
Capítulo 304
O Ponto de Vista do Vilão
"Por que os humanos vivem?"
Era uma pergunta simples, mas tão profunda quando pronunciada por Frey, enquanto buscava sentido em sua existência amaldiçoada.
Cada alma tem um valor,
determinado por essa vida miserável à qual somos lançados.
Mas Frey…
ele ainda não conhecia o próprio.
O valor que atraíra seres titânicos…
seres que moldaram o destino ao redor de uma única alma que só desejava uma vida normal... com uma família amorosa.
"Este… é meu destino."
Um destino que ele nunca escolheu.
Um destino que nunca foi para ele recusar.
– Ciclo 107 –
De novo diante dos corpos de sua família, Frey os encarou por um tempo que pareceu ser o último.
"Tudo que sou hoje… devo a vocês."
"Vocês são os responsáveis por me transformarem no Frey Estrela do Norte que sou agora."
Talvez as forças superiores tivessem brincado com seu destino, puxando os fios de sua vida das sombras...
Mas o ponto de partida—seu verdadeiro começo—sempre foi eles.
"Goste ou não… vocês sempre foram, e sempre serão, a base."
Tudo começou com eles.
Mesmo após sua reencarnação, foi seu pai—Abraham Estrela do Norte—quem o trouxe ao mundo.
"Nunca esquecerei de vocês… enquanto eu viver."
Frey falou com uma calma mais profunda do que qualquer ciclo anterior.
Ele sabia agora... por mais que tentasse... nunca conseguiria se acostumar a ver eles morrerem.
Isso seria sempre impossível.
"Não posso fazer isso. Honestamente, estou quase perdendo o controle agora, me segurando para não enlouquecer de novo."
Essa teria sido a saída fácil…
"Mas isso não é o que vocês teriam desejado de mim, não é?"
Seus pais lhe ensinaram a ser responsável.
A suportar.
Jamais desistir.
"Então eu não vou parar. Vou seguir em frente."
Com o corpo trêmulo, Frey forçou-se a reprimir a escuridão que começava a surgir dentro dele.
Com um rosto triste—demasiado insensível para chorar—ele lentamente virou as costas para sua família e caminhou embora.
"Nunca vou esquecê-los."
Mas vou seguir em frente.
Para me tornar o homem que vocês sempre sonharam que eu fosse."
Essa era a vontade deles.
A última mensagem de Abraham Estrela do Norte antes de morrer:
Viva.
E nunca pare de seguir em frente.
Agora, cara a cara com o demônio.
Frey Estrela do Norte permaneceu em silêncio absoluto, olhando com aqueles olhos negros e profundos.
Seu coração, antes uma tormenta de dor e raiva, estava quieto—
como a superfície de um lago em um dia sem vento.
Ele ainda lamentava.
Ainda sofria.
Ainda sentia cada fração de dor.
Mas agora, pela primeira vez…
podia seguir adiante... deixando para trás os corpos das pessoas que mais amava.
Ele não olhava mais para trás.
Apenas para frente.
Talvez essa não fosse a resposta que o criador dos ciclos sem fim queria…
Mas foi suficiente.
O mundo começou a desmoronar ao seu redor.
A terra se esfarelava enquanto Frey encarava o demônio.
Com um sorriso suave, quase divertido, o humano falou:
"Você pode ser falso… Mas me pergunto se o verdadeiro se parece exatamente com você."
Por um momento breve,
a névoa que escondia o rosto do demônio dissipou-se… e Frey viu o que estava por baixo.
"Agaroth…"
Assim que pronunciou esse nome,
o demônio se desfez em incontáveis pedaços, dissolvendo-se na poeira,
e Frey ficou sozinho novamente.
Ele não sabia se o que viu era real…
mas sabia que nunca esqueceria aquela face.
Essa foi a última coisa que Frey viu—
antes que a ilusão se despedaçasse completamente.
A provação tinha acabado.
Era hora de voltar.
Ele não tinha ideia de quanto tempo tinha passado lá fora, mas para ele—que tinha suportado aquele ciclo infinito—
tinha sido anos.
À medida que o mundo se desintegrava em nada,
os olhos de Frey se arregalaram.
De longe…
ele viu uma figura familiar.
Não… figuras familiares.
Lá, à distância, estava seu "eu" ideal…
e atrás dele, as silhuetas de toda sua família.
Frey olhou por um longo momento,
percebendo que todos sorriam para ele.
Uma força estranha começou a puxá-lo para trás…
arrancando-o da visão…
e ele mal conseguiu mantê-los na visão enquanto desapareciam.
Olhar mais uma última vez…
para a vida que um dia teve.
Ele aceitou, finalmente…
com um sorriso suave e triste.
Sabia que, ao abrir os olhos novamente, aquela imagem se tornaria apenas uma memória distante,
enterrada bem no fundo do seu coração.
E assim,
Frey Estrela do Norte olhou para o futuro—
deixando o passado para trás, finalmente.
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Frey Estrela do Norte open his olhos completamente negros, retornando enfim à realidade que tanto tentou escapar.
Quando a consciência voltou, percebeu que estava deitado em uma sala que não reconhecia.
Mas aquelas paredes negras…
eram do Castelo Sombrio.
Disso, Frey tinha certeza.
Podendo parecer que tudo que aconteceu até agora foi apenas um sonho ruim—um pesadelo longo que termina quando você acorda.
Mas o reflexo que olhava de volta para Frey nesses muros negros dizia o contrário.
Seus traços agudos, a aura ameaçadora ao seu redor, e as ondas de cinza no cabelo... tinha mudado demais. Tanto, que voltar atrás não era mais uma opção.
Desde o momento em que acordou, Frey sentiu algo puxando-o.
Ele deixou que esse instinto o guiasse—mais fundo na vasta câmara em que se encontrava.
Ele veio até aqui em busca de respostas.
Ele suportou tormentos inimagináveis, padeceu além do racional, tudo por esse momento.
Seu rosto não mostrava nada. Nenhuma expressão, nenhuma emoção que indicasse o que pensava.
Por dentro, ele atingira seu limite.
Querendo a verdade.
E estava prestes a recebê-la.
Quanto mais profundo entrava na imensa sala,
seu coração pulsava forte no peito…
como se finalmente tivesse encontrado o que procurava.
A sala antes vazia…
não estava mais vazia.
À sua frente, a interface do sistema piscava de maneira violenta.
Das três missões no painel, uma começara a brilhar com intensidade avassaladora: Memórias.
Mas Frey não percebeu nada disso.
Seu olhar estava fixo no objeto que pairava diante dele.
Flutuando silenciosamente no centro da sala… sem guardas, sem luzes, sem aura divina.
Apenas uma presença.
"Uma máscara…"
Frey murmurou, com os olhos colados nela.
Uma máscara de metal preto, simples, sem adornos,
com rasgos agudos e angulosos onde deveriam estar os olhos.
Ele se aproximou, atraído como se passos invisíveis o puxassem.
Não havia pressão, nenhuma aura divina—nada para alertá-lo.
Isso o fez questionar se tudo isso tinha algum sentido.
Mas ele não conseguiu se impedir.
Estendendo a mão,
sua ponta de dedo tocou suavemente a máscara.
Levando-a mais perto do rosto, como se já tivesse feito isso muitas vezes antes.
Queria colocá-la lentamente…
mas antes que pudesse, a máscara se lançou para frente…
prendendo-se ao seu rosto como uma maldição magnética.
E naquele instante…
a sua realidade foi despedaçada.
Ele não percebeu de início… até a dor atingir.
Um grito saiu de sua garganta, sacudindo todo o castelo enquanto Frey caía de joelhos, contorcendo-se violentamente.
No momento em que usou a máscara…
foi como se sua mente começasse a rachar.
Uma onda de conhecimento inundou sua mente—
sem fim, violenta e absoluta.
Memórias. Visões. Informações.
Parecia que todo conhecimento do universo estava sendo forçado em sua cabeça, com força brutal.
Mas seu cérebro humano… nunca foi feito para suportar isso.
Era como um martelo gigantesco esmagando seu crânio repetidamente, enquanto visões invadiam sua consciência:
Guerras além da compreensão.
Exércitos sem fim.
Raças que ele não podia nomear.
Planetas que nunca tinha imaginado.
Sangue. Morte. Destruição.
Uma guerra como nenhuma outra que havia conhecido.
Estas não eram suas memórias.
Eram do rei.
De um deus da guerra.
Do Rei Sem Nome.
E Frey…
estava embriagado.
Ele nem percebeu o sangue escorrendo de baixo da máscara…
de seus olhos, do nariz, da boca, e dos ouvidos.
A máscara carregava conhecimentos que atravessavam mundos.
A história deste universo—desde seu começo até seu fim—e tudo isso agora queimava-se em sua mente.
Tanto, que a Adaptação Sombria do seu corpo se acelerou instantaneamente para o Nível 3.
Mas no fim, Frey ainda era apenas humano.
Uma mente, por mais treinada pelo sofrimento, só consegue suportar até certo ponto.
À beira da morte, Frey foi forçado a sair dessas memórias na hora em que uma mão pálida arrancou a máscara de seu rosto.
Com os olhos vermelhos, Frey encarou a figura que apareceu diante dele—seu salvador.
"Você ainda não está pronto", disse o homem de olhos azuis, que surgiu do nada, segurando a máscara na única mão.
O Engenheiro havia voltado.
De novo na sua frente, Frey ignorou toda a dor que devorava seu corpo. Seu rosto torceu-se de pura raiva ao reconhecer o arquiteto de todo tormento sofrido até então.
Com ambas as espadas nas mãos, Frey rugiu com toda a força, liberando seu poder pleno em direção à entidade de olhos azuis.
"Ignição!!!"
Uma ignição furiosa, que libertou toda a força de Frey… maior do que nunca. Ele queria apenas destruir o ser que havia transformado sua vida numa loucura.
A explosão de escuridão que se seguiu foi colossal—tanto que ameaçou borrar o próprio castelo do mapa.
Mas toda aquela fúria foi interrompida de repente…
O Engenheiro segurou ambas as espadas de Frey com uma mão só, parando seu ataque completamente.
"Droga!"
Frey amaldiçoou e tentou atacar novamente, mas o Engenheiro desviou suas lâminas com velocidade inumana—e então socou sozinho o peito de Frey.
Com um golpe, ele o deixou inconsciente—fazendo-o cair no chão.
De pé acima dele, o Engenheiro olhou silenciosamente para o jovem caído. Então, virou a mão, onde uma estranha substância azul escorria.
Com um sorriso amargo, o homem de olhos azuis observou a ferida que Frey deixara—uma ferida que havia tirado seu sangue.
Segurando a máscara numa mão, o Engenheiro levantou cuidadosamente Frey. Com uma voz que parecia incomum, colocou a máscara sobre o peito de Frey e murmurou palavras em uma língua antiga e desconhecida.
No mesmo instante, o som de passos pesados ecoou pelos corredores do castelo.
Chegou a Raiva.
A estátua irada entrou na câmara, arrastando Snow e Ghost atrás de si—ambos ensanguentados e inconscientes. Um rastro de sangue os seguia, pintando o chão com os vestígios de sua derrota brutal.
O Engenheiro acenou para Raiva em reconhecimento—bem-vindo a um velho amigo.
"Muitos fatores influenciaram," murmurou, enquanto seu olhar recaía mais uma vez sobre o trio inconsciente.
"Mas o resultado será o mesmo."
E assim, Frey e sua equipe foram completamente derrotados.