
Capítulo 325
O Ponto de Vista do Vilão
"Huff… Huff…"
Xevier Adams respirava com dificuldade enquanto Emilia se esforçava para curar a ferida infeccionada em seu peito.
Realmente, a energia sagrada era uma bênção em situações assim—seu toque purificador eliminava completamente a infecção, permitindo que Xevier respirasse aliviado.
"Ainda bem que a ferida não atingiu o seu coração... Caso contrário, eu não teria conseguido salvá-lo."
Emilia exalou e recuou ao ver os demais abrindo espaço para que o mago se levantasse de novo.
"Desculpe... fui descuidado,"
Xevier disse, dirigindo seu pedido de desculpas ao Phoenix. Mas ele apenas balançou a cabeça.
"Tudo bem. A responsabilidade é minha."
Mesmo sendo a Classe Elite composta pelos melhores, no fim das contas, ainda eram apenas crianças—quase na puberdade. Incidentes como esse eram perfeitamente possíveis… mas Phoenix não havia previsto isso.
Ficando um pouco atrás deles, Aegon Valerion soltou uma risada silenciosa, ciente do que tinha acontecido. Previu esse desfecho, talvez até o esperasse—mas preferiu permanecer em silêncio. Afinal, apesar de estarem na mesma crise, a Classe Elite ainda não funcionava como uma verdadeira equipe.
"Vamos parar de saquear aqui. Não adianta continuar."
Temendo outro imprevisto, Phoenix decidiu encerrar a operação de coleta de restos mortais. Todos mostraram o que tinham conseguido juntar.
O resultado ficou bem aquém do esperado.
"Que porcaria é essa?!"
Danzo olhou com nojo para a pilha de carne podre, ervas secas e cogumelos mofados jogados na sua frente.
Ghost respondeu.
"Era o que aquelas pessoas estavam comendo. Carne estragada, fungos envelhecidos—alguns até venenosos—ervas silvestres que não serviriam pra nada… e a maior parte da água que carregavam estava contaminada e imprópria para consumo."
Ele fez uma pausa, ponderando se deveria revelar algo mais… mas decidiu guardar para si.
"Não sei como eles ainda tiveram força para lutar contra a gente. Como o príncipe disse, eram mortos-vivos."
Era quase cômico... como os intrusos nesta terra, como Frey e os outros, estavam em condições muito melhores do que os habitantes nativos.
"Por outro lado, conseguimos recuperar algumas coisas—armaduras, roupas, armas. Estão todas em condições terríveis, mas podem servir como camuflagem."
Ghost fez seu relatório completo, pois havia saqueado mais cadáveres do que qualquer outro—tanto que alguns estudantes ficaram repulsados ao verem como ele rasgava corpos à procura de algo minimamente útil.
Como era de se esperar de um assassino como ele, profanar cadáveres não era novidade.
"Entendi... bem feito, Ghost Umbra."
Phoenix suspirou, tentando pensar em uma forma de aproveitar o pouco equipamento que conseguiam. Mas, no geral, aquela hora de busca tinha sido quase completamente infrutífera.
Enquanto examinava as armas e roupas de qualidade duvidosa, alguns estudantes se aproximaram da pilha de carne podre e ossos, visivelmente incomodados.
"Como alguém consegue comer esse tipo de lixo?!"
Jan Dover—membro da Classe Elite e ex-integrante da comitiva de Feyreth—pegou um pedaço de carne, fazendo careta.
Perto dali, Frey levantou uma sobrancelha ao olhar para Jan e seu companheiro, Kyle.
"Inacreditável. Vocês ainda estão vivos?"
"Você—!"
Jan ia responder, mas a frase ficou presa na garganta no instante em que seus olhos encontraram os de Frey.
Frey já não era alguém com quem pudessem se dar ao luxo de brincar. Mesmo sem querer ofender—ele realmente pensava que eles tinham morrido em algum momento—Jan recuou e focou de novo na carne nas mãos.
Parecia um pedaço de ombro, com osso incluso. Mas seu tamanho não combinava com nenhum animal que Jan conhecia, levando-o a perguntar:
"Que tipo de carne é essa…?"
Assim que fez a pergunta, Aegon riu alto, chamando a atenção de todos.
Com um sorriso, Aegon apontou para o pedaço.
"Tem certeza que quer continuar segurando esse ombro? O dono original deve estar amaldiçoado pra acabar assim."
"O que você quer dizer?"
Jan perguntou, confuso, e Aegon suspirou.
"Parece que você esqueceu alguma coisa no seu relatório, Ghost Umbra... ou talvez tenha omitido de propósito."
Ghost permaneceu em silêncio, confirmando a suspeita de Aegon.
"O que você está segurando… é carne humana."
Quando Aegon soltou essa bomba, todos congelaram.
Um instante de silêncio assustador.
Então Jan gritou e jogou a carne para longe, horrorizado.
"Carne humana?!"
Disgusto espalhou-se como um incêndio pelo grupo ao perceberem a verdade. Alguns já suspeitavam—entre eles, Snow Lionheart, que agora olhava com irritação evidente.
"Você não devia ter dito isso… Aegon."
Snow murmurou ameaçadoramente, mas Aegon apenas balançou a cabeça.
"Não adianta esconder. Que eles entendam com que tipo de inimigos estão lidando."
Desde o começo, eles deveriam saber—que o que enfrentavam não eram apenas outros humanos. O que havia do outro lado do mundo era muito mais sombrio.
E agora, com a revelação do canibalismo, o pânico começava a se espalhar entre os membros da Classe Elite—exatamente o que Phoenix queria evitar.
"Chega… vamos seguir em frente."
Agora que Xevier Adams conseguia se mover novamente, não fazia sentido permanecer no campo de batalha.
Em silêncio, todos se levantaram e partiram, formando grupos separados—o maior deles liderado pelo Professor Phoenix.
Entre eles, Frey caminhava ao lado de Ghost e Danzo. Snow queria se juntar a eles, mas várias pessoas o seguraram, forçando-o a olhar para trás de forma constrangedora.
A cada passo, passaram pelos cadáveres dos humanos transformados—seres semelhantes a zumbis, exsurgindo um fluido preto de suas feridas.
"Será que… como eles chegaram a isso?"
Danzo comentou distraidamente, intrigado com o líquido negro estranho vazando de seus corpos.
"São contratantes fracassados," Ghost respondeu, e Frey assentiu.
"Pensava o mesmo. Essa substância negra é sangue demoníaco corrompido."
Não havia outra explicação para o que estavam vendo.
Danzo parecia pouco familiarizado com o conceito, levando Ghost—inalteradamente paciente—a explicar mais detalhadamente. Um claro sinal de que tinha mudado.
"Existem dois tipos de contratos demoníacos. Os contratos de primeira geração concedem uma aura sombria ao humano diretamente de um demônio. Mas o aumento de poder é mínimo."
Danzo assentiu. Ele já sabia disso.
"Depois, há os contratos de segunda geração… que envolvem injetar sangue demoníaco diretamente no corpo humano."
Esses contratos de segunda geração geravam resultados muito mais poderosos, pois o sangue demoníaco continha uma força aterradora capaz de mutar o corpo humano, permitindo o uso de tipos de aura mais potentes.
Porém—
"Apesar do poder, o sangue demoníaco é, na essência, veneno para nós. Naturalmente, poucos sobrevivem ao processo."
Aqueles que conseguiam eram os elites—a espinha dorsal dos Ultras. Mas eram uma minoria.
Quanto aos demais? Os corpos que rejeitavam o sangue morreriam… ou pior, se transformariam em criaturas sem rumo, minimamente humanas, que vagavam sem propósito.
"Os Ultras não hesitaram em transformar essa quantidade de gente em ratos de laboratório…"
"Isso é horrível…"
Era por isso que a reconciliação nunca foi uma opção. A maioria das pessoas não percebia o quanto eram sortudas por viver atrás das muralhas do Império, protegidas dos horrores do mundo exterior.
Frey não falou nada—ele já sabia de tudo isso. Esses detalhes faziam parte do que ele um dia tinha escrito no romance.
Mesmo que o futuro tivesse mudado de forma tão drástica que a história quase se tornasse irrelevante, fatos assim ainda se alinhavam ao "Terra de sobrevivência" que ele criara originalmente.
O grupo seguiu em silêncio, conservando suas forças ao máximo.
Ao atravessarem as terras desoladas, o silêncio caiu—cada um perdido em seus pensamentos.
O único som era a tosse ocasional de Xevier, tentando recuperar o fôlego enquanto Selina o apoiava.
Embora estivesse mal, era objeto de inveja—por estar sendo cuidado por uma garota tão bela.
Frey, por sua vez, não conseguia parar de pensar na emboscada anterior.
Como haviam sido cercados… como tudo parecia planejado.
Isso o levou a questionar… será que tudo não passava de um jogo orquestrado por alguém que os observava?
Se fosse isso, o que essa pessoa queria? E por que ainda não tinham matado eles?
Mesmo uma fração—não, apenas uma lasca do verdadeiro poder dos Ultras já teria sido suficiente para destruí-los. Então, por que aquilo não ocorreu?
Que espécie de perseguição eles estavam presos?
No exato momento em que Frey se fez essa pergunta, percebeu o quão pouco sabia—totalmente alheio ao fato de que eram peões no jogo da Feiticeira Eterna.