
Capítulo 330
O Ponto de Vista do Vilão
— Ponto de Vista de Frey Starlight —
«…»
O silêncio persistiu por um tempo.
O barulho alto foi o que nos reuniu antes—o som de Xevier morrendo, respirando seu último suspiro.
E agora, ali estávamos, rodeando seu corpo, incapazes de pronunciar uma palavra.
Ao olhar para o cadáver em decomposição, corrompido pelo sangue demoníaco, pude imaginar vagamente o tormento que Xevier deve ter suportado.
Ele devia saber que ia morrer. Impossibilitado de impedir isso. Talvez, nos seus momentos finais, ele tenha tentado fazer algo—qualquer coisa—para dar algum sentido à sua vida.
Porém, a expressão em seu rosto… aquela mistura de tristeza, medo e amargura… dizia o contrário.
Apesar de entender tudo aquilo, não senti nada.
Não fiquei triste. Não fiquei com raiva. Simplesmente achei sua morte uma pena.
E tenho certeza de que muitos dos outros pensaram da mesma forma.
Todos, exceto Selina, que o lamentou. Os demais ficaram em silêncio.
— Devemos informar o Professor Phoenix… —
Seris foi quem quebrou o silêncio primeiro, apontando o óbvio.
Depois disso, tudo aconteceu rapidamente.
Seris criou um caixão de gelo para preservar o corpo de Xevier da decomposição acelerada. Então, todos nos dispersamos.
A única emoção que parecia perpassar nossos rostos era o medo…
Medo da morte, que finalmente tinha chegado à porta.
…
…
— Entendo. —
Foi tudo o que Phoenix disse ao descobrir que uma de suas alunas havia morrido.
Pela expressão dele, percebi o quão bravo ele estava. Talvez se culpasse, já que foi ele quem nos mandou saquear os corpos. Se ele não tivesse feito isso, talvez Xevier não tivesse sido mordido inicialmente.
Mas, embora Phoenix parecesse carregar a culpa nas costas, nenhum dos alunos fez o mesmo.
Após uma breve conversa, que durou apenas alguns minutos, enterramos o corpo de Xevier ali—dentro desta cidade ultriana estrangeira. Não havia como levá-lo para casa, e ninguém se voluntariou a carregar seu corpo.
Nos despedimos dele rapidamente. Tão rapidamente, na verdade, que alguns nem apareceram para o funeral.
Ainda assim, apesar de parecer tão patética a sua morte, ela não foi em vão.
Com a primeira vítima, todos nós tivemos que encarar a verdade—forçados a retornar à realidade, percebendo o quão próxima a morte realmente estava.
Um único mordida. Uma pequena ferida que, para a maioria, parecia trivial… foi suficiente para matar.
E quanto ao resto deste continente sombrio?
…
…
…
Naquela noite, me encontrei andando sozinho, perdido em pensamentos, evitando todos ao meu redor.
Ao passar pelas construções deterioradas que um dia abrigaram os Ultras, questionei como eles conseguiam viver assim—se alimentando de seus próprios semelhantes, deixando cadáveres espalhados como lixo inútil… como cães.
Então, fiz outra pergunta a mim mesmo…
Como eles nos atraíram até aqui?
A teleportação não pode ser sabotada—a menos que o próprio portal esteja comprometido. E isso aponta para a existência de um traidor dentro do templo. Um mago, para ser exato, já que apenas magos podem operar esses portais.
Um mago habilidoso… muito bom em se esconder.
E, mesmo assim, não consegui pensar em nenhum nome.
Embora eu seja quem criou este mundo, não consegui descobrir.
E se o traidor ainda estivesse por perto?
— Estou completamente no escuro… —
E parecia que isso não mudaria tão cedo.
Depois de vagar sem rumo por horas, finalmente parei. Pulei para cima e subi em um prédio mais alto que os demais—que dava vista para a maior parte da cidade e suas muralhas elevations.
A Cidade dos Ultras parecia uma antiga cidade deserta, de uma era esquecida. Mas a diferença era… este lugar estava totalmente morto.
Os demônios devoram a força vital—a aura que sustenta a própria terra…
Esta cidade, e tudo ao redor dela, já havia sido drenada há muito tempo. A terra morreu por causa dos demônios que Phoenix e os outros descobriram subterrâneos.
Se continuar assim, se os demônios continuarem vindo, é só questão de tempo até que a Terra sofra o mesmo destino de Londor—um mundo sem vida, sem sequer um vestígio de vitalidade.
Naquele momento, ergui a cabeça para o céu… ainda fazendo perguntas que não tinham resposta.
— O Portão que Kazes Valerion selou… —
Quem o quebrou?
Quem abriu a porta que deixou todos aqueles demônios entrarem pela cidade?
Para destruir um selo daquele tamanho… pelo menos um dos Dez Demônios de Alta Classificação seria necessário.
E somente um nome veio à minha mente.
— Wesker… —
O demônio de Rank Quatro que lutou contra meu pai há dezessete anos.
Wesker é assustadoramente poderoso. Conseguiu passar pelo selo à força, embora o tenha severamente destruído. Ainda assim, não o quebrou—apenas forçou sua passagem.
Depois, perdeu a luta para meu pai e para o Engenheiro que ficava ao seu lado.
Porém… Wesker realmente deixou a Terra algum dia?
Se não, é bem provável que tenha sido ele quem destruiu o selo. Um monstro de seu nível certamente conseguiria isso.
Mas, se foi ele… para onde foi?
Onde está escondido?
O Demônio que carrega o Olho do Rei—o olho que pode ver o destino de todos os seres vivos.
A mesma criatura que uma vez colocou a mão em mim.
Se um monstro assim retornar e atacar o Império…
Não teria nada que eu pudesse fazer para detê-lo.
— Frey Starlight jamais venceria ele. —
Sussurrei silenciosamente, então puxei algo de dentro das minhas roupas.
Um objeto metálico preto, na forma de uma máscara.
— Frey não consegue… mas você consegue. —
Olhando para os olhos vazios da máscara Sem Nome, lembrei-me do que aconteceu em Londor.
Para ser honesto, eu pensava naquelas coisas todos os dias desde então—mas escondi esses pensamentos após cairmos na armadilha dos Ultras.
Ainda assim, a morte de Xevier hoje trouxe tudo à tona…
Eu sabia que algum dia ia morrer. Todo mundo sabe.
Mas a diferença entre mim e os outros… é que minha morte abriria a porta para que algo maior vivesse.
Pois sou apenas um hospedeiro temporário. Um recipiente criado para um rei específico.
Um rei poderoso o suficiente para realizar tudo o que sempre quis.
E eu não fiquei triste com isso—pelo contrário, aceitei totalmente.
Aceitei que um dia eu seria substituído… que minha vontade seria jogada fora.
Mas a morte de Xevier me fez perceber algo importante…
— Eu não quero morrer assim… —
Uma morte patética. Sem sentido. Uma morte tão insignificante que as pessoas descartam seu corpo no mesmo dia… e esquecem de você na manhã seguinte.
Se morte e desaparecimento forem realmente meu destino…
Pelo menos, quero morrer do meu jeito.
Seja aqui, contra os Ultras… ou em outro lugar…
— Eu sou o mestre do meu próprio destino. —
Pode não ser meu lugar dizer isso, considerando que sou apenas uma marionete nas mãos do Engenheiro de olhos azuis…
Mas, desta vez, eu realmente queria desafiar as expectativas dele.
Quebrar o futuro que eles prepararam para mim lá em cima… o destino do qual nunca pude escapar.
Quero destruí-lo.
Ter sucesso… e então morrer do jeito certo.
Não existe um ser onipotente neste mundo—nem mesmo Agaroth, o grande Rei Demônio.
Então, talvez… o que parece impossível à primeira vista… não seja totalmente impossível, afinal.
— Acho que já é suficiente por hoje. —
Sem perceber, passei horas assim—olhando para o céu, pensando em cada detalhe.
Mergulhado na solidão…
Uma estrela solitária vagando pelo vazio.
…
…
Ao me mover novamente, já tinha amanhecido.
O ar frio que queimava meu peito e a tênue luz do sol que surgia entre as ruínas marcaram o fim do nosso primeiro dia na cidade abandonada dos Ultras—
E nossa primeira noite sem nosso companheiro caído… Xevier Adams.
Pretendia retornar ao acampamento da elite, onde o prédio administrativo com os corpos enterrados abaixo dele, tinha sido montado.
Mas parei ao ouvir alguém gritando perto da parede ao meu lado.
Talvez, por curiosidade, aproximei-me da origem da voz.
E, graças aos meus sentidos aprimorados, não foi difícil localizar.
Como esperado, a gritaria vinha de Scarite Sunlight, que desferia palavras duras contra Phoenix, que estava na sua frente com uma expressão fechada.
— Por que você quer nos afastar assim?! É isso que você quer? Que morramos lá fora, como Xevier?! —
Ela gritava, enquanto seu irmão Ivan tentava segurá-la.
Phoenix não reagiu. Apenas olhou para ela em silêncio, com seus olhos ardentes brilhando levemente.
— Isso nunca foi minha intenção, — disse ele finalmente. — Mas a partir de amanhã, vou seguir sozinho para procurar o portal de fuga. Não posso levá-los comigo nesta missão tão perigosa.
Era a primeira vez que ouvíamos o plano de Phoenix.
Aparentemente, ele pretendia explorar sozinho—deixando-nos para trás nesta localização relativamente segura.
Isso significava que ele queria assumir maior risco sozinho.
Porém, Scarite não via dessa forma—and sua resposta deixou isso claro.
— Então você quer nos abandonar e fugir sozinho? Como você é indecente… 'Senhor Milagre'. —
— Scar… eu não estou deixando ninguém para trás. —
Phoenix estendeu a mão para ela, tentando acalmá-la.
Mas ela afastou instantaneamente sua mão.
— Não me toque!! —
Sua reação explosiva me fez perguntar como Phoenix, que poderia apagá-la com um único golpe, conseguia manter a calma.
— Sai da minha vista! Você foi quem tirou tudo de nós… nosso futuro, nossa família… nosso pai. Espero que morra nesta terra amaldiçoada conosco! —
Ela virou as costas e saiu em disparada, deixando um silêncio atônito para trás. Ivan fez uma reverência desajeitada a Phoenix, depois correu atrás da irmã.
Phoenix soltou um longo suspiro ao ver sua família desaparecer. Depois que se foram, virou-se para um canto escuro, com um sorriso forçado.
— Quanto tempo você pretende ficar aí escondido? —
— Como eu esperava de você. —
Saí do esconderijo assim que percebi que ele me notou.
Não se engana os sentidos de um Despertado de Rank SS.