
Capítulo 291
O Ponto de Vista do Vilão
O tempo se recusou a avançar.
Frey e seus companheiros mal conseguiam respirar ao se verem diante dele.
A pressão esmagadora que prendia seus corpos tornava impossível pensar—quanto mais agir.
Todos eles, naquele momento, só conseguiam congelar, aguardando o próximo movimento dele… como cordeiros pacientemente esperando a lâmina.
Snow tinha perdido toda consciência, nem sequer percebendo que havia derrubado Frey—Frey, que não conseguia mais se levantar após as pernas serem destruídas.
Agora deitado no chão, Frey olhava para o demônio à sua frente.
Mas aquilo não era apenas um demônio.
Era a própria morte, de pé à sua porta.
Asmodeus não falou… nem uma única palavra. Se era capaz de falar ou não, isso permanecia uma dúvida. Todo som que escapava de sua mandíbula esquelética era um sibilo constante, um som que aumentava o terror a cada segundo.
Frey já tinha ficado diante do próprio Rei Demônio… Agaroth.
Mas isso tinha sido apenas um eco distante do verdadeiro. Uma projeção, diluída e incompleta.
Porém, a pressão que Asmodeus desencadeava agora fazia aquela lembrança parecer insignificante. Não era uma projeção.
Era a coisa de verdade.
'Vamos morrer.'
Esse pensamento atingiu todos de uma vez.
Iriam morrer… incapazes de levantar um dedo em defesa.
Só agora perceberam o quão tolos haviam sido ao acreditar que poderiam enfrentar algo assim.
O Senhor dos Túmulos estendeu a mão. Tudo aconteceu em câmera lenta. Frey e os outros não podiam fazer nada além de assoprar ar enquanto aguardavam o fim.
Swoooosh.
O medo os cegou para o fato de que a mão do demônio havia parado.
Ainda estendida em direção a eles, foi detida… não por vontade, mas por força.
No mesmo instante, uma ondulação se espalhou, liberando uma aura poderosa que revelou uma membrana finíssima—uma barreira invisível separando Frey e os demais da abominação à sua frente.
O ar ficou mais pesado enquanto Asmodeus pressionava ainda mais contra aquela barreira.
Frey, deitado no chão, olhou maravilhado enquanto lentamente começava a recuperar os sentidos.
Gradualmente, controlando seu corpo, olhou com incredulidade.
O terror que o Senhor dos Túmulos havia enterrado em seus corações havia embotado seus sentidos—tanto que nem perceberam o quanto haviam sido empurrados para trás durante a fuga desesperada.
De forma gradual, Frey e os outros começaram a perceber o ambiente ao seu redor.
Só agora notaram o véu transparente que dividia o mundo em duas partes.
De um lado… a terra fértil e verde em que estavam. E além da barreira… uma planície negra e sem vida.
Então aconteceu.
Uma onda de aura sombria surgiu aos céus enquanto o Senhor dos Túmulos lançava um ataque devastador, tentando quebrar a barreira.
BOOM!!
Seus golpes fizeram a terra tremer, como se a própria estivesse chorando por seu destino fatal.
Asmodeus não era uma criatura para lutar.
Era uma calamidade.
Cada um de seus golpes superava qualquer coisa que o trio tivesse testemunhado até então.
E ele não parava em um só.
Libertou centenas.
Cada um forte o suficiente para apagá-los da existência.
Mas o verdadeiro milagre não era a fúria do demônio…
Era a barreira.
Aquele véu frágil e translúcido resistia.
"Inacreditável…"
Esse pensamento ecoava em suas mentes.
Mesmo sabendo que a barreira separava eles do monstro, eles não conseguiam se mover.
Sentaram ali, impotentes, enquanto o Senhor dos Túmulos despejava sua ira, a terra tremeu sob eles.
No meio do caos, enquanto estava deitado, Frey olhou para seus companheiros.
Eles estavam hipnotizados, completamente dominados pelo espetáculo monstruoso.
Frey fechou os olhos.
'Olhe atentamente…'
Pensou, mesmo com a dor ardente das pernas quebradas dificultando trazê-lo de volta ao terror.
Olhe com atenção ao verdadeiro poder de uma entidade que está no topo deste mundo…
Era hora de acordar.
Os humanos que acreditavam ter vencido a guerra há séculos…
Era hora de encarar a realidade.
Diante de uma entidade que superou até a classificação SSS…
Este era o momento de entender.
Essa única entidade poderia extinguir a humanidade.
Antes da personificação da morte, aquela delicada barreira era sua única proteção.
E eles só podiam rezar para que ela não fosse destruída.
O ataque de Asmodeus durou apenas alguns minutos—mas a destruição deixada para trás foi imensa.
Boa notícia?
Ele falhou.
O monstro não conseguiu romper a barreira que se ergue orgulhosamente diante dele.
Frey e os outros ficaram maravilhados.
Que tipo de feitiço era aquele?
Mais importante…
Que tipo de ser criou uma barreira dessas—capaz de resistir a um ataque do demônio de classificação superior SSS?
Já haviam se recuperado completamente, fazendo o possível para se afastar do pesadelo que lhes mostrou uma nova definição de medo.
Seu retiro desesperado não passou despercebido.
O Senhor dos Túmulos viu tudo através de seus olhos vazios.
Sua face semelhante a um crânio não mostrava emoção…
Mas a aura ao redor dele dizia o contrário.
Ele abriu a boca.
E, das profundezas do próprio inferno, um som emergiu.
Um grito.
Um lamento.
Um grito distorcido que gelava a alma.
Frey e os demais não conseguiam sequer descrever aquele som horrendo.
Mas ele sempre fazia os cabelos de todo mundo se arrepiarem.
"O que ele está fazendo?!" Snow perguntou, mas nenhum deles tinha uma resposta.
Por que aquela coisa… estava gritando?
Enquanto aguardavam alguma explicação, o chão abaixo deles começou a tremer novamente—dessa vez, violentamente.
Porém, Asmodeus não era a causa.
Outro algo estava.
Frey foi o primeiro a perceber o que estava acontecendo—seus Olhos de Falcão captaram a verdade.
"Não é um grito…"
Seus olhos se arregalaram.
"É um chamado."
À distância, viram centenas, não, milhares de criaturas sombrias surgindo lentamente.
Aquelas criaturas que antes os ignoravam completamente—permitindo que passassem ilesos—agora avançavam como bestas enlouquecidas.
Monstros grotescos, vagamente parecidos com cavalos, corriam em frenesi em sua direção.
Bestas de pesadelo, completamente irracionais.
E quem os havia enlouquecido… era nada menos que o próprio Senhor dos Túmulos.
"Ele está tentando usar esse exército para nos atacar?!
São milhares, avançando rapidamente contra a barreira.
Mas…
"O que ele espera alcançar com isso? Nem o ataque do demônio maldito conseguiu romper a barreira… como essas criaturas poderiam?"
Se uma entidade de classificação SSS não conseguiu destruí-la, que esperança tinham os monstros de classificação mais baixa?
Não era uma observação errada.
Mas as palavras de Snow fizeram Frey perceber algo muito mais importante.
"Demônio…?"
A expressão de Frey escureceu.
Porque ele finalmente entendeu algo crucial.
Aquela barreira aparentemente invencível… já tinha sido rompida.
E não por alguma entidade ou monstro extremamente poderosa.
Os que entraram… eram eles. Frey e seus companheiros.
Passaram por ela sem perceber.
Ou seja—
Com um grito afiado, Frey gritou:
"Corra! O mais rápido que puder… agora!!"
Aquela barreira não era absoluta.
Ela foi criada para bloquear alvos específicos.
E esses alvos podiam ser resumidos em uma única palavra: Demônio.
Ou seja…
"Qualquer coisa que não seja o demônio consegue passar!!"
E assim—a advertência de Frey se confirmou.