O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 322

O Ponto de Vista do Vilão

A confusão da guerra—morte, sangue e desespero.

Experiências que a maioria das pessoas nunca enfrenta na vida, mas que a Elite Classe passou naquela noite.

No meio das areias desoladas do Deserto dos Ultrass, aqueles estudantes—pouco mais que crianças—lutavam por suas vidas.

Com o clangor de espadas, a carne e ossos se rasgando e a tensão constante do combate, a pressão pesava sobre todos eles.

Frey, que enfrentou sozinho dezenas de inimigos de uma só vez, se perguntou—

"Será que consigo salvar todos?"

Mas logo respondeu a si mesmo...

"Claro que não."

A ideia de um herói salvar todo mundo era totalmente irreal—principalmente quando as probabilidades estavam contra eles desde o começo.

Aliás, Frey nunca se considerou um herói.

Tudo o que ele desejava, no meio daquele caos, era que os poucos que realmente importavam em seu mundo sobrevivessem.

Completamente cercado por inimigos, ele perdeu de vista seus companheiros. Seu foco total era nos seres monstruosos que, incansavelmente, tentavam acabar com ele.

Por um curto momento, Frey imaginou tropeçar no cadáver mutilado de um dos seus amigos. A raiva fervia dentro dele enquanto a onda incessante de inimigos obscurecia sua visão e bloqueava seu caminho.

O único lembrete de que ele não estava sozinho eram as auras vibrantes surgindo ao redor do campo de batalha.

Minutos passaram num borrão. E, pela primeira vez, os piores temores de Frey… não se concretizaram.

Apesar do cerco, a Elite Classe resistiu.

Frey e Snow rasgaram as linhas inimigas por ambos os flancos, enquanto Daemon e Danzo, vestidos com armaduras reforçadas, permaneciam incólumes.

Juntos, os quatro garantiram completamente a frente oriental, permitindo que a linha de retaguarda finalmente respirasse e focasse nos inimigos à frente.

Enquanto isso, Ghost movia-se silenciosamente pelo campo de batalha, seus golpes mortais enviando mais Ultrass para seu descanso eterno.

"Estamos... vencendo?"

Freys se perguntou enquanto finalmente conseguia respirar.

Ao longe, avistou um espetáculo flamejante—os fogos de artifício de Phoenix Sunlight no outro lado do campo de batalha.

O Lorde Sunlight não hesitou em incinerar seus inimigos vivos, conquistando a maior contagem de mortes daquele dia. Logo atrás dele, todos cumpriram seu papel perfeitamente, apesar da pressão esmagadora.

Sansa Valerion liberou suas sombras, cobrindo uma grande área com tentáculos de tinta que rasgavam quem se aproximasse.

Perto dela, Seris Moonlight conjurou dezenas de lanças e lâminas de gelo—mortais à distância. Mas isso não era tudo.

A herdeira da Lua Moonlight brilhou quando uma armadura de gelo cristalino se formou ao redor de seu corpo esguio—cobrindo pontos-chave de sua anatomia, dando-lhe a aparência de uma ninja de gelo.

Empunhando lâminas gêmeas, Seris surgiu rápida, cortando inimigos com precisão letal, compensando qualquer fraqueza em seus ataques de longe.

A aura de gelo não só fortalecia sua defesa como também aumentava drasticamente sua velocidade.

"Incrível..."

Sansa ficou admirada, maravilhada com a elegância e brutalidade da técnica de Seris.

"Ela igualou a resistência das armaduras de Daemon e Danzo... com apenas seu próprio poder."

Não seria exagero dizer que Seris Moonlight criou um estilo de combate inovador para Controladores de Onda.

Sansa não pôde deixar de admirá-la. Mas, sem perceber, baixou a guarda.

E, na batalha, a negligência é fatal.

Ela não percebeu o humano mutante que avançava por trás dela.

Como um zumbi raivoso, ele rosnou e mostrou seus dentes imundos, mirando seu pescoço.

Sansa recuou em pânico, chegando tarde demais para reagir. Tudo o que conseguiu foi levantar o braço em defesa.

Logo, as presas do monstro afundaram fundo na sua pele—rasgando a carne e despejando um rio de sangue.

A dor percorreu seu corpo enquanto ela olhava para a mordida feroz ao longo do cotovelo. Sua retirada só atraiu mais inimigos, que cercaram-na, formando um anel cada vez mais fechado.

Corte!

O vento assobiando a salvou—um golpe único decapitando os monstros num instante.

"Você está bem?!"

Adriana apareceu, segurando sua lança infundida com vento, com preocupação estampada na face.

Sansa levantou-se rapidamente, selando sua ferida com força.

"Não precisa se preocupar."

Com um movimento de mão, as tendas sombrias emergiram de novo—mais fortes, mais mortais.

"Vou acabar com todos eles."

As serpentes negras se arrastaram e investiram como víboras enormes, reduzindo tudo ao seu alcance a membros dilacerados.

O ataque sacudiu o campo de batalha—mas não foi suficiente.

Então ela entrou na luta.

Os Ultrass nem imaginavam. Flechas atingiram seus crânios com precisão cirúrgica, acabando com eles antes que pudessem reagir.

"Não esqueçam de mim, bandidos."

De cima de uma colina alta com vista total para o campo de batalha, Lara Croft—neta do antigo director—estava no seu elemento.

Ela disparava flechas com velocidade assustadora, destruindo hordas de mutantes com eficiência implacável.

Sansa ficou surpresa ao perceber sua ferida começando a cicatrizar sozinha—envolta por uma luz verde suave que apareceu do nada, envolvendo seu corpo.

Seguindo a origem dessa energia radiante e pura, ela avistou Emilia Atarax, Candidata a Santa, posicionada na retaguarda, atrás de Lara e dos gêmeos Sunlight.

A luz de Emilia não só alcançou Sansa. Ela varreu cada membro da Elite Classe na distância, restaurando vitalidade e clareza mental e física, dando-lhes força renovada para lutar.

A proximidade de Dawn e Ragna também ajudou.

A Elite Classe nunca treinou para lutar como um grupo coordenado. Sua formação era dispersa, e Phoenix não conseguiu estabelecer qualquer estrutura de verdade.

Mas o poder individual deles era mais do que suficiente para virar a maré. Mesmo enfrentando um exército de milhares, sua qualidade superava em muito a quantidade inimiga.

O que começou como uma luta desesperada pela sobrevivência virou uma aniquilação total dos Ultrares, que caíram um a um.

E, exatamente em quatro horas—quatro horas excruciantes que pareciam durar um dia inteiro—chegou ao fim.

O som de corvos cawando encheu o ar enquanto eles desciam, devorando os cadáveres em decomposição.

O campo de batalha estava pesado com o cheiro de sangue, carne queimada, suor e podridão.

O aroma preenchia seus pulmões.

Eles haviam vencido.

Mas nenhuma de suas faces refletia alegria, ou mesmo alívio.

Somente cansaço. E um vazio amargo e insípido.

"Está todo mundo bem?" perguntou Phoenix. Ele ainda parecia tão calmo quanto no começo. Na verdade, não seria errado dizer que ele tinha enfrentado metade da batalha sozinho.

Os estudantes da Elite Classe se reuniram ao redor dele, alguns cambaleantes, outros mais firmes.

Snow foi quem quebrou o silêncio.

"Estamos bem. Sobrevivemos."

"Fico feliz em ouvir isso."

Phoenix respirou fundo. Como jovem senhor da família Sunlight, tinha atingido o nível SS numa idade excepcionalmente jovem. Mas estava acostumado a lutar sozinho e tinha pouca experiência em liderar outros.

Por isso, sua falha em gerenciar o ritmo da batalha era evidente.

Felizmente, a força bruta dos estudantes mais fortes foi suficiente para sustentá-los.

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