O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 447

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 447: Sussurros na Escuridão

— Ponto de vista de Frey Estrela da Manhã —

O quarto estava escuro.

Aqui, em minha câmara solitária, onde abri meus olhos pela primeira vez neste mundo.

Quantos dias se passaram? Me peguei perguntando.

Sentado na minha cama, encarava a interface do sistema com uma expressão que já não refletia qualquer traço de emoção ou sentimento.

Sempre que, por um instante, pensei que tinha atingido meu limite.

Dizia a mim mesmo... é isso, Frey. Você chegou ao seu auge.

Eu suportei o maior sofrimento e tormento, e, a cada vez, de alguma forma, encontrei uma maneira de seguir em frente, convencido de que estava tudo bem.

Que eu já tinha visto de tudo. Depois de tudo o que passei, acreditava que tinha experimentado todas as formas possíveis de sofrimento, e que nada mais poderia me surpreender.

Mas toda vez...

A vida provava o quão tolo eu era, arrastando-me para um inferno completamente novo.

E, provavelmente, tudo isso fazia parte do plano daquele Engenheiro... junto com quem quer que estivesse por trás dele.

Era um destino que parecia irrevogavelmente traçado para mim. Um caminho do qual eu parecia incapaz de escapar.

E talvez essa interface do sistema que se estendia diante dos meus olhos fosse o próprio espelho desse destino maldito que me aguardava.

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Missão Final: Salvar ou Matar Danzo (Completada)

Recompensa: 15.000 Pontos de Conquista

Habilidade: Capture de Tela (Rank S)

A habilidade de captura de tela permite ao usuário liberar uma aura poderosa que manipula a realidade ao seu redor. Quando ativada, ela captura tudo ao redor do usuário, congelando o tempo de tudo dentro do alcance da captura por um segundo.

*Ding!*

Missões atualizadas

Missões principais:

Matar 10.000 soldados Ultras: 5.000 Pontos de Conquista.

Derrotar uma das principais forças dos Ultras: 5.000 Pontos de Conquista.

Missão final: Eliminar as Sombras de Wesker.

Descrição da missão: ??? (Será revelada no momento certo).

...

...

...

Sem perceber, um sorriso amargo surgiu no meu rosto ao ler a lista de missões.

O sistema já começava a tecer meu novo caminho, me guiando rumo ao destino que tinha preparado.

Desta vez, a missão final foi emitida desde o início.

E lê-la só fez meu sorriso se aprofundar.

"Wesker?"

Era o sistema falando daquele demônio? A quarta posição, conhecido por muitos como o demônio mais sujo que já existiu?

Para seu nome aparecer na interface do sistema... significava, de uma maneira ou de outra, que aquela criatura estava por perto.

Mas tenho que dizer... o sistema perdeu completamente a cabeça desta vez.

Quero dizer, tenho que enfrentar a Quarta Posição?

"Você realmente entende a dimensão do poder dele?"

Mesmo que ele enfrentasse sozinho o Império e os Ultras, ele os massacraria em um só dia.

Era difícil acreditar que um monstro assim pudesse ser meu inimigo.

"As Sombras de Wesker..."

O que eu precisava focar não era Wesker em si... mas o termo "sombras."

O segredo por trás da missão final estava ali.

Assim que eu entendesse o que aquelas sombras significam, eu saberia o que fazer.

Mas...

"Qual é a vantagem?"

Apesar do peso dessas missões e de toda a confusão que varreu o Império...

Desde o que aconteceu com Maekar e os outros após caírem na armadilha de Beatrice,

Até a aparição repentina dos Devora-Desordem...

Aquais aves colossais que cruzavam o céu, berrando como se fosse o fim do mundo...

Depois de abalarem o mundo com sua primeira aparição, agora estavam silenciosas, voando sem rumo pelo céu.

Muitos tentaram alcançá-las, atacar.

Mas ninguém conseguiu sequer tocá-las.

Nem mesmo Sir Alon.

Felizmente, os Devora-Desordem não prestavam atenção aos humanos. Tudo o que faziam era voar sem propósito.

Ainda assim, a humanidade era forçada a viver com medo, observando aquelas criaturas do alto.

E tinham todo o motivo para temer.

Muitos acreditavam que os Devora-Desordem eram algum tipo de criatura de pesadelo nova.

Mas não eram.

Apesar do número esmagador, os Devora-Desordem eram apenas fragmentos de uma única entidade.

Um ser superior pertencente a uma das raças mais misteriosas que existem...

Os Grandes.

Claro que eu os conhecia. Lembrei que deveriam aparecer ao final da história que uma vez escrevi, quando ainda era romancista.

Como o nome sugere, os Devora-Desordem se alimentam do caos.

Ao longo da história, eles surgiram muitas vezes em diferentes cantos deste vasto mundo.

Sempre que emergiam, sem exceção, uma catástrofe se seguia... uma que sacudia o mundo até suas raízes.

Aquela gritaria que soltavam cada vez... era o sino de aviso.

Um sinal claro de que desastre era inevitável.

E esse caos... era o próprio sustento dessa entidade misteriosa.

E agora, ele tinha reaparecido aqui mesmo nesta terra.

Em outras palavras, o desastre vinha... sem dúvida.

Ao refletir sobre isso, comecei a perceber o quão desesperante realmente era essa situação.

Os Devora-Desordem... que testemunharam todas as carnificinas na história deste mundo.

Wesker...

Os Ultras...

O Engenheiro...

A Seita das Sombras...

Algo estava prestes a acontecer.

Algo grande demais para compreender.

E este Império... era apenas o palco onde tudo se desenrolaria.

Humanos não eram nada além de peões e atores neste grande evento.

E aqui estou, sentado no meio de toda aquela confusão...

Olhando para uma interface de sistema que esperava que eu lidasse com tudo isso de alguma forma.

Por isso, não pude deixar de rir... por ter recebido essa habilidade, "Captura de Tela," ou como quer que chamem.

Então, pra que serve?

"O que você espera de alguém que nem conseguiu salvar um amigo sequer?"

Quando olho para essas minhas mãos, consigo ver claramente...

O sangue de Danzo ainda grudado nelas.

Não importa quantas vezes lave, esfregue, o sangue nunca desaparece.

Eu sei exatamente o quanto o desastre que se avizinha é grande. Sei o quão escuro o futuro parece.

Mas, honestamente?

Começo a não me importar mais tanto assim.

Porque, desde o começo... nunca superei o passado.

Encolhido na minha própria desesperação...

Não consigo nem fechar esses olhos.

Porque, toda vez que faço isso... vejo ele.

Danzo, sorrindo para mim enquanto aquela mão demoníaca explode de dentro dele.

Mesmo nos seus momentos finais, ele fez tudo para salvar minha vida.

E, em troca, o que eu fiz?

Cravei minha espada no peito dele e tirei de seus olhos a luz da vida que o mantinha neste mundo.

Seu fantasma me assombra todos os dias desde então.

E, mais uma vez, me peguei rindo amargamente da minha própria insanidade.

Eu, que achava que tinha perdido todas as emoções, sentia a culpa corroendo meu coração sem fim.

Colocando a mão sobre o peito, escuto os batimentos constantes do meu coração...

Sinto minhas veias ardendo, afogadas naquelas emoções odiosas.

Vejo a mim mesmo como um pecador que merece punição.

Pelo que fiz, estou pronto para aceitar qualquer destino que me aguarde.

E, ao mesmo tempo, estou irado—furioso—e cheio de ódio.

Ódio por aqueles que mexeram no meu destino e no de Danzo, manipulando-nos nas sombras até tudo acabar assim.

Ódio pelos Ultras, o inimigo de onde veio essa maldição, os que causaram tantas mortes.

Ódio por Gvardiol, o homem que plantou aquela semente demoníaca em Danzo...

"Filhos da puta..."

Todos eles. Sem exceção.

Não tenho ideia do que devo fazer, nenhum plano para enfrentar tanto horror.

Tudo o que tenho é uma culpa sem fim que devora minha alma sem parar.

E uma raiva furiosa que me faz querer puxar minha espada e matar o maior número possível desses bastardos.

Dez mil soldados Ultras...

É isso o que o sistema quer de mim?

Então, que assim seja. Que tenha o que deseja.

Mas eu não vou parar em dez mil. Vou além.

Vou matá-los. Despedaçá-los. Enterrá-los se for preciso.

A guerra está chegando, e eu estarei na linha de frente.

Lá—apenas no campo de batalha—posso liberar esses sentimentos.

Só na intensidade do confronto talvez eu arranje minha libertação.

E se, quando chegar a hora, eu encontrar meu castigo naquele campo... tudo bem também.

Afogado na escuridão, com mãos ensanguentadas,

continuei lutando comigo mesmo, esperando o momento chegar...

O momento do início da Guerra das Trevas.

Quero brandir minha espada o mais rápido possível.

"Por favor... que comece."

Que a guerra estoure.

Que comece a matança. Que comece o festival de mortes.

Quero matá-los.

Quero despedaçá-los.

Meu corpo treme sem parar, enquanto o sangue em minhas mãos engrossa.

"Matar... matar... o sangue deles..."

O sangue dos Ultras.

Só quando minhas mãos estiverem banhadas neles, o sangue de Danzo finalmente se apagará.

Só então... poderei encontrar paz para esse tormento.

Então, por favor... que comece.

Tremendo sem parar, comecei a alucinar com sangue que nem existia.

Aos poucos, perdi a mim mesmo...

A beira da loucura se aproximando.

E então, naquele momento...

De dentro da escuridão...

Um par de mãos magras, pálidas, se enlaçou suavemente ao redor do meu peito por trás.

Senti um corpo quente se pressionar delicadamente contra minhas costas.

"A escuridão não combina com você, Frey."

Ela sussurrou calmamente ao meu ouvido, enquanto os chifres de ivo improvisavam da sua coroa oscilavam.

"...Sansa."