
Capítulo 329
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 329: Dançando ao Comando do Diabo (2)
A noite caiu.
Phoenix permaneceu na parede, de guarda. Os demais estudantes se espalharam pelo estranho prédio administrativo, reivindicando quartos para si.
O lugar estava silencioso—assustadoramente silencioso. E completamente escuro.
Enquanto todos dormiam, o silêncio foi interrompido pelo som de passos lentos ecoando pelo corredor dim.
De degrau em degrau, um jovem caminhava para frente, vestido com uma toga preta, uma mão na parede, tossindo de vez em quando.
Com seus cabelos loiros desgrenhados e rosto pálido, a figura era inconfundível—Xevier Adams, o jovem mago, avançava com um único objetivo na mente.
“Querido seu… ”
Segurando a parede com uma mão e o peito apertado com a outra, o jovem mago parecia estar de verdade em agonia.
“Maldito seja você…”
Continha murmurando entre tosses, até que uma crise de tosse repentina o dominou—tão violenta que expulsou tudo do seu estômago ao chão, junto com um sangue tão pálido que parecia sem cor.
“Maldito seja você…”
Com o rosto pálido, Xevier lutava para continuar caminhando.
“O que há… Xevier?”
O jovem mago congelou imediatamente ao ouvir aquela voz familiar—a mesma que fazia seu sangue ferver.
A voz vinha de uma figura no final do corredor escuro, olhos dourados brilhando intensamente.
“Estava procurando por mim?”
“Aegon… ah—!”
Xevier gritou o nome antes de desabar novamente, vomitando sangue, incapaz até mesmo de formar palavras decentes.
“O que é isso, Xevier? Sempre achei que você fosse nojento, mas vomitar seus intestinos na minha frente assim? Isso é nojento—heh.”
O príncipe riu, quase como se tivesse previsto que Xevier aparecesse.
O mago continuou vomitando copiosamente, seus olhos turvos mal conseguindo focar em Aegon agora.
O som de sua tosse violenta ecoava pelos corredores, levando os estudantes de elite a saírem às pressas de seus quartos.
As luzes se acenderam, revelando o estado lamentável do jovem mago—seus olhos ainda fixos em Aegon, lutando para falar.
“Xevier!!”
Selina foi a primeira a alcançá-lo, seguida por Emilia e o restante do grupo.
“O que aconteceu com ele?! Por que está assim?!”
Selina gritou, horrorizada com as veias negras pulsando sob a pele de Xevier e o sangue saindo de sua boca.
Emilia agiu rápido, rasgando suas roupas para revelar o peito—e o que ela encontrou chocou todos.
A pele do seu peito tinha ficado completamente preta, e a ferida infeccionada exalava um cheiro de pus podre.
“O que é isso?! Eu o curei!”
Era a ferida de mordida que ele havia recebido anteriormente de um humano mutante.
A energia sagrada deveria tê-la purificado completamente, mas em menos de um dia, ela tinha piorado a tal ponto.
Emilia imediatamente canalizou seu poder sagrado para tentar curá-lo novamente—mas seu rosto escureceu ao perceber que nada estava funcionando.
“O que está acontecendo…?”
Por mais que ela investisse energia sagrada nele, nada surtia efeito.
Foi então que Aegon falou.
“É inútil. O sangue demoníaco daquela mordida já alcançou seu coração. É só questão de tempo até ele virar como os outros mutantes.”
“Sangue demoníaco?”
“Não! Deve ter alguma maneira de salvá-lo!”
Selina gritou para Aegon, a voz tremendo. Ele apenas deu um ombro casual.
“Então adoraria ouvir de você."
Ela não tinha resposta… mas Emilia, decidida, continuou despejando seu poder em Xevier, recusando-se a desistir.
Snow se juntou a ela, convocando Vermithor.
“Minha espada possui uma energia sagrada imensa—pode ajudar.”
Emilia assentiu, prosseguindo seus esforços enquanto a luz combinada deles banhava a sala com uma energia radiante.
Sua força era tamanha que todos ali sentiram uma onda de alívio, suas feridas menores cicatrizando instantaneamente.
Todos… exceto Xevier.
Poder sagrado podia suprimir energia demoníaca—mas não o sangue em si.
Os olhos do mago nunca deixaram Aegon.
Banido pela luz de Emilia, os pensamentos de Xevier viajaram por seu passado trágico.
Ele já viveu uma infância feliz, amado pelos pais. Então descobriu seu talento mágico extraordinário, que lhe garantiu um lugar no Templo.
Lá, conheceu amigos que se tornaram como família. A vida foi boa—até a traição de Kai Luc, e sua captura pelo príncipe demônio: Aegon Valerion.
Ameaçando seus pais, Aegon lhes deu uma tarefa: encontrar quem havia sabotado seus planos.
Selina conseguiu e salvou seus pais.
Mas e Xevier?
Aegon não foi misericordioso. Não matou ambos os pais de Xevier—ele era muito calculista para isso.
Pelo contrário, o príncipe jogou seu jogo pervertido.
Decidiu matar apenas um deles.
Xevier ainda lembrava daquele dia…
…
…
…
Amarrado e mordaçado numa cadeira de madeira, assistia aterrorizado enquanto Aegon se aproximava com seu sorriso característico. Atrás dele, guardas arrastavam os pais adorado por Xevier.
“Xevier, oh Xevier… você realmente me decepcionou dessa vez.”
Ele tinha falhado. E o fracasso tinha seu preço.
O jovem mago tremia de medo, temendo o que Aegon poderia fazer com seus pais.
Mas o príncipe não tinha intenção de tornar as coisas fáceis.
“Vamos jogar um jogo, Xevier!”
Foi assim que chamou—um jogo.
“Vou matar um dos seus pais… e deixar o outro viver.”
Falou com um tom alegre, ignorando completamente os gritos abafados de Xevier enquanto tentava saltar nele—só para cair da cadeira.
“Que grosseria, Xevier… Deixe-me terminar.”
Com um chute rápido, Aegon o empurrou de volta ao lugar.
“Como eu dizia… vou matar um dos seus pais. Mas não consigo decidir qual.”
Aegon segurou pelo colar os pais de Xevier, ambos tremendo em suas mãos.
“Então pensei… por que não deixar você escolher, Xevier?”
Com um movimento rápido de pulso, ele removeu a mordaça da boca do mago assustado.
“O- quê…?”
Era a única palavra que Xevier conseguiu articular naquele estado de choque, mas Aegon explodiu em risadas antes de gritar:
“Escolha, Xevier! Quem vive? Quem morre?!”
Ele girava uma lâmina fina nos dedos, pressionando alternadamente contra a garganta da mãe de Xevier, depois contra a do pai.
“ESCOLHA!”
Aegon gritou enlouquecido enquanto Xevier se desmanchava em lágrimas.
“Não matam eles! Por favor! Me leve no lugar!”
O jovem mago implorou, mas o príncipe apenas balançou a cabeça, desapontado.
“Não é assim que se joga, Xevier. Você tem que escolher.”
Aegon agarrou-o pelo pescoço, os olhos arregalados de loucura.
“Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha! Escolha!”
“Por favor… pare… por que está fazendo isso comigo? Me mate ao invés, por favor!”
“ESCOLHA! ESCOLHA! ESCOLHA! ESCOLHA! ESCOLHA! ESCOLHA! ESCOLHA!”
Em meio aos gritos e risadas de Aegon e aos soluços e desespero de Xevier…
Era uma cena terrível—uma pintura de desespero e sangue inocente.
Após minutos de crueldade descontrolada, Aegon finalmente se cansou.
“Então você não vai escolher, hein?”
“Mate-me… ” sussurrou Xevier, a última palavra que conseguiu.
“Entendido.”
Aegon recuou rapidamente, indo atrás do pai de Xevier. Pegando-o pela cabeça, puxou a cabeça para trás.
Com um sorriso doentio, o príncipe deslizou sua lâmina pela garganta do homem—liberando uma fonte de sangue rubro que cobriu o rosto de Xevier em sangue.
A mãe gritou de horror, e Xevier congelou, incapaz de compreender o que tinha acabado de acontecer.
Com um gesto de Aegon, os guardas entraram, arrastaram o corpo do pai embora e levaram a mãe — deixando apenas Xevier e o príncipe sozinhos.
“Lembre-se bem disso, Xevier. Não tenho paciência para fracassos…”
Ele bateu na cabeça do mago atordoado, sussurrando frio:
“Se falhar de novo… quem sabe o que pode acontecer com sua querida mãe. Entendeu?”
Seu pai estava morto. Sua mãe permanecia na mão de Aegon.
Antes do príncipe, Xevier conheceu o que era desespero verdadeiro.
E agora, nos momentos finais de sua vida, deitado impotente no chão enquanto o príncipe ria… tendo levado um dos pais e mantendo o outro como refém… A única emoção de Xevier era o arrependimento.
‘Não vivi uma vida que valesse a pena lembrar… Não conquistei nada do que pudesse me orgulhar.’
Ele não conseguia mais falar. Sangue e bile entupiam sua garganta.
‘Por minha fraqueza, meu pai morreu… minha mãe ficou na boca de um monstro pior que qualquer demônio.’
Ele havia falhado—totalmente e completamente.
‘Você matou meu pai… então eu te maldigo.’
‘Você fez minha mãe chorar, deixou ela viúva… então eu te amaldiçoo.’
‘Você destruiu minha vida… me torturou… me matou… então eu te maldigo!’
Sem dar atenção a todos ao seu redor…
Xevier levantou uma mão trêmula em direção a Aegon, olhos sem vida, e canalizou toda sua magia restante.
Sua dor, seu ódio, sua tristeza—todo ele—foi despejado em um único feitiço. Uma maldição que ele tinha forjado silenciosamente durante todo esse tempo, só para esse momento.
‘Eu te maldigo!’
A última força que restava em sua alma explodiu—uma maldição mortal direcionada diretamente ao coração do príncipe demônio.
A magia não tinha cor. Ninguém percebeu.
Mas Aegon a sentiu perfurar seu coração. Por um instante, sua expressão congelou de choque.
Era uma maldição de morte.
Uma maldição que só poderia ser quebada por outro mago. E aqui, isolado do mundo exterior, não havia ninguém que pudesse ajudar Aegon.
‘Ao menos… Levo você comigo…’
Esse foi o último pensamento de Xevier. Se o príncipe morresse, sua mãe e Selina finalmente estariam livres.
Ao expirar seu último suspiro, Xevier olhou para o príncipe uma última vez…
Ele queria ver medo. Pânico. Queria que Aegon sofrêsse—só por um momento.
Ver aquele príncipe arrogante, que achava que o mundo se curvava a ele, finalmente ruir.
Mas o destino nunca foi gentil com Xevier… nem mesmo na morte.
Pois o que ele viu não era medo.
Era o mesmo sorriso maléfico—o mesmo que Aegon usara ao matar seu próprio pai.
Naquele instante, Xevier assistiu sua poderosa maldição se despedaçar… fragmentando-se inutilmente antes que pudesse alcançar o coração de Aegon.
Atônito, o mago observou enquanto Aegon movia os lábios sem emitir som.
Mas Xevier compreendeu as palavras, pois observava de perto.
“Vou cuidar bem dela… sua mãe.”
Os olhos de Xevier se abriram de par em par… antes de lentamente voltarem à vazio.
A luz da energia sagrada se desfez—não havia mais necessidade dela.
Todos recuaram, em silêncio, enquanto o corpo frio de Xevier permanecia imóvel no chão.
Olhos vazios, ainda fixos na imensidão… seu rosto congelado na dor, como se até a morte não lhe trouxesse paz.
E assim, cercado pelos estudantes de elite…
Xevier Adams morreu pela ferida… marcando a queda da primeira alma.
Estudantes restantes: 20.