
Capítulo 481
O Ponto de Vista do Vilão
Levantando a cabeça, ele olhou para os longos chifres que surgiam ao fundo.
Sansa apareceu das sombras como sempre fazia, agarrando o corpo exausto de Frey e deitando-o suavemente na cama, sua cabeça repousando no colo dela.
— Você parece completamente destruído. Será que estou olhando para o mesmo homem que acabou de derrotar os Ultras sozinho? — ela perguntou, enquanto penteava os fios de cabelo dele delicadamente.
Enquanto acariciava seus cabelos, Sansa zombava do estado fragilizado em que Frey se encontrava. Neste momento, até os Ultras mais fracos poderiam tê-lo vencido.
Em resposta, Frey usou aquele mesmo sorriso...
O mesmo sorriso que tinha mostrado aos soldados imperiais há pouco.
— Nada mal, né? — ele disse.
Observando-o, Sansa não conseguiu mais fingir força…
Sua face, seus olhos, a expressão… até a maneira como falava, a aura que transmitia…
Parecia mais maduro. Mais forte. Diferente.
Essa transformação tornou difícil para ela provocá-lo como antes. Quanto mais ela olhava, mais rápido o coração acelerava.
Com um leve aceno, ela respondeu suavemente:
— É... Eu nunca imaginei que você ainda seria mais forte do que eu, mesmo depois de eu me tornar um demônio. —
Embora tivesse passado mais tempo perto de Frey do que qualquer outra pessoa nos últimos meses, ela nunca realmente conheceu toda a extensão da força dele… ela sempre evitava ficar muito tempo ao lado dele para não interromper seu treinamento.
Até ela ficou surpresa com o quão longe ele tinha ido.
— Eu já te falei antes… Sou o monstro aqui, não você. — ele afirmou.
Frey levantou-se. Mesmo claramente exausto após liberar toda a sua energia, conseguiu esconder bem o cansaço com um controle perfeito.
Sansa recordou suas palavras do passado… como ele uma vez lhe disse que era um monstro muito maior do que aqueles seres chamados demônios.
Após testemunhar seu poder pouco antes, ela começava a entender finalmente o que ele quis dizer.
Porém, para ela, ele não parecia um monstro de jeito nenhum.
Afinal, que tipo de monstro tinha aquele estranho puxa-elas magnético ao seu redor?
Um poder tão forte que as pessoas o seguiam cegamente, como faziam antes.
O Lorde Luzestelar se tornara querido por todos… quando antes, era odiado por todos.
Esse era o tipo de influência que Frey agora possuía.
Cada vez mais pessoas o seguiam no futuro. Ela não seria mais a única ao lado dele.
Frey nasceu para ser rei… um líder.
Ambos emergiram das trevas, mas, ao contrário dela… a escuridão dele era especial.
Com o passar do tempo, ele se tornaria mais distante. Sansa já sabia disso.
E esse conhecimento despertava uma confusão estranha no fundo de seu coração.
Ela era alguém que havia se perdido há muito tempo.
Uma garota solitária, que havia perdido a maior parte das razões para continuar vivendo. Ela não sabia o que sentir ao ver que a única motivação que tinha para seguir adiante começava a ficar cada vez mais fora de seu alcance.
Apesar de negar e se recusar a admitir a verdade—Sansa era um demônio.
Uma criatura imunda que se alimentava da própria vida. Um ser nascido para trazer morte e sofrimento.
Ninguém poderia ser realmente feliz com ela por perto.
Enquanto esses pensamentos invadiam sua mente, Sansa pensou em se afastar por um tempo.
Mas ela era extremamente perceptiva… e já tinha percebido o estado de Frey mais cedo… o quanto ele tinha se esforçado após liberar todo aquele poder.
Quando o viu carregando o peso sozinho, ela se pegou caminhando em sua direção sem perceber… apenas para confortá-lo, apenas para estar ali.
E foi assim que ela acabou no quarto de Frey, consciente de seu próprio estado de conflito… questionando se o que ela fazia era realmente o que deveria fazer.
Tantas coisas pesavam sobre ela nos últimos dias. Ela tinha chegado a um beco sem saída há algum tempo.
Perdida em seus pensamentos, Sansa foi trazida de volta à realidade quando Frey se aproximou abruptamente, sem aviso.
— Parece que sua cabeça está lotada. — ele disse, com a expressão indecifrável.
Ele estava tão perto… e Sansa não tinha mais forças para manter a compostura ao redor dele. Ela imediatamente tentou se afastar.
— Você se esforçou demais ultimamente. Precisa descansar. — ela falou, tentando se levantar.
Mas Frey a segurou imediatamente, empurrando-a para cima da cama dele.
Agora deitada sob ele, com ambos os braços presos por sua força, ela não podia fazer mais nada além de olhar para ele, surpresa, enquanto ele pairava sobre ela.
— Eu realmente me forcei ao máximo… Nunca tinha ido tão longe antes, — ele disse em tom baixo. — Mas ainda tenho força suficiente para fazer isso. —
Tomando-a de surpresa, Frey se inclinou e roubou um beijo… do qual Sansa não conseguiu escapar.
Era a primeira vez que Frey começava algo assim, e seu rosto ficou completamente vermelho.
Ela tentou resistir, mas não tinha força alguma.
Isso não era um beijo comum.
Era profundo… tão profundo que ela sentia como se Frey estivesse prestes a arrancar sua alma do corpo.
Se passaram segundos. O beijo continuou.
A força de Sansa lentamente foi embora… até que ela não conseguiu resistir mais.
Frey, ainda agarrado ao beijo, sentiu seus braços começarem a enfraquecer. Todo seu corpo ficou mole agora.
Foi então que ele percebeu.
Ela havia se entregado completamente a ele… permitindo que ele fizesse o que quisesse.
Ao ver seu rosto ruborizado… aquela expressão rara de vergonha que ela não mostrava há tempos… Frey finalmente se afastou, após roubar seus lábios por tanto tempo.
Sansa parecia completamente atordoada, o que a deixava com uma expressão de estranha fofura.
Porém, Frey não a olhou por muito tempo.
Em vez disso, envolveu-a suavemente com seus braços, aproximando-se de seu ouvido.
— Fique comigo, Sansa. — ele sussurrou.
Naquele momento, os olhos da princesa demônio se arregalaram.
Ela percebeu o que ele estava fazendo.
Ele tinha visto sua dor, visto seu desejo de partir… e deu o primeiro passo sozinho… impedindo-a de ir embora.
Desta vez, foi ele quem segurou ela, não o contrário.
Sansa nunca conseguiu resistir a ele quando estava ao seu lado.
Seu carinho por ele há muito tinha ultrapassado qualquer limite.
Então, quando ele veio assim—pedindo que ela permanecesse—não havia outra resposta que pudesse dar.
Ela não conseguiu falar.
Mas sua atitude ao assenti-la repetidamente foi clara. — esse foi seu "sim".
Frey a segurou ainda mais firme, uma vez que conseguiu o que queria.
No fim, quem a salvou foi ele, e não ela. —