O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 248

O Ponto de Vista do Vilão

— Que negócio você tem aqui? —

O guarda era hostil. Mergo não demonstrou sinais de corresponder a essa hostilidade — ele preferia as palavras.

Mas Lawrence foi quem deu o primeiro passo.

Sem hesitar, ele partiu em direção ao homem de armadura, transformando seu braço em uma lança monstruosa, de carne de tom escarlate e negra.

Com um golpe selvagem, o braço de Lawrence perfurou o peito do guarda e rasgou suas costas.

Ele gritou como um louco enquanto tendões explodiam de seu braço, rompendo pelo corpo do cavaleiro e despedaçando-o em pedaços de carne dispersos.

Não que esses gritos do guarda pudessem ser ouvidos com clareza acima dos uivos frenéticos de Lawrence.

Quanto a Mergo, ele simplesmente puxou sua bebida habitual e ingeriu calmamente, esperando.

Alguns minutos depois, a porta do orfanato rangou ao se abrir... e saiu um único homem.

De dentro, Mergo viu as crianças olhando pelos janelões, com medo estampado nos olhos enquanto observavam aquele homem. A esperança delas reunia-se nele, como se fosse seu único salvador.

Um homem de cabelos longos e castanho-avermelhados. Sua postura ereta como uma lança. Usava o hábito de um padre, sua pele morena áspera escondida sob as vestes. Um monocle dourado de leitura pendia solto sobre seu olho direito carmesim.

Mergo o reconheceu. E também o conheciam os chamados responsáveis pelo orfanato.

— Mergo… —

A voz profunda do homem ecoou, seus olhos brilhantes fixos somente no velho bêbado.

Ele ignorou a besta feral que avançava de lado... Lawrence, que urrava de loucura.

O braço de Lawrence inchou-se numa monstruosidade grotesca ao cair com força terrível sobre o corpo do homem, liberando uma onda de choque violenta.

Sangue jorreu. O som de ossos quebrando e carne rasgando cortou o ar.

Lawrence rugiu de dor, cambaleando para trás enquanto olhava incredulamente para o braço destruído.

O que ele tinha atingido?

Era algum metal indestrutível?

Não... ele tinha atingido carne. O homem ainda permanecia de pé, ileso. Nem mesmo um arranhão.

Mesmo na névoa de sua loucura, Lawrence só conseguiu pensar em uma palavra:

— Duro!! —

Finalmente, o homem virou-se para o Imperiano, seus olhos vermelhos brilhando de forma ameaçadora — como se um inseto ousasse colidir com ele.

— Insolente. —

Uma única palavra em resposta a um grito que parecia sacudir os céus.

Lawrence avançou novamente, seu corpo transformando-se numa forma monstruosa enquanto tendões negros giravam violentamente ao seu redor, tentando esmagar o homem diante dele.

BUM. BUM. BUM.!

De repente, explosões soaram por quilômetros — como se alguém tivesse detonando uma série de bombas devastadoras.

O diretor do orfanato tinha se movido. Seu braço tinha atingido — como um lança-chamas… sem aura, sem luzes vistosas.

Apenas poder bruto e puro.

Em três socos rápidos, obliterou carne e osso, deixando Lawrence totalmente destruído no chão... seu corpo partido, boca e olhos arregalados de incredulidade.

O diretor levantou o punho para um golpe final… um que caiu como a foice de um ceifador para ceifar a alma do menino que se contorcia abaixo.

Mas o golpe nunca foi dado.

Foi impedido.

Bloqueado limpidamente por uma espada que apareceu do nada.

Mergo, segurando sua lâmina numa mão, desviou o impacto com precisão.

— Vejo que estás colhendo almas em teu sagrado terreno, Diretor do Orfanato… Smough. —

Ele pronunciou o nome do homem amaldiçoado em voz alta.

Smough respondeu com frieza.

— A única alma derramada aqui foi a sua própria discípula. —

O espaço ao redor deles começou a tremer enquanto Smough pressionava mais, mas nem essa força conseguia mover Mergo.

— Uma alma por uma alma… Você sabe como as coisas funcionam por aqui, Senhor Mergo. —

— Desculpe-me. Nunca me importei com as leis do Hollow. —

Eles trocaram olhares, suas auras crepitando e chocando como relâmpagos ao redor.

No próximo instante, Smough partiu para o ataque.

Mergo sorriu.

E com um movimento de sua Uchigatana, lançou uma onda que triturou completamente o orfanato em milhares de fragmentos... despedaçando Smough em tiras em menos de um segundo.

Ou assim pareceu.

No caos, Smough lentamente abaixou a mão. Mergo calmamente recolheu sua espada na bainha.

Então, deu uma risadinha suave.

— Boa escolha. —

Smough não disse nada. Ainda preso na visão... no que teria acontecido se o choque fosse real.

Nunca aconteceu de fato. A batalha foi toda na mente deles... um embate mental que mostrou a ambos o resultado inevitável. E Smough percebeu: lutar contra Mergo seria uma má ideia.

Ele cruzou as mãos atrás das costas e suspirou, com uma irritação contida.

— Que negócios você tem comigo? —

— Relaxa. Não vou estragar sua festa, ó querido Canibal… Sou apenas o mensageiro. —

— Uma mensagem? —

— A guerra está chegando. Arme-se. Esteja preparado. O Demônio reinara desta vez. —

— Outra guerra… —

Mergo sorriu.

— E não uma guerra qualquer... a final. —

— Depois disso, o Império e os Ultraleves não coexistirão mais. —

Um será apagado. Completamente.

Smough entendeu. Desta vez, participar não era opcional.

Um Demônio e um Semi-Demônio apareceram diante dele. Isso era o único aviso que precisava.

Sem dizer uma palavra, virou-se de volta para o orfanato.

— Saia. Você está assustando as crianças. —

— Ha! Que pai atencioso você é. —

— Ah, sim… Sou pai. E adivinha só... meu filho se perdeu… e foi bem longe de casa. —

Smough fez uma pausa por um momento antes de confirmar a Mergo:

— Servirei… como sempre servi. —

O Lorde dos Ultraleves acenou em concordância.

— Contarei com isso. —

Com um único passo, o velho Mergo desapareceu... levando o quebrado Lawrence com ele, deixando o diretor do orfanato, Smough, de pé, sozinho.

Smough colocou a mão sobre o rosto enquanto um som estranho ecoava ao seu redor…

Uma risada vazia e sinistra.

— O tempo está próximo… meu filho nascido das trevas. —

— É hora… de voltar para casa. —

Ele virou-se e entrou novamente no orfanato enquanto as portas da Orfanato de Yhosefka se fechavam atrás dele, até que o dia chegasse novamente quando outro garoto perdido precisasse de abrigo.

Em outro lugar na mesma terra… mas em outro lado da moeda…

O campo de treinamento do Templo estava destruído, marcado pela ferocidade do último duelo.

ofegante… ofegante…

Frey exalou pesado, deitado no chão com os braços abertos.

Em suas mãos… duas espadas negras em chamas.

Armas que brilhavam intensamente… mas seu corpo já não podia se mover.

Logo acima dele, uma mulher de cabelos vermelhos como fogo, com um sorriso radiante estampado na face.

Seu sopro também estava irregular enquanto ela apoiava com cuidado sua colossal machadona de argila contra o pescoço de Frey.

— Você perdeu. —

— Não precisa dizer… eu já sei. —

Os dois falaram com calma, ignorando as manchas de sangue e as cicatrizes profundas de espada gravadas no chão ao redor.

Melina estendeu a mão para Frey, que se levantou com dificuldade, forçando um sorriso torto.

— Ultimamente, tenho sido muito recebido por mulheres…

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