
Capítulo 323
O Ponto de Vista do Vilão
“E agora?” perguntou Seris Moonlight.
Phoenix hesitou, analisando a situação antes de responder.
“Por enquanto, precisamos sair antes que reforços cheguem. Mas…”
Ele lançou um olhar para o campo de batalha, agora repleto de cadáveres — e dos corvos que haviam encontrado um banquete farto.
“Você está pensando em saquear os corpos, não é? Professor Phoenix, o que foi que aconteceu com seus modos? Hehe~”
Aegon deu uma risada de leve atrás do grupo, calmamente limpando sua espada. Como Phoenix, parecia intocado pela batalha.
“Saquear?” vários estudantes repetiram, reagindo com uma mistura de choque e desconforto.
Alguns pareciam enojados, hesitantes. Outros mantiveram uma expressão impassível.
No geral, a ideia de mexer com os mortos era estranha para eles — repulsiva até. Tinha sido uma experiência distante de realidades tão sombrias.
“Estamos sem muitas provisões. Agora, adquirir recursos é nossa prioridade número um.”
Comida. Roupas. Armas. Qualquer coisa que pudesse melhorar ligeiramente as chances de sobreviver valia a pena garantir. Essa era a lógica de Phoenix.
Porém, Aegon balançou a cabeça.
“É inútil. Você não percebeu? Acabamos de lutar contra o pior tipo de escória dos Ultras. Quase animais. Que objetos de valor você espera encontrar neles?”
Ele falou com uma certeza silenciosa, sem levantar o olhar — sua atenção totalmente voltada à lâmina agora limpa.
Phoenix não podia negar seu ponto. Os soldados Ultras realmente pareciam mais côcós vazios do que seres pensantes.
Ainda assim—
“Você pode estar certo. Mas me diga… quantos enfrentamos aqui?”
“Nem faço ideia. Você conseguiu lidar com a maioria... talvez umas quatro mil?”
“Exatamente. Quatro mil. Tenho certeza de que pelo menos alguns tinham algo útil.”
Ninguém sabia quanto tempo ainda estariam presos naquela terra estrangeira. Os recursos estavam cada vez mais escassos.
“Algo útil? Mesmo que tivessem, provavelmente vocês queimaram tudo junto com os corpos, Professor Phoenix. Estão perdendo tempo.”
Aegon se opôs diretamente a Phoenix, como se essa não fosse a primeira vez que eles discordavam sobre o assunto.
“Então, uma hora.”
“O quê?”
“Vamos procurar por uma hora. Depois, seguimos em frente.”
A batalha tinha acabado de terminar, e ficar demais no local seria imprudente. Phoenix sugeriu um compromisso.
Aegon suspirou, fechando os olhos. Sabia que Phoenix não iria recuar.
“Façam o que quiserem.”
Todos na Classe Elite haviam ouvido a troca. Para um estranho, poderia parecer uma conversa entre iguais.
E, no entanto, a coisa realmente admirável era que umrank B como Aegon pudesse falar com alguém como Phoenix — rank SS — sem vacilar.
Onde quer que fosse, o príncipe comandava presença.
A presença de um verdadeiro rei.
“Então, está decidido,” declarou Phoenix. “Quem ainda estiver apto para batalha ajudará na procura. Sei que isso não é algo com que estejam acostumados… mas, se quisermos sobreviver, temos que fazer o que for preciso.”
Phoenix falou com todos, mas a maioria nem sequer conseguiu sustentar o olhar nele.
Apesar da vitória esmagadora, a verdade era — não tinha sido fácil.
Os estudantes estavam em diferentes estados físicos e emocionais.
Snow e Frey ainda tinham força suficiente para lutar, se necessário, mas e os demais?
Estavam completamente exaustos.
Lara Croft mal conseguia segurar seu arco, seus músculos fatigados e tremendo de tanto disparar repetidamente. Isso dizia tudo.
“Eu vou.” disse Frey, relutante em ficar perto do príncipe por mais tempo. Saquear cadáveres parecia mais suportável para ele.
Snow o seguiu. “Vamos ajudar também. Além da fadiga de aura, não estamos tão feridos.”
Selina também se voluntariou, juntando-se à maga Xevier.
“Precisamos recuperar as armadilhas mágicas que espalhamos pelo campo, então podemos fazer ambos,” acrescentou Xevier.
Phoenix acenou, chamando Ghost, Danzo e Daemon para se juntarem a eles. Porém, Daemon recusou.
No final, sete deles avançaram para coletar o que pudessem dos caídos, enquanto os demais observavam em silêncio.
“Como podem fazer algo tão vil?” Disse Emilia, candidata a Santa, com tristeza no rosto ao ver Frey e os outros procurando nos corpos com expressões impassíveis.
Seris, que estava perto, balançou a cabeça. “Você é ingênua demais, Emilia.”
“Sou eu a estranha aqui?!” perguntou Emilia, apegada às suas convicções.
Ela tinha se oposto à proposta de Phoenix desde o começo, mas faltava-lhe coragem para falar abertamente contra.
“Nesses momentos, fazemos o que for preciso para sobreviver. Olhe para eles. Já os matamos. Que diferença faz roubar seus corpos? Eles estão mortos de qualquer jeito.”
“Mas... então, o que nos separa dos animais?”
O olhar de Emilia se voltou para os corvos ainda bicando os mortos.
“Existem limites dados pelo Senhor da Luz. Limites que nunca devemos ultrapassar.”
Sua voz tremia, mas sua convicção permanecia intacta.
Seris não soube como responder. Pessoas como Emilia eram as piores nessas horas — convencidas de que suas crenças eram absolutas, inflexíveis, sem cederem de jeito nenhum.
Porém, a resposta veio de alguém totalmente diferente.
“Que tipo de droga vocês tomam na igreja?!”
Era Daemon, claramente cansado da condenação moral dela.
“O quê?”
“Acorda, sua ingênua, e tenta virar o jogo de uma vez. Coloca-se no lugar deles.”
“Daemon…” tentou Seris impedir, mas ele continuou.
“Deixei bem claro para você. Se as posições fossem invertidas, eles não apenas levariam seu corpo, mas também te usariam como sexo — de novo e de novo — até seu corpo frágil se despedaçar!”
Seu tom brutal deixou Emilia em silêncio chocado, de boca aberta, sem palavras.
“Pegue sua moral ridícula e jogue na lixeira mais próxima. O que importa nesse mundo é sobrevivência. Você só fala esse besteiro porque está do lado vencedor. Você e toda a sua igreja são apenas hipócritas!”
Por alguma razão, Daemon parecia ainda maior do que o normal ao gritar.
“Hipo…critas?” murmurou Emilia, antes de Daemon berrar:
“SIM, HIPÓCRITAS!”
Um silêncio pesado seguiu-se.
Depois, veio o som de soluços suaves.
Daemon ficou boquiaberto enquanto Emilia de repente chorava copiosamente.
Sem aviso, ele tinha feito ela chorar como uma criança.
As garotas perto imediatamente se juntaram para consolá-la, lançando olhares de reproche e desprezo para Daemon.
Ele bufou, cuspindo no chão, e foi embora, dando o dedo do meio enquanto se afastava.
“Que bando de idiotas patéticos eu me meta?”
Ele murmurou e desapareceu, seu torso musculoso se afastando ao longe.
...
...
...
Longe de toda a confusão entre Daemon e Emilia, a princesa Sansa estava sozinha, encarando o campo de cadáveres — especificamente, Frey.
Ele revistava um por um, sua expressão vazia, sem demonstrar nenhuma emoção.
“Não consigo entender ele…”
Sansa comentou. Ela não conseguia decifrar no que ele estava pensando.
Desde que seu cabelo tornou-se branco do nada, ela não conseguia mais lê-lo como antes — exceto em raros momentos.
A menos que ele baixasse a guarda, era impossível ver o que realmente passava em sua cabeça.
Sua presença tornara-se completamente enigmática… mas, por alguma razão, ela não conseguia desviar o olhar.
“Ele… é bom com cadáveres,” ela murmurou baixinho, só para ser interrompida por uma voz repentina.
“É… como se estivesse acostumado a isso.”
Sansa virou-se e viu uma garota conhecida ao seu lado.
“Clana…”
Clana Starlight — parente de Frey. A garota cumprimentou a princesa com um sorriso gentil.