O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 482

O Ponto de Vista do Vilão

Do outro lado do mundo…

Nas terras do Império, um anúncio grandioso foi transmitido para todos os cantos do país pela Alta Comando sob Aegon Valerion:

"O Império conquistou sua primeira vitória na batalha contra os Ultras!

Dez mil guerreiros imperiais triunfaram sobre trinta e cinco mil dos cães do demônio!"

A celebração tomou conta do Império. O povo, há muito tempo privado de esperança, enfim respirou aliviado ao ouvir as primeiras boas notícias em uma era.

E nos bastidores, puxando todas as cordas, estava ninguém menos que o príncipe Aegon Valerion.

Ele estava à frente, desfrutando da glória, enquanto tramava cuidadosamente nas sombras.

Enquanto os oitenta mil soldados restantes do exército do Império estavam sendo mobilizados e equipados, uma longa reunião acontecia por trás de portas fechadas.

Estavam presentes o Sir Alon, várias figuras-chave do Império e, é claro, o próprio príncipe Aegon.

Foi ali que o príncipe fez sua próxima declaração:

"A campanha imperial seguirá conforme o planejado. A missão deve ser cumprida."

Essa decisão veio logo após o recebimento do relatório da frota de vanguarda. Aegon não hesitou nem por um segundo — o que surpreendeu muitos e irritou particularmente um deles.

"Você não ouviu o que o relatório disse há poucos momentos, príncipe Aegon?" a voz de Ada Starlight aumentou bruscamente.

"Eles enfrentaram um exército três vezes maior que o deles! Sobrevivemos por um fio depois de perder oito mil soldados!

E você quer que eles continuem avançando?!"

Mesmo os dois mil sobreviventes estavam dilacerados, mal conseguindo ficar de pé, quanto mais lutar.

Considerando tudo isso, Ada não pôde ficar em silêncio. Ela tinha que falar.

Mas Aegon permaneceu impassível.

"Senhora Starlight, peço que considere… essa também é a decisão deles."

Apontando para o fato de que a vanguarda sobrevivente optou por avançar por conta própria, o príncipe reafirmou sua posição.

"Você perguntou se eu li o relatório. Agora, deixe-me perguntar-lhe em troca — você o fez?"

Com lógica fria, Aegon apresentou os fatos:

"O mundo acabou de presenciar o nascimento de uma lenda similar a Abraham Starlight.

Seu irmão, Frey Starlight, devastou as forças inimigas quase sozinho."

"Verdade, perdemos oito mil.

Mas a elite, liderada por Bloodmader, permanece em condições de pico.

Ou seja, a vanguarda ainda possui força suficiente para continuar a missão."

"Não há necessidade de perder mais tempo nem de enviar reforços.

O que eles têm é suficiente. Minha decisão é definitiva."

Com autoridade inabalável, o príncipe declarou mais uma vez:

"Eles vão cumprir a missão até o fim."

Diante da lógica fria e calculada de Aegon Valerion, pouco deu para Ada dizer. O príncipe tinha resultados do lado dele… e enquanto continuasse entregando resultados, poucos ousariam questionar.

Por isso, Sir Alon permaneceu em silêncio.

Com apenas dez mil homens, Aegon conseguiu conquistar a primeira vitória do Império na Guerra das Trevas. Uma força reduzida que esmagou um inimigo muito superior — e fez isso preservando a maior parte do exército principal do Império para batalhas futuras.

Aegon provou sua genialidade estratégica e astúcia.

E no entanto, Ada não conseguiu deixar de se perguntar…

Será que realmente era sábio enxergar tudo isso como mera estratégia?

No final, a sobrevivência da vanguarda não tinha relação com as táticas de Aegon. Não foi o plano dele que virou a maré… foi o irmão dela.

E isso… era o problema.

Por mais que refletisse, não havia como Aegon saber que Frey Starlight tinha tanto poder desde o começo.

Não havia como prever que seu irmão faria um milagre daqueles.

Sem Frey, a vanguarda teria sido dizimada. A estratégia do príncipe teria desmoronado na hora.

Na verdade, o que estava acontecendo agora só podia ser descrito como sorte. Sorte pura, cega.

Mas Ada não acreditava nisso. Não neste mundo.

Enquanto observava o sorriso astuto do príncipe, uma ideia persistente ecoou na sua mente:

Que tipo de homem era realmente o príncipe Aegon Valerion?

E quais segredos ainda ele escondia?

Só o futuro traria a resposta.


Com o mundo em constante transformação a cada segundo, longe do tumulto da corte e da guerra, uma figura solitária permanecia isolada… desconectada de tudo.

O imperador, Maekar Valerion.

Ele já não era mais o farol de poder que fora um dia. Os sinais de idade começavam a se evidenciar em seu rosto. Uma barba rala cobria seu queixo, e o brilho da juventude parecia ter se apagado.

Agora, o imperador era visto como uma arma de destruição em massa… um último recurso a ser usado somente no momento certo.

E assim, passava seus dias em total reclusão, dentro de um cômodo que ninguém podia entrar.

Uma câmara congelada, imersa em gelo e silêncio.

No centro, repousava um estranho sarcófago de gelo puro.

Frequentemente, Maekar se sentava com as costas encostadas nele, sussurrando para si mesmo em palavras estranhas e desconexas.

Às vezes, eram palavras sem sentido, como de um homem perdido em pensamentos.

Outras vezes, eram completamente vazias… divagações sem propósito, faladas para ninguém.

Seu poderoso lança, Sunfire, repousava ao seu lado, junto com o lendário escudo do Cavaleiro Fumegante… armas que só ele tinha o direito de empunhar.

E ainda assim, mesmo com tanta força ao seu lado…

O imperador permanecia imóvel. Sozinho.

Esperando.

Ao olhar para ele, Maekar lembrou-se de algumas memórias antigas, belas, que o faziam rir como um louco, sozinho.

"Agora que penso nisso… eu as usei contra você naquele dia,"

"Lutei com todas as minhas forças, e mesmo assim, você me derrotou tão facilmente.

Aquela… realmente doeu, na época."

Ele suspirou levemente, continuando seu monólogo como se falasse com um velho amigo.

"Você já soube, meu velho amigo, que somos apenas criaturas frágeis, vivendo nossas vidas insignificantes em algum canto esquecido do universo?"

"Somos apenas um pequeno fragmento de um cosmos infinito, um cosmos cheio de monstros…

monstros tão poderosos que fazem de mim,

aquele que outrora foi considerado o mais forte,

um tolo sem sentido."

Sua voz se dispersando, Maekar tocou suavemente a superfície do sarcófago de gelo, com uma expressão irritada.

"O quê? Você não acredita em mim?

Que grosseria, meu amigo…"

"Mas deixe-me te contar algo…

Encontrei um deles."

Seus olhos ficaram sombrios, com a lembrança ainda vívida.

"Ele era… estranho. Diferente de tudo que já vi."

"Ele me ensinou coisas… coisas bizarras…

incluindo o método que usei para recuperar seu corpo, meu amigo."

Então, seja grato. Seja agradecido.

E não ouse duvidar de mim novamente."

Olhando para o teto congelado acima dele, Maekar recordou do encontro com aquela entidade estranha.

Sem sombra de dúvida, ele não era humano.

"Fico pensando… que tipo de monstros caminham entre nós sem que percebamos."

A ideia me assombra, meu amigo.

Não acredito que nós humanos algum dia chegaremos a esse nível."

"Ah… mas você foi diferente. Você era especial. O melhor entre nós…

Acredito de verdade que você poderia alcançá-los."

"Mas você me decepcionou, meu querido amigo…"

Suas feições não haviam mudado muito.

Ele fechara os olhos faz tempo, pacificamente… sem resistência.

Seus cabelos, totalmente brancos, resultado do poder que preservava seu corpo.

Parecia um rei adormecido… tendo partido da vida após entregar tudo o que tinha.

Naquele instante, Maekar finalmente se levantou e deu um passo para trás.

"Você me traiu…

Me deixou sozinho…

e me abandonou…"

"Abraão."

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