O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 305

O Ponto de Vista do Vilão

O Castelo das Trevas... uma fortaleza imponente intocada pelos danos do tempo, protegida por uma barreira ancestral que nunca chegou a se romper.

Ele finalmente deu as boas-vindas aos visitantes, após anos vazios, aguardando o dia prometido.

O Engenheiro entrou, segurando Frey num braço, seguido por Angry, arrastando Snow e Ghost atrás dele.

Desde o começo, eles nunca tiveram chance. Nem contra ele.

A estátua enfurecida deixou os corpos inconscientes na entrada, então marchou em direção ao Engenheiro.

Ao alcançá-lo, Angry imediatamente ajoelhou-se diante do homem de olhos azuis.

Seus olhos violetas brilhantes fixaram-se em Frey e nunca desviaram o olhar.

Sem perceber, a estátua estendeu a mão em direção ao mortal inconsciente.

Não havia como saber no que a estátua estava pensando, mas o Engenheiro o compreendia perfeitamente.

— Não há motivo para se preocupar. Ele está vivo.

O Engenheiro sorriu—uma expressão incomum para ele—mostrando uma face que ninguém tinha visto antes. Uma face só para um velho amigo.

— Desculpe-me por fazer você atacá-lo assim. Sei o quão doloroso deve ter sido... para você e os outros. Mas foi necessário.

Angry não proferiu palavra, incapaz de falar, mas por trás da máscara de metal frio havia um ser que sentia. E seu olhar nunca deixou Frey... nem mesmo com o Engenheiro diante dele.

O Engenheiro levantou a cabeça, cansado pelo tempo.

— Perdoe-me a franqueza, velho amigo. Mas preciso pedir sua força… mais uma vez. Um convidado indesejado veio bater à porta.

Com cuidado, o Engenheiro passou Frey—junto com a máscara—para as mãos de Angry. A estátua assentiu.

Um surto cegante de aura irradiou do corpo de Angry, muito além de tudo que ele tinha mostrado contra Frey e os outros. Seu poder foi transferido para o Engenheiro como uma torrente, consumido até a última gota.

Com uma inclinação lenta, o corpo do Engenheiro brilhou… e desapareceu.

Em menos de um segundo, a figura de olhos azuis reapareceu—sobrevoando o Castelo das Trevas—com o olhar fixo no céu.

Os céus escarlates e eternamente sombrios de Londor se iluminaram como se o próprio sol tivesse rasgado o véu.

Uma luz sagrada e radiante desceu… um branco brilhante que anunciou a chegada de um visitante poderoso.

Um ser de reverência e assombro, emanando uma pressão tão avassaladora que até o vazio tremeu.

E o Engenheiro ficou de pé para encará-lo—sem vacilar, sem se mover.

A radiação começou a diminuir lentamente, revelando a figura por baixo:

Uma entidade suprema, uma das maiores do mundo.

Vestido com uma armadura dourada que brilhava com uma luz divina, coroado com longos cabelos brancos e olhos gravados com sigilos dourados antigos por rosto e corpo.

— Você saiu longe da sua toca desta vez, Portador da Luz — foi o primeiro a falar o Engenheiro.

O poderoso Portador da Luz não parecia contente. Embora suas mãos ainda não tivessem se confrontado, suas auras colidiram—criando ondas de poder que ecoaram pelo mundo.

A luz radiante ao seu redor era muito mais intensa do que a chama azul do Engenheiro.

— Restos do Anônimo... você de novo.

A voz do guerreiro orgulhoso soou como trovão.

— Não pense nem por um segundo que os que estão lá em cima não perceberam seus joguinhos.

Ele se levantou lentamente, sua aura divina se intensificando a cada batida do coração.

— Não me importo com suas intrigas insignificantes com seus amiguinhos... mas desta vez você foi longe demais.

As palavras do Portador da Luz tinham peso, mas o Engenheiro respondeu com um sorriso de lado.

— Longe demais? E quem foi que decidiu onde termina a linha? Você?

Ele não dava qualquer indício de ceder a um ser claramente mais poderoso.

— Ouvi dizer que agora te chamam de Senhor da Luz... venerado como algum tipo de deus ou rei. Mas não se esqueça do seu lugar, Orsted.

O Engenheiro pronunciou o nome do oponente com propósito.

— Não se esqueça… você já se ajoelhou uma vez também. Assim como os outros. Diante do nosso rei. Então, qual a utilidade de fingir agora?

Apesar da provocação, o rosto de Orsted permanecia indecifrável.

— Tem certeza de que é isso que você quer?

Ele falou calmamente... justo antes de liberar toda a sua potência divina, sacudindo céus e terras.

Ele olhou ao redor—sentindo-os. De pontos distantes, uma rede de auras imensas se aproximava, cercando-o.

— O que há de errado? — perguntou o Engenheiro. — Por que parou?

Orsted respondeu sem hesitar...

— Você acha que isso é suficiente?

Todas aquelas auras estavam claramente no nível SSS. Eram os humanos que tinham escolhido caminhar ao lado do Engenheiro há muito tempo—os mesmos que Abraão encontrou há eras. Mas, para o Senhor da Luz, aquilo não significava nada.

Erguendo a mão ao alto, a aura do Portador da Luz explodiu, acumulando-se violentamente para formar uma espada colossal—tão grande que ofuscava todo o castelo das trevas e seus fiéis ao redor.

Uma lâmina do tamanho de um meteorito, ofuscante em sua glória e ameaçando destruir tudo que estivesse abaixo.

Seus olhos dourados ardiam.

— Posso te matar... junto com aquele seu menino precioso… antes mesmo que seus aliados deem um passo.

Uma ameaça direta.

Porém, o Engenheiro não vacilou.

Em vez disso, levantou a própria mão, usando seus últimos vestígios de força.

De repente, selos circulares brilhantes apareceram ao redor de seu braço… relógios com ponteiros que se moviam lentamente dentro de suas circunferências.

No mesmo instante, selos de tempo idênticos se materializaram ao redor da enorme espada forjada pelo Senhor da Luz. Com um único gesto do Engenheiro, os ponteiros desses relógios pararam.

A grande espada parou completamente de se mover, rejeitando o comando do mestre, como se o próprio tempo tivesse abandonado a arma.

No entanto, o Engenheiro manteve o sorriso—calmo, impassível.

— Você pode me matar. Isso eu já sei. Sou apenas uma sombra do que eu já fui.

Ele fez uma pausa antes de continuar.

— Mas não acha que entrou nessa luta entregando a vantagem ao seu inimigo?

Essas palavras estreitaram os olhos de Orsted.

— O que exatamente você sabe?

— Não muito, — admitiu o Engenheiro. — Mas sei o quanto você se importa com aquele garoto mimado que quase matamos a pauladas. Não foi por isso que veio aqui, afinal?

Aquele sorriso de novo—enfrentado por uma carranca do Senhor da Luz, que claramente atingiu onde dói.

— Sei o quanto Snow Lionheart é importante para os Portadores da Luz. Então, deixe-me te perguntar, grande Senhor da Luz…

Apesar de estarem em lados opostos hoje, ambos tinham grandes esperanças em um único humano.

— Conheço seu poder. Você é uma das Sete Grandes Forças por um motivo. Mas… será forte o suficiente para me derrotar, derrotar meus camaradas… e salvar seu garotinho dourado aí em baixo antes que meu aliado acabe com ele?

A pergunta ficou no ar, em silêncio.

Porém, a aura de Orsted diminuiu um pouco—prova de que ele não tinha confiança de fazer ambos ao mesmo tempo.

Ele poderia esmagar o Engenheiro e seus amigos. Isso era verdade.

Mas salvar Snow a tempo? Isso era quase impossível.

— Não somos seus inimigos, Senhor da Luz — afirmou o Engenheiro firmemente. — Assim como você colocou suas esperanças naquele jovem radiante… nós escolhemos seu sósia sombrio. Nossos objetivos podem colidir… mas nosso inimigo é o mesmo.

Ele estava preparado para lutar, se fosse necessário. Mas, se pudesse evitar o conflito, seguiria por esse caminho.

Uma confrontação direta com o Senhor da Luz só levaria a mortes—que eles não podiam se dar ao luxo de ter.

Felizmente, Orsted era razoável o suficiente para entender isso.

— ...Muito bem.

A aura esmagadora se dissipou, e a enorme espada se desfez em luz.

O Engenheiro também baixou a mão, finalmente soltando um suspiro.

— Os tempos estão mudando… seguidor do Anônimo — disse Orsted calmamente.

— Não sei o que tenta fazer, mas todos vocês são apenas sombras… ecos tênues do que um dia já foram. Seriam bem melhores se permanecessem escondidos lá embaixo. Ainda não estão prontos para carregar o peso do que há lá em cima.

— …

— O tempo muda… mas Agaroth permanece constante. Por mais que passem eras, ele só fica mais forte. Que Deus o tenha — e sua raça imunda.

Seu corpo dourado voltou a brilhar com luz mais uma vez.

O Rei Demônio Agaroth— uma calamidade em todos os aspectos. Uma criatura que trouxe morte e desespero por onde passou. Até os titãs do mundo temiam seu nome.

— Aviso dado, seguidor do Anônimo. Na próxima vez, não vou segurar.

Orsted virou-se, oferecendo as costas ao Engenheiro.

O de olhos azuis não respondeu nada.

— Para onde vai? — perguntou, por fim.

— Percebi uma rajada de aura sombria ao longe — respondeu Orsted. — Um dos Sete Grandes, presumo…

Ele sorriu… claramente se referindo ao Senhor dos Túmulos.

— Vou caçá-lo.

— Duvito que você o encontre, — disse o Engenheiro. — Se o sentiu… ele também sentiu você.

— Está bem. Esqueceu que sou o mais rápido dos Sete Grandes? — respondeu Orsted, rasgando o céu com uma rajada de luz divina.

Restou apenas uma frase a ecoar na mente do Engenheiro.

— Boa barreira, ali, — disse Orsted, despedindo-se com um sorriso estranho.

Uma despedida bizarra—mas o Engenheiro não deu importância.

Ele soltou um suspiro de irritação silenciosa, os olhos se desviando para a mão fraturada.

Seu corpo já não suportava batalhas desse tamanho.

A expressão vazia escondia a verdade… mas o vaso quebrado dizia outra história.

Exausto. Devastado. Ele atingira seu limite.

E mesmo assim, continuou — implacável com a missão pela qual viveu toda a vida.

Seus olhos de azul se fixaram na fortaleza abaixo…

Aonde Frey Starlight jazia.

Aquele garoto havia deixado a realidade para trás, mergulhado em outro mundo… um moldado pela máscara que inundava sua mente com memórias que nunca deveriam ser dele.

Memórias tão vívidas, tão detalhadas, que se manifestavam como uma vida que ele agora vivia.

Enquanto a fida peleja entre Orsted e o Engenheiro se desenrolava acima, Frey tinha mergulhado em um sonho profundo, perturbadoramente vívido…

Um sonho intitulado "Anônimo".

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