
Capítulo 263
O Ponto de Vista do Vilão
Faltam 15 dias para o prazo da missão…
Frey Estrelaluz desmaiou inconsciente diante da princesa e de Oliver Khan.
Sem hesitar, Sansa correu para cuidar dele, fazendo o possível para parar o sangramento.
"Ele perdeu muito sangue… era realmente necessário tudo isso?" ela perguntou.
"Ele quebrou a lei. E pagou o preço."
Era necessário. Frey compreendia bem isso... e ficou claro para o Guardião mascarado durante o breve encontro deles.
Aquele confronto foi mais psicológico do que físico. Frey era capaz de muito mais, mas deixou Oliver feri-lo sem muita resistência.
Ao fazer isso, Frey transmitiu sua disposição em cooperar… em permanecer no lado do Grande Guardião. Se ele tivesse resistido de verdade, o confronto poderia ter desmoronado todo o castelo.
No fim, Oliver decidiu deixar Frey reencontrar a princesa... embora apenas sob sua vigilância.
Talvez, só talvez, isso pudesse ajudá-la a sair da escuridão crescente em que se encontrava.
Essa era a ideia na cabeça de Oliver enquanto carregava o corpo machucado de Frey até a porta da frente… exatamente onde o jovem tinha derrubado dois guardas de elite anteriormente.
O Domínio Espiritual de Oliver se estendia por todo Castelo da Lua. E, se fosse necessário, poderia expandi-lo ainda mais, à custa de um consumo enorme de aura.
Nada acontecia dentro do seu alcance sem que ele soubesse.
E, no entanto, ao invés de voltar ao seu posto habitual ao lado da princesa, Oliver seguiu para um destino diferente.
Mais rápido do que Madam A conseguir rastrear, ele se lançou em direção a um dos cantos mais sombrios da Província de Valerion.
No escuro sufocante, apenas o brilho grená fraco de seus olhos iluminava o caminho.
Ele parou, com o olhar fixo em um ponto no espaço.
"Mostre-se."
Sua voz, calma como sempre, carregava uma rara ponta de impaciência.
E, em resposta, uma figura emergiu da penumbra.
Um brilho de luz verde deslizou sobre a silhueta do homem, revelando-o aos poucos.
Alto, vestido com uma túnica preta, de capacete de aço, o homem olhou de volta para Oliver com olhos verdes pálidos penetrantes.
"Seus instintos continuam tão afiados quanto antes."
O tom mecânico na voz dele e a forma como disfarçou sua presença não deixaram dúvidas.
Era ele.
Nevo Umbra — o atual Mestre da Corte das Sombras.
"Parece que sua ferida cicatrizou bem."
Nevo tinha levado um golpe direto de Astaroth durante a tentativa fracassada do Império de invadir o Continente Ultramar. Isso o deixou fora de ação por um longo tempo… mas agora o assassino mais mortal do Império tinha retornado.
Nevo e Oliver. Ambos de natureza silenciosa, nenhum particularmente afim de cumprimentos tradicionais. O clima entre eles era tenso, pesado.
"O que você quer?"
"A princesa."
"Eu estou cuidando disso."
"Mesmo?"
Nevo deu uma volta lenta ao redor dele.
"Há sinais. Muitos sinais. E o que você fez a respeito deles?"
Oliver permaneceu em silêncio.
"Nada," Nevo respondeu por ele. "Você não fez nada. Deixou a emoção turvar seu julgamento, cego demais para agir até mesmo diante das maiores verdades."
A pressão entre eles aumentava. Dois seres de nível SS de Sabedoria reunidos em um só lugar não era algo que a terra pudesse suportar facilmente.
"Você veio aqui mesmo só para despejar besteiras moralistas?" Oliver perguntou, com a voz carregada de irritação.
"Vim te dizer isto: se você não der o golpe final, alguém vai fazer isso."
"Eu disse que estou cuidando disso. Você pretende interferir no contrato que fiz com Maekar?"
O nome caiu com peso.
Nevo hesitou por um breve momento... mas não vacilou.
"Não sei qual acordo você fez com o Imperador. Mas está na hora de você agir como você mesmo."
Ele se aproximou até que ambos ficassem de frente um para o outro.
"Aja como o assassino que treinamos para você ser."
As palavras de Nevo puxaram à tona memórias enterradas… memórias que Oliver há muito tempo tinha deixado de lado.
"Eu não sirvo mais a Corte das Sombras."
"Você não pode fugir para sempre."
"Ah, posso sim. E se a Corte quiser minha cabeça… que venha buscá-la."
Oliver passou ao lado dele, com a voz baixa e mortal.
"Se a Corte vier atrás de mim, sangue será derramado. Mas de quem… isso ainda não está decidido."
Nevo não disse nada. Ele não estava pronto… nem para desafiar aquele que já fora seu rival… e seu amigo.
"Ela é perigosa, Oliver", ele avisou, com uma voz mais baixa agora. "Abra os olhos… antes que seja tarde."
Um aviso final. Talvez até uma última misericórdia.
"Eu te avisei… eu estou cuidando disso."
"É melhor mesmo."
Com essas palavras, Nevo desapareceu completamente, deixando apenas um borrão de sua aura no ar.
Oliver não se virou para olhar. Simplesmente seguiu em silêncio.
Ninguém sabia o que passava por sua cabeça enquanto puxava de sua capa um pingente antigo… uma delicada corrente de prata com uma gema oval ao centro.
Ele abriu o pingente.
Dentro, uma foto cuidadosamente preservada. Uma mulher em seu auge, de cabelos dourados e olhos âmbar radiantes.
Ela se parecia exatamente com Sansa, quando ela ainda tinha vida. Só que mais velha. Mais refinada.
Era a mãe dela.
Oliver olhou para a imagem por um momento e, depois, fechou o medalhão com uma nova determinação.
Naquela noite, ele continuou o que sempre fazia… até o fim.
…
…
…
– Ponto de vista de Frey Estrelaluz –
Faltam 10 dias para o prazo da missão
Já se passaram cinco dias desde que comecei a visitar Sansa todas as manhãs.
Cinco dias conversando por horas, esperando que acontecesse algo—qualquer coisa—. Mas, até agora, a única coisa que consegui foram olhares hostis de Oliver Khan, que claramente se arrependeu de ter permitido minhas visitas diárias.
Ele deve não ter esperado esse resultado ao dar a permissão.
Continuava pensando que a obstáculo do conselho direto logo apareceria. Mas tudo correu… tranquilo.
Como se aquele futuro que eu vislumbrei nunca tivesse existido.
Sentado no meu quarto, ainda refletindo sobre a missão amaldiçoada que caiu sobre mim como uma forca.
Será que era isso mesmo? Só falar com a princesa por mais dez dias?
Toquei na madeira desgastada da minha mesa... Deus sabe quantas vezes a quebrei em estilhaços.
Era meia-noite, e eu não conseguia dormir, não importava o quanto tentasse.
Por mais que eu revivesse, o que vi naquela visão do futuro… era um demônio.
Uma entidade poderosa demais para ser humana.
Humano não deveria abrigar coisas assim… pelo menos, não ainda.
Existia um conceito, bem no futuro, de pessoas se tornarem vasos para demônios… mas isso não deveria acontecer tão cedo.
Se o que aconteceu com Sansa foi o mesmo caso—
Então a salvação dela era literalmente impossível.
E eu não podia fazer nada para impedir.
Me encontrei numa rua sem saída.
Totalmente impotente, sem nada a fazer além de esperar. Esperar… e esperar.
E esperar era uma coisa tão amaldiçoada.
Mas, mesmo com o pouco que sobrava, decidi usar tudo que tinha ao meu alcance.
Abri a interface do sistema e verifiquei as habilidades baseadas em afeto… especialmente aquela ligada à Perspectiva de Terceira Pessoa.
Felizmente, os pontos de afeição de Sansa já haviam alcançado 50, desbloqueando a versão mais avançada da habilidade.
Desta vez, eu queria ir mais longe… ver o que ela via.
Talvez isso me aproximasse da verdade.
Apertando uma respiração profunda, ativei a Perspectiva de Terceira Pessoa… me preparando para o que viesse a seguir.