O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 511

O Ponto de Vista do Vilão

Não demorou muito para o mundo ouvir as notícias e perceber o que tinha acontecido.

Como resultado, todas as principais facções começaram a agir de acordo.

Para o Império, foi o nascimento de um milagre.

Para os Ultras... foi uma maldição desencadeada contra eles.

Uma maldição do nível de Abraham Starlight.

Frey entrou na guerra com mil guerreiros de elite. No final, apenas sete ficaram... incluindo ele.

Mesmo assim, aqueles mil conseguiram obliterar toda a força de vanguarda dos Ultras — mais de 30.000 soldados, além de 10.000 bestas-terror.

E se contarmos as perdas anteriores na Baía de Shizclar...

Os Ultras já tinham perdido mais de 50.000 tropas.

Uma perda enorme. Um golpe catastrófico.

E assim, todas as figuras de destaque dos Ultras se reuniram em um único lugar.

Dentro de uma grandiosa câmara projetada para reis, o verdadeiro poder governante dos Ultras realizou uma cúpula como nunca antes.

No centro, estava Mergo, Senhor da Colmeia Sombria, atraindo a atenção de todos.

Ele tossiu à garganta e falou com o tom relaxado de um velho bêbado.

"Senhores, obrigado por atenderem ao chamado."

Suas palavras eram, na maior parte, dirigidas a Beatrice, que estava elegantemente com os braços cruzados, e a Dragoth, a besta sentado calmamente atrás dela.

"Reunimo-nos hoje em resposta à completa aniquilação de nossa vanguarda na Baía de Shizclar."

Mergo suspirou, de verdade irritado — só para ser interrompido por Beatrice, que chegou usando uma de suas bonecas.

Uma bela marionete de cabelos negros fluentes, pele pálida e olhos verdes brilhantes… com um sorriso travesso no rosto.

Inclinando a cabeça, ela falou calmamente:

"E daí? Tudo o que aconteceu ainda está dentro do esperado. A vanguarda tinha que morrer lá."

No instante em que ela disse isso, a pressão no ar ficou anormalmente pesada.

A fonte? Dragoth.

Ele olhava para ela em silêncio através do salão, seus olhos devastando-a mil vezes — mas não se Moveu.

Ao seu lado, Gavid Lindman certificou-se de que Dragoth não agisse por impulso. Mesmo que Dragoth estivesse mais calmo desde que voltou, a loucura ainda residia lá.

O que quer que lhe tivesse acontecido durante seu longo cativeiro no Império permanecia um mistério — até mesmo para ele — mas tinha deixado sua marca.

Por causa do pacto deles, Gavid não podia permitir que Beatrice morresse.

Ele tinha que manter Dragoth sob controle.

Mergo rapidamente interviu para encerrar a questão.

"Sei que isso estava dentro do previsto. Mas aconteceu muito antes do que planejamos. E, mais importante, — o Império sofreu nenhuma perda."

A vanguarda deveria ter causado danos massivos ao Império e mantido sua posição por mais tempo.

No entanto, apesar de seus números esmagadores, eles praticamente não fizeram nada.

"Uma variável apareceu... uma que não antecipamos," disse Mergo.

Ao que Beatrice respondeu com um sorriso malicioso:

"Frey Starlight, correto?"

Mergo assentiu. E Gavid confirmou.

"Não podemos permitir que ele continue crescendo. Se isso acontecer, ele se tornará um obstáculo para nosso plano maior."

Frey Starlight já demonstrou um poder rivalizando com o topo da tier SS+.

Seu crescimento explosivo e rápido não era natural—era loucura.

Todos podiam sentir…

Se deixado de lado, ele poderia evoluir para algo muito além da compreensão deles.

"Ele deve morrer na próxima batalha," declarou Gavid Lindman.

Nese momento, Dragoth se levantou.

"Filho de Abraham…"

Fechando o punho, com os olhos brilhando vermelho sangue, finalmente se moveu.

"Vou cuidar dele pessoalmente."

E assim… sem aviso… a verdadeira força dos Ultras decidiu entrar em campo.

Pareciam determinados a pagar a dívida.

Diante de uma resolução tão firme, Beatrice só pôde suspirar e balançar a cabeça com pena, um pouco impressionada com a ignorância deles.

"Frey Starlight…"

Ela sussurrou seu nome com um leve sorriso, brincando com os dedos no ar.

"Não precisa se preocupar com ele… ele já caiu."

A bruxa riu suavemente enquanto se virava para sair, deixando os demais sem entender completamente o que suas palavras realmente significavam.

...

...

...

Ao mesmo tempo em que os Ultras se reuniam…

Algo estranho estava ocorrendo — do lado do Império.

Dentro de uma sala selada que agora servia como sua prisão…

Uma pessoa sentou-se abaixada na cama, seu corpo tremendo descontroladamente.

Frey Starlight… o monstro nascido do milagre… estava sozinho, sofrendo com algo que não podia compreender.

Do nada, faíscas violetas começaram a explodir ao redor de seu corpo. Os tremores aumentaram.

Frey — com os olhos bem fechados — tentou reprimir o fenômeno com força.

Ativando a Adaptação às Sombras, concentrou-se em manipular sua Aura com precisão absoluta, forçando-a sob seu controle.

Ultimamente… seu poder vinha crescendo sem parar… especialmente depois de massacrar todas aquelas almas.

Parecia que ele estava se tornando algo completamente diferente…

Um monstro de um nível nunca antes visto.

Ele passou seus dias recentes nessa cela tentando assimilar a nova força dentro de si.

Mas agora, essa força tinha escapado de seu controle.

Por mais que tentasse dominá-la, ela ficava mais forte, ameaçando consumi-lo por completo.

Mesmo com a Adaptação às Sombras, ela nunca se acalmava.

As faíscas violetas de Aura continuavam a irrombendo mais violentamente, destruindo tudo ao redor. Uma substância viscosa, preta, densa, começou a rastejar debaixo de sua pele, espalhando-se pelo sangue como um casulo.

Frey percebeu imediatamente.

Graças à sua consciência corporal total e ao entendimento íntimo de sua estrutura interna, ele percebeu — aquela escuridão era estrangeira.

Algo que não estava ali antes.

Seja lá o que fosse… era a fonte da loucura dentro de seu poder.

Ele amaldiçoou baixinho, completamente inconsciente do que estava acontecendo com ele —

até que, sem aviso, seus olhos se arreglaram.

Uma voz sussurrou bem ao seu ouvido.

"Devolva."

A voz era estranha… mas estranhamente familiar.

Sua força aumentou, ameaçando envolver toda a sala.

E Frey — mais perdido do que nunca — só pôde ficar em silêncio.

"Devolva. Pertence a mim."

Nesse instante…

Ao ouvir aquela voz…

Ele começou a entender.

Ao mesmo tempo…

A interface do sistema brilhou intensamente.

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