O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 292

O Ponto de Vista do Vilão

As criaturas dos pesadelos atravessaram Asmodeus e seguiram em frente, como se a barreira nem estivesse ali.

O Senhor das Tumbas desapareceu entre a maré monstruosa.

E Frey e seus companheiros entenderam a dimensão da calamidade no instante em que viram aquele exército avançando em direção a eles.

Eles estavam em milhares.

Sobreviveram ao pesadelo supremo…

Para depois descobrir que outro os aguardava.

Ghost avançou imediatamente enquanto Snow agarrava Vermethor, canalizando toda a energia sagrada que podia na tentativa desesperada de curar as pernas de Frey.

Ghost estendeu as mãos, manipulando o vazio com toda a sua força.

"Corte do espaço!"

Desencadeando a mesma força estranha de antes, Ghost rasgou o espaço-tempo, tentando eliminar a horda que avançava.

Seu ataque foi forte o suficiente para derrubar até os mais resistentes — mas, diante de um exército daquele tamanho, quase não passou de um arranhão.

Ghost repetiu a técnica várias vezes.

Mas a realidade foi dura.

Apesar de ter conseguido matar alguns, o sangue jorrando de seus olhos e nariz era um lembrete brutal…

Ele não tinha força suficiente para usar aquele poder livremente.

Enquanto isso, depois de cuidar das pernas de Frey, Snow olhou para o exército que se aproximava rapidamente, seu cérebro lutando por uma alternativa de sobrevivência.

'Devo usar o Passo do Vazio?'

Ele pensou nisso.

Mas logo percebeu que era uma péssima ideia. Não tinha aura suficiente restante.

Como se tivesse lido seus pensamentos—

Frey colocou uma mão no ombro de Snow, brilhando com uma luz violeta profunda.

No instante seguinte, uma intensa onda de aura invadiu o corpo de Snow.

"Não hesite. Precisamos sobreviver. A qualquer custo!"

Empunhando tanto Balerion quanto a Irmã das Trevas, Frey se manteve ereto enquanto Snow assentia com a cabeça.

Eles sabiam que escapar já não era uma opção. Aqueles monstros os persegiriam até os confins do mundo, se fosse preciso.

E assim, Frey e Snow avançaram, liberando seu poder máximo numa tentativa desesperada de sobreviver.

Em poucos segundos, a batalha começou.

O Campeão da Victoriad e o Herói da Igreja… os melhores da nova geração humana… mergulharam no coração da maré monstruosa, destruindo tudo como se fossem loucos.

Frey liberava ondas após ondas de aura sombria, enquanto Snow usava todas as técnicas elementais do seu arsenal.

Brilhavam intensamente.

Porém, sua luz ia se apagando lentamente perante a enxurrada interminável.

Em certo momento—suados de sangue e lama—eles já não conseguiam distinguir se suas lâminas estavam cortando alguma coisa ou apenas sangue e carne em volta.

Eles simplesmente atacavam o que estivesse perto.

Quanto a Ghost, lutava com tudo que tinha para apoiá-los.

Balanceando sua espada de um lado para o outro…

Frey de repente se virou, percebendo algo que tocara suas costas.

Mas parou — justo a tempo — antes de cortar a figura que vinha por trás.

Era Snow, agora de costas com ele.

Quase se tinham ferido mortalmente… mas pararam, ensanguentados e sem fôlego, ao perceberem a extensão total da calamidade.

Estavam completamente cercados.

Do leste e do oeste. Do norte e do sul.

De todas as direções…

Bestas do pesadelo.

Uma horda sem fim delas.

Seus olhares se encontraram. Frey e Snow trocaram um aceno silencioso.

Naquele momento, tudo que Frey queria dizer era uma palavra:

"Desculpa…"

Não por seu próprio destino, mas por ter levado Snow e Ghost a uma armadilha mortal que eles jamais deveriam ter entrado.

Porém, os olhos de Snow entenderam. Ele não o culpava. Os homens são responsáveis por suas próprias escolhas—e Snow tinha vindo por vontade própria, não por imposição de outro qualquer.

Se fosse culpá-lo alguém…

Ele se culpava… por sua fraqueza e impotência.

"Se conseguirmos outra vida… vamos tentar fazer melhor."

Com um sorriso sanguinolento, Snow falou suas últimas palavras, esperando pelo fim.

Mas o fim que aguardava nunca veio.

Em vez disso, algo completamente diferente aconteceu.

Um guincho agudo. O som de metal rangendo contra metal.

Rasgou o campo de batalha como uma lâmina na calma do silêncio.

E mais uma vez… o tempo pareceu congelar.

Uma tempestade selvagem caiu, e sangue explodiu por toda parte, chovendo como uma inundação carmes FA.

Incrível.

Demais.

Foi tudo o que Frey e os outros puderam pensar ao verem as criaturas do pesadelo sendo cortadas em pedaços—despedaçadas com uma precisão aterradora.

Fendas azuis de aura destrutiva, em formato de arcos, varreram o campo de batalha, transformando a horda em carne desfeita.

Os golpes acertaram apenas o que precisavam, nunca tocando Frey e seus companheiros no centro de tudo.

Sangue caiu como chuva, molhando-os até parecerem cadáveres.

Mas seus olhos—ainda vivos—procuravam a fonte daquela investida deslumbrante.

E logo encontraram a resposta.

De dentro do mar de sangue e corpos, com passos lentos e deliberados…

Um velho se aproximava.

Curvado pela idade, vestindo um terno preto antigo—impecavelmente limpo, um contraste marcante com a lama ao redor.

Segurava uma katana numa mão e uma bengala na outra. Seu rosto enrugado se ergueu para encontrá-los.

Frey, sem pensar duas vezes, correu na direção dele… tropeçando na poça de sangue.

Snow e Ghost ficaram boquiabertos…

"Outro humano?"

Mas Frey o reconheceu.

Sua mãe tinha conhecido quatro indivíduos da Seita Sombria.

Um com lança. Uma mulher de pele escura. Uma criança estranha que flutuava no ar…

E um homem idoso e curvado.

Aquele à sua frente agora—era o quarto.

Frey correu pelo lago de sangue. Mas, quando o perigo passou, seu momento de adrenalina também acabou.

A dor voltou com força toda. A agonia ardente de músculos rasgados e pernas destruídas o venceu.

Ele caiu aos pés do velho, mais ensanguentado do que antes.

Contudo, o velho não recuou.

Pelo contrário, avançou.

Frey, tremendo de tudo que havia suportado, agarrou-se à capa do homem—manchando-a com seu sangue.

Mal conseguindo falar, olhou para o ancião e implorou:

"Por favor…"

Ele o segurou firmemente, com medo de que desaparecesse.

O velho gentilmente passou a mão sobre o corpo de Frey, procurando seu rosto.

Nesse momento, Frey percebeu…

"Ele não consegue enxergar…"

O poderoso velho era cego.

Perdera a visão há muito tempo.

Frey perguntou a ele…

"O que você quer de mim?"

Por que o sistema o obrigou a passar por essa jornada?

"O que diabos eu tinha que encontrar neste inferno?!"

Ele exigiu respostas, desesperado e com raiva.

Mas o velho apenas continuou a tocar o rosto de Frey… antes de oferecer um sorriso calmo e profundo.

Um sorriso de paz.

Como se uma grande carga tivesse finalmente sido levantada de seus ombros.

Ele não falou nada.

Ao contrário, apenas apontou atrás dele.

Ele entregou sua resposta a Frey.

"Lá?"

Se quer suas respostas… vá até lá.

O velho, que acabara de demonstrar um poder equivalente ao de uma classificação SSS, tinha cumprido sua missão.

Frey ainda se agarrava a ele, tentando extrair mais—mais respostas às questões que o atormentavam.

Quem é o Engenheiro?

Quem eram aqueles quatro?

O que aconteceu há mais de 300 anos?

Mas o velho nada falou.

Simplesmente deu um tapinha no ombro de Frey.

Depois ajudou-o a se levantar suavemente.

Como se dissesse… não caia. Continue em frente.

O sorriso do velho foi a última coisa que Frey viu…

Antes de desaparecer.

Como se nunca tivesse existido.

Mas o mar de sangue, e os restos meticulosamente dissecados das criaturas do pesadelo, mostraram o contrário.

De pé naquela imensidão de carnificina, Frey e os outros finalmente entenderam.

Eles tinham encontrado seu próximo destino.

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