
Capítulo 266
O Ponto de Vista do Vilão
Um dia, Sansa abriu os olhos, tendo adormecido no colo de sua mãe... apenas para ser surpreendida por um pesadelo.
Quatro homens agachados sobre o cadáver, devorando-o como feras famintas.
Suas bocas ensanguentadas. Seus rostos monstruosos e retorcidos.
Ela viu tudo com seus próprios olhos... olhos que há muito se acostumaram com a escuridão.
Era grotesco. Inacreditável. Especialmente para alguém como ela, que já não sentia nem fome nem sede.
Ela enterrou o rosto nos braços da mãe, relutante em olhar mais.
Mas ficou assustada ao sentir saliva escorrer de cima, caindo sobre ela.
"Mãe…?"
Ela sussurrou... apenas para encontrar sua mãe encarando a cena com olhos cheios de saudade.
Sansa não era a única cujo corpo tinha sido manipulado.
Mas era a única que havia saído ilesa. As demais... ficaram apenas com impulsos bestiais, privadas de razão.
E, após mais uma semana…
A prisão mergulhou na selvageria total. Amigos se voltaram contra amigos. Companheiros se destruiram.
Com corpos frágeis, esfacelados pela fome, recorreram ao canibalismo... sangue derramado, misturado à imundície do chão frio da masmorra.
Nem Sansa nem sua mãe escaparam.
A princesa viu sua mãe se transformar numa criatura voraz, lutando por pedaços de carne humana.
Elas se massacraram diante de seus olhos.
E o pior…
Era que sua mãe tinha se juntado a elas.
Elas devoraram umas às outras. Bebiam sangue humano sem parar.
No começo, eram mais de cem, mas agora… apenas algumas dezenas restavam. À medida que os corpos acumulavam, os sobreviventes transformaram a carnificina numa festa… mordendo carne, lambendo osso limpo.
E, quando a carne acabou… e a loucura os consumiu por completo… tornaram-se monstros… criaturas completamente distantes do humano.
Eles lutavam uns contra os outros como feras, e alguns até faziam sexo na frente de todos… Violando-se enquanto gritos ecoavam e o inferno consumia o lugar sob o olhar de Sansa, que já tinha sido abandonada por sua mãe há muito tempo.
Sem nada mais a que se agarrar, ela encontrou consolo apenas na escuridão que a envolvia como um manto.
O que seus olhos viam era simplesmente nojento.
Uma visão que ela não podia aceitar… nem compreender.
Ela rejeitou aquilo.
Negou sua realidade.
E, em resposta ao seu apelo… a escuridão despertou.
A mesma escuridão em que tinham vivido por tanto tempo ganhou vida… torcendo, surgindo ao seu redor.
Ela tinha presas… mãos… e olhos que brilhavam com uma luz carmesim, mirando nos casulos deprimentes que antes se chamavam humanos, antes de destruí-los um a um.
Lanças de sombra negra, rápidas como a própria morte, rasgaram a multidão enlouquecida… despedaçando corpos e espirrando sangue em torrentes grotescas.
Todos morreram.
Exceto sua mãe, que caiu ao chão, tremendo, paralisada pelo que tinha acabado de testemunhar.
"Mãe…"
Sansa sussurrou com os olhos cheios de lágrimas, estendendo as mãos trêmulas.
Ela avançou em direção a ela... só para sua mãe recuar, tremendo violentamente.
"N-Não… Fica longe!"
"Mãe…"
"Não chegue mais perto!!"
A mãe gritou com uma voz rouca e trêmula.
Os olhos de Sansa estavam fixos nela... mas sua mãe não via nada além da entidade que se erguia às suas costas… braços estendidos, olhos brilhando em luz carmesim.
Sansa estendeu os braços para abraçá-la.
E a sombra negra atrás dela fez o mesmo... seus membros pegajosos refletindo seu movimento.
Cegada por aquele poder avassalador, o único desejo de Sansa era abraçar sua mãe. A mesma mãe que ficou ao seu lado por tanto tempo…
Passo a passo, ela se aproximou... até que as costas da mãe tocassem na parede, sem onde mais correr.
E então veio o grito.
Um berro ensurdecedor da mulher que foi levada ao ar por força invisível…
Sansa apertou-a forte, segurando-a com força.
Ou assim ela achava.
Na verdade, era a sombra que envolvia seu corpo com seus membros esmagadores. Ela levantou a mulher ao alto, com as pernas penduradas no ar…
Ela morreu naquela garra... seus ossos esmagados, seus órgãos destruídos... até que seu corpo inerte caiu aos pés de sua filha.
Sansa olhou para o cadáver com olhos vazios… até que lágrimas começaram a escorrer… e as vozes se elevaram.
"Matar... Sangue... Morte..."
O pesadelo chegou ao fim. E a princesa colapsou novamente na escuridão.
…
…
…
De volta à realidade…
Ela ainda jazia na cama... até que seus olhos de repente se abriram, brilhando com uma luz vermelha radiante.
De baixo dela, um líquido negro começou a se espalhar… escuro, viscoso e com vida própria.
Ele engoliu todo o seu quarto antes de invadir o restante do palácio numa velocidade assustadora… como uma praga devorando tudo ao seu redor.
A princesa se levantou, com um sorriso assombroso no rosto, olhos brilhando em vermelho enquanto dava um passo à frente descalça…
E desapareceu.
Como um fantasma, ela cintilava de um lugar a outro… como se buscasse.
Buscava sangue.
A escuridão ameaçava consumir toda a fortaleza.
Então, do limite daquele abismo… surgiu um homem… usando uma máscara e segurando uma lanterna na mão esquerda. O brilho azul da chama iluminava a escuridão ao seu redor.
Ele ficou parado, banhado na única luz que restava.
Oliver Khan colocou a lanterna no chão e sacou suas adagas… lâminas brilhando com aura.
"Você de novo… humano."
A voz que ecoou era profunda e aterrorizante… nada semelhante à suave que ele tinha ouvido uma vez da princesa.
Oliver não respondeu.
Ele correu na direção de onde Sansa estava se escondendo.
Mas suas lâminas acertaram apenas o ar vazio.
"Por quanto tempo acha que vai me impedir aqui?"
Sem aviso…
As sombras se ergueram, formando centenas de lâminas negras ao redor de Oliver Khan.
Cada uma pulsava com um poder aterrador.
"O tempo está acabando para você… humaninho."
As lâminas cortaram o ar, despedaçando o chão, rasgando a câmara… mas Oliver desapareceu, escapando por muito pouco de seus golpes mortais.
Ele correu na direção de Sansa, apenas para ser bloqueado por uma barreira de sombras, que desviou suas adagas flamejantes.
Com um sorriso torto, ela conjurou mais tentáculos—membros negros, engordurados que rasgavam o ar.
"Você não pode matar quem possui este corpo."
Aquela coisa… sabia demais.
Oliver Khan continuou lutando.
E ele se perguntava…
Quantas vezes?
Todo dia… toda noite…
Sansa continuava perdendo o controle assim.
E toda vez, ele era quem a detinha.
Mas seu poder aumentava… implacavelmente. Mais forte a cada noite.
Enquanto isso, o guardião mascarado já tinha chegado ao seu limite. Não dormia. Não descansava. Não podia, especialmente quando ela precisava de vigilância constante.
Suas feridas se acumulavam. Sua força já tinha atingido o máximo há muito tempo.
"Quantas vezes eu poderia ter te matado?"
Centenas de chances.
Se ele realmente quisesse…
Ele teria acabado com isso.
Mas não fez. Não pôde. Porque ela não queria que ela morresse. Ele queria salvá-la. Por isso, suportou—de novo e de novo—enfrentando sua escuridão com suas lâminas, na esperança de que ela voltasse a ser ela mesma.
"Por favor… Sansa…"
Ele implorou.
"Lute…"
As adagas de Oliver rasgaram as sombras mais rápido que o som, cada golpe carregado de desespero.
"Eu vou te parar toda vez... então lute!!"
Com precisão e vontade, ele destruiu o véu de escuridão, revelando sua face sorridente por baixo.
"O tempo está acabando, humaninho," sussurrou o demônio. "Logo… você morrerá pelas mãos dela."
"Nas mãos daquela que você tanto tenta proteger."
Então seu corpo caiu.
As sombras evaporaram, como se nunca tivessem existido.
Cansado, Oliver Khan arrastou-se até ela, achando-a novamente dormindo… tranquila e alheia ao que tinha acontecido.
Era uma visão que se tornava demasiado familiar.
Ele respirou fundo, então a levantou delicadamente nos braços, segurando-a perto.
"Por favor… não me faça ter que te matar…"
Não me faça destruir a última pessoa que me resta.
A última ligação da minha família.