
Capítulo 326
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 326: Contratos da Terceira Geração
A marcha prosseguiu por horas. Horas gastas na expectativa, na luta contra o nervosismo de um ataque surpresa que nunca aconteceu.
Mesmo assim, o cansaço foi se acumulando lentamente na maioria deles. Pareciam ter lutado por semanas... não por um único dia.
Finalmente, quando estavam no limite, pararam—pois, pela primeira vez, avistaram algo que não pertencia à planície sem fim.
“Estou vendo coisa?”
Ragna Claude piscou, sem certeza se seus olhos estavam enganando.
À sua frente erguia-se uma cidade—seus edifícios altos feitos de pedra preta como obsidiana.
Ainda afastada, mas claramente visível.
“Não é ilusão.”
Phoenix colocou a mão na cabeça de Ragna, confirmando o que via.
“Todos, preparem-se. Vamos nos disfarçar.”
Ao seu comando, todos puxaram as roupas rasgadas e capuzes pretos que haviam roubado mais cedo, vestindo-os um por um.
“Aff…”
Algumas das garotas fizeram careta com as roupas sujas que tinham que usar, mas nenhuma se atreveu a reclamar.
“O plano é simples. Entramos disfarçados. Recolham o máximo de informação possível—especialmente sobre os portais de teleportação. Se conseguirmos suprimentos, ótimo. Mas não se envolvam com ninguém. Mantenham a cabeça baixada o tempo todo. Entendido?”
“Sim!”
Os estudantes responderam em uníssono, o que fez Phoenix assentir com a cabeça.
“Ótimo. Ghost Umbra e Prince Aegon vão comigo. Os demais, fiquem atrás até sabermos com o que vamos lidar.”
Phoenix tinha intencionalmente dividido o grupo, colocando Snow e Frey entre os restantes. Ambos eram fortes o suficiente para se defenderem contra a maior parte do que os Ultras poderiam lançar contra eles.
Enquanto isso, escolheu Ghost—o melhor em disfarces—e Prince Aegon—altamente inteligente—para acompanhá-lo diretamente.
O plano de Phoenix era acertado, e ninguém se opôs, assim o trio partiu imediatamente à frente dos demais.
Graças à velocidade excepcional deles, levou apenas alguns minutos para alcançarem as muralhas externas e precárias da cidade.
“Tentem ficar fora de vista ao máximo.”
Ambos, Ghost e Aegon, acenaram simultaneamente. Ghost quase sugeriu usar sua habilidade de manipulação sombria para se infiltrar, mas parou ao perceber algo estranho.
“Aquelas paredes… estão vazias?”
Não havia guardas nas muralhas—nenhum sinal de vida onde a primeira linha de defesa da cidade deveria estar. Ghost questionou seus sentidos, mas a reação de Phoenix foi idêntica à dele.
“Não sinto nada…”
Um Aventureiro de classificação SS como ele não era facilmente enganado—pessoas comuns não tinham esperança de escapar de sua percepção. O fato de que não detectasse nada, absolutamente nada, confirmava: algo estava errado.
“Fiquem atentos. Vamos entrar.”
Seguindo as ordens de Phoenix, eles envolveram-se de aura e tocaram levemente o chão, lançando-se em direção ao topo da muralha que os separava da cidade além.
Ao alcançarem o ponto mais alto, o trio fez uma pausa para processar o que via.
Os raios do sol refletiam nas antigas paredes de obsidiana, revelando toda a cidade com uma nitidez assombrosa. A visão era majestosa, mas o silêncio ensurdecedor dava um quê de inquietação.
“Isso aqui não é o que eu esperava encontrar…”
Aegon comentou com um sorriso suave ao avançar.
“Este lugar está completamente deserto…”
Com cada passo mais profundo na terra dos Ultras, as coisas só ficavam mais estranhas.
“Ainda é cedo para tirar conclusões…”
Phoenix avançou com expressão severa, seguido de perto por Ghost e Aegon.
“Vamos fazer uma varredura.”
Não fazia sentido lógico uma cidade daquele tamanho estar abandonada. É como se não encaixasse. Mas, por mais que procurassem, o resultado era sempre o mesmo: uma cidade fantasma.
“Isso acaba com todo o nosso plano…”
Parecia que estavam caminhando por um cemitério vazio. Não havia nada que lhes desse esperança. A própria terra parecia uma boca de abismo pronta para engolir todos eles.
“Não devíamos esperar nada dessa planície estéril desde o começo.”
Aegon falou enquanto cortava uma parte de um prédio, revelando seu interior.
Um cômodo vazio, com uma mesa de madeira apodrecida e algumas cadeiras quebradas.
“Que charme…”
Enquanto exploravam as ruas desertas, encontraram lojas vazias, pertences espalhados, casas abandonadas…
“É como se todo mundo tivesse saído exatamente ao mesmo tempo,”
disse Aegon em voz alta, recebendo um aceno de Ghost, que ainda analisava a cena.
“Não só isso—aconteceu há pouco tempo. Muito pouco tempo.”
Com fogueiras apagadas recentemente e pegadas frescas no chão, Ghost chegou a uma conclusão sólida.
“Aposto que essa cidade foi completamente habitada há menos de 24 horas.”
“Você quer dizer que eles saíram poucas horas antes de chegarmos?”
Phoenix perguntou, franzindo a testa—e então congelou, a realização o atingiu.
“O exército de antes…”
Ghost confirmou com a cabeça.
“Não podemos ter certeza absoluta, mas é bem provável que esse exército tenha vindo daqui.”
Os miseráveis—esses mortos-vivos que comiam carne humana—de fato, emergiram exatamente deste lugar.
“Mas isso não faz sentido. Acreditar que esses miseráveis eram toda a população da cidade?”
Até onde sabiam, cidades não eram construídas assim.
Onde estavam as mulheres? As crianças?
Por mais que tentassem entender o que tinha acontecido, algo crucial estava faltando na imagem.
Mas eles não conseguiam descobrir — por mais que se esforçassem.
“Por ora, vamos continuar explorando antes de chamar os outros.”
Mesmo que não fosse o que esperavam, a cidade abandonada era um bom local para montar uma base temporária.
Mas primeiro, precisavam confirmar que ela estava realmente vazia. Então varreram o local de forma metódica.
Em todos os lugares, o resultado era o mesmo—casas vazias, ruas desertas…
A única “comida” que deixaram para trás era carne humana podre e alguns pedaços de grama—nem de longe o suficiente para alimentar um bebê faminto.
O mesmo cenário se repetia por toda a cidade.
Exceto por um lugar.
De pé diante de uma estrutura enorme no centro da cidade, Aegon finalmente encontrou o que procurava.
“Sabia que sim. Mesmo lugares imundos como este têm seu posto de comando.”
O prédio à sua frente parecia mais intacto e refinado que os demais. Aegon naturalmente assumiu que era lá que tudo tinha sido coordenado.
“Se tiver alguma coisa interessante neste lixo, com certeza é lá dentro.”
“Vejo que você encontrou um lugar bem bonito, Aegon.”
O príncipe virou-se para ver Phoenix e Ghost chegando. Ainda sorrindo, ele apontou de maneira grandiosa para o edifício.
“Fiquem à vontade—primeiro vocês.”
Phoenix ignorou o príncipe paquerador e avançou até as enormes portas de ferro do prédio, que quebrou com um golpe de punho só.
Os três entraram simultaneamente e começaram a vasculhar o interior.
Para surpresa deles, o ambiente estava relativamente organizado. Havia móveis que ainda eram minimamente utilizáveis, mesas cheias de velhos documentos e arquivos, e quartos com camas relativamente limpas.
Porém, além disso, não importa quantos andares explorassem, não encontraram nada de valor real.
Quanto aos documentos, estavam escritos numa língua estranha que nenhum deles entendia.
“Que linguagem é essa?!”
Phoenix murmurou, olhando para Aegon, que fixava um dos papéis com a expressão vazia.
Por um instante, pareceu que o príncipe tinha entendido algo. Era o que Phoenix esperava, pela concentração dele. Mas Aegon, de repente, sorriu, jogou o papel de lado e disse:
“Não olhe assim pra mim. Eu não entendi porcaria nenhuma—igual você.”
“Entendi…”
Phoenix já ia desistir, até Ghost chamar de baixo.
“Vocês dois, venham aqui embaixo. Tem uma coisa que vão querer ver.”
Ao ouvir Ghost, Phoenix desceu imediatamente, seguido de Aegon—que deu uma última olhada no papel que jogou de lado.
Seus olhos estavam fixos no título em negrito que o adornava:
“Contratos da Terceira Geração.”
Depois virou as costas e seguiu Phoenix para baixo.