O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 314

O Ponto de Vista do Vilão

— Ponto de vista de Frey Starlight —

Um mês completo tinha se passado desde Londor.

Voltei à minha rotina diária dentro do templo, que tinha se fechado completamente para o mundo exterior... transformando-se numa instalação militar de guerra e nos tratando como soldados.

E nenhum grupo recebia tratamento mais rigoroso do que a Classe Elite do segundo ano, graças à qualidade excepcional dos combatentes que nossa geração havia produzido — desde espadachins e tanques até controladores de ondas e magos.

Não seria errado dizer que a maior parte da força futura do Império residia ali, dentro das paredes da Classe Elite. E, apesar da intensidade do treinamento atual, isso não me afetou nem um pouco, graças ao enorme avanço na minha força. Foi isso que me permitiu vencer na maioria das vezes nas lutas de treino contra os outros estudantes de elite.

Hoje, em particular... os estudantes mais uma vez foram emparelhados, como de costume, para lutar em duplas.

— Seus colegas provavelmente se tornarão seus futuros companheiros de guerra — disse Sophia, observando os duelos lá de cima enquanto lutávamos abaixo.

— Conhecer os pontos fortes e fracos do seu aliado é tão importante — ou até mais — do que conhecer os do inimigo.

Por isso, frequentemente nos faziam lutar uns contra os outros.

Normalmente, eu era emparelhado com pessoas como Snow, Daemon… ou até Sansa e Ghost. Essas lutas sempre eram intensas e empolgantes, pois nossos poderes eram equilibrados — pelo menos, sem impulsos externos.

Mas hoje, de forma incomum, fiquei emparelhado com alguém com quem não interagía muito recentemente. Outra integrante da família Starlight... uma parente distante por sangue.

— Somos ambos Starlight...

Ela partiu em minha direção com a espada, revestida por um halo ofuscante de luz. Seu golpe veio da esquerda, mirando meu lado — e eu já tinha previsto isso desde o começo. Evitei com facilidade.

Clana tinha previsto que eu iria esquivar, e logo após, ela passou a atacar de outro lado, na direção oposta. A luz que cercava a lâmina dela tornava seus movimentos rápidos, circundando-me por todos os ângulos.

A cada golpe, sua espada deixava rastros de luz cintilante no ar, transformando seu ataque numa espécie de espetáculo. Surpreendentemente, nem precisei ativar os Olhos de Falcão para acompanhar suas rápidas investidas.

Normalmente, eu teria que bloqueá-las com minha espada… mas dessa vez, a lâmina dela só atingia imagens após a minha defesa — fantasmas do meu corpo, que esquivava dos golpes com facilidade, por conta própria.

Clana usava o Estilo de Poeira Estelar, mas havia dominado apenas metade dele… e mesmo essa metade não era algo que a Adaptação Sombria – Nível 3 pudesse lidar.

Vi ela ranger os dentes de frustração, tentando aumentar sua velocidade após não conseguir acertar um único golpe. Mas era inútil. Desde o começo, eu era muito mais rápido do que ela — mais rápido que qualquer outro na Classe Elite.

Num movimento rápido, abaixei-me e atingi a perna de sustentação dela, desequilibrando-a. Quando ela caiu, enfiei minha espada no chão ao seu lado, encerrando aquela luta inútil completamente.

— Valeu pela luta.

Disse sem demonstrar sequer um pingo de emoção — estendendo a mão para ajudá-la a se levantar, enquanto ela permanecia aos meus pés.

— …

Clana Starlight, inesperadamente, aceitou o gesto sem nem mesmo olhar nos meus olhos.

Normalmente, com sua personalidade brincalhona, ela tentaria me provocar ou ficaria frustrada. Mas não fez isso.

— Está tudo bem?

Perguntei, sem conseguir permanecer distante… especialmente porque ela se parecia com minha irmã Ada. Como uma versão mais jovem dela.

— Não é nada… Estou bem. Obrigada pela luta.

Seu tom de voz estava mais suave do que o usual, antes de ela sair correndo, comportando-se mais como uma garota tímida do que como a que eu conhecia.

Mas, sinceramente… não tinha cabeça para pensar nela por muito tempo. Assim que ela saiu, rapidamente a esqueci.

Eu tinha um dilema maior para lidar — um que girava em torno de mim.

Ou, mais especificamente… da minha força.

— Cheguei ao meu limite.

Para esclarecer, não havia mais poder emprestado que pudesse me impulsionar além do que já estava. Balerion, a Terror Negra, a irmã sombria que mata demônios, a Adaptação Sombria e todas as minhas habilidades…

Eram fatores externos que me impulsionaram — um mero B+ — a um nível de poder próximo ao SS.

Agradecia pela força adicional, mas já tinha consumido toda ela.

Não importa o que eu fizesse, não conseguiria ficar mais forte com poder emprestado — e essa verdade ficou clara após um mês inteiro de treino aqui no templo. O que significava que eu não tinha escolha senão seguir pelo caminho verdadeiro… aquele sem atalhos... minha força pura.

Se eu realmente quisesse superar o que sou hoje, teria que elevar meu talento de B+ para, pelo menos, S, antes de ver qualquer avanço maior. E foi aí que percebi… Melina tinha razão.

Lâminas lendárias existem para ajudar os usuários a liberar seu potencial de forma mais suave — não para aumentá-lo.

No final, eu sou a fonte... não a lâmina.

Aceitando que alcancei meu limite, comecei a pensar em como elevar meu talento para SS e acelerar meu treinamento de qualquer maneira possível.

Mas, por ora, minha força não evoluirá mais — por um bom tempo. E isso não é uma boa notícia… especialmente com os desafios que se aproximam.

— Você também terminou?

Fui interrompido por Danzo, que apareceu usando uma camisa sem mangas, que exibia seus músculos, e seu cabelo prateado estava úmido de suor.

— É. Você?

— Acabei de terminar. Aquele covarde foi meu oponente.

Danzo deu um jeito de apontar o polegar em direção a Adriana, que estava sentada no fundo, com a cabeça baixa, ainda se recuperando da humilhante derrota nas mãos do humano tanque, Danzo.

Como portadora de lança, ela deveria conseguir lutar de igual para igual contra alguém como ele — mas a diferença de poder era enorme. E, juntando ao seu jeito covarde, ficou claro por que ela não tinha evoluído. Por mais que eu olhasse para ela, só uma ideia vinha à mente:

— Essa garota não vai sobreviver.

Danzo falou antes que eu pudesse.

Se uma guerra começasse de novo e ela fosse jogada no campo de batalha, eu não duvidaria: ela morreria rapidamente. Nem Sansa, que sempre foi sua amiga e protetora, teria coragem de se meter para salvá-la.

E tudo isso seria culpa dela — ela tratava sua própria amiga como um monstro, mesmo quando a princesa só tentava ajudá-la.

Adriana era o tipo de parasita que tenta sobreviver sem fazer esforços reais para crescer.

Não senti nenhuma simpatia por alguém assim.

Com esses pensamentos, desviei o olhar da menina de cabelo roxo que estava na esquina sombria do quarto.

Depois que eu e Danzo fomos os primeiros a terminar nossas lutas, Snow e Ghost logo se juntaram a nós. Todo mundo tinha completado seus duelos, mostrando do que eram capazes.

Mas os destaques da noite eram claramente Daemon Valerion e Seris Moonlight—

Especialmente a última.

Primeiro, Daemon tinha mudado completamente para usar eletricidade negra desde o início, abandonando o tipo comum. Depois de observá-lo de perto, percebi que o guerreiro arrogante tinha finalmente superado sua antiga fraqueza.

A eletricidade negra consumia aura a uma velocidade insana e fazia um enorme esforço ao corpo… no entanto, de alguma forma, Daemon conseguiu prolongar o tempo de uso. Neste momento, vencê-lo numa batalha de resistência seria quase impossível.

Quanto a Seris Moonlight...

A garota que sempre lutava à distância como controladora de ondas revelou um estilo de combate totalmente novo.

Ela foi emparelhada contra Sansa, mas optou por abrir mão de sua vantagem usual completamente.

— Isso… um escudo?

Perguntou Snow, com os olhos arregalados, enquanto Seris lutava como um tanque, envolta em uma armadura de gelo.

Um escudo de gelo azul cobre seu corpo, protegendo seus pontos vitais e lhe dando liberdade para se mover rapidamente enquanto brandia duas lâminas de gelo, que usava para atacar Sansa.

Embora as sombras da princesa não estivessem mais no auge, ainda eram tremendas e difíceis de conter. Sansa as controlava com maestria, lançando ondas de projéteis na tentativa de esmagar Seris.

Mas Seris contra-atacava com seu gelo, manipulando ondas em troca.

Presas em um impasse de forças elementais, a batalha chegou a um empate — até que Seris quebrou esse equilíbrio ao romper a defesa de Sansa com seu próprio corpo.

— Uma Controladora de ondas lutando como um tanque?

Seris Moonlight agora podia lutar de qualquer frente, eliminando sua fraqueza anterior, assim como Daemon tinha feito.

Porém, as sombras de Sansa não eram fracas, e romper com elas levou Seris ao limite.

O duelo entre a princesa Valerion e sua contraparte Moonlight foi de longe o mais intenso da noite, terminando em um empate após destruírem completamente a arena de combate.

— Empate...

Esse termo descreve o resultado, mas, como alguém que assistiu tudo, posso dizer sem dúvida que Seris controlou a maior parte da luta.

Sem perceber, a jovem da família Moonlight cresceu muito — provando que eu não sou a única a evoluir.

No geral, a Classe Elite do segundo ano vinha crescendo para superar todas as expectativas. Isso era uma boa notícia para o Império, que caminhava rumo a uma guerra inevitável.

Cada vez que a elite dava um passo à frente, seus membros brilhavam de formas próprias, deixando para trás os colegas.

— Talvez esta geração seja a mais forte na história do templo...

Era o que as pessoas estavam dizendo agora. Um grupo de jovens, com pouco mais de dezessete, se tornara de alguma forma as sementes de esperança do Império.

Ciente das expectativas e do peso que carregávamos, a classe de elite treinava mais duro do que nunca. Quanto a mim? Mantinha minha rotina habitual — treinando de manhã, socializando com amigos depois.

Viver uma vida na qual posso vislumbrar o futuro me permitia abrir minhas asas de liberdade, mesmo sabendo que ainda não podia voar alto de verdade… preso ainda a uma gaiola muito maior.

Mas, por ora, tudo tinha transcorrido de forma pacífica e tranquila. Tão calmamente, comecei a questionar se aquilo era até mesmo real...

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