
Capítulo 113
O Ponto de Vista do Vilão
Então, um dia, uma fenda se abriu repentinamente na barreira congelada que os aprisionava.
Dela, um único homem surgiu.
No momento em que ele entrou, o portal se fechou atrás dele.
Ele caminhou pelos corredores manchados de sangue, seus olhos percorrendo os cadáveres espalhados pelo chão, as mulheres que o olhavam com olhos desesperados e brilhantes.
Elas viram esperança.
Correram para ele. Mas ele passou por todas sem um segundo olhar, continuando em frente até chegar à porta que abrigava a besta.
Sem hesitar, ele a abriu.
Baylor Moonlight entrou no escritório de seu irmão.
Encontrou o lugar completamente destruído.
Drogo estava sentado no canto, seu corpo tremendo, seus soluços preenchendo o ar.
As lágrimas já haviam secado há muito tempo, substituídas por rastros de sangue escorrendo pelo seu rosto.
Ele havia se arranhado tão implacavelmente que suas feições agora estavam grotescamente desfiguradas.
Este... era o estado do outrora poderoso Lorde da Casa Moonlight.
— Você está bem, irmão.
Drogo ergueu seus olhos manchados de sangue para encontrar o olhar de seu irmão.
— Me desculpe... Me desculpe... Me desculpe...
— Eu sei, Drogo. Eu sei.
Baylor entrou mais na sala arruinada, enfiando a mão na bolsa que carregava.
— Me mate... Por favor, me mate.
As lágrimas de sangue se intensificaram enquanto Drogo implorava pela morte.
— Eu não posso fazer isso... Ainda não.
Baylor tirou várias flores pretas, colocando-as em diferentes cantos da sala, um sorriso estranho curvando seus lábios.
— Veja... Eu trouxe um presente para você.
Por alguma razão, no momento em que Drogo pôs os olhos nessas flores, seu rosto se contorceu em agonia.
A expressão de Ada se obscureceu ao reconhecê-las.
— O que são essas coisas? — ela perguntou instintivamente.
Rem respondeu: — Essas flores... Elas não crescem neste planeta.
No momento em que foram colocadas, liberaram uma poeira quase invisível no ar — poeira que Drogo inalou sem saber.
— Eu não entendi a natureza delas no início... Mas essas flores são como um intoxicante poderoso, capaz de distorcer a mente — se certas condições forem atendidas.
Condições que Drogo já havia cumprido.
As peças finalmente começaram a se encaixar para Ada.
— Então... tudo o que aconteceu até agora?
Rem assentiu.
— Foi por causa dele.
Baylor Moonlight — o atual Lorde da Casa Moonlight.
Baylor deixou o escritório, deixando Drogo para trás.
Ao sair, encontrou Rose Moonlight e várias outras mulheres.
— Por favor! Nos ajude!
— O Lorde perdeu a cabeça — ele massacrou todo mundo!
— Por favor!
Com uma expressão de simpatia, Baylor as tranquilizou:
— Eu sei. Farei tudo o que puder para ajudar. Infelizmente, não posso derrotar meu irmão... mas voltarei com reforços, eu prometo.
Palavras vazias. Falsas promessas.
Então, ele partiu. Como se nunca tivesse estado ali para começar.
A ajuda nunca chegou.
E as garotas foram deixadas sozinhas mais uma vez.
Rose continuou a esconder Seris em seu quarto. Seris não sabia o que estava acontecendo além daquelas paredes.
Ela era obediente — se sua irmã lhe dissesse para ficar parada para sempre, ela ficaria.
E assim, ela não teve escolha a não ser confiar em Rose.
Até que, um dia... aquela porta se abriu novamente.
Drogo saiu, e desta vez... ele não disse nada. Nem uma única palavra, nem mesmo um sussurro.
Ninguém sabia que tipo de pensamentos distorcidos espreitavam dentro de sua mente.
No momento em que ele surgiu, ele agarrou uma das garotas mais velhas e a arrastou para seu escritório.
Sua resistência foi inútil.
Tudo o que alguém podia fazer era observar de longe.
No momento em que ele fechou a porta atrás de si, apenas uma coisa podia ser ouvida — gritos.
Por uma hora inteira... isso era tudo o que ecoava pelos corredores.
Então, a porta se abria, e uma garota — completamente destruída — saía cambaleando.
Ela não dizia uma palavra.
Ela não chorava.
Ela não gritava.
Mas não era difícil adivinhar o que havia acontecido com ela dentro daquele quarto.
Primeiro, ele violou as mulheres que eram suas esposas. Então, as garotas mais velhas — suas filhas.
Agora, ele não se importava mais.
Não havia mais distinção.
Depois que aconteceu repetidas vezes, todos sabiam o que Drogo estava fazendo atrás daquelas portas.
Ada e Rem, em particular, sabiam.
Porque eles viram tudo.
Ele as estuprou. Ele as torturou. Das maneiras mais brutais e humilhantes imagináveis.
Elas se tornaram nada mais do que bonecas quebradas.
Muitas não suportaram.
E quem poderia? Quem poderia viver com uma humilhação tão insuportável?
A visão de jovens garotas penduradas nos galhos das árvores se tornou perturbadoramente familiar.
Uma após a outra, muitas delas tiraram suas próprias vidas, incapazes de suportar por mais tempo.
Especialmente suas filhas.
Para elas, era o próprio inferno.
E dentro desse inferno, Rose permaneceu escondida com Seris.
Ela não ousava mais sair de seu quarto.
Como poderia, com o que estava acontecendo lá fora?
A única coisa que ela podia fazer era esconder as crianças mais novas — aquelas da mesma idade de sua irmã, ou até mais novas.
Elas nunca deveriam testemunhar tais horrores.
Ela as verificava de vez em quando... então voltava para Seris.
Enquanto isso, Drogo se entregava à sua depravação diariamente.
Até que, um dia... ele não encontrou nenhuma vítima adequada.
Corpos demais agora pendiam das árvores.
Mas ele sabia...
Mais ainda estavam escondidas.
—
— Já chega. Eu não quero ver mais nada.
Ada havia chegado ao seu limite.
Sua mente estava à beira.
Então, e aqueles que sofreram isso em primeira mão?
Mas Rem apenas balançou a cabeça.
— Infelizmente... nós temos que ver isso até o fim.
—
Drogo saiu de seu quarto.
Um passo após o outro...
Inúmeros fios escuros o envolviam, guiando-o em direção a um certo lugar.
Seus passos eram lentos.
Mas para aqueles ainda vivos, eles eram um pesadelo.
E seu alvo... se tornou claro.
Rose, que estava segurando sua irmã perto, sentiu.
Ela o sentiu chegando.
Seu corpo tremia, mas ela se forçou a se mover — correndo para colocar Seris no guarda-roupa.
— Irmã... você está tremendo...
Rose sabia o que a esperava.
Mas ela engoliu as emoções que ameaçavam transbordar, forçando um sorriso para sua irmã.
— Seris... Não importa o que aconteça, não importa o que você ouça... não saia. Ok?
— Irmã...
Os passos estavam ficando mais altos.
Lágrimas começaram a cair apesar de si mesma.
— Se esconda bem. Feche seus olhos. Não saia até que eu volte, tudo bem?
Sua voz tremia.
Seu corpo tremia.
Ela mal estava se segurando.
Seris podia sentir.
— Eu te amo... Mais do que qualquer coisa neste mundo.
Rose fechou o guarda-roupa.
E a porta se abriu rangendo.
Drogo entrou.
Através das estreitas fendas do guarda-roupa, Seris viu tudo.
Ela viu como Rose lutou.
Ela viu como aquele monstro a prendeu e a devastou, seus gritos preenchendo o quarto.
E então, ela viu como ele a arrastou para fora...
Para continuar seu tormento em outro lugar.
—
A mente de uma criança não foi feita para compreender tais horrores.
A princípio, Seris não conseguiu entender o que tinha visto.
Seu pai.
Sua irmã.
Sua irmã sendo machucada por seu pai.
As 'pessoas más' sobre as quais Rose a havia avisado...
Sempre foi ele.
Ele havia feito algo estranho com ela.
Algo que Seris não entendeu.
Mas ela sabia... ela sabia que sua irmã havia sofrido.
Ela se encolheu dentro do guarda-roupa, tremendo.
Ela esperou.
E esperou.
Mas Rose nunca voltou.
No final...
Seris encontrou a coragem de quebrar a ordem de sua irmã.
Ela abriu o guarda-roupa e saiu.
Ela caminhou por um campo de cadáveres, procurando.
— Irmã?
Sua pequena voz mal ecoou pela noite.
Ela entrou em um certo jardim.
Um jardim onde mulheres pendiam das árvores.
Ela caminhou entre elas, agarrando seu vestido fino.
— Irmã?
Uma por uma, ela as passou.
Os rostos daqueles que ela tinha visto todos os dias.
Pessoas que ela conhecia.
Pessoas que uma vez sorriram, riram e falaram com ela.
Pessoas que ela acreditava que sempre estariam lá.
Ela as reconheceu todas.
E por causa disso—
Suas lágrimas se recusavam a parar.
No final, Seris alcançou uma árvore.
Maior do que as outras.
E em um de seus galhos mais altos...
Pendia um único corpo.
Apenas um.
No entanto, esse único corpo—
Foi o que a despedaçou mais.
Ela nem conseguia alcançá-lo.
A corda estava amarrada muito alto.
Mas ela não precisava.
Ela já sabia.
Sua irmã uma vez lhe disse—
— Eu te amo mais do que qualquer coisa neste mundo.
— Eu voltarei para você.
Mas agora—
Seris desabou.
Ali, sob aquela árvore amaldiçoada, ela chorou mais do que nunca.
A garota pendurada naquela árvore era a que Seris mais amava neste mundo.
Ela era Rose.
Naquela noite... Algo dentro de Seris se despedaçou de forma irreparável.