
Capítulo 321
O Ponto de Vista do Vilão
O papel dos Controladores de Onda não era de forma alguma menor do que o dos duelistas.
Sansa e Seris assumiram essa responsabilidade, e ajudaram imensamente.
Mas de repente, elas pararam ao perceber uma variável inesperada surgindo atrás delas.
Do oeste—uma outra tropa surgiu, quase maior do que a primeira que atacara pelo leste.
"Quando foi que eles nos cercaram assim…?"
A linha de retaguarda tinha apenas Sansa, Seris, os magos e Emelia Atarax—a curandeira.
Então, deixar uma outra tropa se aproximar seria uma desastre esperando para acontecer… e todas perceberam isso imediatamente.
"Vamos atacá-los de longe enquanto o resto recua!"
Seris falou enquanto Sansa assentia rapidamente.
Ambas manifestaram lanças de gelo e sombra, prontas para contra-atacar—mas congelaram no instante em que viram o que vinha em direção a elas.
De longe…
Centenas de projéteis de fogo cortavam o ar como fleches de catapulta, todos direcionados precisamente ao local onde Sansa e os demais estavam reunidos.
Ao mesmo tempo, os gritos de guerra da nova tropa ressoaram claramente.
"Avancem!!"
"Matem todos!!"
Esses gritos ecoaram em uníssono com a chuva incessante de bombas de fogo que ameaçava suas cabeças.
Eles haviam cometido um grave erro—supor que a segunda tropa fosse composta por Ganado irracionais.
Mas seus novos adversários… eram os verdadeiros perigos.
O bombardeio repentino lançado pelos próprios Controladores de Onda dos Ultras pegou a princesa e seu grupo de surpresa, e naquele instante, todos na linha de frente finalmente entenderam o que havia levado Frey a fazer aquele aviso desesperado minutos antes.
"Que droga!!"
Alguns deles xingaram ao mesmo tempo, tentando recuar—apenas para perceber que o número de Ganado ao redor deles havia aumentado drasticamente do nada, tornando impossível virar as costas.
O único que ainda conseguia se mover livremente era Phoenix, que explodiu em uma rajada de chamas e correu de volta imediatamente—mas, para então, já era tarde demais.
De frente e de trás… estavam completamente cercados.
A perseguição virou uma guerra de extermínio.
…
…
…
Longe do campo de batalha—ao mesmo tempo, em outro lugar…
Um jardim deslumbrante florescia com todos os tipos de flores imagináveis. Pássaros cantavam, e o som de água fresca escorrendo calmamente de um riacho próximo completava a cena de paz.
No centro dessa cena tranquila, havia uma mesa redonda branca, ladeada por duas cadeiras elegantes.
Na mesa repousavam xícaras de porcelana luxuosas, cuidadosamente arrumadas ao lado de um enorme tabuleiro de xadrez que ocupava toda a superfície.
Quanto aos jogadores, um deles era uma linda mulher loira de vestido carmesim. Sua oponente—um homem mais velho, na casa dos cinquenta anos—usava um terno vintage, um chapéu alto e óculos de leitura redondos, que segurava delicadamente numa das mãos.
"Isso não parece muito esportivo da sua parte, Beato… Jogar assim contra seu oponente," comentou o homem.
Beatrice respondeu com um sorriso convencido.
"E por quê não? Não diga que você não fica impressionado com minhas táticas? Você costumava elogiá-las o tempo todo."
Ela indicou o tabuleiro—que não tinha a configuração habitual. O lado branco tinha apenas algumas peças restantes, enquanto o preto tinha dominado completamente o tabuleiro.
Lá, naquele espaço surreal, a clássica tática de guerra conhecida como "martelo e bigorna" havia sido executada de forma perfeita—the lado branco estava totalmente cercado.
"Eles caíram na armadilha. E agora… estão presos entre minhas adoráveis pequenas martelos," disse Beatrice suavemente.
O homem assentiu lentamente.
"Mas você sabe que uma tática tão bonita… no final das contas, não significa nada, não é?"
"Ah? E por que exatamente isso?"
Ele apontou para as poucas peças brancas que ainda restavam.
"É a diferença de qualidade."
Beatrice assentiu, seu sorriso invariável—como se tivesse esperado essa resposta o tempo todo.
"Você está certa."
Enquanto falava, a fumaça do bombardeio anterior dissipou-se—revelando Seris e Sansa, que haviam levantado uma cúpula de gelo e sombra que protegia todos do chuva de fogo.
Enquanto isso, Phoenix havia retornado justo a tempo de se juntar a elas contra a segunda tropa, que parecia ter surgido do nada.
Desta vez, enfrentavam um inimigo inteligente—notavelmente diferente do Ganado irracional.
Mas, apesar de sua organização, essa nova tropa não continha combatentes de elite.
"Bem… não se pode esperar muito de soldados de segunda linha, né?"
Beatrice sorriu de maneira debochada.
E, em perfeita sintonia com suas palavras, Phoenix atravessou suas fileiras num espetáculo aterrorizante de força esmagadora.
Seris e os outros só puderam observá-lo de trás, mal conseguindo compreender como aquele homem conseguia massacrarr tamanha quantidade de inimigos sem piscar.
Ganado—mesmo que tecnicamente humanos—lašavam dez zombies. Matar esses seres era fácil… e não exigia hesitação.
Porém, a segunda tropa era composta por pessoas—carne e osso.
Mesmo assim, essa era a realidade da guerra. E na guerra, hesitação significa derrota.
Mesmo assim… não era fácil acostumar-se a matar humanos.
"São apenas crianças. Ainda não conhecem o terror do campo de batalha," Beatrice sussurrou, colocando mais peças pretas no tabuleiro.
"Vamos ensiná-las uma lição valiosa… graças ao nosso exército infinito de soldados de segunda linha. Hehehe…"
E como se suas palavras tivessem algum poder mágico—
Mais inimigos surgiram. Do norte… e do sul.
Mais Ganado.
Não era mais só um martelo e uma bigorna.
Agora, havia quatro martelos—ameaçando esmagar Frey e os demais de todos os lados.
Isso tudo… sem que um único membro da elite dos Ultras aparecesse ainda.
Exatamente como Beatrice havia chamado—
"Soldados de segunda linha."
O homem de meia-idade soltou uma risada ao observar sua estratégia de xadrez se desenrolar.
"Já não posso mais chamar isso de xadrez… Você é absolutamente insensível, Beato. Kihihihi."
O homem não resistiu e deu uma risada espontânea, demorando um pouco antes de falar novamente.
"Fazer isso com as próprias pessoas com quem conviveu esses anos todos…"
"Ah?"
Em resposta, Beatrice lhe lançou um sorriso doce e sedutor, com uma voz brincalhona.
"Ora, sou uma feiticeira, não sou? O que você esperava de mim?"
Esse sorriso suave logo se torceu em algo demoníaco.
"Isso corre no meu sangue."
…
…
…
De volta ao campo de batalha…
Sobrecarregado pelo número esmagador de inimigos, Frey Starlight cerrava os dentes enquanto invocava a Irmã das Trevas.
Phoenix tinha dito que eles não deviam liberar todo o poder.
"Que se dane isso!"
Nessa altura, mesmo que os inimigos fossem mais fracos, eles começariam a ser lentamente desgastados e exaustos.
Com esse pensamento, Frey avançou, empunhando sua espada e liberando ondas devastadoras de aura escura, cortando os Ganado ao redor em pedaços.
Ele não permitiria que morresse naquele lugar—não assim.
E essa mesma determinação tomou conta da mente de todos os membros da elite.
Cada um deles lutou com todas as forças possíveis, lutando pela sobrevivência naquele campo de morte.
Era uma guerra desesperada—de ponta a ponta.