O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 144

O Ponto de Vista do Vilão

Entre todos os presentes, aquele velho senil — apesar de sua aparência — era o mais proficiente em manipulação espacial graças às suas habilidades.

Teletransportar Madam A de sua localização seria algo sem esforço para ele.

E, no entanto, ele balançou a cabeça.

— Desculpe, não posso trazê-la para cá. Há muitos Despertos poderosos ao redor dela. No momento em que eu tentar, eles me sentirão e cortarão a conexão imediatamente.

Teletransportar alguém no espaço era mais simples do que parecia.

Era meramente o ato de ligar dois pontos e preencher a lacuna entre eles.

Para fazer isso, ele precisava enviar sua aura para a localização do alvo.

Mas com pessoas como Oliver Khan lá… seu sinal seria interceptado instantaneamente.

Teletransportá-la não era uma opção.

— Hmm.

De repente, Lindman e o velho paralisaram ao som de um zumbido baixo.

Aquele som… não era humano.

— Por que… vocês, humanos, sempre correm em direção à morte?

— …

— Sua fraqueza é a razão pela qual a Suprema Soberania ignorou este lugar por tanto tempo. Criaturas repugnantes… frágeis e fracas. Por que fui escolhido para macular um lugar como este?

Claramente, aquele ser estava falando sozinho, então ninguém se preocupou em responder.

Lindman, em particular, estava irritado, mas sabia que não podia fazer nada contra tal criatura.

Quanto ao velho… sua maior preocupação no momento era que sua bebida tinha acabado de terminar.

A entidade continuou murmurando para si mesma, embora não por muito tempo.

— Uma peça como esta não pode ser perdida… Não, não deve ser perdida…

Ele havia tomado sua decisão.

— Mergo… Lorde da Colmeia Sombria.

No momento em que seu nome foi dito, o velho obedeceu.

— Como você ordena.

— Salve-a.

Uma ordem direta, inegável.

Com um leve sorriso, o velho, Mergo, coçou a cabeça.

— Bem… Sobre isso…

— Você não pode?

— Eu nunca disse isso.

Mergo suspirou antes de continuar.

— Eu não vou poder trazê-la para cá… mas, em vez disso, posso fazer o oposto.

Suas palavras foram claras.

— Eu posso enviar uma pessoa para apoiá-la. E só para deixar claro, eu não serei quem vai. Já que eu serei quem facilitará a transferência.

Uma mentira.

Quem em sã consciência se voluntariaria para uma tarefa tão árdua?

O velho era astuto.

— Então… precisamos de alguém para ir e…

— Eu vou.

Uma quarta voz falou desta vez.

Uma voz profunda e ressonante.

Acompanhada pelo forte estrondo de placas de armadura se movendo.

A figura estava sentada silenciosamente no canto o tempo todo, mas ao mencionar uma batalha…

Ele se mexeu.

Levantando-se em toda a sua altura — elevando-se a mais de quatro metros —, ele olhou para todos eles.

Seu corpo imponente, vestido com armadura preto-ouro, era a prova de sua força esmagadora.

Ninguém se opôs.

Como alguém poderia impedir uma besta faminta de ir à caça?


Enquanto isso, dentro da Mansão Luar, o céu acima brilhou repentinamente.

— Hmm?

O primeiro a notar foi o irmão do Imperador — Ivar.

Aquela luz…

Estava crescendo.

— Eu vou deixar você cair bem em cima deles.

A luz envolveu o colossal guerreiro completamente.

— Lembre-se… você não está indo lá para lutar. Seu trabalho é me dar tempo para que eu possa trazer todos de volta.

— …

Mergo não recebeu resposta.

Ele sabia que suas palavras não tinham sentido, então suspirou e continuou seu trabalho.

— Apenas faça o que você faz de melhor, Lorde Godfrey.

Acima da Mansão Luar…

O céu escurecido testemunhou o nascimento de uma estrela.

Todos os olhos se voltaram para cima.

Descendo dos céus…

Envolvido em chamas.

— Um meteoro?

Esse foi o único pensamento que aqueles abaixo puderam reunir.

Aquela figura monstruosa caiu sobre eles como um cometa flamejante.

— Merda.

Ivar mal conseguiu escapar do impacto, enquanto Oliver Khan recuou rapidamente.

No momento em que a figura tocou o chão, uma explosão irrompeu, sacudindo toda Winterfell.

Ele aterrissou diretamente na frente de Madam A.

Oliver Khan era o mais próximo — tornando-o o primeiro a enfrentá-lo de frente.

Um corpo com mais de quatro metros de altura.

Totalmente blindado, com longos cabelos brancos caindo atrás de um capacete em forma de caveira.

A parte mais estranha sobre ele… eram os chifres pretos que se projetavam de sua cabeça.

Eles não estavam ali apenas para enfeitar.

Oliver Khan não o reconheceu.

— Você…

O Guardião Real deu passos lentos e deliberados para frente.

A figura monstruosa diante dele empunhava duas adagas colossais — tão grandes que pareciam quase absurdas.

— O que você é?

Oliver Khan conhecia todos os quatro Lordes dos Ultras. E este certamente não estava entre eles.

No entanto, a terrível verdade era clara — ele era, sem dúvida, mais forte que Madam A.

Naquele momento, o guerreiro altíssimo soltou um grito de batalha tão ensurdecedor que até Oliver Khan teve que cobrir os ouvidos.

— Grave meu nome — Godfrey!

Raios explodiram acima dele enquanto ele afiava suas adagas, a gravidade distorcendo o chão sob seus pés.

— Lorde dos Ultras — e aquele que vai te matar!

Como um gigante implacável, Godfrey avançou com uma velocidade que desafiava seu tamanho maciço.

— Cuidado, Oliver!

Suas adagas atingiram o chão onde Oliver estava, liberando raios e força gravitacional esmagadora.

Outro terremoto sacudiu o campo de batalha.

Mas ele não acertou nada.

— Quem você disse…

Acima de Godfrey, Oliver se materializou — seu corpo brilhando com aura branca pura.

— Que você ia matar, bastardo?

Oliver brilhou intensamente, iluminando a escuridão da noite.

Ele sabia agora — este oponente não era brincadeira.

Então ele respondeu imediatamente, liberando toda a sua força.

Enquanto isso, Godfrey apenas sorriu.

— Venha para cima de mim!

E com isso, uma batalha irrompeu — uma que ninguém que a testemunhou e sobreviveu jamais esqueceria.

...

...

...

-Pov de Frey Starlight-

Em meio à escuridão…

Silêncio sem fim.

Nada.

Eu não conseguia sentir nada.

Eu não conseguia ver ou ouvir nada.

— O que aconteceu?

Eu morri ali?

Dentro da Mansão Luar — o lugar que sempre me quis morta?

Este foi o fim da minha luta desesperada?

Um ano de sofrimento, vagando sem rumo…

Presa em um corpo que todos desejavam morto, suportando todas as formas de tormento físico e mental…

Acabou tudo agora?

Isso não tem graça.

Foi injusto.

Patético, até.

— É realmente… o fim?

De repente, ouvi uma voz fraca perto do meu ouvido.

Estava distorcida, quase incompreensível.

Quando eu a segui… vi a figura fantasmagórica de alguém me encarando de dentro da escuridão.

— Quem… é você?

— Ainda não é hora.

De repente, vi luz.

— Retorne… para onde você pertence.

Em um instante, a figura fantasmagórica desapareceu completamente…

E a luz me consumiu.

Momentos depois, abri meus olhos…

Apenas para encontrar algo familiar caindo sobre mim.

— Hã?

Eu mal consegui levantar a metade superior do meu corpo.

Bandagens estavam enroladas por todo o meu corpo.

A cena ao meu redor… era familiar.

Uma cama enorme — ou melhor, uma cama do tamanho de um estádio?

Eu estava de volta.

— Para onde tudo começou…

O quarto de Frey.

Eu estava dentro do Território Starlight.

Ao meu lado, vi alguém familiar.

— Ada…

Ela estava dormindo ao meu lado.

— Ei…

— Mmm.

— Acorde.

Levou apenas alguns segundos para Ada despertar completamente.

Vendo o quão desgrenhada ela estava, fiz o possível para sorrir.

— Bom dia.

— Frey! Você finalmente acordou!

Inesperadamente, minha irmã entrou em pânico total.

Não que eu não estivesse esperando por isso.

Ela começou a me examinar freneticamente, como se estivesse olhando para um fantasma.

A reação dela foi… um pouco exagerada.

— Quanto tempo eu fiquei fora?

Por alguma razão, eu realmente queria saber a resposta.

Vendo o quanto Ada estava lutando para responder, percebi — eu devo ter estado à beira desta vez.

Ela abaixou a cabeça, apertando minhas duas mãos com força.

— Eu pensei que você nunca mais acordaria… Eu não sabia o que fazer…

— …

— Eu pensei que tinha força suficiente para te salvar… mas eu só te fiz sofrer em vez disso. Me desculpe… Eu realmente sinto muito, Frey…

— Ada…

Vendo o quão instável ela estava, eu apertei a mão dela ainda mais forte.

— Eu estou viva. E eu não teria sobrevivido sem você lá atrás. Eu não quero ouvir você dizendo isso agora.

— Mmm…

— Me diga… quanto tempo eu fiquei inconsciente?

Ada levou alguns segundos antes de responder.

— Um mês.

— Hã?

Eu fiquei inconsciente por um mês inteiro?

— Eu ouvi errado?

Ela não parecia estar brincando.

Se isso fosse verdade…

— Droga!

Eu imediatamente pulei da cama.

— Isso significa que só falta um mês!

Eu podia sentir meu sangue fervendo.

— Até o Victoriad!

N.A:

Assim termina o longo Arco da Mansão Luar. E com isso, entramos oficialmente no arco final do Volume Um… O Victoriad.

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