O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 315

O Ponto de Vista do Vilão

Em um piscar de olhos, mais um mês se passou enquanto o ano chegava ao fim e o inverno começava a fazer sua presença ser notada.

E, junto com ele, veio o anúncio.

Um anúncio de que todo o esforço durante o treinamento exaustivo que havíamos passado… seria finalmente colocado à prova no mundo real.

Reunidos mais uma vez na mesma sala onde foi anunciado o teste na ilha, assistimos enquanto Ivar Valerion, diretor do templo, subia ao podio e revelava um novo desafio—um que, segundo rumores, seria até mais difícil do que aquele na ilha deserta.

A fala ornamentada de Ivar podia ser resumida em poucas palavras…

Ele basicamente nos lembrou do estado atual do Império, como a guerra poderia eclodir a qualquer momento, e reforçou a necessidade de treinamento adequado e preparo.

Somente uma introdução antes de revelar os detalhes do teste.

Um teste do qual eu não tinha a menor ideia—pois a trama da história que uma vez escrevi já tinha se desviado tanto do curso que prever qualquer coisa se tornara impossível.

Ainda assim, para ser honesto, eu não esperava muita coisa desse novo desafio. O templo já não me oferecia desafios de verdade há algum tempo.

Porém, não consegui esconder minha decepção ao ouvir que o teste aconteceria nos Territórios Pesadelo do Leste.

"Aquele lugar de novo?" resmungou Snow ao meu lado, e eu entendi o motivo.

Já tínhamos ido lá há pouco tempo—sobreviver naqueles territórios era coisa fácil demais.

Compreendi a intenção do diretor: pressionar os alunos. Mas esse tipo de pressão só funciona com os mais fracos—não com a classe de elite.

Mesmo assim, não tínhamos escolha além de aceitar...

A preparação para o teste durou apenas alguns dias. Assim como na ilha, viajaríamos até o destino através de uma porta de teleportação… por conveniência e rapidez.

Vestindo a mesma armadura do teste anterior, eu me posicionei entre meus colegas de elite, pronto para o que estivesse por vir.

"Não acredito que vamos perder nosso tempo nos Territórios Pesadelo do Leste…" reclamou Danzo. Ele queria um desafio real… algo além daquela competição sem fim entre colegas.

Lutar contra criaturas Pesadelo não era uma má ideia… mas já tínhamos feito isso no teste da ilha, o que tornava esse próximo desafio uma repetição inútil. O templo não nos colocaria contra monstros realmente perigosos de qualquer jeito…

"Não temos escolha a não ser confiar na intenção do diretor," falei—embora não estivesse convencido de minhas próprias palavras.

"Vou procurar vocês assim que o teste começar," disse Dawn Polaris, igualmente insatisfeito com a situação. "Melhor lutar contra vocês e acabar logo do que ficar vagando sem rumo naqueles territórios por um mês…"

Com esses pensamentos pairando em nossas mentes, ficamos diante da porta de teleportação—nenhum de nós sequer um pouco empolgado com o que viria pela frente.

Antes da nossa vez de passar, Phoenix apareceu atrás de nós, percebendo o clima pesado entre os elite.

"Não precisa ficar de bico, rapazes. Vocês sabem que o Velho Ivar não enviaria vocês para qualquer lugar sem motivo."

O incentivo de Phoenix foi recebido em silêncio—exceto por Snow, que foi gentil o bastante para responder.

"Espero que você esteja certo, Professor Phoenix."

Até a estrela brilhante do Império, Snow Lionheart, não demonstrava empolgação pelo que nos esperava.

Na porta, me vi ao lado de alguém que normalmente evitava.

"Você está bem, Frey."

"Diria o mesmo a você… mas você não mudou nada, Aegon."

De mãos dadas com o Príncipe Aegon, caminhei rumo à porta.

Nesse momento, notei o sorriso lento e inevitável que se espalhava pelo rosto dele.

"Você parece bastante feliz com esse teste," observei.

Ao ouvir isso, Aegon rapidamente ajeitou a expressão com a mão direita. "Ah, desculpe. Acho que me empolguei por um instante."

"Então eu estava certo," disse.

Aegon assentiu.

"Este teste, Frey… Será algo que nunca vamos esquecer."

Por um momento, parei e olhei para ele enquanto continuava andando com aquele mesmo sorriso.

Se essas palavras tivessem vindo de qualquer outra pessoa, eu as teria descartado completamente.

Mas vindo de Aegon…

Dei uma reflexão séria a essa prova—uma que eu tinha subestimado completamente. Ainda assim, por mais que tentasse imaginar, não conseguia prever o que poderia acontecer nesse tipo de teste.

Com essa incerteza na cabeça, entrei na porta de teleportação junto com o restante da turma de elite.

A porta se iluminou com um brilho azul, sinalizando o começo da teleporte. Essa luz azul suave pulsou por um breve momento… até mudar completamente.

Todos os que estavam do lado de fora não perceberam o que aconteceu… até que a luz da porta virou vermelha, liberando uma onda violenta de força.

Aquela mudança repentina foi suficiente para indicar que algo havia dado terrivelmente errado.

No lado de fora, Phoenix—por estar mais próximo—foi o mais rápido a agir. Ele avançou sem hesitar, mergulhando na porta logo atrás de nós… enquanto a passagem se fechava para os outros.

"O que foi isso?!" Phoenix murmurou, incapaz de achar uma resposta—mas sem querer esperar para descobrir.

Quanto a nós…

No instante em que entrei na porta, fiquei assustado ao perceber um alerta estranho do sistema—algo que não via desde o dia da chegada de Agaroth—anunciando que algo havia dado muitíssimo errado.

Abri imediatamente a interface, tentando entender o que estava acontecendo.

E, para meu choque total… descobri algo que jamais poderia imaginar.

A porta de teleportação não tinha sido configurada para nos mandar aos Territórios Pesadelo do Leste…

Ela nos levava a algum lugar completamente diferente.

Angustiado ao perceber a gravidade do desastre iminente, tentei usar as habilidades do sistema para pará-lo—mas foi inútil. Meus pontos de conquista restantes não eram nem de perto suficientes…

"Já era…"

A teleporte se completaria em poucos segundos… segundos antes de a catástrofe acontecer. Eu tinha que agir, mesmo com tão pouco tempo. Mas minha mente ficou em branco…

"Monstros de elite não passam de insetos… desde que você os mate no berço."

Essas foram as palavras que Gavied Lindman uma vez disse.

Dentro da capital dos Ultras—caelid—uma horda horrenda tinha se reunido ao redor de uma porta de teleportação de luz carmesim.

Conduzidos por senhores de calibre aterrador—Gavied Lindman e Godfrey entre eles—estavam resolvidos a eliminar qualquer um que saísse daquela porta.

O Império e o Templo foram negligentes demais… cegos ao ponto de não perceberem que mãos inimigas já tinham se infiltrado profundamente dentro de suas supostas muralhas intransponíveis.

A porta que deveria nos levar a um simples teste nos Territórios Pesadelo havia sido adulterada… redirecionada para a própria fortaleza do inimigo!

Para o lugar onde nunca deveríamos ter ido… o campo de batalha que os Ultras pretendiam inundar de sangue.

Seu único objetivo: roubar os maiores prodígios do Império, aqueles que um dia poderiam virar a balança da guerra.

E sabendo disso, gastei todos os pontos de conquista que tinha—apostando tudo na única ideia que meu cérebro conseguiu criar sob tamanha pressão sufocante.

Usando a habilidade de escrita do sistema, tentei desesperadamente salvar todos no último instante… segundos antes da porta se abrir e nos lançar a um território desconhecido, repleto de inimigos.

Os Ultras esperavam pelo começo da tragédia—que os jovens desavisados mergulhassem ali, sem perceber o pesadelo que os aguardava. Estavam certos de que já tinham vencido.

Mas esse momento nunca chegou.

Em vez disso, a porta simplesmente se fechou—sem que ninguém passasse—após uma mudança inesperada na trajetória no último segundo.

...

Num deserto desolado, como uma antiga extensão esquecida pelo tempo…

Caí ao chão, suando em bicas, ofegando por ar. Não havia inimigos à vista. Nenhuma armadilha. Apenas… um vazio absoluto.

"Onde estamos?!"

"Será que é nos Territórios Pesadelo?"

Deixei meus colegas de elite para trás, que ainda não sabiam da verdade, e corri para tentar entender o desastre que quase nos atingiu.

Na última hora, consegui alterar o caminho da teleporte— desviando-o da armadilha dos Ultras. Mas não pude nos retornar ao Império… simplesmente não tinha pontos de conquista o suficiente para isso.

Tudo que consegui fazer… foi redirecionar nossa localização para outro ponto no continente dos Ultras—bem longe da emboscada, mas ainda em terras hostis.

Porém, isso não mudou nada.

Levantei a cabeça, olhando para o céu cinzento acima. O vento daquele deserto carregava a amarga verdade:

Estamos em território inimigo. Um continente inteiro onde todos querem nossa morte.

"Agora estamos no continente dos Ultras."

Falei com uma expressão sombria, aceitando essa dura verdade:

A caçada… já havia começado.

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