
Capítulo 258
O Ponto de Vista do Vilão
-POV de Frey Starlight-
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"Isso é uma bobagem, pessoal. Não importa o que eu diga, não vai significar nada... Não estou apaixonado por nenhum deles."
“Para de fugir e fala logo,” empurrou Danzo.
Após um momento de reflexão, finalmente entreguei o que eles queriam. O que acontecesse, aconteceria.
“Se for sobre personalidade, a princesa é quem eu me sinto mais à vontade. Mas, se for sobre preferências pessoais de aparência e corpo... então eu escolheria Uriel Platini.”
A primeira tinha uma personalidade mais compatível com a minha. A segunda tinha o corpo maduro e equilibrado que superava todas.
“Uma resposta bem detalhada...”
“Mulheres mais velhas, hein? Frey, você realmente é algo…"
Uriel tinha cinco anos a mais que nós, então as reações dela eram naturais.
“Vocês que pediram uma resposta. Se vire com isso.”
“Bem no estilo do Frey. Nada nele é normal. Mas a Uriel? Tem bom gosto. Aquela postura dela com aquele busto é uma arma de perigo, hehehe...”
Depois de mais umas provocações sem-vergonha, todos acabaram desligando. Quando deu cinco horas da manhã, todos já estavam dormindo.
Deitado acordado, eu era o único sentado no topo da torre, observando o nascer do sol ao longe, completamente impossível de dormir.
“Essa maldita insônia…”
Meus pensamentos voltaram a tudo que aconteceu... e ao que me aguardava ao retornar ao templo.
Ainda tentava me adaptar a essa nova vida. Já tinha dado alguns passos importantes...
Mas não conseguia parar de pensar... para onde tudo aquilo levaria?
O excesso de raciocínio me manteve acordado. A insônia me corroía enquanto eu ficava sozinho, acolhendo os primeiros raios do sol matinal.
“O que te tira da cama tão tarde assim?”
Aparentemente, eu não era o único.
Snow apareceu atrás de mim, com as mãos nos bolsos.
“Você também não conseguiu dormir?”
“Pois é... dormir virou um desafio de uns tempos pra cá.”
Nos sentamos em silêncio, olhando para o horizonte. A altura da torre nos oferecia uma vista de tirar o fôlego da vasta capital, Belgrado.
“Então, o que está na sua cabeça?” perguntei.
“Muita coisa... principalmente a responsabilidade que tem recaído sobre mim ultimamente.”
Ser o herói do império... colocado no mesmo nível do primeiro imperador, Kazis Valerion... era um peso que só poucos poderiam entender.
“E você?”
Eu respondi com um sorriso leve.
“Seus problemas parecem pequenos perto dos meus... Digamos que estou tentando encontrar uma razão para continuar vivendo.”
Ele deu uma risada.
“Nunca imaginei que você fosse do tipo que sofre crise existencial.”
“Tenho só dezoito anos... sou só uma criança ainda. Mas já tive uma vida difícil,” respondi.
“Todos cometemos erros, mas você é um cara bom, Frey.”
“Hn... Acho que você nem me conhece direito, então.”
“Acho que conheço.”
Virei-me para Snow ao ouvir aquilo.
“Pode parecer estranho, mas sinto que te entendo. Senti isso desde a nossa luta na final da Victoriad.”
Fiquei sinceramente surpreso ao ouvir isso dele.
Não achava que ele tivesse sentido também... mesmo que de forma vaga a ideia de que éramos duas faces da mesma moeda... exceto que ele era a versão superior.
“Demos tudo de nós naquela batalha…”
Nossas espadas falaram mais que qualquer palavra. Depois de imitar Snow através da Shadow Adaptation, passei a enxergar o mundo pelos olhos dele.
E de alguma forma, ele viu através dos meus.
Sorri mais e abaixei a cabeça, olhando para o vasto espaço abaixo de nós.
“Foi uma boa luta… só que você não foi ao máximo.”
Disse calmamente, e os olhos dourados de Snow se arregalaram.
“Eu…”
“Não adianta negar. Você mesmo disse... já sabemos bastante um do outro.”
Ele ficou quieto por um momento, seu olhar mudou e ele assentiu lentamente.
“Não foi por querer segurar algo de propósito…”
“Sei disso.”
“Ainda não consigo controlar esse poder.”
“Você vai. Com o tempo.”
“Você é muito compreensivo.”
Snow riu, e eu também.
Já sabia da sua forma verdadeira... seu modo de Guerreiro Rei. Sua forma mais forte.
Era o auge do poder de Snow, e ele não usou contra mim nas finais.
Se tivesse, eu não teria conseguido vencê-lo... mas parece que ele tinha seus motivos para segurar as coisas. Então, não julguei.
Assim como ele não me julgou pelo sangue inocente que derramei naquele dia...
“Dúvido que a gente vá dormir tão cedo. Que tal brigarmos até cair de sono?” ele sugeriu.
“De jeito nenhum, isso é masoquista... mas beleza, quero ir na sua.”
Snow pulou para trás, e com um movimento de mão, convocou Vermithor, a espada sagrada.
Enquanto isso, Balerion se estendeu da minha mão, como se respondesse ao chamado.
“Esse lugar todo aqui é basicamente um campo de treino, então podemos se soltar um pouco. Só não vai passar do limite,” Snow falou enquanto alongava-se para aquecer.
“Relaxa. Não sou daqueles que destroem propriedade alheia.”
Uma aura violeta começou a envolver-me, enquanto levantava minha espada e a apontava para ele.
“Mas não se engane, Snow…”
Sorrindo, completei:
“Mesmo com esse poder escondido seu... você não vai me vencer.”
Snow deu uma risada ao ouvir isso.
“Acho que não sou o único que guarda segredo.”
Depois daquilo, nenhum dos dois falou mais nada.
O único som que ecoava do topo da Torre da Guilda do Dragão Prateado naquela manhã... era o clamor de espadas, aço e auras em surto.
No final, ambos caímos no chão frio e dormimos... ali mesmo, lado a lado... após horas de treino.
O sol tinha subido alto, e eram oito horas da manhã.
De um lado, um homem imponente — bem mais de dois metros de altura — observava em silêncio. Ele foi o primeiro a dormir e o primeiro a acordar: Adam Smasher.
Ele fez um sinal de aprovação ao testemunhar a intensidade do duelo.
O líder da Guilda do Dragão Prateado nunca imaginou que veria adolescentes, com pouco mais de dezoito anos, lutando no mesmo nível que um guerreiro experiente nessa idade.
“O filho de Abraham... e o herói desta era.”
Com essas palavras, Adam Smasher virou-se e desapareceu, deixando-nos inconscientes no chão de sua casa.
“Meu filho ainda tem um longo caminho pela frente... se é que algum dia ele quer se igualar a eles.”
Essa geração... pode ser a mais forte dos últimos três séculos.
…
…
…
O tempo passou.
No fim das contas, Snow e eu voltamos ao templo envoltos em sombras que ainda persistiam, tendo conseguido dormir pouco mais de duas horas antes de sermos despertados pelos outros.
“O que vocês dois estavam fazendo? Parecem mortos vivos.”
“…”
A noite de dança acabou tão rápido quanto começou... e, num piscar de olhos, estávamos de volta ao templo.
Tudo que eu queria era desabar na cama e dormir de verdade.
Mas até isso… tinha se tornado um luxo.
Pois a primeira coisa que me recebeu ao voltar... foi a notícia de que a princesa havia se retirado do templo.
Bati a mão na testa e resmunguei baixinho.
Fiquei um dia fora... e é isso que encontro ao voltar?
O alvo da minha missão tinha desaparecido... escapado pelos meus dedos enquanto eu não estava por perto.
“Droga…”
Mais um palavrão saiu de mim. Dessa vez, subestimei tudo.
Agora, tinha que alcançar a princesa... bem na cara do Maekar.
“Chega de besteira…"
Tudo que eu queria... eram umashoras de sono.