
Capítulo 294
O Ponto de Vista do Vilão
Frey manteve os Olhos de Águia ativos, constantemente observando a distância adiante.
Mas a visão permanecia a mesma.
Até o terceiro dia nas Terras da Coroa.
A inquietação sutil de Frey foi suficiente para alertar tanto Snow quanto Ghost, que rapidamente perguntaram:
"Tem algo à nossa frente?"
Frey respondeu imediatamente:
"Algo nos espera… e muita coisa."
Ele mal conseguia enxergar… uma miragem distante. Mas o que tinha certeza era isto:
um enorme grupo de seres estranhos aguardava escondido.
"No pior cenário, é outro exército," disse Frey, com preocupação evidente na voz.
Snow e Ghost ficaram tensos, suas expressões se endureceram.
Frey não disse em voz alta, mas o tamanho do exército que viu era bem maior do que aquele que tinham enfrentado antes.
Era tão vasto que ele não conseguia ver o fim dele.
Ele se perguntava que tipo de batalha os aguardava agora…
Essa dúvida permaneceu por algum tempo enquanto continuavam correndo.
E então… após o que pareceu uma eternidade, com os nervos à flor da pele e o medo crescendo sob o peso da expectativa…
Finalmente chegaram.
Frey e os outros pararam, os olhos arregalados ao contemplar a cena à sua frente.
O exército era enorme.
Tão grande que aquilo que haviam confundido com chão ao longe… na verdade, eram todos eles.
Todos vestiam as mesmas túnicas pretas surradas. Seus corpos eram um pouco maiores que o de um humano comum.
Todos estavam espalhados pelo solo.
Prostrados.
De bruços.
Inertes.
Frey se aproximou cuidadosamente de um deles, curioso por que não reagiam à sua presença.
No instante em que tocou na figura…
Ela se desfez.
Transformou-se em cinzas.
O vento espalhou como poeira.
Atônito, Frey verificou os outros—com os olhos arregalados—enquanto Snow e Ghost faziam o mesmo.
E foi aí que os três finalmente entenderam.
O enorme exército diante deles…
era nada mais do que um campo de esqueletos.
Cadáveres tão antigos que o tempo os reduziu a pó.
Confusos, os três se olharam…
"Todos estão mortos," disse Frey, e Ghost confirmou:
"E há muito tempo que estão assim."
Qualquer que fosse a era a qual esses seres esqueléticos tenham pertencido… já passou.
Mas o que chamou mais atenção deles… foi a forma como morreram.
"Morreram de joelhos…"
Pelomenos pelos restos deixados para trás… a postura de seus corpos, a forma como suas cabeças estavam abaixadas… era claro que tinham morrido prostrados diante de algo.
Diante de alguém ou de alguma coisa.
"Esperaram… até suas veias secarem, até seus corpos desmancharem…"
Qualquer que fosse a raça estranha a qual um dia pertenciam…
Eles morreram ali, de joelhos. Esperando por algo que viesse.
Não foram demônios quem os mataram.
Protegidos dentro desta barreira, seu algoz foi o próprio tempo.
Ter essa verdade os deixou arrepiados.
"Que tipo de lealdade é essa…?"
Quem foi esse grande rei que conseguiu uma devoção tão absoluta… uma devoção que fez uma turma inteira de pessoas permanecer de joelhos até não sobrar nada além de ossos?
Para Frey e seus companheiros, esse nível de lealdade parecia pura loucura.
Frey virou seu olhar para frente—em direção ao canto onde cada cadáver tinha ficado de joelhos.
Mas tudo que ele via…
Era mais corpos. Mais esqueletos curvados. Mais do mesmo.
"Vamos em frente," disse ele com frieza, começando a caminhar pelo campo de corpos ajoelhados.
Eles se entrelaçaram entre os caídos.
A cena se repetia infinitamente.
Todos morreram do mesmo jeito.
Movidos por uma curiosidade crescente de descobrir o que havia no final desse caminho de cemitério, Frey e os outros seguiram adiante.
Porém, os cadáveres nunca pararam.
E isso só aumentou a sua inquietação.
Depois de caminhar por um tempo que pareceu uma eternidade, perceberam que se tornaram um ponto minúsculo… uma única gota em um oceano de morte.
O número deles…
Chegou aos milhões.
"Talvez…" disse Snow, atônito,
"Talvez seja aqui que todos os habitantes de Londor tenham acabado."
Frey assentiu, lembrando-se do que aquele cadáver letzten havia lhes dito.
Ele tinha sido muito claro: esperaram tanto tempo que alguns optaram por lutar, enquanto os demais ficaram para trás… ainda esperando.
"Quem decidiu lutar encontrou um destino pior que a morte… tendo que enfrentar o próprio Senhor dos Túmulos."
Ao entender essa dura verdade, Frey continuou:
"Mas quem escolheu esperar… morreu aqui, de joelhos—esperando por um rei que nunca retornou."
Entre a morte… e um destino pior que a morte…
Os três finalmente compreenderam a extensão completa da tragédia de Londor.
E, com essa percepção, não havia mais o que fazer a não ser continuar se movendo.
Passo após passo… atravessaram esse antigo e esquecido mar de cadáveres.
Então…
Sem aviso, uma estranha estremecimento percorreu as costas de Frey.
Seu coração começou a bater mais forte.
A mesma sensação de antes voltou—mas mais forte desta vez.
E foi então que algo mais apareceu diante deles.
Pela primeira vez, algo além de cadáveres.
Estava ao longe, mas eles conseguiam ver claramente.
Uma estrutura imensa… se erguendo à frente.
"Um castelo?" disse Frey, olhando para o grande edifício feito de uma pedra preta estranha que brilhava como metal.
A lua pairava acima daquele castelo monolítico, lançando uma luz pálida sobre o lugar ao qual todos os cadáveres havia se ajoelhado…
Como peregrinos… que finalmente haviam encontrado seu destino sagrado.
De todas as direções, os corpos o cercavam… fazendo a fortaleza parecer uma ilha no meio de um mar vasto e sem vida.
O castelo era maior do que tudo que os três já tinham visto.
Tão grande que parecia uma cabana insignificante comparado ao palácio do Imperador.
E a sensação que crescia no peito de Frey…
Confirmava que aquele lugar—aquele castelo—era seu verdadeiro destino.
Passo a passo, eles avançaram…
Até, finalmente, chegarem à beira do mar de cadáveres.
Era ali, na última linha de esqueletos, que Frey e os outros perceberam algo mais:
Os mortos de joelhos deixaram um espaço claro entre si e o castelo negro.
Uma brecha circular larga.
Intocada.
Ninguém teve coragem de cruzar aquele limite final.
Além dela estava o portão do castelo.
Mas isso não era tudo.
Os olhos de Frey se arregalaram ao ver o que estava diante dele.
Protegendo a entrada…
Havia uma estátua.
Uma figura imensa, com mais de quatro metros de altura, segurando uma foice de duas lâminas.
Seu corpo era feito de um material metálico escuro… como uma sombra forjada.
Uma estátua.
Uma estátua com um rosto que Frey nunca tinha visto antes.
Ele já tinha visto sorrisos.
Já tinha visto tristeza.
Mas esta…
Esta exalava fúria.
Lá estava ela… a estátua da fúria.
Um antigo guardião, vigilante sobre um castelo atemporal.