
Capítulo 317
O Ponto de Vista do Vilão
Capítulo 317: Sem Chance de Voltar (2)
“Então agora eu sou o traidor, hein?” Frey soltou uma risada suave, mas seu ódio mortal aumentou, cobrindo Aegon e todos ao redor dele com uma aura ameaçadora.
“Existe uma diferença fundamental entre nós, Aegon. Se eu quisesse todos vocês mortos… vocês já seriam.”
Se ele realmente fosse o traidor, metade da elite já teria caído antes mesmo de perceber o que estava acontecendo.
“Então, faça isso.”
Mesmo sob a pressão de Frey, Aegon não recuou.
Aquele momento, Frey estava pronto para abatê-lo—disposto a enfrentar toda a elite se fosse necessário para silenciar a serpente que sussurrara em seus ouvidos por tempo demais.
Snow Lionheart viu claramente. Seu oponente estava prestes a fazer um movimento que não poderia desfazer.
E assim, Snow decidiu impedir.
Ghost, Danzo e Sansa seguiram na mesma direção, se preparando para o que poderia ser o começo de uma calamidade.
Mas—antes que tudo isso pudesse se transformar em caos…
Todos congelaram no instante em que algo caiu do céu, balançando o chão e provocando uma explosão ensurdecedora.
De dentro da tempestade de areia que se formava, surgiu um homem—com uma aura explosiva, cabelos castanho-avermelhados selvagens, e olhos brilhando intensamente, como se buscasse algo.
E ele rapidamente encontrou.
A Classe Elite o reconheceu imediatamente. Aquele homem era a única esperança no meio do mar de desespero em que estavam presos.
“Professor Fênix!!”
Uma das garotas—provavelmente Emilia—gritou e correu direto em direção a ele.
Fênix Luz do Sol exalou um suspiro profundo de alívio. Finalmente, tinha os encontrado.
Pel o aura intensa ao seu redor e o suor que cobria seu corpo, era claro que ele os procurava há bastante tempo.
A maioria dos estudantes ficou radiante ao vê-lo. Outros, no entanto, buscavam respostas.
“Professor Fênix…”
Snow Lionheart foi o primeiro a se aproximar.
“O que exatamente aconteceu? E… estamos mesmo dentro do território dos Ultras?”
Em algum lugar lá dentro, ele ainda mantinha esperança de que tudo fosse parte de uma prova. Mas a resposta de Phoenix não foi o que ele queria ouvir.
“Não tenho certeza do que aconteceu exatamente. Tudo o que sei é que algo deu errado no momento em que vocês entraram pelo portão. Então, eu corri atrás de vocês.”
Ao entrarem no portal, ele foi puxado junto—mas foi vomitado momentos depois, quando Frey manipulou o sistema. Como não entrou ao mesmo tempo, acabou a vários quilômetros de distância.
Phoenix ficou em silêncio por um longo instante, e finalmente falou com firmeza, percebendo que esconder a verdade só pioraria as coisas.
“Vocês precisam entender, crianças… isso não é um teste. Estamos realmente dentro do continente dos Ultras.”
Aquela confirmação obliterou a última esperança que a elite tinha—de que tudo aquilo poderia ser uma espécie de prova extrema.
Em outro lugar, Frey e Aegon ainda trocavam olhares tensos, mesmo após a chegada repentina de Phoenix.
“Haha… olha só isso, hein?”
{{}}Ambos voltaram a cabeça na mesma direção para a terceira pessoa ao lado deles, que explodiu em risadas.
Com sua estatura imponente e cabelos loiros—marcas da Casa Valerion—Daemon deu sua opinião de lado.
Ele havia permanecido neutro, apesar de ser primo de Aegon.
“Por que não resolvem logo isso? Simples e direto.”
As palavras de Daemon carregavam sentido, direcionadas diretamente a Aegon. O príncipe preferia as intrigas nas sombras, enquanto Daemon acreditava na ação direta.
Isso talvez fosse a maior razão de Daemon desprezá-lo.
Aegon simplesmente encolheu os ombros com seu sorriso habitual e se dirigiu até Phoenix, que já tinha observado a tensão entre eles.
“Esses métodos te caem melhor, Daemon. Mas e que tal isso aqui?”
Com poucos gestos precisos, Aegon conseguiu atrair a atenção de todos ao redor.
“Já que caímos nessa armadilha mortal, precisamos encontrar uma maneira de sobreviver. Ou seja—precisamos achar um caminho de volta pra casa.”
“E como exatamente você propõe fazer isso?” Sansa provocou, claramente sem se impressionar.
O continente dos Ultras ficava a várias regiões do Império, separado pelo Mar dos Demônios, uma zona repleta das criaturas mais perigosas, os Pesadelos.[1]
cruzar toda essa distância e sair vivo era algo praticamente impossível.
Mas Aegon já tinha considerado isso.
“Portais de teletransporte.”
Phoenix estreitou os olhos.
“Não existem portais de teletransporte diretos entre o Império e os Ultras,” interveio Selena—mas Aegon deu uma risada.
“Você realmente acredita nisso?”
“Se comparado à sua versão, essa é a hipótese mais lógica. Você está sério dizendo que há portais conectando a nós aos nossos piores inimigos?!”
O Império e os Ultras estavam à beira da guerra. A ideia de portais diretos que os conectassem era absurda.
“Então, você é ainda mais ingênuo do que eu pensava,” respondeu Aegon, fazendo Selena franzir o cenho.
“O quê?”
“Como você acha que os Ultras vêm lançando seus ataques até agora? Cruza o Mar dos Demônios toda hora?”
“Isso é…”
Na hora de pensar, suas aparições geralmente tinham sido abruptas—sem aviso prévio.
“Deve haver portais em algum lugar… não é, Professor Phoenix?”
Aegon virou suas palavras deliberadamente ao homem mais forte entre eles.
O Senhor da Luz do Sol manteve silêncio.
Na verdade, ele não podia negar o que Aegon tinha dito. O Império há tempos suspeitava da existência de tais portais de teletransporte—e até havia descoberto alguns.
Portais remanescentes da Primeira Guerra, há mais de trezentos anos. A chance de haver um ou dois ainda não descobertos era bastante real.
“O príncipe tem razão.”
No instante em que Phoenix pronunciou essas palavras, o sorriso de Aegon se expandiu.
Na verdade, ele tinha certeza da existência dos portais. Tinha usado um uma vez, durante negociações secretas com os Ultras.
Claro, nunca mencionou isso a ninguém.
“E agora, Frey? Ainda acha que sou o traidor? Eu acabei de te dar metade da solução.”
Aegon nunca perdia a oportunidade de provocar Frey.
Este não respondeu. Enquanto isso, o príncipe encerrou seu raciocínio dando ao grupo uma direção.
“Temos que encontrar um desses portais.”
Essa era a única esperança deles.
“Mas… como? Você está sugerindo que vasculhem um continente inteiro onde todos querem nossa morte?”
Danzo franziu a testa ao falar, enquanto Aegon simplesmente encolheu os ombros, deixando claro que tinha feito a sua parte. Se conseguiam ou não encontrar os portais, dependia inteiramente deles.
“Professor Phoenix, confio que essa responsabilidade é sua.”
Aegon falou com um sorriso, enquanto Phoenix soltou um suspiro.
“Prometo a vocês—não deixarei que nada aconteça com vocês. Enquanto ainda estiver vivo.”
Aegon concordou alegremente. “Sim, tenho certeza de que vai.”
Alguns dos estudantes sentiram-se um pouco mais seguros. Afinal, Phoenix era poderoso.
Tudo parecia uma conversa normal.
Mas nada era normal. Aegon havia sutilmente transferido toda a responsabilidade para Phoenix—e toda a culpa, caso algo desse errado.
Depois de tudo, sua presença ali era resultado da negligência do templo. Eles haviam permitido que uma calamidade assim se desenrolasse.
Phoenix não conseguia deixar de pensar: como os Ultras conseguiram isso?
Como eles burlaram as defesas do templo e sabotaram o portal de forma tão completa, bem na cara deles?
Um suor frio escorria pelas suas costas toda vez que pensava nisso.
“Com todo respeito… Professor Phoenix, não preciso da sua proteção.”
A voz de Frey Starlight interrompeu seus pensamentos.
O jovem à sua frente, irradiando uma aura assustadora e poder, declarou que não se esconderia atrás de ninguém.
“Vamos lutar por nós mesmos. Não é esse o objetivo de todo esse treinamento?”
Adotando a mesma postura, Snow seguiu o exemplo do amigo.
E eles não eram os únicos. Um número surpreendente de estudantes expressou disposição para lutar.
Apesar de cientes do perigo, permaneciam tranquilos. Phoenix não pôde deixar de sorrir ao ver isso.
“Então, vamos nessa. Sair daqui—juntos.”
Phoenix declarou.
Com sentimentos mistos, vinte e dois indivíduos iniciaram uma jornada rumo ao desconhecido por um continente mortal.
Um grupo unido por amizade, rivalidades e uma multitude de emoções.
Como tudo isso terminaria?
Naquela época, Frey não fazia ideia do quão escuro o futuro que o aguardava naquele continente realmente seria.