
Capítulo 112
O Ponto de Vista do Vilão
O passado revela muito... detalhes que muitos escolhem esquecer.
Às vezes, esses detalhes esquecidos são tão repulsivos que você desejaria apagá-los da memória toda vez que ressurgem.
Uma pessoa pode mudar da noite para o dia e, às vezes, os desejos que espreitam no coração de um homem são terrivelmente destrutivos.
Antes de Ada e Rem, aquela garotinha brincava o dia todo.
Ela era tão cheia de vida que seu sorriso nunca deixava seu rosto, nem por um momento.
'Essa é mesmo Seris Moonlight?'
Era como se fossem duas pessoas completamente diferentes.
Uma era uma escultura de gelo, desprovida de quase toda emoção.
A outra era uma criança radiante, tão animada que sua alegria gradualmente contagiava aqueles ao seu redor.
'É porque Rose estava lá.'
Com sua irmã mais velha ao seu lado, Seris viveu seus dias mais felizes.
Rose desempenhou o papel de mãe e irmã — perfeitamente.
Vendo o quão próximas as duas irmãs eram, Ada sentiu uma dor oca dentro do peito.
Ela não pôde evitar compará-las a si mesma e Frey.
Infelizmente, por causa da personalidade difícil de seu irmão no passado, ela nunca tinha sido capaz de construir um laço assim com ele.
Mesmo que não fosse culpa dela, ela ainda sentia um toque de culpa em relação a Frey.
Mesmo que ele já tivesse sido a escória da terra... ele havia mudado drasticamente.
Talvez... se ela tivesse ficado ao lado dele naquela época, ela poderia ter provocado essa mudança muito antes.
Mas não adiantava se lamentar pelo passado.
O que importava era o presente e o futuro, e Ada Starlight sabia disso muito bem.
Rem, sempre observadora de emoções e auras, notou especialmente os sentimentos flutuantes de Ada.
Ela não a interrompeu. Simplesmente continuou estudando a atual Lorde da família Starlight.
Afinal, esse era o hobby dela.
Felizmente, o momento de reflexão de Ada não durou muito, permitindo que Rem continuasse a desvendar o passado suavemente.
'Rose Moonlight… além de sua natureza gentil e beleza, que cativaram muitos, ela também possuía um dos maiores talentos da família — junto com Seris.'
Seu progresso no treinamento era lento porque ela passava muito tempo cuidando de seus irmãos mais novos — fosse Seris, sua irmã de sangue, ou os muitos outros que compartilhavam apenas seu pai.
Apesar de seu treinamento limitado, ela sempre conseguia acompanhar... e às vezes até superava aqueles que haviam dedicado suas vidas a aprimorar suas habilidades.
Afinal, ela era filha do maior Controlador de Ondas do império.
Ela era incrivelmente perspicaz, e foi por isso que ela tinha alguma ideia do que estava acontecendo nos bastidores da família.
E foi precisamente por isso que ela se agarrava tão desesperadamente aos seus irmãos — ela queria protegê-los do que estava por vir.
Mas ela nunca percebeu... a catástrofe viria do próprio líder da família.
A cena mudou, revelando Drogo Moonlight, tremendo violentamente em sua mesa.
Ele estava sozinho, os fios do demônio apertando cruelmente em volta de sua garganta.
Como um louco, ele se contorcia e convulsionava, murmurando para si mesmo.
'Me desculpe, me desculpe, me desculpe, me desculpe...'
Ele continuava se desculpando de uma maneira estranha e perturbadora, sua voz oca.
Às vezes, ele balançava os braços descontroladamente, como se estivesse tentando atacar algo invisível, enquanto gritava — 'Saiam de perto!'
O que quer que aquele homem tivesse testemunhado... Drogo já havia chegado ao ponto sem volta.
O olhar de Ada foi atraído para várias flores pretas espalhadas por sua mesa e em vários pontos da sala.
Ela as notou, mas seu foco permaneceu fixo no homem quebrado à sua frente.
Tudo estava seguindo na direção errada.
E então chegou o dia…
Um dia em que um dos filhos de Drogo visitou seu escritório.
Um mero menino, com no máximo sete anos de idade.
Apenas uma criança, ansiosa para mostrar a seu pai sua mais recente conquista.
'Pai! Olha!'
O menino juntou as mãos, moldando a água na forma de uma flor delicada.
Então, bem lentamente, a água congelou, formando uma escultura de tirar o fôlego — uma que exigia um certo nível de controle da aura.
Drogo observou com olhos vazios, olheiras escuras gravadas sob eles.
Ele parecia aterrorizante.
No entanto, o menino não estava assustado — nem um pouco.
Afinal, este era seu pai.
Lentamente, Drogo se levantou de sua cadeira e caminhou em direção ao menino, envolvendo-o em um abraço gentil.
Ele nem sequer sabia o nome de seu filho.
Havia tantos deles — tantos que ele nunca se preocupou em lembrar.
Ele acariciou suavemente o cabelo do menino.
E assim, a criança sorriu.
Porque ele tinha conseguido o que veio buscar.
Mas seu pai nunca o soltou.
Inclinando-se perto, ele sussurrou no ouvido do menino.
'Me desculpe.'
Nos olhos de Drogo, ele não via mais uma criança.
Tudo o que ele via era algo envolto em escuridão, alimentando suas alucinações.
Aconteceu em um instante.
Sua mão mergulhou através do peito do menino, emergindo de suas costas — completamente encharcada de carmesim.
A criança ofegou, um hálito quente escapando de seus lábios... seguido por um bocado de sangue que gradualmente ficou mais frio.
Seus olhos encontraram os de seu pai — sua expressão cheia de agonia que sua jovem mente não conseguia compreender.
Ele estendeu a mão, tentando dizer algo…
Mas a vida o abandonou cedo demais.
No momento em que aconteceu, seu pequeno corpo congelou por completo.
Então... ele se estilhaçou em meros fragmentos de gelo.
Drogo ajoelhou-se ali por um tempo, murmurando palavras incompreensíveis antes de se levantar — sua expressão ilegível.
Como um bêbado, ele cambaleou pelos corredores do castelo.
O castelo de Lady Semiramis era como uma pequena cidade, e esta seção pertencia exclusivamente a Drogo e sua família.
Ninguém mais estava lá.
A cada passo, Ada notava mais daquelas flores pretas aparecendo.
A visão a perturbava cada vez mais.
Mas ela não conseguia se forçar a dizer nada.
Não quando ela estava testemunhando... isso.
Um após o outro, a outrora pura Mansão Moonlight tornou-se manchada de sangue…
A voz de Ada tremeu.
'Isso é loucura…'
Crianças. Adultos.
Drogo os massacrava um por um, despedaçando-os.
Cada vez que terminava com um, ele os transformava em uma estátua de gelo…
Apenas para que seus corpos congelados evaporassem momentos depois — reduzidos a nada além de minúsculos fragmentos de gelo.
Drogo murmurava palavras…
Ininteligíveis. Estrangeiras.
Uma língua que ninguém jamais ouvira antes.
Mas apenas o seu som era horripilante.
E estranhamente, ele só matou os meninos.
Ele nunca tocou nas meninas.
Seus filhos eram tão absurdamente numerosos que era quase risível.
Mas, ainda assim, ele continuou a matá-los.
E em resposta, os gritos se elevaram — uma sinfonia de terror.
Gritos que deveriam ter sido ouvidos não apenas dentro do castelo…
Mas por toda Winterfell.
No entanto, por alguma razão…
Não importava o quanto as crianças chorassem por ajuda—
Ninguém veio.
Eles estavam completamente sozinhos naquela parte do castelo.
Muitos dos filhos de Drogo tentaram revidar.
Mas quem poderia enfrentar um monstro classificado como SS+?
Alguns tentaram correr.
Mas barreiras de gelo — mais duras que aço — bloqueavam todos os caminhos.
A pura força daquele gelo era de nível S e superior…
Não havia como romper.
Eles não tiveram escolha a não ser aceitar a realidade.
Eles estavam presos com um monstro.
Ada e Rem observaram em silêncio — até que Ada finalmente falou, sua voz mal acima de um sussurro.
'Por que você não fez nada?'
'Com licença?'
Rem piscou, confusa com o quão fraca era a voz de Ada.
E então, Ada explodiu.
'POR QUE VOCÊ NÃO FEZ NADA? Você não é a própria ferramenta deixada para trás pela própria Instituição?! Por que você simplesmente ficou sentada ali, assistindo, de mãos atadas?!'
Pela primeira vez…
Uma expressão amarga apareceu no rosto de Rem.
'Você acha que estou assistindo por vontade própria?'
'Hã?'
Rem balançou a cabeça, cerrando os punhos com força.
'Meu poder, minhas habilidades... eles existem apenas dentro desta biblioteca. Eu não posso interferir com o mundo exterior. Eu não posso sair. Tudo o que eu sempre pude fazer foi observar.'
Havia uma vulnerabilidade crua em sua voz enquanto ela continuava.
'Eu sou leal à minha senhora. Ela me deixou aqui por um motivo… Ela me deixou com uma profecia em minhas mãos. Uma profecia do dia prometido. Ano após ano, décadas se passaram, e eu permaneci aqui, esperando. Esperando por trezentos malditos anos!!...'
Ada permaneceu em silêncio, observando Rem tremer de emoção.
'Não fale comigo sobre ser impotente… Porque ninguém conhece esse sentimento melhor do que eu — o sentimento de ver tudo desmoronar, sabendo que você não pode fazer absolutamente nada para impedir isso.'
De repente, um som distante chamou sua atenção.
As palavras de Rem as fizeram esquecer, mesmo que por um momento, que ainda estavam dentro de uma memória.
As duas se moveram em direção à fonte, apenas para encontrar uma jovem garota parada protetoramente em frente a um grupo de meninos.
Era Rose.
Rose Moonlight estava corajosamente diante do monstro que se aproximava dela.
De onde estavam, Ada e Rem podiam ver o leve tremor em seu corpo. Ela estava aterrorizada.
E ainda assim, ela manteve sua posição, implorando para que ele parasse.
Tudo aconteceu tão rápido que ela mal teve tempo de processar.
Drogo não era nada mais do que um receptáculo para pensamentos distorcidos agora — qualquer tentativa de alcançá-lo era inútil.
Rose percebeu isso.
Ela tentou detê-lo à força, mas o que uma mera Desperta de Classe C como ela poderia fazer contra ele?
Com um único aceno de sua mão, ele a mandou voando.
Rose bateu forte no chão, a dor se espalhando por seu corpo daquele único golpe sem esforço.
E diante de seus olhos, as crianças que haviam se encolhido atrás dela foram massacradas — abatidas uma após a outra, seus gritos desaparecendo no ar frio.
Ela não pôde fazer nada além de conter as lágrimas e correr.
Ela tropeçou em uma sala familiar — um espaço aconchegante com duas camas.
Ela correu para um guarda-roupa, abrindo-o com um puxão. Dentro, uma jovem garota estava sentada encolhida, abraçando seus joelhos com medo.
'Irmã.'
Uma voz trêmula a chamou, e Rose puxou Seris para um abraço desesperado.
'Está tudo bem... eu estou aqui.'
Ela se agarrou a Seris, segurando-a firmemente enquanto os sons do massacre ecoavam do lado de fora.
Horas se passaram, embora parecesse uma eternidade. Eventualmente, os gritos cessaram, deixando apenas um silêncio estranho em seu rastro.
Naquela noite, Drogo assassinou todos os meninos que um dia o chamaram de 'Pai'.
O sangue correu tão espesso que o gelo outrora puro assumiu uma nova tonalidade carmesim.
Depois de cometer tal atrocidade, Drogo se trancou em seu escritório. Ninguém viu seu rosto por dias.
Mas as barreiras que os haviam selado lá dentro permaneceram intactas.
E assim, eles foram forçados a ficar — presos com o monstro que um dia fora seu lorde, temendo o momento em que sua porta se abriria novamente.
Era demais para as jovens garotas como Rose suportarem, muito menos aquelas tão pequenas quanto Seris.
Ada e Rem observaram tudo se desenrolar.
Nesse ponto, nenhuma delas falou. Suas expressões diziam mais do que as palavras jamais poderiam.
Especialmente com o som de soluços abafados ao seu redor.
Durante tudo isso, Rose nunca deixou o lado de Seris.
Ela ficou com ela, forçada a mentir para ela.
'Vai ficar tudo bem.'
Foi o que ela disse a ela, repetidas vezes.
'O que aconteceu lá fora? O que foram aqueles gritos?'
Essa foi a pergunta que Seris havia feito.
'Havia algumas pessoas más lá fora… Temos que nos esconder até que lidem com elas.'
Não havia sensação pior do que essa — mentir, para tranquilizar alguém de que estava tudo bem quando você sabia que a verdade era tudo menos isso.
Especialmente quando Seris perguntou, 'Por que o papai não está impedindo eles? Ele não é o mais forte?'
Rose não tinha resposta.