O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 480

O Ponto de Vista do Vilão

Eles cercaram Frey por todos os lados, cantando e rugindo até ficarem sem fôlego e não poderem mais gritar.

Por mais que tentassem… Frey nunca disse uma palavra.

Simplesmente caminhou entre eles... com um leve sorriso no rosto.

Porém, esse sorriso era diferente dos amargos que costumava usar.

Era algo diferente... confiante, decidido... o sorriso de um guerreiro no auge do poder.

"…Então essa é a força do filho daquele homem."

De longe, assistindo silenciosamente, Bloodmader falou com uma expressão indecifrável.

Ele deveria ser o comandante supremo da vanguarda.

Porém, agora, nem se dava ao trabalho de dar ordens.

Sabia... que os soldados só seguiriam alguém mais – só Frey Starlight.

O herói que lhes mostrara milagres hoje.

"Ele realmente é como o pai dele… quando o assunto é força avassaladora."

A pessoa que lhe respondeu foi ninguém menos que Phoenix Sunlight... o homem que um dia fora professor de Frey.

Olhos ardentes como brasas tinham acabado de presenciar o retorno de uma era de milagres.

"Para ser sincero, nunca entendi completamente Frey Starlight… nem aquele poder monstruoso dele.

Mas hoje, ele demonstrou um nível digno até de Abraão em pessoa.

Em termos de poder destrutivo, os dois são praticamente iguais."

Ambos possuíam uma força parecida... força poderosa o suficiente para virar o mundo de cabeça para baixo.

"São semelhantes, mas ao mesmo tempo diferentes."

Abraão era radiante... deslumbrante.

Uma estrela entre estrelas.

Um homem que só poderia ser chamado de herói não coroado.

Um herói não escolhido pelo Senhor da Luz... mas pelo próprio povo.

Já Frey... seu poder era diferente.

"Ele é mais um carrasco do que um herói."

"Um carrasco que saiu do abismo para punir todos que ousaram lhe enfrentar."

Uma besta entre bestas... um monstro cujos limites verdadeiros o mundo ainda não conseguiu compreender."

Diferente de Abraão, o herói radiante,

Frey era o monstro forjado por este mundo torcido.

Por isso, conquistou esse título.

"A Peste Negra."

Uma calamidade que traz morte e destruição por onde passa.

Observando as ruínas deixadas pelo ataque supremo de Frey, Phoenix permaneceu em silêncio,

sus pensamentos ainda presos às ecos persistentes do que testemunhara.

Já tinha visto o Julgamento Sem Nome antes... na segunda vez que foi desencadeado.

Mesmo não sendo dirigido a ele… mesmo estando do mesmo lado…

Não conseguiu deixar de sentir um medo clandestino através da aura que emitia.

Era diferente de qualquer coisa que Frey normalmente transmitisse... como se pertencesse a alguém completamente diferente.

Os soldados não conseguiam entender aquilo... seu nível era baixo demais para perceber algo assim.

Porém, Phoenix vislumbrou uma parte disso.

Era… estranho.

Frio. Sombrio. Sinistro.

Por mais que Phoenix tentasse encontrar a palavra certa para descrever… não conseguia.

E quem poderia culpá-lo?

Ele nunca tinha presenciado algo assim antes.

Mas uma coisa era clara… tinha deixado sua marca nele.

Fez-no questionar algo que nunca imaginara perguntar.

O que exatamente é Frey Starlight?

Era um camarada... um estudante que Phoenix treinara pessoalmente.

Um grande guerreiro lutando ao seu lado… por enquanto.

Mas que futuro os aguardava?

Phoenix não tinha a resposta.

Frey possuía uma magia própria. Conquistara a lealdade de todos os soldados.

Já não havia mais vestígios daquele Frey odiado. Ele se tornara ídolo de centenas...

Sem dúvida, agora estavam sob seu domínio. O que ele decidisse dali em diante determinaria o destino da unidade de vanguarda.

A guerra ainda não tinha acabado, e sua missão ainda estava longe de terminar.

Depois de perseguir os Ultras profundamente nas águas inimigas, a frota imperial interrompera a perseguição há algum tempo. E, no entanto, estavam mais perto do que nunca…

Perto das terras dos Ultras, que ficavam além da Sea Demoníaca.

Em outras palavras... a segunda rodada estava prestes a começar... uma rodada que certamente traria horrores ainda maiores.

Desde o começo, dez mil soldados nunca foram suficientes, e nunca lhes deram o poder que precisavam. Isso levantou várias perguntas sobre o suposto plano do príncipe herdeiro Aegon Valerion.

Parecia que ele os enviara para serem massacrados.

Mas sobreviveram — até venceram — dando a impressão de que Aegon havia conseguido.

Uma grande vitória... com forças mínimas.

Mas essa não era a verdade. O triunfo de hoje foi obra de um único homem.

E, ainda assim, a vida nunca foi justa. No final, o crédito ainda foi de Aegon.

Agora, com pouco mais de 2.000 sobreviventes, as forças imperiais continuavam seu avanço lento em direção ao continente dos Ultras... esperando o começo da segunda rodada.

O tempo passou rápido, e a primeira noite desde a batalha do Golfo de Shizclar terminou.

A frota imperial ainda navegava lentamente, mas de forma constante, rumo às terras inimigas.

No navio da vanguarda, sob um céu estrelado...

Frey Starlight cambaleou ao descer os degraus da embarcação, com uma mão segurando a parede por apoio, indo em direção aos seus quartos particulares.

O Senhor da Luz das Estrelas manteve-se até então calmo. Tinha lutado na guerra, liderado os soldados, estado na linha de frente... e vencido.

Mesmo depois disso, permaneceu entre as tropas. Caminhou por todos os cantos da frota, compartilhou sua aura com os feridos, ajudou-os, ofereceu tudo o que pôde.

Então, houve uma longa reunião com Bloodmader e outros, onde discutiram o estado atual... e se deveriam seguir em frente.

Essa reunião durou horas... e terminou com uma decisão definitiva.

Após uma vitória dessas, não podiam perder tempo e voltar ao Império, dando aos inimigos chance de se recuperar.

E assim, a decisão foi tomada...

Arriscariam tudo... todos os 2.000 homens... para tentar estabelecer uma base para o Império na terra dos Ultras.

Se conseguissem, o verdadeiro exército imperial poderia seguir atrás, e a guerra de fato começaria.

Seu papel, portanto, era fundamental... crucial.

Frey deu tudo até o último instante. Não vacilou uma só vez.

Porém, agora, sozinho e afastado de todos os olhares... seus ombros finalmente cederam ao abrir a porta do seu quarto, entrando cambaleante com a última força que restava.

Com passos trôpegos, entrou na pequena cabana... nada além de uma cama e uma mesa simples dentro.

Ele tentou se jogar na cama, mas suas pernas fraquejaram antes que pudesse, derrubando-o no chão.

Porém, no último segundo... antes que sua cabeça tocasse a superfície dura...

Frey se viu ao cair em algo bem mais macio do que esperava.

Então, ao ver os braços brancos e delgados segurando-o, percebeu que não estava sozinho.

Com uma risada abafada, murmurou fraco,

"Boa pegada."

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