesmo enquanto o caminho à frente ficava mais escuro e difícil…


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De volta ao acampamento… justo quando a turbulência de Frey atingia seu ápice…

Dentro de sua tenda, sentada sozinha e recitando suas preces…

Uriel apertava seus braços com força, como se tentasse segurar algo que escorregava entre seus dedos.

Ela permanecia assim por horas.

Então, após o que pareceu uma eternidade…

Finalmente, ela se levantou, preparando água fria e montando seu canto de banho.

"Destino… será que nós, mortais, algum dia podemos escapar de uma sina escrita por nossos deuses?"

Enquanto refletia sobre a resposta, lentamente começou a se despir.

Uriel era uma garota que só revelou seu rosto, sua cabeça e suas mãos.

Todo o resto sempre esteve escondido sob as vestes de sacerdotisa.

Depois de selar o ambiente com poder sagrado, ela finalmente se preparou para mostrar seu corpo e tomar um banho de verdade.

Pedaço por pedaço, ela tirou suas roupas, revelando sua pele…

Ninguém jamais tinha visto seu corpo—a figura com a qual tantos homens sonhavam.

Mas a visão que ela exibiu não era nada do que alguém poderia imaginar.

O corpo de Uriel era realmente maduro… curvas sedutoras, seios cheios e uma silhueta impecável.

Mas acima daquela pele branca… havia outra cor…

Vermelho.

Enquanto derramava água fria sobre si mesma, Uriel olhou para o pequeno espelho que lhe fora presenteado.

Ela observou seu corpo—o corpo de uma santa.

Com um sorriso triste, ela fechou os olhos e terminou seu banho rapidamente.

"Quão irônico… que aqueles mais reverenciados por sua pureza sejam muitas vezes os mais imundos de todos."

No cômodo modesto, o som da água fria espirrando ecoou suavemente, revelando tudo aquilo que tinha sido escondido por aqueles que serviam ao Senhor da Luz.

Ao longo de suas costas, seus braços, seu pescoço…

Até mesmo em suas coxas e pernas…

Sinos de pecados estavam gravados em sua carne com tinta que jamais desbotaria.

Letras estranhas, que ninguém compreendia… pareciam runas antigas, gravadas profundamente em sua pele, desfigurando-a por completo.

Essas letras brilhavam com uma luz de um vermelho carmesim… e toda vez que isso acontecia—

Uriel suportava a dor em silêncio.

Porém, seu rosto não demonstrava a menor reação.

Sentada ali, mergulhada na água fria… ela se abraçava fortemente.

"Ah… isso traz boas lembranças…"

Nos olhos azuis translúcidos, imagens fugazes passaram… de uma garotinha que chorava e chorava até suas lágrimas secarem completamente… até que restasse apenas o vermelho, para ser derramado.

"… Somos realmente iguais, Frey."

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