O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 342

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 342: O Negócio do Diabo (1)

O tempo geralmente passava rapidamente.

Mas não nas terras áridas dos Ultras.

Especialmente para os estudantes da Classe Elite, que tinham sido dispersos de forma caótica pelo continente sombrio.

Cada um deles era forçado a seguir sua própria jornada, longe de casa... do outro lado do mundo.

"Ultras" — um termo usado para descrever os traidores fanáticos que adoravam demônios, que uma vez viraram as costas para a humanidade e venderam suas almas aos demônios.

Aqui, a maioria dos humanos de sangue baixo vivia na miséria, despojados de toda dignidade e civilização, vagando como cães raivosos.

E agora, os estudantes da Elite finalmente entraram em contato com seus inimigos eternos, que há muito os caçavam.

Aqueles que sobrevivessem a esse poço de morte certamente sairiam mais fortes — supondo que ainda estivessem vivos.

Afinal, quem poderia prever o destino do Jogo da Feiticeira — que finalmente começara a se desenrolar?

Entre eles... numa noite em que a lua finalmente rompeu as nuvens...

Em um trecho isolado desta terra da morte, sentado sobre uma pilha de cadáveres mutilados e ensanguentados...

O príncipe forasteiro limpava calmamente sua lâmina de sangue preto e vermelho, com seu sorriso suave habitual.

Aegon, que tivera uma transferência aleatória durante a mudança inicial, se viu cercado por uma patrulha de humanos mutantes tentando dilacerá-lo.

Ele os matou a todos com facilidade.

Desde então, não saiu dali. Ao contrário, permaneceu sentado por horas, como se estivesse esperando por algo.

E após mais uma hora, algo mudou.

Aegon levantou a cabeça e sorriu, os olhos fixos em um canto sombrio das ruínas.

"Tenho que admitir... ninguém me fez esperar tanto tempo antes."

Suas palavras eram dirigidas ao velho que saiu da escuridão.

Vestido com trapos pretos rasgados... um quimono envelhecido e calças desbotadas amarradas à cintura, com uma katana embainhada... descalço, com cabelos longos e bagunçados, o homem apareceu sob o brilho da lua e enfrentou o príncipe.

"Desculpe. Não dou muita bola para encontros marcados com pessoas importantes."

O velho deu uma risada, puxando de sua cintura um cantil familiar.

"Como me dá fome, como me dá sede, durmo quando estou cansado... e luto quando preciso. Mas admito—poderia ter aparecido mais cedo se você fosse uma princesa bonita, em vez de um príncipe forasteiro."

O velho bêbado soltou uma gargalhada forte.

Aegon, ainda agachado sobre a pilha de cadáveres, ficou sorrindo enquanto olhava para ele.

"Isso com certeza é uma forma única de viver—fazendo o que quiser, quando quiser... especialmente quando tem o poder para respaldar isso. Senhor Mergo."

"Sou apenas um grão nesta vastidão de universo. Minha força é insignificante. Nem merece ser discutida."

Mergo, Senhor do Ninho das Trevas, parecia tão despreocupado como sempre.

Porém, os olhos de Aegon continuavam fixos nele... curiosos, como se ele estivesse vendo algo diferente... algo que não combinava com a imagem de um velho bêbado.

"Devo dizer, admiro sua atitude, Senhor Mergo. Mas me pergunto... será que é só isso mesmo que você é?"

"O que quer dizer com isso?"

"Você não consegue enganar meus olhos tão facilmente. Eu sei que você é mais do que aparenta... Você é especial."

"Você está me atribuindo muito valor."

Mergo balançou a cabeça com sua postura desajeitada habitual, mas seus olhos afiados observavam Aegon com o mesmo interesse.

A descrição que Aegon usou para Mergo poderia facilmente servir para si mesmo. Por trás daquele rosto régio, o príncipe escondia mais do que a maioria poderia imaginar.

"Vamos direto ao ponto", disse Mergo. "Acredito que você trouxe algo que vale o nosso tempo."

Aegon concordou com um sorriso.

"Claro. Teria sido mais rápido se Beatrice não tivesse demorado tanto."

"Aquela louca?" Mergo suspirou. "Infelizmente, ela foi quem assumiu sua pequena turma agora. Você já é uma peça no jogo dela."

Beatrice — nem uma Senhora nem um Hollow — parecia ter conquistado uma influência considerável entre os Ultras.

"Acho que o Império e meu idiota de pai finalmente fizeram seu movimento? Caso contrário, por que levar tanto tempo apenas para lidar com um grupo de garotos da Classe Elite?"

Mergo riu do jeito como Aegon se referia aos colegas, mesmo sendo um deles, mas confirmou a hipótese do príncipe.

"Exatamente isso."

Com um tom mais sério, Mergo anunciou:

"A guerra já começou na frente leste. O Império lançou um ataque em grande escala para recuperar seus jovens talentos."

Pela primeira vez em muitos anos, o Império tinha se tornado o agressor — atraído para o território inimigo pelos Ultras.

"Então, se é verdade, por que você ainda está aqui comigo, gastando tempo?"

"Sem necessidade de se preocupar. Desencadeamos uma fera faminta que não descansará até devorar cada um deles... Uma fera chamada Pontífice Sulyvahn. Ao lado de dois outros Hollows e Madam A, que se juntaram a eles."

"A guerra já está se incendiando assim?"

Aegon coçou a cabeça, fingindo indiferença, embora estivesse claramente intrigado com o que se desenrolava no continente.

"Não chamaria isso de guerra. É mais um jogo."

Afinal, tudo o que aconteceu até agora...

Foi planejado e encenado com antecedência.

"Concordo com você nisso."

O olhar de Aegon passou por Mergo, pousando em algo—ou alguém—escondido atrás dele.

"Agora que todos estão aqui, finalmente podemos começar."

Logo ao dizer isso, um homem alto saiu das trevas, vestindo terno elegante e casaco longo, acompanhado por um grupo de homens que permaneciam atrás dele. Mergo foi o primeiro a cumprimentar seu colega senhor.

"Senhor Lindman. Bem-vindo a esse pântano imundo."

"Mergo..."

Com expressão carrancuda, Gavid Lindman passou por seu par e fixou seus olhos em Aegon.

"Vamos acabar com isso logo. Você tem as chaves?"

Aegon assentiu.

"Não há necessidade de pressa. Tudo está preparado... embora eu só possa garantir duas das chaves."

"Já conseguimos as outras," respondeu Gavid, puxando uma estranha pulseira metálica de dentro de seu manto.

"Madam A recuperou a chave da Luz da Lua. E um convidado especial nos entregou a chave da Luz das Estrelas."

Quando mencionou essa segunda chave, um idoso se adiantou entre os seguidores de Gavid e se curvou profundamente.

"Ofereço meu serviço ao Sangue Superior."

O velho, com longos cabelos brancos e uma barba imaculada, não era estranho para Aegon — que não pôde deixar de soltar uma risada zombeteira.

"Bem, bem... quem é que temos aqui? Não é o Leão Imortal da Casa Estrelas? Hehehe."

O velho não era outro senão Leonides Estrelas, o antigo patriarca que abandonou tudo no momento em que foi derrotado por Ada.

"Leonides Estrelas scolou sua lealdade ao Sangue Superior e provou seu valor. Ele terá o que deseja," declarou Gavid.

"Minha gratidão, meu senhor," disse Leonidas, ainda se curvando — nunca mostrando o rosto.

"Leão Imortal? Deveriam ter chamado você de Gato Imortal," zombou Aegon.

Leonides fechou os lábios, humilhado com a zombaria do príncipe.

"Diga-me, Leonides... como é sentir seu rosto na lama depois de virar as costas para sua família? Você se sente orgulhoso?"

"..."

Ele não respondeu. Mas Aegon podia perceber tudo através de sua linguagem corporal.

"Um covarde patético e sujo. A imortalidade é a única parte do seu título que conseguiu viver à altura, maldito gato que vive há 150 anos e ainda assim não conseguiu derrotar uma menina—Pfff hahahaha!"

Aegon gargalhou, e Leonides começou a tremer.

Tentando retorquir, o ex-chefe da Casa EstrelasReach segurou sua lâmina—apenas para ser enfiado no chão por uma onda esmagadora de pressão de Gavid Lindman.

"O que você ia fazer, Leonides?"

Com olhos carmesim cheios de intenção de matar, Gavid o paralisa no lugar.

"Minhas mais profundas desculpas..."

De joelhos, Leonides mordia seus lábios em frustração, incapaz de escapar do estado miserável ao qual havia sido lançado.

"Sim, isso mesmo! Fique aí. Finja que está rastejando."

"Já chega."

Impacientemente, Gavid ergueu a segunda chave ao lado da primeira.

"Recuperamos as pulseiras das Casas Estrela e Lua. Espero que não seja uma perda de tempo, Aegon Valerion."

Aegon assentiu levemente, indiferente à ameaça disfarçada de Gavid.

"Existem quatro chaves—cada uma confiada às três grandes casas e à família real, exatamente como te contei."

Então, Aegon revelou duas pulseiras idênticas adicionais.

"Adquiri a chave da Casa Valerion e a de meus vassalos na Casa Luz do Sol. Assim, temos as quatro peças completas."

Gavid não conseguiu esconder sua fome enquanto olhava para as chaves restantes.

Com essas pulseiras... eles poderiam finalmente libertar ele.

Sorrindo, Aegon confirmou mais uma vez.

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