O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 340

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 340: Snow Lionheart (3)

Quando Snow Leonhart acordou, percebeu que estava deitado na cama.

Lentamente, tocou seu rosto, depois olhou para as próprias roupas.

Estavam perfeitamente limpas.

Tudo parecia normal.

Como se o que ele tinha testemunhado não passasse de um sonho—um sonho terrível.

Mas aquela tremedeira, aquela dor no peito...

Aquele medo... tinha sido longe demais para ser fingido.

"Eu vi meu mundo desabar diante dos meus olhos."

Snow murmurou enquanto se abraçava com força.

A imagem do Diretor ensanguentado ainda assombrava sua mente.

O homem a quem todos chamavam de Pai... era um monstro que devorava a carne das próprias crianças que o chamavam assim.

Essas verdades fizeram Snow pensar em fugir—escapear o mais longe possível.

Mas... para onde?

Eles eram prisioneiros naquele lugar que chamavam de lar.

A pomba no pingente dele era exatamente igual a ele.

Ele era como aquela pomba... uma pomba presa dentro de uma gaiola de ferro, sem nada a fazer além de esperar... esperar pela morte.

Com esses pensamentos, os dias se passaram.

Snow Lionheart viveu cada um deles atormentado, assombrado pelo que tinha visto.

As crianças continuavam a desaparecer de tempos em tempos, como sempre, substituídas por novos rostos.

Mas desta vez... ele conhecia seu destino.

Aquellas crianças eram cortadas em pedaços ou comidas vivas.

Cada final mais horrível do que o anterior.

Sabendo disso—sem poder fazer nada—era um peso esmagador para um menino de apenas dez anos.

Alguém poderia dormir na cama ao seu lado um dia, só para desaparecer na manhã seguinte e terminar na mesa de morte do Diretor.

Falando nele... o rosto de Snow ficava pálido toda vez que via o homem.

E mesmo assim, o Diretor nunca mais o reconheceu.

O que o fazia questionar...

Será que seu momento... simplesmente ainda não tinha chegado?

A hora da sua morte?

Uma guerra interna de pensamentos bravamente lutava na cabeça do menino.

Talvez seu único consolo fosse o tempo que passava com a Vice-diretora Annalise.

Ela era a única luz naquela escuridão.

Ela sempre o abraçava e dizia que tudo ficaria bem.

Mas foram as próximas palavras dela que marcaram profundamente sua alma:

"Seja um bom menino obediente, tudo ficará bem."

Essas palavras sempre o levavam de volta àquele dia... ao dia que parecia mais um sonho do que uma realidade.

Com o passar do tempo, Snow conseguiu manter a sanidade formando novos pensamentos.

"Vou escapar."

Ele ia fugir do orfanato. Daquele inferno.

"E vou levar ela comigo."

A pessoa que ele chamava de Mãe.

Vice-diretora Annalise.

Snow queria salvá-la.

Queria tirá-la daquele lugar amaldito.

E então, os dois poderiam viver em paz, longe de tudo isso... como mãe e filho.

O garoto se iludiu com esses sonhos—sonhos doces, impossíveis—começando a planejar seriamente sua fuga e o que faria depois.

Era uma decisão egoísta. Ele deixaria todas as outras crianças para trás. Mas ele não era um herói... só uma criança.

Uma criança esmagada pela culpa ao ver mais e mais delas desaparecerem, sem compreender o destino que as aguardava.

Ele sabia o que viria, e mesmo assim não disse nada.

Era quase como se fosse cúmplice na morte delas. Por isso, queria fugir. Deixar tudo para trás.

Sabia que o que estava acontecendo deixaria uma cicatriz eterna em sua vida.

Mas não sabia o que deveria fazer.

Principalmente quando algumas crianças tentaram fazer amizade com ele...

Ele já não sabia o que dizer a elas.

Então, ao invés disso, focou. Treinou em segredo, aprimorando o controle sobre sua aura, e pouco a pouco, buscou uma saída.

Planejava levar Annalise com ele assim que encontrasse uma rota de fuga, por isso, nunca revelou seu plano—não até o último momento.

Os dias passaram rapidamente. Depois, meses.

Finalmente, Snow Lionheart completou doze anos.

Por dois anos, construiu sua fuga.

E por dois anos, um número incontável de crianças morreu... crianças cujas mortes Snow sentia que tinha causado com suas próprias mãos.

Todas desapareceram. E ele tinha consciência disso. Ainda assim, não fez nada.

Snow muitas vezes se perguntava... por que eles não o haviam levado?

Por que o Diretor simplesmente não o devorou e acabou com isso?

Por que ele tinha que sofrer em silêncio, carregando o peso de tantas vidas?

É verdade que ele não as matou... mas ele fez parte de tudo que aconteceu.

Silenciar diante de um crime o tornava tão culpado quanto o assassino.

Toda vez que Snow olhava para suas mãos... tudo que via era sangue.

Sangue de todas aquelas crianças.

Todas as injeções que recebeu ao longo dos anos, mudando a própria composição do seu corpo...

O ambiente estranho em que cresceu...

Snow sentia que estava se tornando algo totalmente diferente.

Algo... que não era humano.

E finalmente... o dia que tanto esperava chegou.

Depois de dois anos procurando, planejando e treinando em segredo—

Snow finalmente encontrou uma maneira de escapar.

Decidiu ir sozinho primeiro... para ver se o caminho era realmente seguro. Se fosse, voltaria imediatamente para levar a Vice-diretora.

Então, tarde da noite, Snow saiu de repente da cama e partiu novamente... esperando encontrar sua salvação.

Após dois anos inteiros de preparação, memorizou cada detalhe de cor e salteado, e com uma execução quase impecável, conseguiu escapar do orfanato.

Foi fácil—muito fácil.

Como se estivessem deixando ele partir.

O que ele não percebeu na época... foi que aqueles olhos vermelhos o observavam o tempo todo.

Assim que se viu além das muralhas do Orfanato Yosefka, no meio da floresta ao redor—

Sentiu uma onda de liberdade.

Usando a aura que treinara tanto para dominar, reforçou seu corpo e disparou entre as árvores com velocidade.

Queria fugir o mais longe possível—bem longe daquele lugar.

Por um momento, até esqueceu completamente a Vice-diretora...

Liberdade era algo que sua alma pobre ansiava há tempo demais.

Então, correu. E correu.

Até que suas pernas não aguentaram mais.

Queria se afastar o máximo possível.

Mas delicados fios ainda o prendiam ao orfanato.

Sentia que tinha deixado tanta parte de si mesmo destruída para trás.

Mesmo assim, após cruzar uma grande distância... parou.

"Seja um bom menino obediente, tudo ficará bem."

Annalise...

A mãe que nunca teve de verdade... ainda estava lá atrás.

Ele tinha medo—assustado com o que tinha deixado para trás.

Seu corpo e sua alma estavam marcados pela sujeira daquele lugar.

Será que aquele garoto realmente tinha o direito de sobreviver... sozinho?

Não. Ele não tinha.

Pelo menos...

"Pelo menos, vou levá-la comigo."

E assim, o garoto voltou.

Retornou ao inferno.

...

...

...

Quando Snow Lionheart decidiu voltar, percebeu o quão longe tinha ido—cego pelo sabor intoxicante da liberdade.

Sua aura respondeu às suas emoções, impulsionando-o com uma velocidade incrível.

Tanto que a viagem de volta levou vários dias...

Só então percebeu o quão isolado de verdade o orfanato era do mundo.

E, pela segunda vez, passou a entender o quanto sabia pouco sobre o que havia além dele.

Sobre o quão vasto realmente era o mundo.

Tudo o que ele conhecia tinha acabado nas paredes daquele orfanato.

Queria voltar rapidamente para resgatar a Vice-diretora Annalise.

Salvar sequer uma alma já seria suficiente para aliviar o peso que esmagava seu jovem coração.

Assim, após uma longa jornada, chegou ao local numa noite iluminada pela lua... uma noite como a de quando descobriu a verdade pela primeira vez.

Quase era irônico...

Snow Lionheart congelou no lugar enquanto seu mundo desabava mais uma vez.

Antes dele, sob a aba da noite, o orfanato queimava—consumido por chamas selvagens.

Um fogo tão intenso que iluminou a escuridão da noite.

Snow se viu correndo—em direção ao fogo.

Procurando por ela... sua única luz.

Comentários