
Capítulo 290
O Ponto de Vista do Vilão
A névoa engrossou-se a tal ponto que os cegou por completo. Eles mal conseguiam respirar sob o peso da aura corrompida que pressionava de todos os lados.
Cada passo levantava o cheiro de podridão e decomposição—um odor insuportável que grudava nos pulmões e na mente como veneno.
Frey tentou não fazer a pergunta.
Porém, não conseguiu se conter.
"No que exatamente estamos pisando?"
Movido por uma onda de curiosidade, Frey lentamente se inclinou para frente, tentando enxergar melhor o chão encharcado de sangue sob seus pés.
Com a ajuda de seus Olhos de Falcão, tudo ficou nítido—e seu rosto escureceu a cada segundo que passava.
Aquele não era apenas um terreno gosmento.
A terra sólida e negra ainda permanecia por baixo…
O que estavam pisando… era carne e sangue.
A tensão aumentouViolentemente quando ele percebeu isso.
Estavam pisando em cadáveres.
Milhares—não, muito mais do que isso.
Corpos retorcidos, mutilados, espalhados pelo chão como um tapete grotesco.
Estavam despidos, sem características… apenas músculos nus e vestígios de bocas e olhos que um dia pertenceram a seres vivos.
A névoa vermelha, as bestas errantes, o silêncio absoluto…
Frey não pôde deixar de se perguntar.
Será que eles pisaram em um pesadelo criado para se parecer com o próprio inferno?
Pois, com certeza, era assim que parecia.
Por sorte, os três estavam acostumados com sangue. Se não, já teriam desabado há muito tempo.
Mas até eles estavam começando a chegar ao limite.
"O que diabos aconteceu aqui…?" murmurou Snow, com a voz trêmula ao ver a cena mais horripilante de sua vida.
"Um massacre…"
Essa era a única palavra que cabia.
Um genocídio grotesco, onde criaturas que uma vez viviam em paz foram despedaçadas, mutiladas além do reconhecimento.
Palavras já não eram capazes de expressar o que viam.
A única coisa que poderiam fazer agora—era sair.
Avançaram…
E então, as coisas ficaram piores.
De repente, Frey congelou—algo estava agarrado à sua perna.
Em pânico, olhou para baixo e viu um par de mãos segurando seu tornozelo.
O cadáver sob ele emitiu um gemido suave e partido.
Ele tentou chutá-lo instintivamente… mas tudo virou loucura no exato momento em que todos os cadáveres sob eles começaram a se contorcer.
Com armas em punho e coração acelerado, prepararam-se para o ataque.
Mas o ataque nunca aconteceu.
Pelo contrário, os cadáveres começaram a rastejar… tentando fugir.
"Socorro…"
O grito veio de todos os lados.
"Socorro… por favor… tenham misericórdia."
Eles imploravam.
"Tenham misericórdia de nós."
Essas criaturas—esses corpos desmembrados, rasgados—estavam implorando por suas vidas.
Frey imediatamente ajoelhou-se, agarrando aquele que o segurava, desesperado por respostas no meio do caos.
"O que aconteceu aqui?!"
O cadáver tremia, a voz áspera e baixa.
"Ah, ah… ajude-me. Ele é… o horror, o... Aah, tenha misericórdia… Tenha misericórdia de nós… H-he… o Grande Mal… o Pesadelo… a Besta das Bestas… foi ele quem fez isso conosco…"
Quem quer que fosse—qualquer coisa que ele tivesse suportado—Frey podia sentir a agonia emanando só de ouvir sua voz.
"Misericórdia… misericórdia…"
Os gritos aumentaram de volume. Mais altos do que nunca. Os mortos estavam despertos, desesperados, arrastando o que lhes restava pelo chão como insetos.
Um momento atrás, havia silêncio.
Agora, era loucura.
Ele tinha mencionado um grande mal.
"Quem?!"
disparem. "Quem fez isso?!"O que poderia ter causado uma carnificina tão brutal?
A resposta chegou carregada de um nome que gelou seu sangue.
"O Senhor dos Túmulos…"
Ele novamente.
Frey amaldiçoou baixinho enquanto os gritos ao redor se intensificavam.
O cadáver em seus braços começou a soluçar… chorando lágrimas viscosas e engasgadas que se transformaram em sangue.
"Esperamos… esperamos por tanto tempo… por seu retorno… mas ele nunca voltou."
O cadáver lamentava alto.
"Tantos de nós escolhemos lutar em vez de esperar… mas tudo o que nos aguardava… era algo pior que a morte…"
Frey mal conseguia ouví-lo. Entre os gritos, o ar fedorento e Ghost e Snow gritando para que ele corresse, tudo se tornou turvo.
"Por quem vocês esperaram?!"
gritou com todas as forças."Nosso rei…"
respondeu o cadáver."Mas ele nunca veio. Nunca deveríamos ter deixado as Terras do Cetro… Era o único refúgio, o único lugar seguro do Senhor dos Túmulos…"
E então—
Como se fosse convocado por seu nome…
uma pressão percorreu toda a terra.
Uma aura monstruosa, diferente de tudo que Frey—ou mesmo Snow—já tivesse sentido antes.
Uma força sufocante que roubava o ar de seus pulmões.
"…Já é tarde."
sussurrou o cadáver."Ele já está aqui."
Essas palavras caíram como uma estrela cadente.
A pressão aumentou… esmagadora, inescapável.
Algo estava chegando.
Algo aterrorizante.
"FREY!!"
gritaram Snow e Ghost em uníssono, com o medo evidente, enquanto se preparavam para fugir.Mas a presença… eles não conseguiam escapar dela.
"FREY!!!"
chamaram novamente."CALE A BOCA!!"
Frey rugiu de volta, com o rosto distorcido de raiva e algo mais profundo—algo primal.Com as duas mãos, sacou suas lâminas.
O sangue pulsou.
Aura explodiu.
Ele entrou na sua ascensão completa—ativando cada porção de poder que ainda tinha.
canalizando o oceano de aura dentro de si, Frey permaneceu firme enquanto a terra abaixo deles começava a tremer.
Ele estava perto.
O tempo estava acabando.
Sem hesitar, Frey gritou para Snow e Ghost, ordenando que usassem a habilidade de Snow e fugissem para a sombra dele.
Diante do terror do momento, nenhum deles questionou.
Enquanto desapareciam na escuridão, Frey rangeu os dentes, preparando-se para o que estava por vir. Seu pior medo havia se tornado realidade—o inimigo que ele mais queria evitar vinha rápido.
Havia apenas uma opção…
Escapar.
Adotando uma postura como um velocista na largada, Frey concentrou toda a aura do corpo em suas pernas. Com um rugido:
"Acendimento!!!"
Dessa vez, ele não acendeu suas lâminas—mas suas pernas.
A terra se quebrou sob seus pés enquanto uma explosão gigantesca de aura violeta impulsionava Frey Starlight como um míssil pelo ar.
O local onde ele tinha estado há momentos virou um crater no caos absoluto. Os cadáveres gementes foram destruídos num instante.
Quanto a Frey… ele já não estava mais perto do impacto.
Com as pernas quase destruídas, sangue escorrendo como água de músculos pulverizados, Frey disparou pelo horizonte, rasgando rochas, terrenos—até mesmo cristas de montanha—até que finalmente caiu, bem longe, muito, muito longe.
Deitado no chão, com a respiração pesada, seus pés eram só um amontoado sangrento e destruído.
Mas seu rosto não relaxou por um instante—porque aquela aura monstruosa… ela ainda vinha.
Seja lá o que fosse, ainda estavam sendo caçados.
Snow e Ghost emergiram imediatamente das sombras.
A cena de Frey os horrorizou—mas eles não tinham o luxo de parar e reagir.
Snow agarrou ambos, convocando toda a força que lhe restava.
"Passo do Vazio!!"
Ativando sua habilidade mais forte…
Snow desapareceu, reapareceu, desapareceu novamente, teleportando-os o mais longe possível, repetidamente.
"Passo do Vazio!!"
Quantos quilômetros tinham atravessado?
Ele não sabia.
Sabia apenas de uma coisa:
Ele não podia parar.
A pressão atrás deles fazia seu coração parecer que iria explodir. Uma sensação que não sentia há muito tempo…
Medo.
Um medo mais profundo do que tudo que já conhecera.
Um monstro entre monstros.
"Passo do Vazio!!"
repetiu Snow, avançando continuamente, mais rápido e mais longe—recusando a olhar para trás.Pois, se olhasse… poderia ver a terra toda escurecendo atrás deles, enquanto a morte se espalhava e consumia toda vida em seu caminho.
"Passo do Vazio—"
Snow parou no meio do movimento.Frey e Ghost também pararam com ele.
Pingentes de suor escorriam pelas suas peles. Seus corpos não se moviam.
A aura sufocante se foi…
Mas o pavor—nunca tivera sido tão grande.
Pois, sob seus pés, uma sombra gigantesca começou a crescer e se alongar.
A sombra de algo que estava bem atrás deles.
-Tump-
-Tump-
-Tump-
Os batimentos do coração tornou-se o único som em seus ouvidos.
Com uma hesitação angustiante, lentamente viraram suas cabeças—
—e ouviram.
Um silêncio agudo e penetrante.
O que estava atrás deles desafiava a razão própria.
Envolto por um manto de aura corrompida, com um rosto como uma máscara esquelética de osso, suas órbitas vazias brilhavam com luz carmesim.
Ele havia chegado.
O último ser que eles queriam encontrar.
O próprio ar congelou quando a criatura lentamente estendeu a mão em direção a eles.
Nenhum deles conseguiu se mover.
Até Frey, que mal se segurava, sentiu sua mente escorregar ao ver aquilo.
Seisº grau de Rango dos Assentos Superiores do demônio…
O Senhor dos Túmulos… Asmodeus.