O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 264

O Ponto de Vista do Vilão

Mas a imagem que eu esperava... a princesa com seus cabelos, que já foram dourados, agora completamente negros, nunca apareceu.

Em vez disso, como uma projeção fantasmagórica de mim mesmo, eu flutuava por um reino de escuridão sem fim.

Vazio. Vazio absoluto.

Envolto em um casulo de sombras, comecei a questionar se a habilidade tinha apresentado alguma falha ou se algo estava interferindo.

Nunca tinha acontecido isso antes.

E quanto mais eu permanecia preso naquela abismo, mais forte crescia dentro de mim uma sensação…

Um sentimento insuportável de apreensão.

Como se alguma coisa... ou alguém... estivesse me observando além do véu.

Para piorar, eu não conseguia desativar o modo de visão em Terceira Pessoa. Eu estava preso.

Passaram-se minutos.

Depois horas.

E o medo só aumentava.

"Algo está errado..."

Onde eu estava? O que era aquele lugar?

Ficar preso na escuridão por tanto tempo… era torturante.

Parecia que eu estava afundando no fundo do oceano, completamente separado de toda luz.

Tentei libertar-me.

Lutei.

Arranhei, debatiei e empurrei contra o vazio…

Até que algo agarrou minha garganta.

Uma mão preta e pegajosa se fechou ao redor do meu pescoço. As garras cravaram na minha pele, e eu mal consegui entender o que estava acontecendo.

Deveria ser uma projeção. Inintangível.

Mas essa dor—ela era real.

Real demais.

Tentei agarrar a mão que estrangulava minha traqueia, mas foi inútil.

A criatura rastejou sobre minha pele, e um sussurro ecoou diretamente no meu ouvido.

"Morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer, morrer…"

A palavra se repetia sem parar, um mantra silencioso de morte enquanto a pressão ao redor do meu pescoço ficava mais forte.

Comecei a perder a consciência, incapaz de falar ou me mover.

Tudo o que conseguia ver era escuridão… uma mão apertando meu pescoço, tentando me tirar a vida. E algo—algo—sussurrando no meu ouvido.

Em certo momento, parei de ouvir a chantagem pela minha morte. Em vez disso, só escutava o batimento do meu coração, thunderendo no peito.

Minha consciência começou a desaparecer completamente… mas, no último instante, uma luz azul intensa explodiu, envolvendo meu corpo, rasgando a mão negra e me puxando de volta para a realidade.

Segundos depois, acordei abruptamente, caindo violentamente da cadeira, encharcado de suor frio.

Segurei meu pescoço... bem onde aquela mão tinha me agarrado, ainda sentindo algo escorregadio e úmido grudado na minha pele.

"...O que acabou de acontecer?"

Foi a primeira pergunta que fiz.

Mas fiquei congelado novamente… ao ver algo rastejando pelo meu braço.

Algo preto. Com detalhes vermelhos.

"Uma sombra…?"

Não. Era a mesma coisa que tinha tentado me matar há poucos momentos.

"…Impossível."

Estava numa projeção fantasmagórica. Nada disso deveria ser possível.

E mesmo assim… lá estava ela.

As garras que cravaram no meu pescoço… a mão preta e pegajosa…

Em pânico, liberei uma onda de aura violeta com toda a força… meu poder condensado em uma única explosão que instantaneamente obliterou a massa de escuridão que se agarrava a mim.

Ela evaporou num piscar de olhos, deixando-me estupefato onde eu estava.

Não por causa do que acabara de acontecer—

Mas porque eu a reconhecia. Conhecia aquele poder. Aquele lugar.

Aquela sombra.

"A Sombra do Rei…"

Não…

"Não pode ser…!"

Um poder daquele nível não poderia ser imitado por um humano.

Como um simples humano poderia replicar uma força que só um dos demônios mais poderosos existentes tinha?

Um poder que vinha direto dele.

Mal consegui pronunciar o nome dele… com medo de que fazê-lo pudesse desencadear algo impensável.

Eu queria tanto estar errado… mas a realidade era demasiado clara, e o que senti agora era demasiado real.

Com algo assim em jogo, eu não podia mais confiar apenas no conselho direto para lidar com o que vinha pela frente.

Aquela coisa… tinha acabado de anular uma habilidade de sistema bem na minha frente.

Eu precisava ter certeza.

Precisava confirmar a veracidade do que tinha acabado de ver.

Sem perceber, comecei a preparar outro Disparo de Futuro—meu segundo desde que tudo isso começou.

"Isso vai custar mais pontos de conquista…"

Mas não tinha outra alternativa agora.

"Mostre-me o futuro… daqui a dez dias."

Falei com o sistema, e, num instante, outros 1000 pontos de conquista foram consumidos.

O mundo ao meu redor mudou enquanto eu engolia em seco, me preparando para o que estava por vir.

Cheguei a questionar se aquilo que via contava como "futuro". Conhecia pouco de tempo e espaço… o futuro não era para ser incerto?

Seria aquilo que via realmente o futuro… ou apenas uma das muitas possibilidades?

Pensei profundamente… mesmo enquanto a cena começava a se formar.

Mais uma vez, eu voava bem acima do Castelo da Lua… ou do que restara dele.

Desta vez, o futuro não poupou misericórdia.

"Domínio Valerion…"

Uma província inteira reduzida a cinzas… uma carnificina sangrenta havia ocorrido lá dentro.

Entre os cadáveres, dentro das ruínas do Castelo da Lua…

Dois corpos mutilados jaziam em uma poça de sangue, membros dilacerados, feridas grotescas.

O primeiro era Oliver Khan.

E o segundo…

Era eu.

"…Estou morto?"

Nem consegui ficar surpreso.

Antes que pudesse pensar algo, um rugido gutural, desumano, rasgou o ar como um trovão.

Ao longe, vi uma figura monstruosa se erguer... a sombra ao seu redor rodopiando, travando combate contra um homem que descia do céu, empunhando uma colossal lança trovão.

Maekar lutava contra aquilo.

A batalha deles sacudiu os céus.

Uma onda de choque de poder avassalador me empurrou para trás, e… eu voltei ao presente.

Deitado na minha cama, paralisado, tentando assimilar o que acabara de presenciar.

"…Morreu. Sansa me matou."

Chega de conselho direto. Que se dane isso.

"Estou morto, sistema de merda…"

Era mesmo isso?

Tão simples assim?

"…Não."

Não foi suficiente.

Trevas turvaram minha visão enquanto pensamentos explodiam na minha cabeça.

Eu não podia morrer ainda.

Não assim.

Sem fazer algo.

Deixei-me cair na cadeira, olhando fixamente para o teto, um sorriso forçado se formando nos meus lábios.

"Aparentemente… realmente vou ter que te matar, Sansa."

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