
Capítulo 143
O Ponto de Vista do Vilão
'Ainda bem que cheguei a tempo...'
Com duas adagas flamejantes em mãos, Oliver Khan avançava, passo a passo.
'Se eu tivesse chegado um segundo sequer atrasado, aquele rato irritante teria escapado.'
Suas palavras eram dirigidas diretamente à Madame A.
Ela recuou um passo, forçando um sorriso de escárnio.
'Chamar uma dama como eu de rato... que rude.'
'...'
Um silêncio repentino caiu sobre o campo de batalha.
Oliver Khan não era de muitas palavras. Suas ações falavam por ele — esta batalha já havia começado.
Madame A soube disso no momento em que o próprio tempo pareceu congelar.
O Lorde mais rápido dos Ultras tinha feito sua jogada.
'Esta não é uma luta que posso me dar ao luxo de enfrentar...'
Esse único pensamento ecoou em sua mente.
Não apenas Oliver Khan era a segunda maior autoridade dentro do Palácio Imperial, mas outra força aterradora estava se aproximando.
Ficar significava suicídio.
Em meros instantes, ela reavaliou suas prioridades.
Primeiro — o objeto que ela havia recuperado antes. Era mais valioso que sua própria vida. Assegurá-lo era primordial.
Segundo — o Lorde da Casa Luar. Ela nunca gostou dele, mas sua força era inegável. Ele estava em pé de igualdade com os outros Lordes. Deixá-lo para trás não era uma opção.
No mínimo, ela tinha que escapar com um dos dois.
Todos ao seu redor permaneceram congelados — exceto ela.
Utilizando sua velocidade irreal, ela se moveu.
Ela estava prestes a agarrar Baylor quando...
Seus olhos carmesins se arregalaram.
Aquele homem mascarado já havia aparecido diante dela.
'Você só pode estar brincando comigo...!'
Oliver Khan estava igualando sua velocidade.
— Corte!
Suas adagas golpearam com precisão aterrorizante, como serpentes gêmeas investindo para matar.
Madame A mal conseguiu desviá-las com suas garras antes de saltar para trás.
Ela pensou ter ganhado alguma distância.
Mas Oliver já estava sobre ela — sua adaga pressionando contra sua garganta.
'Sem chance.'
Veias saltaram ao longo de seus braços enquanto sua aura de nível SS explodia. Seus pés se cravaram no chão, impulsionando sua velocidade ao seu limite absoluto.
E Oliver fez o mesmo.
Da perspectiva de um observador externo, o campo de batalha não seria nada além de borrões — figuras espectrais se chocando em velocidades impossíveis, cada colisão enviando ondas de aura devastadoras pelo ar.
O choque de metal. O estalo nauseante de ossos quebrando.
Então —
Tudo parou.
Uma explosão ensurdecedora rasgou o campo de batalha.
Ninguém sabia exatamente o que havia acontecido, mas quando a poeira baixou —
Oliver Khan estava de pé no centro da destruição, completamente ileso. Seu corpo pulsava com aura bruta e implacável.
Do outro lado —
Madame A emergiu dos escombros, seu corpo marcado com dezenas de ferimentos. Um corte era tão profundo que expôs o osso sob sua pele.
Uma visão horripilante.
No entanto, através do sangue, ela sorriu.
'Fazer isso com o rosto de uma dama deslumbrante como eu... Oliver Khan, você é simplesmente horrível.'
Suas feridas começaram a se regenerar, mas ela sabia — melhor do que ninguém —
O que tinha acabado de acontecer era aterrador.
Oliver Khan a havia superado.
Na única coisa de que ela se orgulhava.
Ele era mais rápido que ela.
'Como esperado do segundo em comando...'
Dentro do Palácio Imperial, não havia ninguém acima dele — exceto o próprio Imperador.
Não havia volta.
'Estilo Demônio da Aurora: Garras da Virgem.'
Os olhos de Oliver se estreitaram ao observar sua transformação.
Suas garras se estenderam por mais de três metros, pingando com ácido negro que crepitava ao tocar o chão.
'Contrato demoníaco...'
Madame A estava prestes a apostar tudo.
Oliver ergueu suas adagas, totalmente impassível.
'Venha.'
Seu sorriso se aprofundou. Ela atacou —
E então —
— BOOOOOM!
Do nada —
Um raio rasgou o campo de batalha, dividindo o próprio céu.
Madame A soltou um grito de gelar o sangue enquanto a energia bruta a consumia, eletricidade queimando sua carne.
Oliver Khan ergueu o olhar para o céu, em direção à fonte do ataque.
O raio desapareceu após meros segundos.
Mas este era apenas o começo.
Assim como o primeiro, o segundo e o terceiro se seguiram...
Depois o quarto...
Um total de sete raios caíram, incinerando Madame A, que profundamente se arrependeu de ter virado as costas por um instante sequer.
Aquela pessoa estava esperando.
Esperando o momento preciso em que Madame A se concentrasse em Oliver Khan para lançar seu ataque.
Um golpe traiçoeiro.
Um golpe devastador que a deixou completamente queimada.
Lá no alto, um homem pairava no céu, olhando para baixo como se fosse um rei examinando seus súditos.
Vestido com uma capa preta régia, raios crepitavam incessantemente ao seu redor.
Seus olhos dourados penetrantes e cabelo dourado penteado para trás o tornavam instantaneamente reconhecível.
'Você está mais lento que o normal, Oliver.'
O homem falou com um sorriso confiante, ao qual Oliver apenas balançou a cabeça.
'Grandes palavras para alguém que acabou de chegar... Lorde Ivar.'
Lorde Ivar Valerion — o irmão mais novo do Imperador Maekar Valerion e a terceira figura mais poderosa no Palácio Imperial.
Um homem no nível SS.
De longe, guerreiros Despertos de nível S e S+ começaram a emergir um após o outro.
Eles eram os lutadores mais fortes da Casa Luar.
Após o caos que havia entrado em erupção antes — a morte de Heisenberg —
Mais da metade da outrora orgulhosa Mansão Luar havia sido reduzida a escombros.
Madame A havia arriscado tudo para causar essa perturbação e, agora, estava pagando o preço.
Notícias do incidente haviam chegado ao próprio Palácio Imperial.
E os primeiros a responder à crise — onde até mesmo um Lorde Ultras havia feito uma aparição — foram o irmão do Imperador e o Grande Guardião, Oliver Khan.
Madame A e Baylor estavam em uma situação terrível.
Lutando para se levantar, Madame A se forçou a ficar de pé, examinando sua pele carbonizada com um olhar afiado.
Suas chances de sobreviver a isso sozinha...
Zero.
Uma risada seca escapou de seus lábios enquanto ela murmurava,
'Velho... eu realmente vou morrer aqui.'
'...'
— Corte!
Uma adaga cortou o ar, errando sua cabeça por meros milímetros.
Ela mal conseguiu se esquivar.
Oliver Khan era implacável, seguindo cada movimento dela.
Após uma série de trocas rápidas —
Sua adaga encontrou seu alvo, mergulhando fundo em seu estômago.
Sangue jorrou da ferida.
'Droga! Responda, velho!'
Ela cambaleou para trás, mas antes que pudesse recuperar o fôlego —
Múltiplas flechas de raio choveram sobre sua posição, aumentando seus ferimentos já críticos.
Ivar Valerion estava explorando sua distração, desferindo golpe após golpe.
'Responda!'
Rangendo os dentes, ela lutou contra a dor, tentando desesperadamente alcançar alguém.
Finalmente —
'O que você quer?'
Uma resposta.
'Eu estou prestes a morrer aqui!'
'E daí?'
'Faça alguma coisa, seu bastardo!'
'...'
À beira da morte — presa entre duas forças monstruosas —
Em algum lugar, longe do Império, nas profundezas de uma fortaleza envolta em sombras...
Um velho estava sentado na escuridão.
Suas vestes desalinhadas estavam em completa desordem e seu longo cabelo preto cobria a maior parte de seu rosto.
Com a mão direita, ele embalava uma espada.
Com a esquerda, segurava uma garrafa de vinho, bebendo calmamente, saboreando cada gota.
A voz irritante daquela mulher ecoava em sua mente, repetidamente, irritando sua paciência.
Por um breve momento, ele considerou cortar a conexão completamente.
Mas então —
Uma voz sombria encheu o vasto salão.
'O que você está planejando fazer... velho?'
'Hmm?'
O velho virou o olhar em direção ao orador — uma figura bem vestida em um elegante terno preto.
Ao contrário dele, este homem era arrumado, composto e impecavelmente refinado.
'Lindman... você quer salvá-la?'
O homem de terno — Gavid Lindman — manteve sua paciência enquanto respondia:
'Não podemos nos dar ao luxo de perdê-la.'
O velho tomou outro gole de sua bebida.
'Vidas humanas têm limites, caro Lindman. Se ela está destinada a morrer hoje... então que assim seja. Ah, merda, meu vinho acabou.'
Suprimindo sua irritação — restringindo o desejo de desembainhar sua lâmina etérea contra este velho indiferente — Lindman respondeu:
'Eu estou mandando você fazer alguma coisa... para impedir que esse destino aconteça.'