O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 265

O Ponto de Vista do Vilão

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– POV de Frey Starlight –

-Faltam 9 dias até o término da missão-

Não consegui dormir naquela noite.

A luz do sol começou a penetrar no meu quarto, espalhando seu brilho dourado enquanto eu permanecia imóvel, exausta de tudo que tinha visto na noite anterior.

Se meus medos estavam pelo menos parcialmente certos, então essa missão talvez estivesse além da minha capacidade. Não importa o quão forte eu seja, não consigo enfrentar um monstro que empunha um poder ligado a uma das Dez Assentos Superiores.

Minha única opção agora é confiar no sistema — o mesmo sistema que me guiou até aqui. Se ele me atribuiu esta missão, deve existir uma maneira de completá-la, por mais assustadora que ela pareça.

Aliás, ela foi classificada como uma missão principal, não como a final.

"Tem que ter um jeito."

Esse pensamento ecoou na minha cabeça enquanto eu saía do quarto e seguia em direção ao templo.

A minha rotina diária não mudou: participo das sessões matinais no templo, passo duas horas visitando a princesa e depois volto para treinar com Melina e Snow.

É assim que minha vida se tornou... esperando o obstáculo que o “aconselho direto” do sistema prometeu colocar no meu caminho.

– POV de Sansa Valerion –

A manhã surgiu, trazendo mais um dia.

Deitei quieta na cama do meu pequeno aposento — apenas uma das dezenas de quartos vazios nas frias e desertas galerias do Castelo da Lua.

O lugar era demasiado silencioso. E, de alguma forma, insuportavelmente barulhento ao mesmo tempo.

'Matar… morte… sangue…'

Com uma mão cansada, afastei meu cabelo e olhei para os fios entre meus dedos.

Agora estavam completamente negros.

Parecia que eu estava me perdendo... pedaço por pedaço. E aquilo doía. Porque significava perder a última parte de mim... da minha mãe.

Nem ao menos conseguia chorar direito. Uma insensibilidade gélida envolveu meu coração, roubando tudo, exceto o vazio.

"Os seres humanos não nascem iguais."

Aprendi isso no instante em que vim ao mundo como princesa — filha do homem mais poderoso que já existiu, aquele que governava acima de todos.

As pessoas chamavam aquilo de bênção. Uma vida de orgulho.

Mas a verdade não poderia estar mais longe disso.

Era apenas outro tipo de maldição.

Morte… sangue… matar…

"Começou há dois anos…"

Em uma noite de inverno amargo, os ventos uivaram pelo Castelo da Lua… enquanto todos dentro dele eram levados... sequestrados por monstros de outro continente.

Chamaram-me de sortuda por ter sobrevivido, enquanto os outros morriam...

Mas—

"Será que realmente sobrevivi?"

A garota que voltou naquela noite... ainda era Sansa Valerion, a princesa? Ou algo completamente diferente?

Por dois anos, não consegui dormir. Não precisava mais de comida ou água para sobreviver.

Esses poderes sobrenaturais lentamente me separaram do resto da humanidade.

E eu não podia mais fugir dessa realidade. Tinha sido privada do mundo dos sonhos.

Até recentemente…

Aquela sensação familiar de peso nos olhos… a vontade de fechá-los… tinha voltado.

E por um momento, senti felicidade.

"Mas até essa dádiva simples tinha seu preço."

Recuperei a capacidade de dormir... mas isso veio acompanhado de vozes. Sussurros que pareciam uma guerra acontecendo dentro da minha cabeça.

'Sangue… morte… matar… destruir… RASGUEM ELES!

De quem era essa voz?

Nunca parava.

Ela tentava sem parar plantar esses pensamentos odiosos dentro de mim... até invadir meus sonhos.

"A realidade é um pesadelo. E meus sonhos… são piores."

Resisti. Ainda resisto.

"Sei que não estou sozinha…"

Oliver está comigo.

Tenho amigos.

Os que conheci na Classe de Elite…

"E Frey…"

Tenho um lugar pra onde posso voltar. Algo que me dá força para lutar.

Mas o sono era mais forte.

Com olhos vermelhos e marejados, tentei resistir…

Mas não consegui.

Finalmente, eles fecharam… e uma lágrima escapou pela minha face.

"Desculpe…"

E assim, o pesadelo recomeçou.

Seu corpo jazia sobre uma mesa de aço frio, sob uma luz branca que cegava seus olhos dourados.

Ao redor, dezenas de figuras mascaradas, vestidas de preto.

Suas mãos estavam encharcadas de sangue carmesim…

Sobre aquela superfície gelada… a princesa foi consumida por uma dor além da imaginação. Ela foi forçada a ficar consciente enquanto aqueles monstros realizavam seus experimentos grotescos.

Abriu o peito... desde logo abaixo do pescoço até o estômago.

Seus órgãos e carne rasgada estavam espalhados pela mesa, mergulhados numa piscina aterrorizante de sangue.

As lâminas cortaram tão fundo que alcançaram seu coração que mal batia. De cima, um objeto arredondado desceu, sendo colocado exatamente sobre ele... naquele momento, a dor ficou tão intensa que a princesa não conseguiu mais distinguir a realidade.

"Ela está aguentando melhor do que esperávamos", comentou um dos homens mascarados.

"O sangue real não é algo que se deve subestimar", respondeu seu colega.

Eles estavam eufóricos.

Finalmente, tinham uma cobaia que talvez sobrevivesse às suas ambições sombrias.

"Mas estamos realmente colocando algo tão valioso dentro dela?" questionou um deles.

"Faça logo. Ela é só um protótipo. Morre assim que seu propósito for cumprido."

As figuras mascaradas discutiam com entusiasmo, enquanto a princesa só ouvia um zumbido irritante, uma luz cega e uma dor que consumia sua alma.

Naque momento, Sansa não tinha noção do que "dor" realmente significava.

Viveu toda sua vida protegida no palácio real, acariciada pelo calor da mãe. Não conhecia nada além de cuidado e afeto.

Mas agora… ela estava acorrentada a uma mesa imunda, plenamente acordada, com o peito aberto.

A pele tão delicada que a lâmina deslizou por ela como seda. Os Ultras continuaram seus procedimentos brutais, cortando sua carne enquanto ela assistia, incapaz de impedir o fluxo incessante de seu próprio sangue.

Era doloroso?

Não… a dor era palavra muito suave. Era algo muito pior.

No começo, ela gritou, sua voz ecoando pela câmara... até quase desmaiar. Mas os Ultras não lhe deram essa fuga. Mantiveram-na acordada, forçando-a a suportar tudo.

Por fim, sua garganta secou. A luz se apagou de seus olhos…

E algo dentro de Sansa morreu naquela sala.

Ela conseguiu sobreviver ao experimento. Por pouco.

Depois, foram ela e seu corpo jogados de volta na cela.

Lá, ela se segurou à mãe como a uma tábua de salvação.

Os Ultras tenham sequestrado muitos... Sansa, sua mãe, as serviçais do Castelo da Lua e vários outros membros distantes da família real!

Todos compartilharam o mesmo destino... presos dentro de uma prisão totalmente às escuras.

Privados de luz. Despojados de toda civilização.

Não suportaram… morrendo de fome, sem sequer uma migalha para comer.

O que restava era água impura, contaminada.

E assim os dias se arrastaram… um após o outro.

Corpos humanos eram resistentes graças à aura. Mas a maioria dos cativos era composta por pessoas comuns. Não guerreiras. Não podiam usar seus poderes... aqui não.

Com o passar do tempo…

A linha entre humanos e bestas ficou tênue. Tudo o que os separava eram barreiras mentais frágeis, que mal impunham que seus instintos mais primitivos surgissem.

Porém, certas condições podem destruir essas barreiras.

A fome até a altura da morte… uma das formas mais cruéis e lentas de morrer.

Combinada ao tormento psicológico do isolamento e da escuridão, eles começaram a perder a cabeça, um pedaço de cada vez.

Tudo que era preciso… era uma faísca para desencadear a queda.

Uma última centelha para colocar o processus em movimento.

Após dias de fome incessante, a primeira a sucumbir foi uma empregada de meia idade do Castelo da Lua. Seu corpo cedeu à fome... e a água envenenada só acelerou sua morte.

Seu corpo foi deixado ali, sem vida. Nem tiveram forças para enterrá-la.

O tempo continuou seu marchar cruel.

No começo, eles a viam como uma pessoa… um rosto conhecido ao lado de quem conviviam.

Mas, eventualmente… ela virou nada mais do que uma peça de carne.

Carne que foi negada por tempo demais.

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