O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 318

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 318: Um Continente Contra Vinte e Dois

Longe do continente dos Ultras—

—O Templo—

Somente alguns minutos haviam se passado.

Minutos contados desde que o desastre aconteceu.

O portão carmesim que surgiu do nada. Phoenix, que correu através dele para seguir os seus rastros.

E os magos, que continuavam a enviar relatórios...

Relatos sombrios indicando que a maior geração do Império—aquelas que ostentavam títulos de Campeãs da Igreja, Victoriads, as crianças dos atuais senhores e herdeiros dos grandes mestres de guilda...

Junto com o maior talento de seu tempo... Phoenix Sunlight.

Todos eles tinham agora desaparecido em algum lugar dentro do continente dos Ultras.

Ivar Valerion, o atual chefe do Templo, ficou diante da pilha crescente de relatórios, a mão apoiada na parede enquanto uma dor de cabeça latejante quase o derrubava de joelhos.

Quanto mais pensava na gravidade da situação, mais difícil era encontrar uma resposta.

“O que fazemos agora?”

O que poderia dizer? O que iria anunciar?

“Então... e agora? Será que parto para os gigantes do Império e digo — ‘Olá, todos os seus filhos foram sequestrados e agora estão presos em território inimigo?’”

Um desastre colossal acabara de cair sobre Ivar. Sua mão fechou-se involuntariamente e atingiu a parede ao seu lado.

“Como isso aconteceu?”

Como eles tinham conseguido isso?

Era impossível que os Ultras realizassem algo assim. Não existia feitiço, habilidade ou magia capaz de manipular remotamente um portão de teletransporte.

Havia apenas uma explicação possível para algo tão impossível—

“De dentro…”

Ivar murmurou, uma súbita compreensão atingindo-o como um relâmpago.

Para alterar o destino de um portão de teletransporte, a interferência tinha que vir do lado deles. Em outras palavras, tinha que estar dentro do templo.

E isso significava uma única coisa.

Sem hesitar, Ivar emitiu ordens imediatas.

Em menos de um minuto, o templo foi fechado a portas e janelas. Ninguém podia sair. Todos estavam presos lá dentro… com Ivar.

Ele já havia decidido—se fosse preciso, assumiria toda a responsabilidade. Mas, naquele momento, algo mais tinha prioridade.

“Há um traidor.”

Alguém entre eles…

Um espião imundo que arquitetou essa catástrofe.

E Ivar o encontraria.

Diante do portão que acabara de devorar a Elite Classe, o atual chefe do Templo compreendeu uma dura verdade—

Eles tinham passado do ponto sem retorno.

O inimigo estava esperando uma razão.

Uma razão para iniciar uma guerra.

E agora… eles tinham essa razão. A mais cruel possível.

“Ó Deus… tem misericórdia de nós.”

Ivar sussurrou com toda sinceridade—rezando por si próprio e pelos adolescentes agora encalhados bem fundo em terras inimigas.

—Continente Ultras—

Do outro lado do portão.

O lugar que deveria ser o túmulo de Frey e seus companheiros.

Uma tropa inteira os aguardava.

Homens vestindo armaduras negras assustadoras, cercados por enormes edifícios de pedra e ferro negro.

Eles estavam esperando há muito tempo naquele portão—esperando que a ovelha fosse até a matança.

Mas a presa nunca chegou.

Cansados da demora, um homem finalmente atingiu o limite da sua paciência.

Vestido com um terno elegante e um casaco longo, a mão segurando o cabo de sua espada calçada, Gavid Lindman deu um passo à frente.

“O que significa tudo isso?”

Sua voz era profunda, carregada de irritação e impaciência.

“Estou lhe perguntando… Beatrice.”

Ele chamou um nome enquanto lançava um olhar de lado para uma figura sentada atrás dele.

Ela era uma mulher estranha, aparentando estar na casa dos trinta, vestida com um vestido medieval vermelho adornado com rosas negras. Seu cabelo loiro estava escondido sob um chapéu elegante. Sentada calmamente, ela sorria enquanto entrelaçava as mãos.

“Como posso servi-lo, Senhor Lindman?”

A voz dela era doce e sedosa, respondendo com uma pergunta própria.

Como de costume, Gavid não se incomodou em esconder sua impaciência crescente.

“Onde estão?! Não deveriam estar aqui agora?”

A mulher chamada Beatrice respondeu com um olhar curioso.

“Realmente me pergunto como eles conseguiram… Tenho certeza de que interrompi o percurso do portão e o conectei a este local. E ainda assim, justo quando estavam para chegar, eles de alguma forma desviaram o caminho! É um milagre!”

Ela parecia genuinamente encantada ao compartilhar a revelação.

“Um deles conseguiu interferir na rota do teletransporte—algo que nem eu, a Bruxa Eterna, posso fazer. Fascinante… como conseguiram? Era uma ferramenta? Um feitiço? Quem foi? Qual deles?”

Ela falou rapidamente, sua empolgação crescendo, até que—

“Beato. Você está tagarelando de novo.”

Uma voz cortou o ar enquanto Madam A aparecia ao lado dela do nada.

“Ah! Minhas desculpas.”

Beatrice fez uma rápida reverência.

Gavid, por sua vez, escarranchou ao lado, com nojo.

“Feiticeira imunda.”

“Vou tomar isso como um elogio.”

Beatrice respondeu como se fosse um elogio, o que apenas aumentou o desprezo de Gavid.

“Deram-lhe uma tarefa… e você falhou completamente.”

“Não seja assim, Senhor Lindman. Eu disse que iria trazê-los—e eu trouxe. Eles estão em alguma parte do oeste do continente.”

“O oeste do continente? Devo ficar feliz com isso?”

O continente dos Ultras não era nada pequeno.

“E agora? Quer me punir? Ah, por que não enfia essa sua espada de estimação bem fundo no meu peito? Bem aqui.”

Beatrice tocou um ponto bem acima do peito dela, com um sorriso brincalhão nos lábios. Gavid fez uma expressão de nojo.

“Não tenho intenção de manchar minha lâmina com o sangue de uma de suas marionetes.”

“Tão fria… como sempre, Senhor Lindman.”

Ela soltou uma risada melodiosa.

“Você nem imagina o quanto de esforço deu pra criar aquela homúnculo que você chama de marionete. Você deveria agradecer—sem ela, nada disso teria sido possível.”

Quem poderia imaginar…

Que aquela mulher elegante, aparentemente perfeita em todos os sentidos, não passava de uma marionete.

E assim…

“Não há com o que se preocupar. O Império jamais descobrirá minha outra boneca, hehehehe~”

Beatrice torceu o olho entre os dedos, revelando muito mais do que deveria.

Gavid, impassível e sem impressão, virou-se dela, dando ordens às suas tropas.

“Para todas as forças… o Sangue Alto… espalhem-se pelo continente e acordem todos os servos do Sangue Menor!”

“Os alvos são os prodígios do Império. Quem os trouxer — mortos ou vivos — será homenageado com sangue e glória! Não deixem canto do continente sem procurar!”

“Sim, senhor!!”

O exército rugiu em uníssono.

E assim… a caçada teve início.

Um continente levantou—contra vinte e duas almas.

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