
Capítulo 293
O Ponto de Vista do Vilão
aqui, em Londor.
À medida que a escuridão se instalava, a única fonte de luz para os três guerreiros machucados vinha das três luas colossais que pairavam no céu.
Exaustos, arrastaram seus corpos destruídos para longe do lago de sangue e cadáveres… agora um banquete para as corujas quePairavam.
A armadura elegante que uma vez cobriu seus corpos tinha sido despedaçada, assim como suas carnes, deixando feridas profundas e hematomas grotescos.
Eles estavam encharcados de sujeira, como se tivessem rolado na lama por horas.
Neste estado miserável, Frey e seus companheiros subiram uma colina—ligeiramente mais alta que o terreno ao redor.
No momento em que chegaram ao topo, colapsaram.
Já não conseguiam se mover.
Sentaram-se em silêncio, olhando uns para os outros.
Os únicos sons eram suas respiracões pesadas e os grasnidos ásperos das criaturas semelhantes a corvos, devorando as bestas do pesadelo lá embaixo.
Ao olharem um para o outro agora, Frey não pôde deixar de lembrar do primeiro dia em Londor—como tinham chegado cheios de entusiasmo, em plena força, vestindo armaduras vibrantes…
Agora, pareciam pior que mendigos.
"Hehehe…"
Frey foi o primeiro a quebrar o silêncio, rindo baixinho.
"Pfft."
Snow o acompanhou, compartilhando os mesmos pensamentos.
"Nos pegaram de jeito, hein?"
"Você disseTudo."
Ambos estalaram uma risada cansada e amarga... um tipo de diversão melancólica pela sua situação lamentável.
"Onde está seu charme de sempre agora? Aquivos cabelos brancos icônicos e aqueles olhos dourados… Parece um rato de rua. Aposto que as moças correriam ao te ver."
Frey zombou de Snow, cujo cabelo tinha ficado avermelhado por toda a sangue que o tinha embebido.
"Olha quem fala," Snow sorriu de canto. "Uma olhadinha só e dá para ver que você é o mais triste aqui."
Ele bateu levemente na perna de Frey, que gemeu em resposta.
"Você nem consegue andar direito! Como espera seguir em frente nessa condição?"
Apesar da dor, Frey se esforçou para dobrar as pernas, olhando para Snow.
"Mesmo quando não consigo andar… ainda sou mais rápido que você."
"Besteira. Olha pra você, ó Grande Vencedor da Victoriad. Se fosse você, enterrava a cabeça num buraco."
"Você não é melhor, Prometido Herói da Igreja. A luz divina que você diz ter lá atrás estava bem fraquinha."
Eles trocavam provocações, zombando um do outro, enquanto Ghost permanecia quieto entre eles, com os olhos fechados, sem dizer uma palavra.
A risada durou um pouco mais... até desaparecer em silêncio.
Seus altofalantes lentamente se apagaram enquanto permaneciam imóveis, olhos fixos no chão.
"Fomos completamente derrotados," finalmente disse Snow.
"…Sim," respondeu Frey.
"Superestimamos nossa força."
"…Sim."
"Somos apenas insetos rastejando na sujeira, sob monstros que voam por reinos e dimensões."
Frey olhou para o chão por alguns segundos antes de responder.
"…Sim."
O gosto da verdade era amargo.
Bem amargo.
Ser fraco em um mundo governado pelo poder… era uma maldição.
Frey e os demais agora entendiam o quão doloroso era ser impotente—tão impotente que suas vidas não significavam nada, meros brinquedos nas mãos de outros.
O Senhor dos Túmulos tinha decidido que suas vidas iriam acabar. E não havia nada que pudessem fazer para detê-lo.
Foi sorte e aquele velho cego quem os salvou.
E, mais uma vez, não foi por vontade deles… não foi uma escolha deles.
Frey lentamente levantou a cabeça, compreendendo plenamente essa verdade cruel.
"…E agora?"
O que fazer quando finalmente se percebe sua própria insignificância?
Você volta atrás? Com o rabo entre as pernas, carregando vergonha e derrota?
Você aceita o destino sombrio que te espera e se curva diante daqueles titãs que pairam acima?
Frey e Snow se olharam—e então sorriram ao mesmo tempo.
Um sorriso cansado.
Sem palavras necessárias.
Snow se levantou, segurando Vermithor, e caminhou com passos pesados em direção ao centro do pequeno acampamento.
Lá, naquele ponto preciso, ele cravou a lâmina no chão.
Vermithor imediatamente liberou uma onda de energia sagrada, envolvendo os três em uma cúpula circular que brilhava com uma luz verde suave—começando delicadamente a curar suas feridas.
Apesar de seus corpos destruídos, sangue, dor e sujeira—
Seus olhos ainda ardia mais intensamente do que nunca.
Afinal… se havia uma coisa pela qual haviam se acostumado, era o desespero.
Por mais vezes que os esmagasse—jogando-os na terra—desde que a vida ainda estivesse firme em seus corpos,
eles se levantariam novamente.
De novo e de novo… até o amargo fim.
Os três ficaram ali enquanto seus corpos se curavam lentamente.
Nenhum deles dormiu.
Movidos pela fúria, transformaram essa emoção fervorenta na chama que mantinha seus corpos quebrados em movimento.
Nenhum deles olhou para trás.
A retirada jamais foi uma opção.
Mesmo que optassem por fugir… o Senhor dos Túmulos ainda os aguardava além da barreira.
E mesmo que de alguma forma conseguissem passar por ele…
não havia caminho de volta para casa.
Sempre seguiam pelo mesmo caminho desde o começo: aquele que o velho estranho tinha apontado para eles.
O tempo passou.
O céu ficou vermelho… depois preto… depois vermelho novamente, três ciclos completos.
Nenhum deles sabia como o tempo funcionava neste planeta miserável.
Mas esperaram.
Pacientes.
Até que o suave brilho verde de Vermithor se apagasse—sua luz desaparecendo quando não havia mais nada a curar.
Aquela luz pura tinha reparado carnes rasgadas e ossos partidos, restabelecendo Frey e os outros a um estado em que pudessem pelo menos lutar novamente.
Depois de curados, os três se limparam mais uma última vez antes de trocar suas armaduras e equipamentos.
Ao pegar sua nova armadura do anel dimensional, Frey percebeu algo.
Ao olhar dentro, viu comida e água—apenas o suficiente para mantê-los vivos.
Mas o que mais chamou sua atenção foi a peça de armadura na mão dele.
Era a última.
Faz quanto tempo que chegaram a essa terra?
Ele parou de contar depois que passaram do marco de um mês…
Mas com certeza era bem mais do que isso.
Naquele momento, Frey percebeu…
Estavam chegando ao limite.
Qualquer coisa que os aguardasse no fim daquele caminho sombrio, eles tinham que alcançá-lo—em breve.
"Vamos seguir em frente," disse Frey suavemente, antes de avançar com os outros.
Seus corpos, agora vessels de aura, atravessaram a terra a velocidades que deixavam apenas imagens após si—blur como balas cortando o vento.
O terreno à frente era vasto e aberto.
Uma planície sem nada. Como um tapete cerimonial que parecia recebê-los para o grande momento.
Seguindo a aparência da terra… e a misteriosa barreira que passaram… Frey suspeitava que fosse Crownlands, o local mencionado por aqueles cadáveres esgrimidos.
E apesar de sua velocidade extraordinária, a paisagem à frente nunca mudava…
Um testemunho do quão imensa aquela terra realmente era.
Eles correram.
E correram.