O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 332

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 332: A Jogada da Bruxa (1)

Os dias passaram rapidamente.

Os estudantes de elite se reuniam ocasionalmente com Phoenix, que havia assumido a missão de explorar além da cidade.

Passavam o tempo elaborando planos, tentando encontrar uma maneira de escapar o quanto antes.

Entre eles, Selena não conseguia parar de olhar para Aegon, um pensamento constante atormentando sua mente:

‘Como ele conseguiu isso?’

Essa questão a consumia.

Na noite da morte de Xevier, ela tinha visto claramente a maldição lançada por ele pelo mago moribundo.

Era uma maldição poderosa—até ela, uma bruxa habilidosa, teria dificuldades para removê-la.

E mesmo assim, Aegon, que não conhecia magia, a quebrou com facilidade.

Selena se via entrando em um turbilhão de pensamentos sobre o príncipe mercenário.

Ela não conseguia imaginar como lidar com alguém como ele—especialmente quando a vida de seus pais estava nas mãos dele.

Que ironia…

Aegon Valerion fazia ela se sentir mais impotente do que o continente inteiro dos Ultras, que os mantinham encurralados.

Os dias continuaram a passar:

O primeiro… o segundo… o terceiro.

Os estudantes, temerosos da morte, mergulharam em um silêncio tenso.

Um silêncio que parecia muito artificial…

Phoenix tinha saído da cidade várias vezes em busca de uma rota de fuga, mas não podia se aventurar longe sem colocar os outros em risco.

Então ele retornava sem nada na mão toda vez.

Nesse ritmo, a classe de elite não tinha escolha a não ser começar a se mover em breve.

E então veio a quarta noite.

Enquanto o céu escuro se estendia sobre eles, o grupo se reuniu uma última vez para finalizar o plano de deixar a cidade.

Alguns estavam relutantes—haviam finalmente encontrado um lugar para descansar em paz.

Mas todos sabiam que precisavam agir se quisessem sobreviver.

Ainda assim… uma única dúvida persistia em suas mentes:

“Que porra é essa de silêncio? Por que ainda não fomos atacados?!”

Danzo foi quem expressou o que todos estavam pensando.

Passaram os últimos dias tensos, esperando a morte a qualquer momento…

Porém, nenhum desses temores se concretizou.

“Talvez… não sejamos uma prioridade?”

Seris Moonlight sugeriu, e assim que falou, o príncipe explodiu numa risada.

“Bom ver que alguém finalmente está usando o cérebro.”

Todos olharam para Aegon, que parecia tão cansado e frustrado quanto eles com a situação.

“Como a Seris disse, não somos prioridade. Somos isca.”

“Isca?”

“Sim. Uma distração secundária. Algo que eles podem lidar quando quiserem.”

Desde o começo, sua sobrevivência tinha sido pura sorte—graças somente a Frey, que por acaso estava por perto.

Senão, estariam todos mortos.

“Os Ultras estão nos usando para atrair o Império.”

Alguns ficaram surpresos com as palavras de Aegon. Outros permaneceram calmos—prova de que também tinham considerado essa possibilidade, especialmente Phoenix.

“A última Guerra da Luz aconteceu no território imperial. Naquela época, foram os Ultras que iniciaram o conflito. Desta vez, querem o oposto:

Uma guerra que arraste o Império para suas terras.”

E qual a melhor maneira de fazer isso acontecer?

“Não me interpretem mal. Nós somos perigos para eles—por causa do potencial da nossa classe. Mas, neste momento? Somos apenas um alvo secundário.

O fato de ainda não terem nos atacado com força de verdade comprova isso.”

Até agora, seu único encontro real tinha sido na chegada—e mesmo assim, o inimigo era fraco.

Foram facilmente derrotados.

“Quem sabe,” acrescentou Aegon com um sorriso maroto, “talvez a guerra já tenha começado enquanto estamos aqui, perdendo tempo.”

“Aegon pode estar certo...”

Phoenix falou, confirmando a ideia.

A classe de elite era composta por herdeiros das grandes famílias, o campeão coroado da igreja, filhos das guildas principais…

Para salvá-los, não seria absurdo que o Império lançasse um ataque total contra os Ultras.

“Talvez seja por isso que ainda não fomos atacados. Esta é nossa única chance.”

Em algum lugar acima do vasto continente dos Ultras…

Uma guerra já poderia estar acontecendo para resgatá-los.

“Precisamos aproveitar o fato de que as forças mais fortes deles estão em outro lugar—e escapar enquanto podemos.”

Se não, poderiam acabar conduzindo o Império para uma armadilha que os destruiria todos.

“Vamos agir imediatamente e nos preparar—”

Phoenix estava prestes a dar o comando—

Mas sua voz ficou presa na garganta.

As expressões de todos mudaram instantaneamente.

O chão tremeu violentamente sob eles, como se um terremoto catastrófico tivesse ocorrido.

Phoenix sentiu cada fio de cabelo do corpo eriçar.

Ele mal conseguiu manter-se de pé sob a pressão esmagadora que desabava sobre eles.

Os demais estudantes não tiveram tanta sorte… a maioria caiu ao chão sob a aura avassaladora.

“Inimigo… um, dois… não, muitos!!”

Ghost gritou, tentando contar ou localizar a ameaça.

Mas foi inútil.

A aura repressora vinha de múltiplas direções—e, assustadoramente, havia cercado completamente o grupo.

Nesse momento, Phoenix explodiu em energia, seus olhos ficando vermelhos enquanto disparava ao céu como uma flecha flamejante—forçando a pressão a sair de seu corpo com pura força.

O Senhor da Luz Solar tinha entrado em modo de combate, pronto para atacar a qualquer momento.

Mas até ele congelou no ar…

Quando seus olhos caíram sobre a cena abaixo.

“Que diabos é isso?!”

Phoenix murmurou, incrédulo, enquanto observava a quantidade de exército que cercava a cidade.

Era uma força gigantesca… diferente de tudo que ele já tinha visto antes.

Eles haviam cercado toda a cidade, aprisionando-a por todos os lados.

Mas o problema não eram apenas os números…

Eram os nomes que lideravam essa força.

Os Quatro Lordes dos Ultras estavam na frente—com ninguém menos que Godfrey Lindman à frente.

Os lendários Hollow que ele só tinha ouvido falar em histórias também estavam aqui: Ludwig, Smough, a Rainha Sanguinária Evelyn…

Todos eles liberavam suas auras devastadoras, destruindo a Terra e rasgando as muralhas só com sua presença.

Na linha de frente, uma mulher elegante com um vestido amplo flutuava no ar, sorrindo radiantemente.

Diante de tanta força esmagadora—e da própria bruxa Beatrice—Phoenix sentiu algo que nunca tinha experimentado antes:

Desespero.

Ele observava o poder total dos Ultras…

e eles tinham surgido do nada.

Se fosse um único senhor, ele talvez pudesse enfrentá-lo. Até dois… ele conseguiria achar um jeito.

Mas tantos assim?

Nenhum humano no Império conseguiria lidar sozinho com uma força dessas.

Naquele instante, seus olhos cruzaram com os de Beatrice, que pairava acima da cidade.

Com graça, a bruxa ergueu uma varinha negra e assumiu uma postura que lembrava a de um maestro de orquestra.

“Sejam bem-vindos… ao Jogo da Bruxa.”

Ela balançou sua varinha levemente, e a aura atrás dela ganhou forma física.

“Forje uma arma para acabar com meus inimigos.”

Ao soar de sua voz, um arsenal inteiro de canhões e metralhadoras apareceu do nada atrás dela.

“Neste jogo, todos terão finalmente a chance de realizar suas ambições!”

A chuva de ataques começou sem aviso.

As armas dispararam com força, bombardearam a cidade numa tempestade ininterrupta de balas e explosões.

Phoenix agiu imediatamente. Manipulou suas chamas, formando uma enorme cúpula de fogo que protegia a si mesmo e aos estudantes abaixo do ataque.

Mas a cidade não tinha chance.

Edifícios desabaram, muralhas se espatifaram—tudo virou escombros enquanto balas chuva como uma tempestade.

“Aqueles destinados a sobreviver… sobreviverão!”

“E aqueles condenados a morrer… perecerão!”

Beatrice girou sua varinha mais uma vez.

“Esmague meus inimigos— destrua-os até a poeira!”

Com seu canto, o céu se abriu.

Uma enorme porta se formou nos céus, e dela desceram centenas de pernas e pés gigantes, que pisaram com velocidade assustadora.

Foram com força devastadora, a cidade foi apagada.

Não sobrou nada das muralhas e torres que antes eram majestosas—apenas o domo de fogo protetor de Phoenix.

Debaixo do domo, Frey e os outros permaneciam ilesos… mas por pouco.

Ao mesmo tempo, o exército começou a marchar, e a pressão de suas auras só aumentava.

“Vocês não disseram que éramos apenas isca?!!!”

Danzo gritava, furioso, com vontade de socar Aegon—mas estava paralisado pela força opressora que os esmagava.

Embora estivesse equipado com seu escudo, não conseguiu mover um músculo. O ataque da bruxa tinha deixado todos eles sobrecarregados.

Ainda flutuando no céu, Beatrice sorriu de lado enquanto girava sua varinha mais uma vez.

“Então você gosta de usar fogo, né?”

Ela lançou um sorriso ao Chicago Phoenix, que tinha bloqueado o primeiro ataque dela.

“Então se afoguem. Se afoguem por mim!”

Mais uma vez, um fenômeno sobrenatural se desdobra—

O céu se transformou em um oceano.

Uma onda gigante, selvagem e furiosa, avançou de cima de Beatrice, destruindo tudo ao seu caminho.

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