
Capítulo 445
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 445: Ecos do Cataclismo (2)
Enquanto Vendrick se afastava, tanto Mist Umbra quanto Joseph Blatier ficaram encarando suas costas, com admiração e medo estampados nos rostos.
"Senhor Alon... quem é aquele homem, de verdade?" perguntou Joseph Blatier, com a voz baixa, relembrando os eventos dos dias anteriores.
Quando tentaram recuperar o cubo que aprisionava Maekar e os outros, foram obrigados a mergulhar no oceano.
Esperando lá havia um dos fantoches de Beatrice, armado com um arsenal aterrorizante de magias mortais.
E ao seu lado, milhares de criaturas marinhas de pesadelo.
A visão era de cortar o coração.
Mas, diante da espada de Vendrick... nada disso importava.
Sua destreza com a espada era incomparável, mesmo após todos esses anos de batalha.
Cada golpe que ele desferia parecia capaz de cortar o próprio mar... destruindo as bestas do pesadelo e derrotando o fantoche de Beatrice antes que ela pudesse lançar uma magia.
Ele era imbatível.
Sir Alon só pôde acenar com a cabeça lentamente.
"Aquele homem... é a espada com a qual construi minha glória e cortei meus inimigos."
Não era surpresa para ele que Vendrick tivesse conseguido.
O Santo da Espada já era mais forte do que ele.
E, mesmo assim, após todos esses anos lutando lado a lado, Sir Alon nunca realmente conseguiu entender seu velho amigo.
E duvidava que algum dia realmente o entendesse.
Mas, neste momento, o cubo em suas mãos era sua prioridade máxima.
"O que exatamente é essa coisa?"
"É uma prisão mágica... um feitiço de alto nível, diferente de tudo que já vimos," explicou Mist Umbra. Atrás dele estavam três feiticeiros, todos tão poderosos que até o mais fraco entre eles havia alcançado o classificação S+.
Ao ouvir isso, Sir Alon presumiu que destruir o cubo seria uma tarefa monumental, mas os feiticeiros rapidamente desmistificaram essa ideia.
"Essa prisão contém um espaço interno vastíssimo. Pela aparência externa, parece pequena, mas por dentro é enorme."
"Após dias de análise, decidimos chamá-la de Cubo da Prisão. É tão forte que até combatentes de classificação SS+ — os mais poderosos da terra... não conseguirão escapar dela."
Sir Alon levantou uma sobrancelha, surpreso com o que ouvia.
Os guerreiros mais fortes vivos estavam todos na faixa SS+.
"Então, se o Cubo da Prisão consegue resistir a ataques deles, não é impossível destruí-lo, não é?"
"Sim e não."
Mist Umbra respondeu novamente, explicando completamente a situação.
"Ele é inexpugnável por dentro, impossibilitando uma fuga. Mas, do lado de fora, descobrimos que é bem mais fraco. Se aplicarmos força destrutiva suficiente, podemos conseguir destruí-lo."
Em outras palavras...
Seria simples — desde que o cubo já estivesse nas mãos deles.
Mas isso não tranquilizava Sir Alon Valerion. Pelo contrário, dava a ele um sentimento de inquietação.
"Não entendo. Se for verdade, por que o inimigo não se incomodou de recuperar o cubo?"
Se estivesse no lugar deles, Sir Alon teria trancado o cubo na parte mais segura do Continente Ultraleve, onde o império nunca o recuperaria.
Mas Beatrice simplesmente deixou-o ao alcance deles.
"Por quê?!"
O Imperador de Ferro não compreendia o modo de pensar do inimigo. Era a primeira vez que enfrentava um oponente assim.
Como se eles nunca o víssem como um verdadeiro rival, mas apenas como brinquedos para passar o tempo... companheiros de diversão, nada mais.
Mas o que aquela terrível bruxa achava durante a batalha?
Sir Alon não conseguia encontrar a resposta.
Nem Mist Umbra nem Joseph Blatier, que partilhavam da mesma ignorância.
"...Bem, isso agora não importa."
Ao segurar o cubo, o corpo de Sir Alon começou a brilhar.
"O que importa é libertar nossas forças que estão presas lá dentro."
Com essa esperança, Sir Alon e seus homens evacuaram completamente o porto, colocando o cubo no centro, conscientes de quantos soldados estavam selados ali.
Nos céus acima...
Sir Alon, Mist Umbra e Blatter voaram para o alto.
Então, sem aviso, os três sacaram suas armas e liberaram suas auras com força máxima.
Com um ataque conjunto de poder destrutivo avassalador, eles atingiram o cubo.
Sob a pressão de um guerreiro classe SS+ e de outros dois na faixa SS, o cubo prisional não conseguiu suportar a força. Em poucos segundos, sua superfície exterior começou a rachar.
E então, finalmente, o cubo explodiu.
Naquele momento, ele se expandiu descontroladamente, cobrindo todo o porto com uma luz sinistra.
No interior, navios despedaçados e pessoas começaram a cair do céu, sendo libertos...
Despedaçando-se violentamente ao atingir o solo, a explosão causou destruição devastadora, e cadáveres ficaram espalhados por toda parte.
E, em poucos segundos, o verdadeiro horror do que havia lá dentro foi revelado.
Era essa visão que fez os rostos de Sir Alon Valerion e seus companheiros escurecerem instantaneamente.
Um após o outro, os captivos caíram do cubo.
Mas eles já não eram os mesmos guerreiros que um dia foram.
Eram apenas esqueletos, despojados de carne e pele, desmoronando pelo campo de batalha.
Ao assistir a esse pesadelo, Sir Alon Valerion só pôde apertar os punhos com tanta força que a pressão de sua aura quase destruiu tudo ao seu redor.
"Que diabo está acontecendo aqui?!"
Não importava para onde ele fosse, não importava quanto procurasse entre os escombros dos navios destruídos, tudo o que encontrava eram esqueletos...
Eles estavam todos mortos.
E então, após uma busca exaustiva, um grupo de sobreviventes finalmente apareceu diante dele.
Lá... sentado sobre os destroços de um navio, estava o Imperador... Maekar Valerion.
Usando sua armadura de Cavaleiro de Fumaça, uma antiga armadura poderosa, o Imperador, outrora forte, agora parecia tão frágil que seu corpo supostamente perfeito mal preenchia a armadura.
Seus olhos estavam completamente escuros, enquanto ele permanecia ali, encarando o vazio, completamente exausto de força.
Ao seu redor, vários dos guerreiros mais fortes do império também haviam caído, seus corpos fracos e quase sem vida.
Iris, Senhor da Família Luz Solar, e seu irmão Gal...
Melina jazia inconsciente em um canto, e os irmãos de Maekar, Ivar e Luc Valerion, estavam ambos espalhados e imóveis no chão.
À sua frente, Sir Alon permaneceu em silêncio. Maekar era o único que ainda tinha consciência.
Levando a cabeça levemente para cima... Maekar agora parecia vários anos mais velho.
Quando viu Sir Alon, um sorriso forçado apareceu em seu rosto.
"...Pai."
Falou com dificuldade, mas a fúria de Sir Alon Valerion acendeu-se instantaneamente.
"Seu filho da p#rra de decepção!"
Pegando Maekar pelo peitoral da armadura,
Sir Alon levantou-o facilmente com uma mão.
"Você ousa mostrar sua vergonhosa cara para mim, ainda vivo, quando todos ao seu redor morreram por sua culpa?!"
Uma rajada de luz se acumulou na mão de Sir Alon, pronta para esmagar Maekar ali mesmo.
Porém, apesar disso, Maekar só riu em resposta.
"Decepção? Essas são palavras pesadas vindo de você, velhote... Kihihihi..."
Sir Alon estava no caminho de acabar com a vida do próprio filho, mas Mist Umbra e vários soldados rapidamente o impediram.
"Calma, Sir Alon! Você sabe o que está prestes a fazer?"
"Ele é um guerreiro SS+... e seu filho!!"
Aquele homem frágil, apesar de tudo...
Continuava sendo uma das armas mais poderosas do império.
Perdê-lo seria uma catastrophe.
Relutante, atendendo aos apelos de seus soldados, Sir Alon lançou o corpo de Maekar com violência de lado, sem querer olhar para ele mais uma vez.
"Jogue aquele inútil bem longe da minha vista. Não tenho tempo para lidar com um filho tão decepcionante."
Virando-se, Sir Alon voltou sua atenção para os outros que estavam caídos no chão. Mas Maekar ainda não havia terminado de falar.
"Velho... ainda vejo suas costas bem firmes, apesar de todos esses anos."
A voz de Maekar era fraca, quase um sussurro.
Mas chegou claramente aos ouvidos de Sir Alon.
"Se ainda tem toda essa força, talvez devesse ter continuado como Imperador até o dia em que morreu, em vez de passar seu manto para mim... seu velho podre."
Maekar zombou, mas Sir Alon nem se deu ao trabalho de se virar.
Para ele, seu filho mais velho não passava de um inseto.
E um inseto não era mais digno de sua atenção.
E assim... Maekar foi arrastado embora.
Enquanto isso, Sir Alon voltou seu olhar para os outros sobreviventes.