O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 142

O Ponto de Vista do Vilão

As emoções humanas podem ser difíceis de entender às vezes.

O ápice que Baylor um dia viu em seu irmão mais velho, Drogo... Frost tinha visto em seu pai.

Mas, ao contrário de Baylor — que descartou seu ápice da maneira mais brutal —, Frost o admirava.

Ver a figura que ele tanto reverenciava sendo profanada assim... Era insuportável.

Frost era podre até a medula. Mas, ao contrário de seu pai... ele nunca havia abandonado seus princípios.

Ele realmente estava prestes a matá-lo.

— Desculpe, gatão, mas não posso deixar você fazer isso ❣️

Como um fantasma, Madame A apareceu diante de Frost. E tão rápido quanto, ela desferiu um chute rápido como um raio que o mandou voando. Sangue jorrou de sua boca no ar.

— Não o matem!

Baylor gritou no momento em que viu seu filho cair violentamente no chão.

Frost tossiu, lutando para se recompor.

Apenas um chute... mas parecia que metade de seus ossos havia se estilhaçado. Isso era insano.

Madame A se virou para Baylor, que estava deitado atrás dela.

— Olha só... Lorde Luar. Você está parecendo bem patético ~

Ela estava completamente à vontade. A uma curta distância, Carmen estava gravemente ferida e, embora Rem estivesse em melhor forma, ela não estava em condições de fazer um movimento decisivo.

Com sua pura velocidade, Madame A era a pior inimiga possível para enfrentar agora. Mesmo com suas forças recuperadas, nem Carmen nem Rem poderiam desferir um golpe final em seu estado atual.

A situação estava longe de ser favorável.

Enquanto Madame A olhava entre pai e filho, ela riu.

— Sua família é realmente uma bagunça, Baylor. Hehe... E eu que pensava que a minha era a mais fudida.

O rosto de Baylor escureceu com suas palavras.

— Madame A...

Respirando fundo, ele perguntou com paciência forçada:

— Não ouvi nada do Soberano. O que exatamente você está fazendo aqui?

— Hmmm...

Ela cantarolou brincando, sua mão se movendo em alta velocidade para desviar dos ataques surpresa de Rem.

— Já que Astaroth não te contou, isso não significa que... você não é tão importante assim, querido Baylor? ~

— Sua—!

— Oh, não fique todo irritado agora.

Naquele momento, algo em sua mão esquerda brilhou — uma pequena chave branca irradiando uma aura estranha.

— Eu vim por isso.

Era uma chave simples. No entanto, no momento em que Baylor colocou os olhos nela, sua expressão mudou completamente.

— A Chave do Selo... Como...? Onde você conseguiu isso?!

— Oh? Querendo saber como descobri sobre isso? Hehe~ Você realmente ama seus joguinhos, Lorde Luar... Escondendo algo assim enquanto o mantém tão perto de você o tempo todo. Mas, infelizmente...

— Eu—

— Shhhh~

Ela colocou um dedo sobre os lábios.

— De agora em diante, você ficará em silêncio. O simples fato de você ter escondido isso já é motivo suficiente para eu esmagar seu crânio agora mesmo... Mas isso seria chato. Eu vou lidar com eles primeiro, depois volto para você. Afinal, duvido que Astaroth ficasse satisfeito se eu deixasse você morrer, não acha? ❣️

— ...

Baylor não disse nada.

Enquanto isso, aquela estranha substância ácida estava agora atormentando Frost — tornando-o incapaz de representar qualquer ameaça.

Madame A mudou sua atenção para Carmen e Rem.

Seus olhos carmesins brilharam enquanto seu sorriso se alargava.

— Hora de colher mais sangue ❣️

Em um único instante, todos sentiram a pressão no ar mudar quando Madame A liberou seu verdadeiro poder.

A primeira a sentir foi Rem, graças aos seus sentidos aguçados — explicando por que ela imediatamente gritou:

— Carmen Starlight! Venha para cá agora!

Felizmente, Carmen teve reflexos rápidos e correu para o lado de Rem sem hesitação.

Enquanto isso, uma aura escura se reuniu ao redor de Madame A.

— Estilo do Demônio da Aurora: Domínio do Coração ❣️

Com um único movimento, o chão gelado da biblioteca se transformou em algo totalmente diferente.

Uma sensação de queimação se espalhou pelos pés de Carmen e Rem.

— Por baixo?!

— Adeus ❣️

De baixo deles, uma substância preta irrompeu, subindo alto no ar como uma coluna colossal que engoliu Carmen e Rem por inteiro.

Um mero traço daquele ácido negro já havia deixado Carmen e Heisenberg incapazes de removê-lo — sua natureza corrosiva havia afetado até mesmo seus corpos de Rank SS.

E agora, elas estavam submersas em um mar inteiro dele.

De dentro da coluna massiva, uma explosão caótica de gelo irrompeu para fora, aterrissando longe da cena.

Momentos depois, Carmen desabou no chão em um estado horrível — metade de seu corpo foi corroída, seus ossos expostos projetando-se grotescamente. Metade de seu rosto não passava de carne crua e chamuscada. Ela só estava viva por causa da intervenção de Rem.

Rem se saiu melhor, mas ela estava longe de estar ilesa.

Emergindo do mar ácido, Madame A usava um sorriso delicioso.

— Oh? Você sobreviveu? Ah, que maravilha ❣️

Rem estava em conflito.

Ela tinha dados sobre essa habilidade, mas enfrentá-la na realidade era algo totalmente diferente.

Havia seis propriedades elementais no total — cada uma com uma variação avançada:

Fogo e sua propriedade superior, Relâmpago.

Água e sua propriedade superior, Gelo.

Vento e sua propriedade superior, Som.

Terra e sua propriedade superior, Gravidade.

Luz e sua propriedade superior, Estrela.

Escuridão e sua propriedade superior, Sombra.

Esses deveriam ser os limites das afinidades elementais.

No entanto, durante a última guerra contra os Ultras, uma propriedade totalmente nova havia sido documentada — empunhada pelo inimigo.

Madame A era a prova viva disso... assim como aquele ácido negro.

Rem teorizou que era algum híbrido bizarro de Água e Terra, mas estava além da compreensão.

E pior... era terrivelmente poderoso.

A situação era claramente terrível.


À distância — após a interferência inesperada de Madame A —, Ada Starlight carregava o corpo inconsciente de Frey em direção a Ghost.

Ghost tinha acabado de retornar depois de ajudar Carmen a passar por Baylor mais cedo.

A condição de Frey era horripilante — não havia um único ponto ileso em seu corpo. Apesar de Ada usar todas as poções de cura à sua disposição, nenhuma teve qualquer efeito. Essa constatação enviou arrepios pela espinha dela.

Infelizmente, após um mês de tratamento químico excessivo, o corpo de Frey desenvolveu resistência. A cura não funcionava mais nele.

Desesperada, Ada correu para encontrar uma maneira de salvá-lo.

No momento em que ela alcançou Ghost, ele já os estava envolvendo em sua sombra.

— Ghost Umbra... Você disse que poderia sair deste lugar quando quisesse. Então, pegue-o — pegue-o e fuja o mais longe que puder.

Deixando Frey em seus braços, ela deu um passo para trás.

Ghost hesitou antes de acenar relutantemente. Ele não se importava particularmente, mas ainda perguntou:

— E você?

Ada agarrou algo estranho em suas mãos, sua determinação se fortalecendo.

— Eu farei o que for preciso.

Ghost não entendeu o que ela quis dizer — nem reconheceu o objeto peculiar que ela segurava.

A aura que emanava dele não era nada tranquilizadora.

Mas ele não insistiu mais. Salvar Frey e escapar eram as únicas prioridades agora.

— Boa sorte.

Ghost imediatamente expandiu sua sombra, tentando abrir uma fenda no campo.

Enquanto isso, Ada respirou fundo, seu olhar fixo no sigilo brilhante em suas mãos.

Ela se lembrou de seu encontro fatídico com aquela figura misteriosa... há mais de um mês.

Naquele dia, ela testemunhou um futuro aterrorizante — um que parecia quase irreal na época. De alguma forma, ele a fez ver um futuro onde Frey havia morrido, e tudo ao seu redor havia sido destruído.

A visão era tão detalhada, tão vívida, que ela acreditou instintivamente. E essa crença a levou a tentar mudá-la — por qualquer meio necessário.

Antes que aquele homem — não, aquela coisa — desaparecesse, ele deixou este objeto com ela.

— O que é isso?

Foi o que Ada havia perguntado naquela época.

E a resposta que ela recebeu daquela entidade velada com olhos azuis brilhantes...

— Seu último recurso... Se tudo mais falhar. Mas não o use a menos que esteja preparada para trocar sua vida por ele.

Ela não tinha ideia do que aconteceria.

Mas, dada a situação atual... ela pode não ter escolha a não ser correr o risco.

Essa foi a conclusão que Ada alcançou.

Madame A, que estava se divertindo imensamente.

Ada, que estava à beira de arriscar tudo.

Todos os presentes estavam perdidos em seus próprios pensamentos.

Entre eles, a expressão de Rem mudou mais.

Graças aos seus sentidos, que se estendiam ao próprio tecido do espaço, ela o reconheceu.

Aquele poder...

Imediatamente, Rem juntou as mãos, fazendo com que o próprio ar ao redor deles tremesse violentamente.

Todos sentiram que algo estava errado — incluindo Madame A.

— Ora, ora... O que aquela bonequinha está tentando fazer?

Rem forçou um sorriso tenso.

— Destruir este lugar.

No exato momento em que essas palavras deixaram seus lábios, o domínio começou a entrar em colapso completamente.

— Nós saímos.

Diante de seus próprios olhos, a lendária Biblioteca de Semíramis estava desmoronando — desaparecendo após incontáveis anos e revelando tudo o que havia escondido.

Agora, todos se encontraram de pé dentro das ruínas do palácio da Casa Luar, cercados por caos, gritos e devastação.

— Por quê?

Essa era a pergunta que a maioria deles tinha.

A resposta veio na forma de uma pressão esmagadora caindo de longe.

Madame A era a mais forte entre eles — então ela sentiu antes de qualquer outra pessoa.

— Um... Não.

Um sorriso sinistro surgiu em seu rosto.

— Dois indivíduos de Rank SS?

No momento em que ela terminou de falar, um feixe devastador de energia atingiu o chão na frente dela.

De dentro das consequências, um único homem emergiu — exalando uma intenção assassina esmagadora.

— Isso é ruim~

Longos cabelos prateados. Um corpo esculpido à perfeição. Uma adaga aterrorizante empunhada em cada mão.

E aqueles olhos carmesins penetrantes, observando tudo por trás de uma máscara que ocultava seu rosto.

O Guardião Supremo, o mais forte da Guarda Real...

Oliver Khan havia chegado.

Sua voz grave ecoou como um trovão.

— Um Lorde dos Ultras... neste lugar.

Os músculos nos braços de Oliver se tensionaram enquanto sua aura se inflamava.

— Ainda bem que cheguei a tempo.

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