O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 316

O Ponto de Vista do Vilão

Tudo aconteceu tão rápido que alguns mal tiveram tempo de processar. Quando seus pés tocaram uma terra deserta, totalmente silenciosa, sem sinal de vida, as reações dos estudantes da elite, que haviam acabado de ser jogados sem misericórdia em um território desconhecido, variaram.

Entre eles estava Frey, ajoelhado em uma perna só, passando a mão descalça na areia áspera com a testa franzida de preocupação.

— O que foi isso? —

Quem pronunciou a pergunta, assombrando a todos, foi Seris Moonlight.

Era para eles terem chegado às Terras dos Pesadelos, como lhes havia sido dito.

Mas a estranha deriva durante a teleporte indicava o contrário—algo deu errado.

Claro que eles não tinham como saber que essa deriva na verdade os tinha salvado, causada pela intervenção de Frey através do sistema.

Se ele não tivesse agido, eles teriam acabado caindo na armadilha que os Ultras prepararam para eles.

Os estudantes da elite não eram idiotas—pelo menos, nem todos.

Após escanear o entorno... as planícies desoladas que se estendiam até uma cadeia de montanhas distantes, a atmosfera sombria e desolada que pairava no ar—

— Continent Ultrad.

Ghost murmurou essas palavras. Sua voz, normalmente tão baixa que ninguém conseguia perceber, por alguma razão foi ouvida claramente por todos naquele momento.

Na verdade, todos estavam pensando a mesma coisa, mas nenhum tinha coragem de dizer em voz alta e encarar a realidade.

— Você está enganado! —

Ao contrário do silêncio calmo de Ghost, um grito de pânico soou da mais jovem filha do Lorde Luz Solar—Scarite.

Parece que ela não pretendia gritar, pelo jeito que deu um sobressalto quando todos os olhos se fixaram nela. Suas próximas palavras saíram bem mais suaves.

— Você não pode ter certeza disso... —

Em outras palavras, ele não podia ter certeza de que estavam no Continent Ultrad.

— É, isso… provavelmente é só uma parte do teste. —

— É... —

Tanto Adriana Heijeforn quanto Emilia Atarax apressaram-se em concordar com Scar, tentando ao máximo manter a compostura e permanecer positivas.

Ghost não demonstrou mudança na expressão, mesmo com o peso da situação o pressionando. Simplesmente respondeu na mesma tonalidade calma.

— É verdade. Na verdade, não sei se estamos mesmo no Continent Ultrad.

— Exatamente, você não pode—

— Mas… —

Ghost continuou, impassível às interrupções deles.

— Nenhum de vocês pode negar também.

— Negar o quê…? —

Ele não se deu ao trabalho de explicar além—mas Snow Lionheart foi gentil o bastante para intervir.

— Assim como não podemos confirmar que estamos no Continent Ultrad, também não podemos descartar essa possibilidade. E mesmo que este fosse apenas um teste no templo, é difícil de acreditar—

O portal de teleporte que eles usaram era o mesmo por onde outros estudantes do segundo ano passavam. Mas, por alguma razão, só eles estavam aqui.

Snow tinha considerado a possibilidade de tudo ao redor deles ser uma ilusão—mas rapidamente descartou a ideia. Vários deles, ele inclusive, possuíam habilidades que poderiam detectar tais enganos.

Por mais que pensasse nisso, chegava à mesma conclusão.

— Realmente estamos no Continent Ultrad… —

Ele declarou com um tom sombrio no meio do deserto desolado.

— Você está me dizendo que estamos presos em território inimigo, onde cada pessoa quer nossa morte? —

Danzo franziu a testa, compreendendo gravidade da situação. Esquecer voltar para o Império—será que eles até conseguiriam sobreviver numa terra cheia de inimigos à beira de uma guerra?

E, de novo... eles não eram guerreiros experientes. A maioria ainda eram adolescentes, alguns nem tinham completado dezoito anos.

Ver Emilia e Adriana caindo de joelhos, em choque, serviu como um lembrete sombrio dessa verdade.

— Não… —

— O que vamos fazer agora?! —

Lágrimas começaram a rolar, e o pânico se espalhou como fogo. A mente deles simplesmente não conseguia lidar com aquela realidade diante de seus olhos.

Ao contrário de Frey e de alguns outros que já haviam enfrentado situações de vida ou morte, conseguindo manter a compostura, os demais não tiveram essa sorte.

As soluços de Emilia Atarax, o desespero e o medo dominando a todos—

Tudo parou de repente quando o som brusco de espadas se encontrando ecoou.

Por uma rajada repentina de poeira causada pelo impacto, todos voltaram o olhar às duas figuras cujas lâminas se cruzaram.

Nenhum dos estudantes da elite tinha percebido quando—ou como—Freym Starlight havia desembainhado sua espada. Nem como de repente atacou o Príncipe Aegon Valerion, que bloqueou o golpe usando uma onda de aura de relâmpagos negros de sua própria lâmina.

Os olhos frios de Frey perfuraram com uma mistura de ódio e desprezo aquele príncipe imundo.

— Então você bloqueou, hein? — disse Frey com calma glaciar, enquanto o príncipe respondia com uma lâmina trêmula e um sorriso forçado.

— Quase… —

Com um golpe rápido, Frey acertou Aegon para trás. O príncipe firmou os pés para se manter no lugar, quase não resistindo.

Apesar de usar Negra Chuva, ele só conseguiu paralisar o golpe de Frey—e foi empurrado várias metros para trás.

— A sua cara de satisfação... Você realmente está gostando disso, seu ratinho de estimação. —

Ao contrário de Aegon, que lutava para se manter firme, Frey caminhava em direção a ele com um ritmo calmo e sereno, segurando Balerion como uma foice de ceifador.

— Frey, o que você está fazendo?! —

Depois de tudo pelo que passaram, ninguém esperava que Frey Starlight atacasse de repente Aegon Valerion. O choque foi tão grande que uma onda de pânico se alastrou pelo grupo.

Alguns estudantes tentaram intervir, mas Frey soltou sua aura deliberadamente—liberando uma pressão esmagadora. Para a maioria, foi a primeira vez que viram do que um Campeão de Victoriad era de verdade capaz.

— Isso não é muito educado… Frey Starlight, atacando assim, —

Aegon balançou a espada, ainda tremendo após o último confronto, mas com um sorriso que nunca desaparecia.

Frey apenas levantou de novo sua lâmina, apontando-a para o príncipe.

— Você sabia. Desde o começo. —

— Isso é uma puta mentira. —

Aegon negou imediatamente, mas Frey não recuou.

Ele não demonstrou misericórdia ao príncipe imundo, avançando com Balerion carregado por uma onda de aura negra.

Mais uma vez, seu golpe foi bloqueado—mas não por Aegon.

Vermithor brilhou intensamente enquanto Snow interceptava Frey, o aço colidindo com aço.

— Já chega… Frey. —

— Snow… — Frey murmurou o nome do seu oponente, ainda avançando. — Vaza. —

— Olhe ao seu redor! —

A voz de Snow ecoou forte enquanto sua aura luminosa se chocava violentamente contra a escuridão de Frey.

As palavras dele fizeram Frey acordar para a situação ao seu redor, finalmente chegando à realidade.

Sem perceber, a maioria da classe da elite já tinha se deslocado para o lado de Aegon.

Só um punhado permanecia perto de Frey—e mesmo entre esses, a maior parte ficava em silêncio hesitante.

— Pare com isso, Frey. Não é hora nem lugar para isso, — tentou Sansa, ao seu lado, puxando-o de volta do limite.

— Sim! Ouça eles, Frey. —

Do outro lado, Aegon riu com desdém.

— Você está me acusando de causar essa calamidade? Quer dizer, o que eu ganharia me jogando na territory inimiga junto com os maiores talentos do Império? Isso faz sentido? —

Aegon Valerion respondeu com o melhor que tinha — palavras.

E, meu Deus, como ele era bom nelas.

— De onde eu estou vendo, Lorde Starlight… você é quem está atuando como um traidor. —

Enquanto Aegon falava, olhares carregados de desconfiança e julgamento se voltaram para Frey.

Naquele instante, Frey finalmente percebeu o erro que tinha cometido.

O príncipe gastou anos construindo sua reputação e status dentro do Império, transformando a maioria das pessoas em meros peões que confiavam nele cegamente.

Até aqueles que o odiavam—como a bruxa Selena—tinham que obedecer, porque ele mantinha seus pais reféns.

Quanto a Frey, não havia muitos dispostos a ficar ao seu lado contra Aegon.

Mesmo assim, com as chances contra ele, Frey não perdeu a compostura—nem por um segundo.

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