O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 510

O Ponto de Vista do Vilão

As forças imperiais dispersaram-se em formação ordenada pelo território inimigo, seguindo os planos meticulosamente elaborados por seus comandantes após muita reflexão e preparação.

A vanguarda do Império foi dividida em várias unidades... cada uma penetrando profundamente no território inimigo enquanto o exército principal avançava devagar atrás delas, mantendo sua força total.

Havia muitas unidades de vanguarda, cada uma liderada por um comandante forte o suficiente para resistir a qualquer ameaça do inimigo.

Um desses comandantes era Snow Lionheart, o herói escolhido pela Igreja.

Seguindo ordens com disciplina inabalável, Snow liderou sua unidade em passo firme, abrindo caminho para os que vinham atrás.

Nos primeiros dias da campanha, ele e seus companheiros enfrentaram batalhas brutais contra as forças inimigas—legendários exércitos que utilizavam criaturas de Pesadelo.

Mas resistiram graças à força esmagadora presente em suas fileiras... em especial a santa Yurasha, que atingira o nível SS+.

Muitos estudantes de elite também foram designados para a unidade de Snow, incluindo nomes familiares como a bruxa Selena e o espadachim Dawn Polaris.

Era a primeira guerra de verdade deles... mas eles resistiram de forma impressionante.

Apesar de sofrerem baixas por inexperiência, tudo estava indo relativamente bem. Pelo menos até o momento em que tudo começou a mudar.

Só uma semana após o início da campanha, Snow e sua unidade perceberam algo profundamente estranho.

Apesar de continuarem avançando, o inimigo nunca atacava.

A princípio, suspeitaram que fosse uma tática psicológica... uma tentativa dos Ultras de desgastá-los com suspense e tensão.

E foi exatamente isso que aconteceu.

As forças do Império começaram a avançar nervosas, sem saber quando ou onde um ataque poderia ocorrer.

Passaram-se dias. Mas o que temiam... nunca veio.

Os Ultras nunca os confrontaram. Era como se tivessem desaparecido do mapa completamente.

Os exploradores do Império frequentemente encontravam rastros claros no terreno... provas de que exércitos inimigos estiveram ali. Mas, por motivos desconhecidos, os Ultras mudaram de rota, evitando contato deliberadamente.

Era confuso. E então Snow tentou estabelecer comunicação com outras unidades de vanguarda, apenas para descobrir que estavam enfrentando o mesmo fenômeno.

— O que diabos está acontecendo?

A tensão se espalhou pelos acampamentos dos soldados. A confusão dominou.

— Não era pra ser uma guerra? Não estamos em território inimigo?

— Então onde está o inimigo?

Essas eram as perguntas que todos se faziam.

As forças do Império permaneceram paradas por vários dias. Mas, devido às circunstâncias estranhas, o alto comando finalmente ordenou que avançassem mais profundamente na terra inimiga.

Era arriscado... perigoso até, adentrar tanto em um território tão vasto e desconhecido. Falta-lhes o número suficiente para cobrir uma área tão grande, o que aumentava o risco de cercamento por forças inimigas.

Mesmo assim, o Império não tinha alternativa senão confiar nos seus magos para detectar perigo a tempo e seguir em frente.

E assim...

As unidades dispersas se reuniram e avançaram juntas.

tentando desvendar o mistério.

Finalmente, após uma marcha longa e exaustiva, começaram a perceber sinais—

Sinais de batalha.

Na verdade... sinais de massacre.

A terra havia sido tingida de vermelho. Almas apagadas. Monstros mortos.

Antes deles, estavam os vestígios de uma guerra brutal que deveriam combater.

Mas alguém tinha lutado primeiro.

— Que tipo de batalha foi essa aqui? — perguntou um soldado, impressionado com a escala de destruição que devastara a paisagem.

Especialmente as marcas enormes de espadas gravadas na terra... como se um gigante antigo tivesse descarregado sua fúria, marcando o mundo com cicatrizes.

Os cadáveres não eram difíceis de identificar. Pertenciam aos Ultras... e às criaturas de Pesadelo.

E, justamente enquanto tentavam entender a cena, um relatório dos exploradores do Império chegou:

— Senhor... encontramos covas recém-dugadas perto do campo de batalha. Acreditamos que sejam de nossos próprios soldados.

O relatório se espalhou. Foi passado de um comandante a outro até que todos soubessem o que tinha acontecido.

Entre todas as forças do Império, havia uma unidade que não estava com as demais.

Uma unidade que enfrentou a batalha que deixou esse rastro de carnificina.

E assim, o exército imperial seguiu em frente, assombrado pelas visões que presenciaram.

Achavam que tinham visto de tudo.

Mas, horas depois, perceberam o quão errado estavam.

Conforme avançavam, depararam-se com outro campo de batalha.

Outra repetição da mesma cena.

Centenas de cadáveres. Ligamentos rasgados. Cabeças seccionadas. corpos queimados. ossos esmagados. Todo tipo de mutilação espalhada pelo chão.

— Eles lutaram aqui de novo... venceram... e seguiram em frente.

A conclusão era fácil de tirar, considerando o número de cadáveres inimigos em comparação com as covas deixadas pelos soldados.

Agora, a verdade não era mais um segredo.

Todos sabiam qual unidade era responsável:

Frey Starlight.

Ele tinha desobedecido todas as ordens, cortado as comunicações completamente e avançado cabeça firsto sozinho contra as linhas inimigas.

Ele não usava truques astutos.

Não precisava de manobras táticas.

Ele lutava na linha de frente... com aço, fogo e poder avassalador.

Nos dias seguintes, tentaram alcançá-lo. Mas quanto mais avançavam, mais encontravam sinais...

Sinais de uma guerra de verdade.

Em poucos dias, Frey e sua equipe mergulharam no inferno—em número bem menor, sozinhos... mas sempre vencendo. Sempre.

Enterraram seus mortos.

E seguiram em frente.

Inicialmente, os soldados do Império não deram muita atenção ao primeiro campo de batalha que encontraram. Apesar de tão macabro e aterrorizante, não parecia algo tão grande. Afinal, a maioria já tinha passado por algo parecido nos primeiros dias da campanha.

Mas depois veio a segunda cena... e a terceira... e a quarta...

Enquanto as visões ensanguentadas continuavam a se repetir, o silêncio tomou conta dos soldados. Seus rostos escureceram. Suas bocas se fecharam. E, finalmente, começaram a compreender.

Corriam com toda força, por dias...

Mas nunca alcançaram Frey e seu grupo. Tudo o que encontraram foi sangue e morte por onde passaram.

Parece que esse seria o único destino que os aguardaria nos dias que viriam. Mas, no fim... Frey e seu grupo ainda eram humanos.

E humanos têm limites.

Por mais fortes que fossem, acabariam sendo forçados a parar... e foi exatamente isso que aconteceu.

As Ultras cercaram a equipe de Frey Starlight, rodeando-os por todos os lados.

As lanças inimigas apontadas às gargantas deles e sem saída.

Em menor número, exaustos das batalhas implacáveis que já haviam suportado, muitos soldados de Frey perderam a vontade de lutar. Seus ânimos foram destruídos antes mesmo de seus corpos desistirem.

As Ultras os sitiavam dia após dia, de forma contínua.

Lançaram ataques constantes contra o grupo de Frey—mas, não importa o que as Ultras tentassem...

Não conseguiam derrotá-los.

Naquele momento, Frey e seus poucos companheiros suportaram sozinhos o peso da guerra, aguentando o ataque com pura força de vontade.

Por fim, o exército imperial chegou. Chegaram ao local onde Frey e seus companheiros haviam feito sua última resistência.

O sol da manhã do vigésimo primeiro dia lentamente cruzou o céu... revelando tudo.

Milhares de soldados do Império finalmente chegaram ao campo de batalha.

Mas, apesar do número e da bravura, nenhuma palavra foi dita.

Ficaram lá, em silêncio atônito, como se tivessem esquecido como respirar... quanto mais falar.

E seus olhos... não conseguiam desviar do pesadelo que se desenrolava diante deles.

Se os antigos campos de batalha eram terríveis, então este... era o próprio inferno na Terra.

A princípio, de longe, pensaram que eram montanhas.

Mas, ao se aproximarem... perceberam a verdade.

O que viam eram cadáveres... empilhados uns sobre os outros... formando colinas que ameaçavam alcançar os céus.

Ao redor, muros feitos de membros decepados e carne rasgada... crânios espalhados pelo chão como se fosse cascalho.

O sangue tão espesso que virou um lago, engolindo seus pés.

A névoa de sangue tão densa que até enxergar se tornava uma luta.

Diante de uma visão tão horrível, muitos soldados desmoronaram ali mesmo. Outros vomitaram. Alguns olharam para trás, incapazes de continuar enxergando.

Até os mais resistentes—Paz do Sol (Phoenix Sunlight), Snow Lionheart...

Até veteranos de guerra, como Bloodmader...

Todos com os rostos sombrios ao mesmo tempo.

Foi naquele momento que finalmente entenderam.

Por que os Ultras haviam desaparecido repentinamente...

Por que não foram atacados nos dias anteriores...

Os Ultras tinham sofrido perdas terríveis—tão grandes que foram forçados a enviar toda sua vanguarda para parar Frey e sua equipe.

Por consequência, essa guerra deixou de ser uma disputa entre o Império e os Ultras...

Transformou-se numa guerra entre uma única unidade e um continente inteiro.

Muitos confiavam na própria força... nas próprias habilidades...

Mas ninguém conseguia imaginar que sobreviveria ao que a equipe de Frey Starlight tinha passado.

Cercados por dezenas de milhares de inimigos, isolados por dias a fio, atacados dia e noite por monstros e homens...

Seriam capazes de suportar?

A resposta era óbvia.

Por muito tempo, os soldados ficaram parados, incapazes de se aproximar do cemitério de cadáveres diante deles.

Pois a própria morte parecia ali presente.

E então... aconteceu.

Uma mudança.

De entre as montanhas de morte, surgiu um pequeno grupo de pessoas.

Somente alguns poucos—tão poucos que podiam ser contados com uma mão.

E, entre eles... seu líder.

A primeira vista, parecia patético.

Usando uma máscara negra estranha, uma armadura amassada, quebrada, e um manto rasgado e esfarrapado...

Seu corpo estava encharcado de sangue—tanto que seus cabelos, antes brancos, haviam ficado carmesim.

Mas, apesar de sua aparência miserável...

A espanto tomou os corações de todos que ousaram olhar na direção dele.

Sua aura... sua presença sozinha fez seus corpos tremerem onde estavam.

Uma aura sanguinária, pegajosa, avançava lentamente sobre a pele... sufocante e lenta.

E finalmente compreenderam...

Ele não apenas sobreviveu.

Ele resistiu. Ele conquistou.

Ele tornou-se a própria morte.

De algum modo, todos entenderam... ele era o responsável pela pintura ensanguentada que ficava atrás dele.

Ao se aproximar, todos os comandantes da legião avançaram, rodeando-o enquanto o prendiam silenciosamente, arrastando-o sem uma palavra.

Quanto aos seus companheiros restantes, receberam tratamento médico e os cuidados devidos após tudo o que passaram.

Frey não resistiu. Simplesmente obedeceu às ordens. E, mesmo sendo preso, nunca foi tratado como prisioneiro.

Apesar de desobedecer às ordens e liderar sua equipe numa marcha da morte, ele também foi o herói que carregou os horrores da guerra em nome de todos.

Perante uma presença como a dele, ninguém sabia exatamente como tratá-lo.

Ele não parecia um herói. Parecia um carrasco—uma pessoa enviada para executar um julgamento divino.

Os Ultras eram monstros sedentos por sangue que devastaram a terra... e, para enfrentá-los, o Império criou monstros próprios.

Esse era Frey Starlight.

E o campo de batalha diante deles era prova suficiente.

No final, aquele lugar passou a se chamar Os Campos de Chacina Sem Nome.

Um lugar onde rios de sangue se formaram... onde corpos empilhados chegavam às próprias nuvens.

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