
Capítulo 324
O Ponto de Vista do Vilão
— Olá. Você se incomoda se eu sentar?—
— De jeito nenhum. —
— Obrigada. —
Clana sentou-se ao lado de Sansa, ambas observando o campo de corpos invadido por Corvos.
— Estamos longe de casa... —
— É, —
Clana sorriu de leve, recostando-se na rocha sólida que usava como assento.
— Se alguém tivesse me dito ontem que eu terminaria aqui assim... teria chamado essa pessoa de louca. —
— É o pior destino que se pode imaginar. —
Havia um significado mais profundo nas palavras de Sansa—um que Clana percebeu imediatamente.
— Você está aqui de novo... está bem? —
Clana perguntou suavemente, enquanto Sansa mantinha o olhar distante e sério.
A princesa não tinha boas lembranças deste lugar. Ela sequer sabia como era o resto do continente Ultra, pois passou a maior parte do tempo presa numa cela. Mas isso não mudava o fato de que ela estava de volta à terra onde uma vez sofreu.
Claro que isso não era fácil para seu coração.
— Estou bem... de verdade. —
Clana assentiu com a cabeça ao ouvir sua resposta.
— Você acha que vamos sobreviver desta vez? —
A princesa tinha sobrevivido uma vez. Mas e agora?
— Não sei… Espero que sim. —
Silêncio se instaurou entre elas por um momento, enquanto seus olhos voltavam aos corpos espalhados à sua frente—especialmente um jovem arrastando um cadáver, tendo encontrado algo útil nos bolsos dele.
— Acho que alguns de nós vão sobreviver… os mais fortes, pelo menos. Como você, Sansa. E Frey—ali naquela direção. —
Sansa virou ao ouvir seu nome.
— Me diga, princesa... o que ele significa para você? —
— ...Como assim? — perguntou Sansa, surpresa com a mudança repentina no assunto.
— Estou falando do Frey. Você passou o tempo todo observando ele. —
— Que pergunta estranha do nada…? —
Sansa perguntou enquanto Clana inclinava a cabeça, apoiando-a nos joelhos.
— Pode chamar de curiosidade. Você é livre para ignorar, se quiser. —
Sansa franziu o cenho. Aquilo não era hora nem lugar para uma pergunta dessa natureza.
— O que Frey significa para mim… —
Amigo. Essa foi a primeira palavra que veio à cabeça.
Sabendo que passou toda a vida como princesa, sempre perseguida por pessoas querendo se beneficiar de seu status, Sansa estava acostumada a ler intenções ocultas. A manipulação e os sorrisos falsos deixaram marcas profundas em sua infância.
Ela desenvolveu uma habilidade estranha—de ler rostos.
Mas Frey... Frey era o único que se aproximava dela sem esconder nada.
Ele era rude. Irritante. Mas não tentou usá-la. Isso por si só fez nela seu único verdadeiro amigo. Ainda assim, as coisas mudaram desde que entraram no Templo.
Ele a salvou. Várias vezes.
Quando tudo ao redor dela mergulhou na escuridão e toda esperança se esgotou—ele esteve lá.
Em determinado momento, a presença dele tornou-se tão importante para ela quanto a de Oliver Khan, seu único outro aliado de verdade.
E então… o que exatamente Frey representava para ela?
Ela refletiu, lembrando de todos os momentos juntos. Aquele jovem sério, sempre parecendo carregar o peso do mundo.
Sansa Valerion
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— Uma pessoa que não posso perder… —
Essa foi a resposta que Sansa encontrou. E da reação surpresa ao lado dela, ficou claro que não era a resposta que Clana esperava.
— Sério... por que você ia perguntar algo assim? —
Sansa falou, finalmente olhando de verdade para o rosto de Clana—interpretando suas emoções quase sem perceber.
Seus olhos se arregalaram lentamente de surpresa.
— Clana… você… —
Ela ia dizer algo, mas um grito terrível rasgou o ar, fazendo os Corvos fugir em pânico.
Todos se voltaram imediatamente para a origem, apenas para ver o mago Xevier Adams contorcendo-se no chão—algo preso a ele.
— Aquilo… —
— Um humano mutante?! —
Xevier, achando que todos os inimigos já estavam mortos, baixou a guarda—apenas para ser emboscado por um dos mutantes que de algum modo sobrevivera.
A criatura enfiou suas presas fundo no peito do jovem mago. Xevier se debateu de dor, incapaz de reagir com força suficiente.
Corte!
Com um movimento rápido, Frey—que estava perto—cortou a cabeça do mutante de uma só vez, acabando com o ataque.
Porém, o estrago já tinha sido feito.
A criatura tinha mordido fundo, infectando o peito de Xevier com uma estranha podridão negra que se espalhava.
Ele fez uma careta de dor enquanto todos corriam ao seu redor, com Emilia na frente, curando-o sem hesitar.
— Idiota… ele realmente baixou a guarda achando que estavam todos mortos? —
Daemon Valerion bufou, observando enquanto todos se reuniam ao redor de Xevier, com Emilia cuidando de seus ferimentos.
— Inexperientes… —
De repente, uma voz o fez virar abruptamente—Ghost estava ali ao lado, ainda saqueando os corpos com precisão fria, sem se deixar abalar pelo caos ao redor.
Daemon levantou uma sobrancelha. Ele não tinha percebido ninguém por perto—se Ghost não tivesse falado, nunca teria notado que o assassino silencioso estava ali.
Ao que tudo indicava, Ghost achava que as palavras de Daemon eram dirigidas a ele.
— Inexperientes? — zombou Daemon. — Quando se trata de experiência, duvido que alguém aqui tenha mais sangue nas mãos do que um assassino sujo como você… Ghost Umbra.
Ghost permaneceu em silêncio.
Daemon riu.
— Diga-me, Umbra. O que você acha? Olhem para eles… quem vocês acham que vai sobreviver? E quem vai morrer? —
Ghost não respondeu de imediato. Em vez disso, terminou de despachar os corpos próximos, executando sua tarefa com precisão perturbadora.
Depois, passou por Daemon até ficarem lado a lado. Só então, o assassino falou.
— A morte não escolhe ninguém, Daemon Valerion. Se eles têm experiência como nós... ou nenhuma como eles... ninguém realmente sabe como isso vai acabar. —
Com um olhar sombrio, Ghost passou por ele, deixando uma última provocação:— Mas, se minhas suspeitas estiverem certas… o número de sobreviventes aqui não ultrapassará a quantidade de dedos de uma mão. —
Daemon não pôde deixar de rir alto, um calafrio percorrendo sua espinha com as palavras sombrias de Ghost.
— Que destino amaldiçoado você tenta colocar sobre nós, Ghost Umbra… —
Entre os gritos dos Corvos e os gemidos de dor de Xevier…
O horário marcado por Phoenix tinha passado—era hora de avançar novamente, aprofundando-se no território inimigo… em um continente que já havia estado à espreita o tempo todo.
…
…
…
— A Festa do Chá —
No meio de um jardim maravilhoso, Beatrice repousava sobre uma mão, olhando para o andar de xadrez diante dela com um sorriso.
— A primeira rodada acabou. —
No instante em que terminou de falar, o homem à sua frente—um senhor de meia-idade usando um tall hat—respondeu imediatamente.
— Com a sua derrota. —
Ele bebeu um gole de sua xícara, saboreando a variedade de chás que Beatrice oferecera na sua pequena festa de chá.
Beatrice sorriu com tranquilidade.
— Foi mesmo uma derrota? Afinal, consegui o que queria. —
Ao ouvir, os olhos aguçados do homem se estreitaram.
— Então a segunda rodada já começou? —
Beatrice assentiu, com um sorriso suave, mas sabendo.
— Exatamente. —
— Tsc… até quando você pretende prolongar esse jogo tolo? —
— Enquanto durar, claro. — Disse ela, de forma animada. — Você sabe como fica chato aqui. —
Ela parecia realmente entretida—como uma criança de seis anos que acabara de descobrir um novo jogo para jogar horas seguidas.
— Gavid Lindman não vai gostar nada quando souber disso… —
No momento em que seu nome foi mencionado, Beatrice encolheu os ombros.
— Quem se importa com o que esse arrogante quer? Ele não vai estar por aqui tão cedo mesmo. —
Depois de sequestrar as joias mais preciosas do Império, os Ultras esperavam uma resposta feroz.
Era natural que suas forças se mobilizassem, preparando-se para a guerra total que o império inevitavelmente lançaria—uma repetição da guerra de há dezessete anos.
Só que desta vez, os Ultras foram quem atraíram o império para a armadilha.
Graças ao conflito iminente…
Beatrice pôde brincar com Frey e seus companheiros à vontade.
A Feiticeira Eterna observava os adolescentes com interesse profundo e atenção meticulosa.
Ela via os laços se formando entre eles—amizade, respeito, amor, ódio, rivalidade…
A Classe Elite tornou-se um terreno fértil para todo tipo de drama, e a bruxa adorava assistir a cada detalhe.
Seu olhar refletia Frey e seus companheiros, de um lugar muito mais próximo do que eles jamais imaginaram, e seu sorriso se alargou.
— A segunda rodada começa agora. —