
Capítulo 114
O Ponto de Vista do Vilão
O tempo passou rapidamente, e a história se gravou mais uma vez, passo a passo.
Uma garota solitária estava no meio de tudo – alguém que havia perdido toda a sua luz da noite para o dia.
O sorriso brilhante que antes iluminava seu rosto havia desaparecido completamente.
Tudo o que restava era uma expressão vazia, suas feições desgastadas por lágrimas que há muito haviam secado.
“Você me disse que voltaria.”
“Você disse que eu era a coisa mais importante na sua vida.”
Mas ela nunca voltou.
Em vez disso, ela deixou este mundo – por sua própria vontade.
Apoiada na árvore que havia sustentado o corpo sem vida de sua irmã, ela sentou-se ali, imóvel –
Em um campo onde o fedor da morte pairava no ar, denso e sufocante.
Um lugar que nenhuma criança deveria ser forçada a suportar.
Tudo o que restava eram crianças.
Crianças jovens demais para compreender o que havia acontecido –
Algumas ainda acreditando que era apenas um pesadelo.
Um aterrorizante, sim –
Mas real, no entanto.
E neste pesadelo, demônios à espreita encontraram sua presa perfeita –
Aqueles que haviam perdido sua luz completamente.
Mas os humanos...
Humanos podem ser muito piores que demônios.
Tudo o que foi preciso foram algumas palavras cuidadosamente escolhidas –
Ditas no lugar certo, na hora certa.
“Você quer vingança por quem fez isso com sua amada irmã?”
“O monstro responsável por tudo isso... não era ninguém menos que seu próprio pai – Lorde Drogo Moonlight.”
Um por um, Baylor Moonlight semeou suas sementes venenosas nas mentes das crianças que restaram.
Entre eles estava uma garota frágil, sobrecarregada com um peso que nenhuma criança deveria suportar.
Aqueles que sobreviveram àquele lugar –
Desde o momento em que o fizeram, seus destinos foram selados.
Baylor Moonlight entendeu isso melhor do que ninguém.
Afinal, foi ele quem criou esse ambiente.
Ele era o arquiteto daquelas barreiras geladas –
Aquele que isolou a propriedade de Lorde Drogo Moonlight do mundo exterior.
Nunca tinha sido Drogo.
Sempre foi ele.
Sem Baylor, as coisas nunca teriam saído tanto do controle.
Mas o que foi feito...
Foi feito.
E agora, aqui estavam eles.
Baylor preparou o palco.
Tudo o que restava era o ato final desta peça miserável.
E assim, com cálculo preciso...
Ele atraiu aquela garota pequena e frágil para sua teia.
Uma garota que não sabia nada do mundo...
Uma garota que havia perdido tudo...
Seris.
Ele entregou a ela um objeto.
E então, ela foi.
Ela caminhou direto para aquele que ela via como a fonte de todos os seus pesadelos.
A besta que há muito havia perdido a razão.
Seris entrou na sala –
A sala onde Drogo esperava.
Naquela altura, ele estava irreconhecível.
Seu rosto – mutilado além da crença.
Seu corpo – retorcido em uma monstruosidade grotesca, uma massa de carne podre com olhos distorcidos olhando em todas as direções.
No entanto, mesmo quando Seris se aproximou, passo a passo –
Drogo não se moveu.
Ele apenas observou.
Em algum lugar no fundo daquele monstro...
Alguma brasa fraca e moribunda de razão...
O impediu de atacar sua filha mais nova à vista.
E então...
Seris estendeu a mão.
Sua pequena mão agarrou um estranho cubo dourado.
No momento em que ela o tocou com ele...
Uma luz ofuscante irrompeu.
Um brilho intenso que engoliu tudo à vista.
Como chamas divinas expurgando todo o pecado...
Drogo queimou dentro daquele inferno sagrado.
Uma fumaça espessa e preta subiu de seu corpo, contorcendo-se violentamente como se estivesse expurgando os próprios males do mundo.
Ele estava completamente imobilizado.
Congelado no lugar.
E naquele momento...
Ele não teve chance.
Uma lança colossal de gelo rasgou seu peito –
Abrindo um buraco enorme que nenhum mortal jamais poderia esperar sobreviver.
No entanto, mesmo assim, Drogo não fez nenhum som.
Ele apenas fechou os olhos...
Como se estivesse aliviado.
Ele havia suportado seu próprio inferno pessoal...
E agora, acabou.
Baylor Moonlight havia matado Drogo...
Mas não antes de fazê-lo sofrer todos os tormentos imagináveis.
E no final –
Ele se pintou como o herói que havia acabado com o pesadelo.
—
Ada observou a cena se desenrolar.
Sua expressão estava vazia de emoção.
“Isso... é demais para assimilar.”
Apenas testemunhar isso já era o suficiente para quebrar a mente de qualquer pessoa sã...
Muito menos viver tais horrores em primeira mão.
Ao lado dela, Rem balançou a cabeça.
Seu rosto se contorceu com nada além de desgosto por aquele homem.
Drogo já admirou Abraham...
Aquele que estava acima dele.
Apenas um homem.
No entanto, ele não percebeu...
Que ele também já foi admirado.
Especialmente por alguém que viveu em sua sombra desde a infância.
Alguém que estava condenado desde o nascimento a permanecer na escuridão...
Não importa o que fizesse.
Alguém que nunca foi capaz de quebrar o gelo de seu irmão mais velho.
A boneca mais frágil de todas...
Nunca foi Drogo.
Sempre foi Baylor.
Um homem consumido por sua busca por poder –
Poder que permaneceu além de seu alcance.
Uma alma desesperada como essa se agarraria à primeira tábua de salvação lançada em seu caminho.
E ele o fez.
A morte de Drogo enviou ondas de choque por todo o império.
Até mesmo o próprio Imperador Maekar Valerion veio...
Não querendo acreditar nas alegações de traição.
Mas a verdade do que havia ocorrido dentro daquelas paredes...
Foi enterrada.
Foi dito ao mundo que Drogo havia massacrado seus próprios filhos e a maioria de suas filhas depois de perder o controle do poder que o havia consumido.
Um conto difícil de engolir –
No entanto, a revelação da igreja da aura demoníaca persistente no cadáver de Drogo cimentou a alegação, não deixando espaço para dúvidas.
Os únicos sobreviventes eram crianças, a maioria das quais havia sido destruída além do reparo, suas mentes fraturadas a ponto de que a verdade e a ilusão se confundiam em uma só.
E aqueles que retiveram mesmo uma lasca de clareza –
Foram silenciados.
Pela mão de Baylor.
Apenas a família principal sabia a verdade do que havia acontecido por trás daquelas portas seladas.
Alguns sussurros da realidade escaparam pelas rachaduras –
Eles se tornaram nada mais do que rumores.
Contos contados por estranhos.
E assim –
Um dos maiores pilares do império caiu.
E em seu lugar, um novo lorde ascendeu –
Aquele que tomou seu trono pelos meios mais vis e implacáveis imagináveis.
—
“Tem certeza de que quer me mostrar tudo isso?”
“Eu sou uma estranha para sua família.”
Rem apenas balançou a cabeça.
“Dado o que você está planejando, Lorde Starlight... você está prestes a trazer uma mudança real para esta casa. Uma mudança que deve acontecer – se você realmente pretende preservar o legado deixado por Lady Semiramis.”
“É por isso que não vou te impedir.”
“Embora... se você pretende destruir esse legado –”
“Eu não vou ficar parada.”
—
Ada soltou um suspiro cansado.
Ela olhou para as próprias mãos –
Ambas marcadas com símbolos de sangue.
Um peso muito maior do que ela poderia suportar.
“Pensar que o único homem que sempre alegou ser neutro –”
“Foi a própria causa de tudo isso.”
“As aparências sempre foram a maior mentira de todas.”
“Sim...”
“Baylor Moonlight traiu a si mesmo. Seu povo. Sua própria família.”
“Mesmo agora, não consigo entender completamente o que vi e ouvi. Mas o que eu não entendo é –”
Ela hesitou.
A imagem de seu irmão ressurgiu em sua mente.
O irmão cujo destino ela havia previsto –
Um destino que previa sua morte.
“O que Frey tem a ver com tudo isso?”
Rem permaneceu em silêncio por um momento.
E então –
A cena mudou.
Revelando algo totalmente diferente.
“Frey Starlight...”
“Você poderia dizer que ele era apenas outra alma azarada –”
“Alguém que se viu preso nesta imundície e caos.”
Rem revelou uma série de visões para Ada – vislumbres de momentos cruciais onde o destino de outro havia sido selado completamente.
Tudo se desenrolou dentro de uma biblioteca, agora isolada do mundo exterior por um portão maciço e impenetrável.
E de pé diante desse portão estava uma figura solitária.
Com cabelos azuis elegantes, pele pálida e uma aura de puro pavor...
Era Baylor Moonlight.
…
…
…
– Pov de Frey Starlight –
“Huff... Huff...”
Eu arfei por ar, meu corpo estendido no chão.
Eu não estaria mentindo se dissesse que me destruí completamente agora. Parecia forçar uma pequena torneira a derramar um oceano inteiro em um instante.
“Você está bem?”
A voz de Carmen me alcançou. Ela sentou-se ao meu lado, ainda lutando para processar o que acabara de acontecer.
Com um sorriso fraco, forcei meus lábios a se mover.
“Quem era mesmo... que você chamou de meio homem?”
Ela piscou surpresa antes que uma risada abafada escapasse de seus lábios.
“Droga... qual é o seu segredo? Você é mesmo humano?”
Gemendo, me levantei do chão com grande esforço.
“Eu acho que sim.”
Levei um momento para estabilizar minha respiração antes de falar novamente.
“Quanto ao meu segredo, eu deveria estar te fazendo uma pergunta primeiro. Você vai jurar sua lealdade a mim?”
Carmen ficou em silêncio.
Abaixando o olhar, ela olhou para ambas as mãos, lembrando o momento em que aquela barreira – aquela que a havia retido por tanto tempo – finalmente começou a rachar.
Se ela repetisse o processo comigo, romper de S+ para SS- seria apenas uma questão de tempo.
O jovem diante dela era o filho de Lorde Abraham Starlight, a própria pessoa que a havia moldado em quem ela era hoje.
O mesmo homem que ela amava... à sua maneira.
A resposta era óbvia.
Ela assentiu.
Um largo sorriso se espalhou pelo meu rosto.
“Então, você está aceitando a oferta do meio homem de pé diante de você?”
Ignorando meu comentário sarcástico, Carmen falou com resolução inabalável.
“A partir deste dia, juro minha lealdade como seu cavaleiro. Se sua vida estiver em risco, darei a minha. Seus segredos morrerão comigo. Quando você viver, eu viverei. Quando você morrer... eu morrerei.”
“Espere – risque essa última parte... Não precisa nos azarar”
Carmen sorriu, seu tom brincalhão.
“Este nível de compromisso é necessário para construir confiança. Ou... você prefere que eu ofereça meu corpo em vez disso?”
Carmen... seu corpo –
Um violento arrepio percorreu minha espinha enquanto eu agitava minhas mãos freneticamente.
“Vou ter que recusar essa oferta tentadora... especialmente porque você é mais forte do que eu. Talvez eu considere isso quando eu te ultrapassar.”
“Ah? Me ultrapassar? Com um talento de nível A?”
Ela zombou, apenas para ficar em silêncio.
A memória daquela aura aterrorizante passou por sua mente e, por um breve momento, seus pensamentos pararam.
Um talento de nível A significava que minhas estatísticas deveriam ter sido permanentemente limitadas a esse nível. No entanto, eu o havia excedido em muito.
Eu balancei minha cabeça lentamente.
“Você jurou sua lealdade como meu cavaleiro. Como seu novo lorde, eu, por sua vez, juro tratá-la adequadamente e nunca forçá-la a fazer nada contra sua vontade.”
Eu pausei antes de continuar.
“Agora, aqui está o que você precisa saber.”
Eu levantei um único dedo.
“Primeiro, meu talento não é de nível A.”
Os olhos de Carmen se arregalaram, mas ela não interrompeu.
“Você não precisa saber meu verdadeiro limite ou por que todos os outros não estão cientes disso.”
“Segundo, a aura que você sentiu... e como eu sobrevivi dentro das Terras do Pesadelo por um ano inteiro...”
Aqui –
Eu tive que tecer verdade e mentiras juntas em algo verossímil.
Eu não podia revelar tudo para ela, mas consegui compartilhar algumas verdades dispersas.
Primeiro, a fonte do meu poder – eu atribuí isso à Seita das Sombras. Dei a ela uma breve explicação sem entrar em detalhes como as estátuas e outros aspectos ocultos.
No entanto, eu contei a ela sobre a técnica dos Dez Mil Passos da Sombra. Para reforçar minha alegação, revelei minha espada – Balerion, o Terror Negro.
Os olhos dela se arregalaram quando a percepção a atingiu. Ela finalmente entendeu como eu havia sido capaz de feri-la naquele dia.
“Parece que...”
Carmen murmurou distraidamente.
“Parece o quê?”
“Sua espada... Se parece com a de Abraham.”
Era bem conhecido que Abraham uma vez empunhou Dark Sister, a lâmina destinada ao Deus da Espada Avalon durante os primeiros dias do Império.
Tanto Balerion quanto Dark Sister eram espadas negras, então eu entendi a comparação.
“Mais ou menos...”
Eu ignorei, não querendo discutir os segredos das Sete Espadas Lendárias mais adiante.
“Agora, vamos nos concentrar no que você precisa fazer, Carmen.”
A primeira coisa que abordei foi a maldição colocada sobre mim e o fato de que eu estava sendo alvo.
Surpreendentemente, ela não pareceu chocada. Em vez disso, ela parecia que já sabia.
“Você... já sabe sobre isso?”
Carmen assentiu, confirmando minhas suspeitas.
“Como?”
Ela hesitou antes de responder.
“Eu aprendi sobre isso com Ada.”
Ada...
“Já que você a mencionou, isso leva ao próximo assunto. Eu quero que você continue apoiando-a – essa é uma coisa.”
Eu me aproximei, meu tom sério.
“Mas, por outro lado, eu preciso que você me diga... O que exatamente minha irmã está planejando?”
Ada sabia demais. Eu não tinha dúvidas de que ela estava se preparando para algo.
Eu precisava entender a situação agora para traçar minha próxima jogada de forma eficaz.
Mas eu não obtive a resposta que queria.
“Desculpe, Frey”, disse Carmen firmemente. “Sua irmã colocou uma forte restrição sobre mim. Não importa o quão leal eu seja a você agora, eu fisicamente não posso falar sobre o que ela está planejando. É o quão séria ela está sobre isso.”
Eu levei uma mão ao meu queixo, profundamente em pensamento.
Ada havia feito algo drástico o suficiente para forçar Carmen ao silêncio?
Isso estava se tornando mais problemático a cada segundo.
Percebendo minha frustração, Carmen rapidamente me tranquilizou.
“Frey, sua irmã está completamente do seu lado. Ela nunca faria nada para te prejudicar – tenha certeza disso. A melhor coisa que você pode fazer agora é perguntar a ela diretamente.”
Eu assenti.
“Eu acho que você está certa.”
Eu precisava falar com minha irmã.
Mas a verdadeira questão era –
“Onde está Ada?”
Naquele momento, nem Carmen, apesar de sua força, nem eu percebemos que alguém havia escapado de suas barreiras. Uma figura oculta estava espreitando nas sombras, observando silenciosamente tudo se desenrolar.