
Capítulo 256
O Ponto de Vista do Vilão
Longe do centro de Belgrado, onde Frey se encontrava atualmente…
No templo silencioso, onde apenas lampiões iluminavam as ruas desertas após meia-noite…
Dentro do Dormitório de Elite, uma jovem criada caminhava silenciosamente pelos corredores onde os estudantes dormiam.
Ela abriu delicadamente uma das portas para verificar se a pessoa sob seus cuidados estava bem.
Mas a cama estava vazia.
"Minha senhora?"
Ela chamou, escaneando o cômodo.
O lugar estava escuro, então ela instinctivamente arriscou tocar na luz… mas nada aconteceu.
Parecia que uma concha de trevas havia engolido todas as fontes de luz.
"Minha senhora, onde você está?"
Ela perguntou novamente, formando uma lâmina de aura de vento na mão esquerda — escondida atrás das costas.
Com olhos atentos, ela observou ao redor, pronta para qualquer coisa.
Mas então, um riso arrepiante ecoou pelo cômodo.
O som não vinha de um só lugar. Era de todos os lados… ao mesmo tempo.
Não era a voz suave da princesa que ela costumava servir.
Era o riso de uma bruxa malvadosa.
Isso era o mais assustador... a forma como resonava de cada canto da escuridão ao redor dela. Como se dezenas de vozes estivessem rindo em uníssono.
A criada ficou tensa, completamente desconcertada pela situação perturbadora.
"Minha senhora… por favor… volte à razão."
A criada implorou pela senhora… e a resposta veio rapidamente, sussurrada bem ao lado de seu ouvido.
"Por quê?"
Cada fio de cabelo do corpo da criada se arrepia, enquanto a serva experiente lança um ataque na direção da voz, apenas para atravessar o ar vazio.
"Errado! Tente novamente!"
"Aqui!"
"Aqui~!"
Em sua crescente crise de pânico, a criada não percebeu o quanto a escuridão havia tomado o cômodo completamente. Todas as fontes de luz haviam sido apagadas.
Ela começou a sentir algo a rodeando, o som da voz da princesa ecoando de todas as direções. Não importava para onde ela se virasse, não conseguia encontrá-la.
Uma pressão sufocante apertava seu peito… medo e confusão a envolviam como correntes. O instinto a impulsionou a fugir, mas já era tarde demais. Ela já estava cercada.
Então, sem aviso, a princesa gritou:
"Acabou o tempo!"
Como um jogo que termina… ou uma rodada que chega ao fim.
A criada não encontrou a princesa… e agora era a vez da princesa encontrá-la.
Com um tom brincalhão, a voz de Sansa ecoou pela escuridão.
"Minha vez~"
Num instante, os olhos da criada se arregalaram. Algo tocou seu coração numa sensação anormal, rápida, quase inútil de entender.
Ela olhou para baixo… e não viu nada.
Mas ela sentiu.
Dezenas de tentáculos ásperos e pontiagudos surgiram do vazio e perfuraram seu corpo, seu sangue se misturando à sombra, formando uma massa sem forma, incolor, que se dissolveu na escuridão.
Ela morreu imediatamente, ainda de pé.
E a princesa? Estava de pé bem na sua frente o tempo todo… vestindo seu camisão de noite, um sorriso largo estampado no rosto.
Embora, naquela escuridão abissal, ninguém pudesse perceber.
Mas uma vítima não foi suficiente. Ela queria mais... precisava de mais. Felizmente, o Dormitório de Elite era cheio de pessoas com quem brincar.
Ela estava prestes a se mover… quando algo rasgou a escuridão e a lançou para trás.
Ele apareceu como um espectro.
Seus olhos rubros vasculharam o corpo sem vida da criada, depois se fixaram na princesa.
Não tinha como decifrar sua expressão por baixo daquela máscara — mas seus olhos diziam tudo.
Ele apertou suas adagas e amaldiçoou baixinho.
"Por que… por que justamente agora?"
Por que ela perdeu o controle… só quando ele não estava lá para impedir?
"Venha brincar comigo~"
Sansa riu, sua presença desaparecendo enquanto sua voz dançava entre as sombras.
Mas Oliver Khan permaneceu firme, olhos atentos a algo que se movia velozmente na escuridão.
"Volte à sua razão, Sansa… isso não é você."
Ele fez uma pausa, depois se corrigiu, ajustando sua postura.
"Na verdade… é melhor que você nem tente... Você ainda não está pronta para suportar o peso de tirar uma vida."
Mal tinha terminado de falar quando os mesmos tentáculos agudos de sombra avançaram em sua direção. Mas ele já havia desaparecido... sumindo só para reaparecer atrás da princesa.
Com um movimento limpo, tentou acabar com aquilo ali mesmo… mas as sombras endurecidas dela bloquearam completamente sua lâmina.
"…"
Ele atacou novamente. Assim como as sombras.
Sansa se movimentou como um demônio através de seu véu de negro, e eles se enfrentaram em rajadas de velocidade. Seus projéteis eram rápidos — mais rápidos que a maioria poderia reagir — mas nunca o tocavam.
E Oliver… não conseguiu romper sua defesa de ferro.
"Ela ficou mais forte…"
Analisou friamente a luta.
Embora não estivesse dando seu máximo, a verdade permanecia: Sansa tinha acabado de repelir um oponente de nível SS totalmente despertado.
Uma conquista impossível em condições normais.
Mas ela estava conseguindo agora.
Aquelas malditas tendas negras se aproximaram, acompanhadas por dezenas de espinhos retorcidos destinados a matá-lo, como fizeram com a criada.
Oliver cruzou suas adagas, seus olhos rubros brilhando.
Aura vibrava violentamente ao seu redor… e numa fração de segundo, ele se moveu mais rápido do que o olho podia acompanhar.
Seus braços dançaram como serpentes, tecendo dezenas de linhas azuis explosivas pelo ar.
Um golpe… mais rápido que o raio, rasgou a escuridão, atravessou o véu de sombra e arrancou a princesa aterrorizada de seu covil.
Sua daga deixou um preciso corte vermelho no peito dela, e ela desmaiou, inclinada nos braços dele.
Oliver rangeu os dentes, segurando o corpo inerte de Sansa perto… a mesma garota que ele acabara de ferir.
Com a escuridão desaparecendo, a luz retornou… revelando a destruição catastrófica deixada para trás.
As sombras de Sansa tinham envolvido tudo — silenciosas, sufocantes, absolutas.
Mas quando a luz voltou… a verdade veio à tona. O local estava destruído.
O ferimento que Oliver fez no peito de Sansa lentamente desapareceu, sumindo completamente sem nem deixar uma cicatriz.
Ele tinha tomado cuidado para não fazer uma ferida profunda demais.
Mas esse tipo de recuperação… instantânea, impecável, não era algo que um humano deveria conseguir.
E ainda assim, esse não era o verdadeiro problema.
A questão real… era que alguém havia morrido naquela noite.
"Você cruzou a linha, Oliver Khan."
Uma terceira voz ecoou das trevas, embora Oliver já tivesse sentido sua presença bem antes.
"Sei," respondeu simplesmente… ainda segurando Sansa nos braços.
Logo atrás dele, estava o líder do templo.
Ivar Valerion.
Ele tinha testemunhado tudo.
"Os poderes dela estão fora de controle," disse Ivar friamente.
A resposta de Oliver veio firme e imediato.
"Ainda é cedo para afirmar isso."
"Não é. Olhe abaixo dos seus pés, ao sangue."
Olhe para o corpo da criada que jaz na sua frente. Isso não basta?"
"…"
Seguiu-se um longo silêncio.
Então, Ivar suspirou.
"Você sabe o que precisa fazer."
Oliver permaneceu teimoso… como sempre, quando se tratava de Sansa.
Mas isso… não era uma decisão que ele pudesse tomar sozinho.
Ele concordou com a cabeça.
"Sei."
Seu olhar caiu para a garota inconsciente nos seus braços.
"Não há mais espaço para ela neste templo…"