
Capítulo 289
O Ponto de Vista do Vilão
O corpo do dragão desabou... sua forma colossal caiu pesadamente antes de lentamente se transformar em algo perturbadoramente humanóide.
Ao redor da criatura sem vida, Frey e seus companheiros mal conseguiam resistir ao impulso de simplesmente desabar também. Eles haviam tocado a borda do mundo.
Eram apenas humanos comuns... nascidos e criados em um planeta que um dia acreditaram ser a totalidade da existência.
O Cataclismo das Portas, séculos atrás, tinha aberto novos horizontes... mas apenas um pouco.
Para pessoas como eles, "o mundo" sempre foi a terra sob seus pés.
Porém, essa terra não era mais do que uma pontinha negra em uma tela muito maior do que jamais imaginaram.
Depois de pisar em um novo mundo e encontrar seres além de sua compreensão, agora estavam diante de algo que existia somente em mitos.
"Não estou tendo alucinação, estou?" disse Snow, com a voz trêmula. "Era... era um dragão, certo?"
Ele ainda tentava entender o impossível... especialmente a parte em que o dragão assumira uma forma humana.
"Na verdade, a espécie deles é chamada de Panteão," respondeu Frey, com a voz firme. "Mas sim... aquilo era um dragão."
Ele deu um passo à frente para examinar a flecha preta que tinha derrubado a criatura.
No momento em que seus dedos se aproximaram, Frey sentiu uma intensa liberação de aura ainda emanando do eixo da seta. A flecha pulsava com energia bruta... incólume mesmo após ter causado um golpe fatal.
Só com aquela pressão, Frey percebeu—quem a disparara já tinha ultrapassado facilmente o rank SS+. Talvez muito além disso.
O que só levantava mais perguntas.
Quem eram eles?
Aquele grupo estranho, os que estavam alinhados com o Engenheiro de olhos azuis...
Frey queria encontrá-los... ao menos conversar. Ele tinha um pressentimento de que estavam por perto. Mas localizá-los no atual nível dele era uma fantasia.
Por ora, tudo que podia fazer era esperar... e torcer para que eles fossem os primeiros a fazer o próximo movimento.
Deixando esses pensamentos de lado, Frey voltou sua atenção aos seus dois companheiros de viagem.
Snow e Ghost ainda processavam a visão surreal, murmurando de vez em quando a nova palavra que Frey tinha mencionado.
"Panteão..."
Continuaram avançando pelos bosques queimetaram, mesmo com as chamas ainda ardendo ao redor.
Frey manteve o olhar baixo, incapaz de encarar os olhos deles.
Ele não tinha uma desculpa válida por saber tanto assim... nenhuma história que explicasse tudo. Quando perguntaram antes, tudo que pôde dizer foi: "Isso eu explico quando chegar a hora."
Mas o que poderia dizer? Que era um autor reencarnado com conhecimento do futuro?
Soava até risível para ele.
Incapaz de dizer a verdade... perdido em um planeta estrangeiro sem retorno... perseguido pela criatura mais poderosa que existia...
Caos.
Caos total, completo.
E Frey mal conseguia se manter de pé... caminhando por um caminho traçado por alguém mais.
Nesses momentos, ele desejava que os dias em que seu único objetivo era voltar para a família e seu mundo ainda fossem possíveis.
Naquela época, as coisas eram cruéis... mas pelo menos eram claras.
E agora? Ele estava preso em um labirinto que nunca escolheu.
E aquela sensação estranha dentro dele... uma força invisível... ficava mais intensa a cada passo.
Como se inúmeras mãos o empurrassem adiante, incentivando-o a se mover mais rápido.
"Estamos perto," finalmente murmurou. Era tudo que conseguia dizer.
Deixando o inferno para trás, o trio seguiu sua jornada, adentrando mais fundo no coração da floresta.
Até que... pararam.
Não planejavam parar. Seus corpos simplesmente... Congelaram.
Quantas vezes isso tinha acontecido na jornada?
Frey perdeu a conta. Mas, mais uma vez, eles ficaram paralisados diante da visão à sua frente.
À frente, uma terra sólida de cor preta. Acima dela, uma névoa vermelho-sangue fervilhava, carregada de uma aura ominosa que arranhava sua pele.
E dentro da névoa... centenas de olhos brilhantes.
Abominações retorcidas flutuavam sem rumo. Seus pelos flutuavam de forma anormal para cima, e suas formas eram espelhos grotescos da criatura de pesadelo que haviam quase derrotado.
"Frey... não me diga que esse é o caminho à frente," disse Snow, com a voz tensa.
Frey assentiu lentamente, a expressão marcada por um desconforto profundo.
"É."
A força que o guiava apontava diretamente para a nuvem de monstros.
"E agora?" disse Snow. "Conseguimos derrotar um. E agora temos uma horda inteira?"
Seria suicídio. Mesmo alguém como Maekar Valerion cairia contra um desafio desses.
"Lutarmos não é uma opção," afirmou Ghost. Sua voz deixou claro—isso não era motivo para debate.
E nenhum deles discutiu.
Normalmente, Ghost seguiria seus instintos... aqueles instintos que gritavam para ele dar meia-volta e deixar aquele lugar amaldito para trás.
Mas essa não era uma opção. Não quando eles já haviam escolhido seguir Frey até o fim.
Com um suspiro pesado, Ghost expandiu sua sombra e sinalizou para que Frey e Snow se aproximassem.
"Nossa única saída é tentar passar despercebidos."
"Será que dá mesmo?" perguntou Frey.
O silêncio seria uma escolha lógica... mas como, quando estavam lidando com centenas de bestas horrendas que andavam em quatro patas como monstros de guerra?
Ghost não tentou disfarçar.
"Para ser sincero, nossas chances são poucas... mas é a única opção que temos."
Confiando em suas habilidades de furtividade, Ghost apostava que poderiam se infiltrar entre as criaturas e avançar enquanto elas se moviam só o suficiente para deixar uma abertura.
Não era um plano perfeito... longe disso. Mas era tudo que tinham.
Seguindo pelos arredores das criaturas gigantes, o trio acompanhou Ghost enquanto ele espalhava sua aura sombria como um manto sobre eles.
Seu campo de sombras camuflava completamente sua presença—uma das várias técnicas de assassinato que ele aperfeiçoara ao longo dos anos. Mas desta vez, não era apenas um; eram três escondidos.
E seus inimigos não eram humanos.
De passo em passo...
Cada metro avançado parecia uma distância grande demais.
Eles seguiram em frente, suando, com o único som cujo eco eles ouviam sendo o galope contra o solo endurecido... interminável, ensurdecedor.
A névoa vermelha engrossava a cada passo, engolindo tudo em uma neblina de sangue e sombra.
Nem conseguiam mais distinguir as formas das criaturas... apenas silhuetas, apenas os cascos batendo.
Prontos para sair correndo pela vida assim que fossem descobertos, avançaram devagar, milímetro por milímetro doloroso.
O tempo passou—devagar, agonizante—mas passou.
E eles não foram encontrados.
Uma sorte rara, que eles não ousaram aceitar como garantida.
Frey se permitiu um fio de esperança.
Mas esse esperança se desfez no instante em que seus olhos se encontraram... por um breve momento, inconfundível—com uma das criaturas parecidas com cavalos monstrosos.
Ele congelou.
Só por um segundo. Mas um segundo era tempo suficiente.
A besta tinha visto ele. Dessa vez, tinha certeza disso.
Pânico subiu por seus membros. Quase empurrou Ghost e Snow para correr.
Mas…
A criatura não atacou.
Em vez disso, virou sua cabeça maciça e se afastou—sem interesse algum por sua presença.
Frey piscou, atônito.
Será que realmente o tinha visto?
Ghost e Snow também sentiram isso.
"Eles... estão nos ignorando?"
"É difícil de acreditar," murmurou Snow.
Cauteloso, Ghost retirou sua aura de sombra.
Passo a passo, eles voltaram a se aproximar das criaturas imponentes... mais perto do que antes.
Aguardaram algo—qualquer coisa—to acontecer.
Mas os monstros não reagiram. Nem sequer estremeceram.
"É como se nós não existíssemos pra eles…"
Confusos, mas relutantes em desperdiçar a oportunidade, continuaram avançando—passando despercebidos por uma multidão de pesadelos.
Caminharam por horas. As criaturas não pararam. A névoa vermelha ficou ainda mais espessa, mais pesadamente carregada, como se estivesse escorrendo do próprio céu.
Era uma multidão—milhares delas—cada uma mais forte que uma criatura de nível S. Vagando sem rumo na neblina.
Frey se pegou pensando na mesma questão que pesava nos rostos de Snow e Ghost:
O que aconteceria se um exército assim caísse na Terra um dia?
E pior…
Esse exército tinha sido completamente derrotado—apenas uma fração do verdadeiro poder dos demônios.
Frey veio até aqui procurando respostas.
Até agora, tudo que encontrou foi desesperança.
Era como se estivesse sendo forçado a jogar um jogo em que só havia uma saída: perder.
De repente, o chão sob seus pés se mudou.
Não mais sólido, tornou-se macio... pegajoso.
Suas botas faziam barulho ao pisar em algo que não podiam ver. Algo que resistia sob cada passo.