
Capítulo 257
O Ponto de Vista do Vilão
— Ponto de vista de Frey Starlight —
Já passava da meia-noite.
A escuridão cobria a cidade, e a maioria das pessoas de bom senso já tinha ido dormir. Entre elas estava Adam Smasher, que tinha se deitado cedo após preparar um jantar de alta caloria, repleto de complementos — claramente pensado para manter aquela fisiqueira monstruosa que ele tinha.
Quanto a nós, mal conseguimos comer metade do que ele serviu.
Sentindo-se cheio até o limite, caminhamos com o restante do pessoal, explorando os andares superiores daquela torre enorme.
"Outra área residencial..."
Estávamos agora no 34º andar, que era uma réplica idêntica do 27º.
Até agora, esse arranha-céu tinha dezenas de andares residenciais com quartos estilo hotéis de luxo. Alguns pisos eram completamente equipados com campos de treino ou várias arenas de combate. De vez em quando, encontramos salas de jogos, ou até uma piscina gigante no topo.
O lugar todo parecia mais um resort de alto padrão do que uma casa.
"Rapaz… sua casa cabe dentro da Guilda do Dragão de Prata", sussurrou Dawn, segurando a cabeça incredulamente. Só um andar dessa construção poderia, provavelmente, superar a sua casa inteira.
"É impressionante, não vou negar. Como era de se esperar da Guilda do Dragão de Prata", comentou Ragna, que não parecia tão surpreso. Faz sentido, já que o pai dele lidera uma guilda tão influente quanto a família de Danzo.
"A vida dos ricos realmente é algo…"
No momento em que foi mencionado "rico", a maioria virou o rosto para mim.
"Falando em ricos, temos aqui o herdeiro direto da Casa Starlight. Só me pergunto como será a sua casa."
Ao relembrar a mansão em que fiquei por um tempo... ela tinha, sem dúvida, um padrão luxuoso... mas eu mal vivia lá. A Seita das Sombras e o Templo pareciam mais meu lar do que aquele lugar jamais conseguiu ser.
"Não crie expectativas. Minha casa é bem mais simples se comparada a isso."
Mesmo dizendo isso, parecia que eles não compraram a história.
"Mentira. A Casa Starlight faliu e a gente não ficou sabendo?", perguntou Danzo, enquanto eu apenas encolhia os ombros com um sorriso.
"Não sei. Sempre fui a criança rejeitada, então nunca tive as melhores coisas."
Quando falei isso, todos se juntaram ao meu redor, intrigados.
"O que foi?"
"Frey… já que mencionou, ouvi muitos boatos sobre você", disse Danzo, dando um passo à frente, agora sem segurar a curiosidade.
"Que tipo de boatos?"
"Coisas como… torturar empregadas", começou Danzo.
"Ou estuprar meninas menores de idade", completou Ragna.
"Ou que você estuprou uma mãe na frente do filho…" Até Dawn? Que tipo de boato podiam ser esses?"
Os únicos que ficaram quietos foram Snow e Ghost, apenas observando.
Eu-responsei com uma expressão de dúvida, questionando quão difamatória poderia ser minha fama.
"De onde diabos saem esses rumores malucos?"
"Não nos leve a mal, Frey. Sabemos que você não é um lixo de verdade, mas, como dizem… não há fumaça sem fogo", observou Dawn.
Ele não estava completamente errado, considerando que eu só tinha assumido esse corpo recentemente.
"Minha história não é tão emocionante quanto vocês pensam", respondi calmamente.
"Como não é! Você ainda não nos contou o que realmente aconteceu nas Terras do Pesadelo!", exclamou Danzo, empolgado.
"Ou a verdade por trás da sua força", acrescentou Ragna.
Enquanto eles continuavam mencionando feito após feito meu, percebi quanto realmente tinha conquistado em apenas dois anos.
Por fim, cedi à pressão deles e comecei a contar tudo sobre minha vida.
Sentado no topo da torre, parecia um velho cercado de garotos, contando uma história de fantasia… minha história. Uma história de sobrevivência.
E, para ser honesto… minha história provavelmente daria um ótimo filme. Um que eu mesmo adoraria assistir.
Levei quatro horas inteiras para compartilhar tudo. Claro que omiti detalhes sobre o sistema e sua mecânica, mas falei sobre a Seita das Sombras e os horrores que enfrentei.
No começo, disse tudo com indiferença. Mas conforme avançava, parecia que um peso pesado ia sendo lentamente levantado do meu peito.
Quando finalmente terminei, não houve aplausos… apenas um silêncio pesado e longo.
"É isso, pessoal. Sem continuação. Tenho pouco mais de dezoito anos. Voltem daqui a alguns anos, quem sabe eu tenha mais histórias."
br />Brinquei, e Snow foi o primeiro a rir.
"Essa foi uma história de arrepiar."
"Pois é… tenho até pena de ter chamado você de covarde", comentou Ragna.
"Eu também. Queria impressionar vocês com minha própria história, mas, em comparação à sua, a minha parece brincadeira de criança", acrescentou Dawn.
"Mas cadê a parte do estupro? Acho que você pulou umas partes importantes, Frey."
Danzo deu uma palmada nas minhas costas, tentando arrancar algo de mim.
Não que estivesse escondendo alguma coisa… é que eu realmente não sabia o que o Frey original tinha feito. As memórias que herdei eram incompletas.
"Já se passaram quatro horas, que mais você quer? Minha garganta tá seca demais."
"Isso é estranho..." murmurou Danzo, mesmo assim deixando pra lá.
Pensando bem… realmente tenho minha curiosidade se esse corpo ainda é virgem. Quem sabe o que o antigo Frey fez com ele?
"Falando em garotas… estamos cercados por beleza de todos os lados. Não posso deixar de imaginar se algum de vocês tem certos pensamentos, se é que me entendem."
Danzo riu de forma astuta, mas todos logo negaram com a cabeça.
"Vamos, não precisa agir assim. Vocês são gays? Ou será que alguém aqui gosta de meninos de verdade?"
Ele virou-se para Snow, que apenas balançou a cabeça.
"Todos nós nascemos com um instinto primal direcionado ao sexo oposto. Mas o ambiente em que vivemos impede que coloquemos isso em prática. Tem muita coisa em jogo."
Respostas padrão do herói predestinado. Muito bem, Snow.
Ele realmente se dedicou à sua missão, mas Danzo parecia insatisfeito com a resposta.
"Mentira. Você diz isso enquanto a Lara Croft tá grudada na sua traseira o tempo todo?"
"Isso é verdade. Ouvi que você recebe declarações de amor o tempo todo, de dentro e fora do templo!", acrescentou Ragna.
Com aquela expressão, o herói da Igreja certamente chamava atenção demais.
"Que tal isso… cada um de nós fala a garota que acha mais atraente no templo. Só pra vermos onde todo mundo está."
Falar sobre mulheres ia acabar acontecendo, independente do tempo ou do lugar.
"Vamos mesmo classificar as garotas como se fossem produtos numa prateleira?", perguntou Dawn.
"Qual o problema? Aposto que fazem o mesmo com a gente", respondeu Danzo.
"Tenho minhas dúvidas…"
"Enfim, vamos começar! Você primeiro, princesa."
Danzo foi direto para Snow.
Parecia que íamos fazer uma besteira às quatro da manhã.
Depois de algum tempo de pressão, Snow suspirou e deu sua resposta.
"Seris."
"O quê!?"
"Sério?"
Todo mundo ficou chocado.
Seris era uma escolha razoável, com certeza. Ela era bonita, mas talvez esperassem algo mais singular do menino dourado da Igreja.
"Mais normal do que eu imaginava…"
"Só respondi à sua pergunta", murmurou Snow, claramente sem interesse em continuar a conversa.
Provavelmente ele a escolheu ao acaso, já que ela é a mais conhecida. Ironicamente, na versão original que escrevi, ele acaba com ela…
Depois, os demais fizeram suas escolhas.
Dawn também escolheu Seris.
"A beleza dela é inegável, mas estou mais curioso para saber o que há por baixo daquela máscara gelada que ela usa o tempo todo."
Ragna escolheu Clana Starlight, surpreendentemente, dizendo que a achava atraente.
Danzo nos chocou ao escolher Selena — a feiticeira com quem sempre discutia.
Vale lembrar que Ghost desapareceu desde que acabei de contar minha história. Achei que ele tinha ido dormir, então não recebemos nenhuma palavra do assassino silencioso nesta noite.
Agora, todos olhavam pra mim.