
Capítulo 446
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 446: Ecos do Cataclisma (3)
Todos estavam em um estado lamentável... mas vivos, graças à vitalidade de nível SS.
"O que aconteceu com eles?!
Virando abruptamente, Sir Alon questionou Mist Umbra.
"Há quanto tempo eles estão presos aqui?!
Em resposta, Mist lhe deu o número exato.
"Contando hoje, já fazem 58 dias dentro do cubo."
58 dias...
"Eles tinham muitos suprimentos... e esse tempo não é suficiente para transformar guerreiros de nível SS nesse estado. Isso é impossível!
Mas naquele momento, os olhos de Sir Alon caíram na parede contra a qual Maekar tinha se apoiado anteriormente.
O que ele viu o fez congelar.
A parede estava coberta de gravações.
Marcas de tally. Dia após dia, uma após a outra.
São tantas... demais, cobrindo toda a superfície da nave.
Isso não eram apenas 58 dias.
"...Dois anos e 231 dias."
Com esforço, Iris Sunlight falou, seus olhos vazios encontrando o olhar de Sir Alon.
Ao ouvir as palavras do idoso Iris, a terrível verdade finalmente se instaurou para todos.
Passaram-se 58 dias do lado de fora do cubo.
Mas o tempo dentro do cubo era completamente diferente.
Para aqueles presos lá dentro, 58 dias se transformaram em dois anos e 231 dias.
Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses...
Todos esgotaram seus suprimentos e foram deixados à mercê da fome e da sede.
Eles foram destruídos a ponto de, eventualmente, começarem a se devorar.
A carne daqueles que morriam primeiro... apenas para sobreviver.
Eles comiam carne humana. Bebiam sangue...
Transformaram-se em monstros... no mesmo tipo que uma vez desprezaram... somente para agarrar a vida.
Esse era o jogo da bruxa.
Olhando para o horizonte distante...
Sir Alon finalmente começou a entender seu inimigo, mesmo que só um pouco.
Ele quase podia jurar que ouviu a risada dela.
A risada de Beatrice.
Ela estava brincando com eles.
Para ela, tudo não passava de um jogo.
E isso por si só fazia o sangue do Imperador de Ferro ferver.
"O jogo da bruxa, hein? ... Então, que comece o jogo."
Com seu corpo irradiando uma luz intensa, Sir Alon Valerion ficou na linha de frente, acendendo sua sede por guerra.
"Vamos jogar... mas desta vez, pelas minhas próprias regras."
Os Ultras queriam guerra.
E guerra é exatamente o que eles terão.
Não havia mais volta.
"Isto será uma guerra de aniquilação."
Ele não pouparia nem jovens nem idosos,
Nem homens nem mulheres.
Sir Alon tinha jurado...
Ele exterminaria todos.
No final desta guerra, ou os Ultras ou o Império...
Um deles desaparecerá da face da terra.
A catástrofe era inevitável.
E, ao se virar, deixando para trás aqueles que ainda podiam salvar—
O céu acima deles se partiu, respondendo ao seu desejo com um grito aterrorizante, um presságio sombrio.
Um aviso de que o próprio inferno os aguardava.
Neste dia, naquela hora...
O mundo todo olhou para o céu...
E viu criaturas descendo do vazio, gritando sem parar,
Como se o fim do mundo tivesse chegado.
Elas se pareciam com corvos negros gigantes, suas asas imensas obscurecendo o céu enquanto voavam pelo ar, clamando sem descanso.
Seus gritos eram aterrorizantes, carregando incontáveis emoções.
Às vezes, soavam tristes, outras alegres.
Às vezes, furiosos, outras extáticos.
O mundo tremia sob seus clamores.
No entanto, elas não faziam nada... apenas circulavam pelos céus sem propósito, chorando incessantemente.
Pássaros negros enormes, como se tivessem saído direto do inferno.
As reações variaram, mas entre eles...
Frey Starlight olhava para as aves, seu rosto sombreado de trevas.
De seus lábios, ele sussurrou o nome deles—
"...Comedores de Caos."
O desastre era inevitável.
...
...
...
O mundo continuava a se transformar a cada segundo que passava.
À medida que eventos chocantes destruíam tudo, um após o outro...
Enquanto isso, dentro do Império Humano…
O Imperador Maekar Valerion voltou ao seu castelo, completamente afastado do público.
Ele estava em um estado miserável, afastando qualquer um que ousasse se aproximar, exigindo ficar sozinho.
Seu corpo frágil e fraco após tudo que suportara.
E assim, ele se arrastava pelos corredores do castelo, seus passos vacilando enquanto vagava de sala em sala.
Quanto mais fundo ia...
Maekar Valerion finalmente atingiu seu santuário privado…
Um lugar que ninguém jamais permitira que alguém se aproximasse.
Ao abrir a porta daquela sala secreta,
Maekar entrou em um cômodo completamente coberto de gelo.
Um quarto vazio, preenchido apenas por gelo.
E em poucos momentos, ele desabou, apoiando-se em um grande caixão de gelo no centro da sala.
No instante em que caiu, começou a rir como um louco, seu corpo tremendo violentamente.
"Droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga, droga!!!"
Ele amaldiçoava repetidamente, enquanto soluçava sem parar.
Tudo havia desmoronado para ele da noite para o dia.
"Por quê... por que tudo chegou a isso?!"
Ele gritou, e então explodiu em uma risada hystericamente, voltando o olhar para o caixão atrás de si.
"Se ao menos o tempo pudesse voltar... pra aqueles dias... naquela época, tudo estava bem."
Momentos em que viveu em paz, e tudo era como deveria ser.
"Por que você me deixou?!"
Maekar continuou a soluçar como um louco, agarrado àquele caixão.
"Tudo estava bem quando você estava aqui..."
Com o corpo trêmulo, Maekar fixou o olhar no caixão.
E dentro dele... revelou-se o rosto de um homem.
Um homem que há muito fechara seus olhos para este mundo.
...
...
...
A.N :
"Comedores de Caos"
Dentre as muitas criaturas estranhas deste mundo, os Comedores de Caos são vistos como arautos do desastre... presságios de uma calamidade se aproximando.
Eles se parecem com pássaros gigantes de asas imensas, suas formas uma fusão assustadora de várias espécies de aves, cobertos de pele negra e com olhos brancos que brilham.
Os Comedores de Caos emergem do vazio, não fazendo nada além de voar pelos céus sem interagir com nenhuma criatura viva. Ainda assim, onde quer que apareçam, uma catástrofe terrível costuma acontecer logo depois.
Com o tempo, as raças do mundo passaram a entender seu significado, reconhecendo que a aparição dos Comedores de Caos indica o advento de calamidades.
Eles já apareceram inúmeras vezes... durante o Massacre do Panteão, há milhares de anos, causado por Agaroth e Crimson...
Ou durante o extermínio dos ghouls e a queda da nação manipulada e destruída por Wesker.
Sempre que surgiam, o desastre não tardava a acontecer.
Na verdade, apesar de seus números, os Comedores de Caos são apenas fragmentos de uma única entidade... uma das Grandes Coisas misteriosas cuja verdadeira natureza ninguém jamais conseguiu compreender.
Se você os vir voando pelos céus...
Prepare-se... o desastre é inevitável.